“A Gigantesca Pequena Coisa”. A Literacia Emergente como Direito Fundamental de Todas as Crianças

Caros leitores, apresentamos um pequeno resumo do Painel 1, das V Jornadas Deficiência Visual & Intervenção Precoce – Literacia Emergente para a Cegueira.

 “A Gigantesca Pequena Coisa”. A Literacia Emergente como Direito Fundamental de Todas as Crianças

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Descrição da fotografia: Capa do livro “A gigantesca pequena coisa”, de Beatrice Alemagna, editora Bags of Books.

O painel foi introduzido por uma leitura, interpretada por Rita Ângelo, da equipa do CAIPDV.

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Descrição da fotografia: Rita Ângelo, leitura do texto de introdução do painel I. 

Encontrámos um livro de Beatrice Alemagna que nos fala de uma “Gigantesca Pequena Coisa”… tão elementar quanto preciosa, tão pequena quanto gigantesca, tão do campo do Direito, da incontornabilidade, como tão simples, tão do presente, do dia-a-dia e do ramo das pequenas coisas…

“As pessoas encontram-na nos cheiros, nos olhares. Nos braços dos outros”

“Alguém a encontrou no meio da chuva, um minuto ou dois, no máximo. Esse minuto bastou-lhe”.

Porque ela é poderosa e alimenta. Porque ela é alimentada pelas coisas, pelas coisas do mundo, que se traduzem em palavras, em frases, em conhecimento, que se desdobra em palavra dita, em palavra escrita…

Falamos em Literacia Emergente… em literacia emergente como Direito fundamental de Todos. Um direito que se exprime na essência de conhecer, de conhecer para crescer e para fazer parte.

Trata-se do Direito à Educação, que implica que a mesma seja equitativa e que proporcione apoio ajustado e atempado a todas as crianças. Trata-se de acesso, mas também de acessibilidade.

Trata-se de conhecer o mundo pelo meio da palavra e usar a palavra para se referir ao mundo… 

Um dia…

“Um senhor já de idade encontrou-a dentro de um floco de neve, no frio que vinha de longe. Por momento, voltou a sentir-se criança”.

Que hoje nos sintamos, de novo, crianças, ao empreendermos o processo de literacia emergente.

Assim, começava o 1º Painel, com moderação de António Nogueira – Coordenador da Formação em Bibliotecas Escolares da Rede de Bibliotecas. Este foi um painel que situou o auditório sobre o domínio da literacia emergente, sobre a sua conceptualização e operacionalização.

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Painel I: Fernanda Leopoldina Viana e António Nogueira. 

Fernanda Leopoldina Viana – Professora Associada do Instituto de Educação da Universidade do Minho, tornou mais claro o conceito de literacia emergente, abordando as suas implicações no caso de crianças com cegueira. A Professora frisou a necessidade de oportunidades de aprendizagem incidental mais alargadas, a necessidade da leitura em voz alta, oportunidades de exploração tátil, descrição dos itens impressos que aparecem no meio  e a necessidade de se estar atento à construção de imagens mentais. Salientou, ainda, no plano da escrita, a  importância da escrita inventada (rabiscar, pseudo letras). Salientou  a importância de se ajudar a construir um “projeto de leitor”, que passará pela curiosidade da criança pelo mundo. Por fim, relatou-nos a importância de contacto com os livros adaptados, que sirvam de base à literacia braille.

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Descrição da fotografia: Painel I moderador e oradores em mesa e Fernanda Leopoldina Viana a realizar a sua comunicação. 

Aquilino Rodrigues – Docente Convidado da Universidade Lusófona, brindou-nos com uma comunicação intitulada de “Literacia Emergente: Uma abordagem holística”. Descreveu os sentidos da visão e do tato como sentidos diferenciadores e relevantes para a construção do contexto percetivo de pessoas cegas e normovisuais. Posteriormente, clarificou alguns princípios básicos essenciais para a construção de imagens em relevo, nomeadamente no que se refere à diminuição de níveis de detalhe e ausência da perspetiva. Numa segunda fase, apresentou a rede de suporte necessária ao processo de literacia emergente de crianças com cegueira (PAIS, sociedade, familiares, amigos, professores, terapeutas), destacando o papel dos pais. Convidou o auditório a conhecer a  revista Future Reflections (publicação da American Action Fund for Blind Children and Adults em parceria com a National Organization of Parents with Blind Children – https://nfb.org/future-reflections) e questionou a inexistência de uma associação de pais de crianças com deficiência visual.

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Descrição da fotografia: Painel I – Aquilino Rodrigues.

Inês Marques – em representação da equipa do CAIPDV – OLEC, abordou a experiência que a equipa tem desenvolvido no âmbito da literacia emergente (LE) para a cegueira nos contextos naturais. Focou a construção de recursos de apoio à  LE para crianças com cegueira, destacando a adaptação de livros táteis ilustrados (modelo háptico); a disponibilização de livros nos contextos naturais (Baús de Leitura); as visitas mensais aos contextos educativos das crianças/domicílios onde se desenvolvem ações promotoras da LE e o trabalho cooperativo com as famílias para capacitação em práticas de LE (ateliers para pais). Partilhou alguns exemplos de ações onde através de histórias se desenvolveram competências prévias ao processo de leitura e escrita formal. Através de  fotografias e vídeos foi retratado o trabalho em áreas como: desenvolvimento de competências táteis, linguísticas, motoras e pré-braille.

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Descrição da fotografia: Painel I moderador e oradores em mesa e Inês Marques a realizar a sua comunicação. 

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