O Bebé com Cegueira: O Afeto como Colo da Literacia (Parte II)

El niño se halla inmerso en un universo relacíonal, y estas relaciones con los demás están estrechamente ligadas a su actividad motriz y sensoriomotriz. Poco a poco, gracias al movimiento, el niño va adquiriendo una experiencia de cuanto lo rodea, al tiempo que desarrolla comportamientos que suponen una relación inteligente con el entorno. (Leonhardt, 1992)

No último artigo abordámos a importância do contacto físico, do toque, da linguagem e da sonoridade da voz para o bebé com cegueira. Ver artigo anterior, aqui. Hoje partilhamos algumas ideias práticas para colocar estes fundamentos em prol do desenvolvimento do bebé. Como salienta Mercé Leonhardt, referência no estudo do desenvolvimento do bebé com cegueira, trata-se de ligar o espaço físico a um espaço relacional, imprescindível para o bebé sentir segurança e se aventurar na descoberta do mundo.

Pensando na importância do toque e do contacto físico para o bebé com cegueira, teremos que nos reportar ao desenvolvimento do sistema proprioceptivo. O sistema proprioceptivo recebe informação proveniente das terminações nervosas localizadas nos músculos, tendões e articulações, permitindo que o bebé tenha consciência da sua posição no espaço. Torna-se um sistema fundamental para o desenvolvimento da consciência do corpo e controlo dos movimentos.

Os panos de transporte, as tranças de berço e as massagens são boas opções para o corpo do bebé estar em contacto com o outro/meio e para que o bebé se sinta mais contido e envolvido. Enquanto que a trança de berço permite aconchegar o bebé de forma a que este sinta os limites do seu corpo, os panos de transporte permitem o contacto direto com o corpo da mãe/cuidador. Os panos de transporte permitem, ainda, uma interação mais próxima de um para um, onde o bebé sentirá o corpo da mãe/cuidador, terá as mãos livres para a exploração tátil e ficará bem perto do interlocutor para conversas próximas e afetivas (ouvirá a melodia da voz, as vibrações e alcançará a boca do interlocutor, percebendo que daí provem a voz). As massagens ao bebé com cegueira ou défice visual grave constituem também uma excelente oportunidade de desenvolvimento do sistema proprioceptivo. Neste momento, o bebé tomará maior consciência das partes do seu corpo.

O movimento é também importante na vida do bebé. E é aqui que entra o sistema vestibular. O sistema vestibular, cujas estruturas se localizam no ouvido interno, tem como principal função “avisar o corpo” quando este está em desequilíbrio ou em movimento, tendo, portanto, um papel crucial no equilíbrio, postura, planeamento motor, lateralização e coordenação bilateral.

Para sugestões relacionadas com o desenvolvimento deste sistema, em conjugação com o sistema auditivo e o desenvolvimento da linguagem, optámos por sugerir lengalengas com movimento. As lengalengas são uma cantilena, uma rima ou um texto curto, nas quais se repetem determinadas palavras ou expressões que permitem que as mesmas sejam decoradas com facilidade.

Experimente brincar com o seu bebé com estas lengalengas. Não se esqueça de usar um tom de voz melodioso e diferentes tons de voz!! Divirtam-se.

Bichinho Gato

Bichinino gato (festinhas no bebé)
O que é que comeste?
Sopinhas de mel!
Não me guardaste.
Sim te guardei.
Com o que tapaste
Com o rabo do gato.

Shap, shap, shap, shap ( fazer cócegas na barriga do bebé)

Dão balalão

Dão badalão, cabeça de cão,
Orelhas de gato, não tem coração.

(…)

Dlim, dlão, dlim, dlim, dlão!
Vai casar o João Ratão,

Os dois sinos tocarão:
Dlim, dlão, dlim, dlim, dlão.

Toca, toca o sacristão,
Toca, toca o sinão: Dlim, dlão, dlim, dlim, dlão.

Vai casar o João Ratão
No dia de S. João.

Durante a lengalenga poderá embalar o seu bebé nos braços. No caso de bebés com mais idade, poderá também usar um lençol e balançá-lo suavemente para um lado e para outro, para cima e para baixo.

Para o bebé com cegueira, a segurança sentida no espaço físico e no espaço relacional, promovidas pelo afecto, serão sempre o melhor colo da literacia. Tudo começa no berço, no colo!

Bibliografia:

Leonhardt, M. (1992). El bebé ciego. Barcelona: Mason.

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