Adaptação de Livros Sonoros

Nem sempre é fácil encontrar livros acessíveis para crianças com cegueira, o que leva a equipa a pensar em formas de adaptação de materiais já existentes no mercado.

Hoje trazemos a nossa experiência de adaptação com livros sonoros para as primeiras idades. Por norma, as crianças ficam motivadas pela exploração destes livros pela componente auditiva e poderemos torná-los ainda mais apelativos, colocando o texto em braille e associando às ilustrações principais texturas representativas da ilustração.

O exemplo que apresentamos é um livro sobre alguns animais da quinta. As texturas escolhidas foram pensadas por aproximação ao revestimento do animal. Salientamos que são apenas texturas representativas e aproximadas. Se a criança tocasse em cada um dos animais reais, teria uma experiência tátil muito distinta à que tem ao explorar o livro. É difícil conseguir esta proximidade tátil ao item representado, mas já existem tecidos e outros materiais no mercado que imitam de forma satisfatória a textura real. Ao escolher textura, devemos sempre lembrar-nos da importância da experiência que temos ao tocar, essa é mais relevante que a experiência visual.

Este tipo de formato não anula, no entanto, a estética visual do livro e, por isso, é um formato excelente para partilhar com pares, com irmãos, vizinhos, etc. É um formato para todos!

Salientar, também, que se optou por não fazer a representação tátil do animal, dada a complexidade das figuras e dada a dimensão do livro. Não devemos esquecer-nos da importância da simplicidade e da inutilidade de “colorir com texturas”.

A introdução de texturas tem assim por objectivo despertar o interesse da criança pela experiência tátil no livro e associar uma textura ao revestimento de um animal. Todas as texturas escolhidas têm um toque diferenciado.

O texto principal foi colocado em braille através de papel autocolante. Este material facilita imenso a tarefa de colagem para além de permitir a manutenção do texto a negro e da ilustração visual.

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Título: O meu livro sonoro: A quinta

Autor: Charlie Pop

Editora: Jacarandá

Material necessário à adaptação: Máquina braille; papel autocolante transparente (espessura 100 – Sadipal); tecidos com texturas diversificadas; fita cola dupla face; tesoura.

Fotografia do material utilizado na adaptação

Fotografias das páginas adaptadas:

Detalhe da introdução do braille com papel autocolante.

De forma simples, famílias e profissionais poderão aumentar as bibliotecas das suas crianças, desde cedo!

Criança explora capa de livro sonoro.
Criança explora tatilmente uma das páginas do livro.

Agora sim, já podemos imitar os sons dos animais e aprender coisas sobre eles!

Bom trabalho e boas leituras.

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