Preparar a entrada de uma criança com cegueira no jardim-de-infância

O ano lectivo inicia e nesta fase muitas educadoras e professores especializados começam a preparar o acolhimento das suas crianças. Receber uma criança com cegueira poderá constituir um desafio positivo para muitos contextos educativos, que começam a trabalhar nas adaptações necessárias para que a criança se sinta segura e confortável e realize as aprendizagens propostas.

Da experiência da equipa destacamos alguns aspectos que nos parecem importantes para uma plena inclusão e uma participação ativa em contexto de sala de aula:

  1. Transmitir confiança e segurança na presença da criança na escola;
  2. Escutar o que a criança tem para nos dizer e colocar-se no lugar da própria;
  3. Apresentar à criança os coleguinhas e equipa educativa de proximidade, permitindo à criança o toque e descrevendo algumas características de cada pessoa. Deixar que cada pessoa, fale espontâneamente, pois o tom de voz e o estilo discursivo de cada um, vão ajudar a criança a fazer o reconhecimento de pares e adultos;
  4. Apresentar a escola à criança, permitindo-lhe explorar cada uma das áreas. A constituição de cada área deve ser clara e permitir a mobilidade da criança;
  5. Tentar manter a disposição dos móveis nos espaços que a criança frequenta e caso seja necessário alterar a configuração dos espaços, revisitar os espaços com a criança, enunciado alterações;
  6. Evitar colocar obstáculos no caminho (cadeiras, brinquedos) para que a criança seja autónoma na mobilidade em sala. Os pares podem ser também sensibilizados para essa questão;
  7. Manter portas sempre fechadas ou sempre abertas e dar essa informação à criança;
  8. Em espaços mais amplos, como corredores, entradas de WC, refeitório, etc., colocar símbolos tangíveis que funcionarão como pistas de referência na deslocação e orientação do espaço;
  9. Manter um discurso ativo e descritivo daquilo que se passa na sala para que a criança se mantenha conectada e envolvida com o que se passa em seu redor;
  10. Evitar usar exclusivamente gestos e expressões faciais para transmitir informação importante;
  11. Verbalizar o nome da criança/adulto para quem se está a dirigir o discurso;
  12. Colocar jogos com pequenas adaptações à disposição da criança;
  13. Identificar caixas fechadas com o seu conteúdo; os símbolos tangíveis podem ser uma boa opção (exemplo: na caixa dos carrinhos, colar com velcro um carrinho miniatura);
  14. Passar a principal informação escrita para braille. O papel autocolante de encadernação de livros, permite a colagem do braille por cima do negro, mantendo-se a “integridade” dos dois códigos de escrita;
  15. Introduzir na biblioteca livros em braille e com ilustrações táteis;
  16. Criar caixa com papéis e materiais texturados para que a criança realize produções gráficas e trabalhos manuais;
  17. Providenciar materiais alternativos para desenho (canetas com cheiro ou relevo; borracha de desenho e punção para traçados em relevo positivo; cartolina canelada para por por baixo da folha e conferir textura nos traçados, etc.);
  18. Interagir com naturalidade e usufruir da interacção com a criança.

Estes são alguns pontos que nos parecem importantes para a integração da criança. De certo que haverá muitos mais e no decorrer do contacto com a criança, outras necessidades vão surgindo bem como outras respostas e estratégias criadas “in loco”.

Bom trabalho e bom recomeço!!

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