A avaliação de desenvolvimento da criança com cegueira

Criança a escrever na máquina braille

A avaliação do desenvolvimento da criança com cegueira é habitualmente realizada no início da intervenção por forma a identificar, em conjunto com a família e profissionais, os pontos fortes da criança, as necessidades da criança e contexto e o melhor caminho para que a aprendizagem ocorra. Poderão ser utilizados instrumentos formais ou mais descritivos da criança. No entanto, a avaliação não se resume apenas a um momento mas deve ser considerada como contínua, ocorrendo durante toda a intervenção com a criança.

São salientados alguns aspetos que consideramos fundamentais para a realização da avaliação de crianças com cegueira:

‒ Contexto natural da criança e envolvimento dos principais prestadores de cuidados;

‒ Recolha de informação sobre os aspetos mais fortes da criança (“a criança no seu melhor”) e as suas fragilidades;

‒ Ludicidade para garantir o envolvimento da criança.

Seguem-se alguns instrumentos que poderão ser utilizados na avaliação de crianças com cegueira:

Escala Leonhardt: Avalia o desenvolvimento de crianças cegas entre os 0 e os 2 anos de idade. Pretende avaliar em que medida uma criança cega apresenta uma evolução correta ou apresenta dificuldades evolutivas específicas.

Exemplo de alguns materiais utilizados na avaliação com a Escala Leonhardt (livro com texturas, bolas de diversos tamanhos e texturas, carro, etc.)

Inventário de Competências da Criança com DV – Secção Compensatório (“The Oregon Project”): Avalia o desenvolvimento de crianças cegas entre os 0 e os 6 anos de idade; Pretende avaliar o treino sensorial, o desenvolvimento de conceitos, pré-braille e orientação e mobilidade.

En los zapatos de los niños ciegos (Revuelta & Lopez, 2004): Avalia o desenvolvimento de crianças cegas entre os 0 e os 3 anos de idade.

Pretende avaliar em que medida uma criança cega ou com DV grave apresenta um desenvolvimento normal, tendo em conta as áreas de: Comunicação, linguagem e socialização; compreensão sensório-motora e cognição; manipulação; motricidade global, esquema corporal e organização espacial; rotinas e autonomia.

Com base nas informações recolhidas na avaliação, a equipa faz recomendações específicas, para os pais e profissionais, sobre como podem ajudar a criança na aquisição de competências necessárias para ter sucesso – competências que todas as crianças precisam, bem como competências específicas para crianças com cegueira.

Criança a explorar tatilmente um livro com texturas

“Onde Está o Bolinha?” de Eric Hill

“O Bolinha escondeu-se. Vamos à procura dele…”

No passado dia 7 de julho estivemos a explorar com uma das nossas crianças a história “Onde está o Bolinha?”.

Nesta adaptação tentámos recriar as diferentes abas manipulativas, por exemplo, a cama, o relógio, a escada, …acrescentando a estas, texturas e elementos que permitam à criança com cegueira retirar a máxima informação.

Do mesmo modo foi feita a transcrição do texto para braille de modo a que desde cedo a criança possa começar a ter contacto com o mesmo.

Com um livro muito simples são vários os aspetos que podemos explorar:

Nestas imagens vemos a criança a levantar uma das abas do livro, a explorar a textura do peixe e do urso.

Exploração tátil

Através dos diferentes elementos manipulativos a criança pode explorar a forma de os abrir, levantar, rodar… Simultaneamente, o adulto deverá completar a informação que a criança está a recolher com descrições verbais, por exemplo, “É a cama. Vamos descobrir como ela é….tem uma manta, é macia! Mas repara, há mais….uma almofada….será que o Bolinha foi pôr a cabeça na almofada para poder descansar?”.

Numa fase inicial da exploração das páginas, o adulto poderá ajudar a criança neste processo através da utilização da técnica mão sobre mão.

– Repetição verbal

A história desenrola-se na tentativa de encontrar o Bolinha, assim, à medida que vamos mudando para outra página podemos incentivar a criança a chamar pela personagem…”Booooooolinha!!”.

– Associação de texturas

Ao longo da história foram utilizadas várias texturas alusivas a diferentes animais. A utilização das mesmas tem por objetivo tornar o mais concreto possível o paralelismo entre o nome do animal e alguma característica sua. Isto torna-se fundamental, não só para a criança com cegueira mas em qualquer criança pois, permite à criança associar um vocábulo a algo concreto que ela pode manipular.

Através das texturas poderão ser criados jogos de associação de texturas iguais bem como, associar um animal miniatura à sua textura.

Aqui podemos observar a criança a tentar encontrar uma textura igual à do urso, representada tanto no livro como em cartões individuais de texturas.

1, 2, 3 um saltinho de cada vez…

E assim chega ao fim mais um ano letivo! Cheio de desafios mas amplamente ultrapassados pelas nossas crianças, famílias e profissionais.

Terminámos com atividades no exterior com direito a saltos e grandes gargalhadas. Apanhámos flores e bolotas e fizemos grandes corridas!

Imagem 1: Duas crianças com uma bola de picos entre elas, tocando a barriga
Imagem 2: Criança a atravessar túnel de tecido
Imagem 3: Criança a explorar bolotas e flores
Imagem 4: Criança a explorar textura plástica em forma de bolinhas
Imagem 5: Criança a contornar obstáculos com apoio do adulto
Imagem 6: Criança a entrar no túnel de tecido
Imagem 7: Criança descalça a caminhar sobre quadrados com texturas diversas

A brincar também se aprende!

Para o ano há mais!

Boas férias!

Tactile Reading 2021

Imagem da página da conferência Tactile Reading 2021 (http://www.statped.no/tactile-reading-2021/)

Decorreu nos dias 28, 29 e 30 de abril de 2021 com o objetivo de compartilhar experiências e pesquisas no campo da leitura tátil e promover as melhores práticas inspirando novas ideias para a pesquisa. A conferência teve como objetivo reunir pessoas no campo da leitura tátil, académicos e profissionais, para colaborações futuras.

Leitura tátil 2021 foi organizada pela Statped, The Norwegian Library of Talking Books and Braille, The Norwegian Association of the Blind and Partially Sighted, and The Norwegian Braille Authority.

A pré-conferência sobre tecnologia e produtos de apoio foi organizada pela The Norwegian Library of Talking Books and Braille e decorreu no dia 28 de abril.

Devido à pandemia COVID-19, a segunda conferência de leitura tátil foi realizada como um evento digital. A conferência reuniu mais de 400 participantes de 30 países. 

A equipa do CAIPDV teve oportunidade de assistir aos 3 dias da conferência tendo particular interesse nos temas da intervenção precoce e do design universal.

Continuam disponíveis alguns registos e vídeos apresentados na conferência no seguinte endereço http://www.statped.no/tactile-reading-2021/recordings-29th-and-30th-april-2021/

A próxima conferência está já agendada para 2024 e será organizada pela Dedicon, da Holanda. Partilhamos o teaser desta conferência.

Atelier de pais

No passado dia 10 de abril decorreu mais um atelier de pais de crianças com défice visual grave/cegueira. Após um longo interregno nestes momentos de partilha e ainda em formato digital, foi possível reunir as famílias para discutir um tema que preocupa todos as famílias em geral – a transição de contextos (creche para jardim-de-infância e/ou jardim-de-infância para 1º ciclo).

A transição pressupõe sempre a separação de algo que era conhecido e, simultaneamente, a integração num contexto novo e desconhecido. A integração neste novo contexto implica o abandono de rotinas estabelecidas anteriormente e, consequentemente, a aprendizagem de comportamentos e atitudes adequados ao novo ambiente (Tomásio, 2019).

Foi possível contar com a participação de algumas famílias que já passaram por todos estes processos e que partilharam os desafios que estas fases apresentam.

Foi uma manhã de muita partilha e saudade mas com a esperança de que o próximo encontro seja num formato muito mais próximo e igualmente caloroso!

Ilustração de Serge Bloch , em”La grande histoire d’un petit trait”

Lego® Braille Bricks

O conceito LEGO® Braille Bricks é uma metodologia lúdica que ensina braille a crianças com cegueira ou com baixa visão severa.

Cada bloco no kit de ferramentas LEGO® Braille Bricks retém a sua forma icónica, mas ao contrário de um bloco LEGO® regular, os blocos são organizados para corresponder a números e letras do alfabeto Braille. Cada bloco mostra a versão impressa do símbolo ou letra, permitindo que crianças com visão e cegas brinquem e aprendam juntas. Esta combinação engenhosa de recursos abre um novo mundo de aprendizagem lúdica que ensina Braille às crianças num ambiente agradável e tátil.

Existem várias actividades disponíveis no site https://www.legobraillebricks.com/activities

Durante o mês de Março irão realizar-se, online, webinars dedicados a este recurso que após a sua realização serão disponibilizados no canal do youtube: https://www.youtube.com/channel/UCqeu5UnSaa-8CmcotDKiciQ

https://www.legobraillebricks.com/facilitation/lego-braille-bricks-webinars

Literacia na Época Natalícia

No ano transato dedicámos um artigo a atividades que podiam ser realizadas no Natal, com vista a potenciar competências de literacia emergente. Veja no link abaixo:

https://caipdvolec.wordpress.com/2019/12/06/natal-literacia-emergente-em-familia/

Este ano a equipa também descreverá uma ideia bem natalícia e promotora da literacia de crianças com cegueira de idades precoces: fazer postais de Natal, para enviar aos elementos da família.

Descrição da fotografia: Por baixo de uma árvore de Natal, máquina braille e adereços que podem ser usados em postais – (figuras de massa de moldar – pinheirinho e estrela); (figuras de feltro: bota e pai natal); (figuras feitas com pequenas pinhas).

Esta é uma ideia simples, que para muitos está a cair em desuso, dadas as tecnologias mais rápidas e instantâneas, mas estamos certas que esta ideia poderá contribuir para que a criança construa, desde cedo, o seu projeto leitor!

Para que serve a leitura? Para que servem as palavras? O que pretendo dizer e que para mim é significativo pode chegar aos outros através do código da escrita e isso é fantástico. E mais incrível é, quando a criança percebe a função da leitura-escrita e a integra em projetos significativos.

Considere que:

“(…) a percepção e apropriação das várias funções da linguagem escrita se desenvolvem proporcionalmente às experiências funcionais em que as crianças se vão envolvendo no seu dia-a-dia, mais do que em função da sua idade ou desenvolvimento geral.

As crianças que desde cedo estão envolvidas na utilização da linguagem escrita, e que vêem outros a ler e a escrever, vão desenvolvendo a sua perspectiva sobre o que é a leitura e a escrita e simultaneamente vão desenvolvendo capacidades e vontade para participarem em acontecimentos de leitura e escrita. Consequentemente, o seu conhecimento sobre as funções da leitura e escrita vai-se estruturando e tornando se cada vez mais complexo e multifacetado, descobrindo quando, como e com que objetivos a linguagem escrita é utilizada.

(Lourdes Mata, 2008)

  • Incentive a sua criança/aluno a escrever postais e a ilustrar para posterior envio para elementos da família;
  • Conversem sobre o conteúdo do postal, sobre aquilo que a criança pretende transmitir;
  • Planeiem a ilustração: tintas em relevo, figuras em feltro, formas feitas de massas de modelar, elementos da natureza (pinhas, bolotas, folhagens, azevinho), ilustrações feitas com pontos braille… tudo vale, principalmente se partir do envolvimento e participação da criança.
  • Mãos à obra!!
  • No fim, é também interessante que seja a criança com a família a ir aos ctt fazer a expedição do seu postal (não esquecer que o envio é gratuito sobre a medida “cecograma” nos CTT Portugal).
Descrição da fotografia: Máquina braille e adereços que podem ser usados em postais – (figuras de massa de moldar – pinheirinho e estrela); (figuras de feltro: bota e Pai Natal); (figuras feitas com pequenas pinhas).
Descrição da fotografia: Postal impresso em termorelevo. Fonte da imagem: http://www.braillebookstore.com/Greeting-Cards
Descrição da fotografia: Postal de Natal “Rodolfo e o seu nariz”, por FeelMyDots.
Fonte: https://www.pinterest.pt/pin/194077065178869788/

Motivados(as)? Enviem-nos as vossos cartões!

Outros Artigos:

https://www.pathstoliteracy.org/strategies/teaching-many-skills-through-christmas-cards

https://www.pathstoliteracy.org/strategies/christmas-designs-emboss

Bibliografia:

Mata, L. (2008). A descoberta da escrita. Textos de apoio para educadoras de infância.
Lisboa: Direção-Geral de Inovação e de Desenvolvimento Curricular.

Toque Ativo nas Primeiras Idades

É de conhecimento geral que o toque é essencial para crianças com cegueira, de forma a que reúnam informações sobre o meio e realizem todas as tarefas diárias. O toque fornece informações não só sobre as características dos objetos (forma, tamanho e textura), mas também sobre aspetos funcionais dos mesmos, nomeadamente no que concerne à possibilidade de serem usados ​​como ferramentas. Além disso, no quotidiano as competências táteis são essenciais para que a criança seja autónoma e tenha uma vida o mais independente possível (Withagen et al., 2010).

Tendo em conta as premissas exploradas anteriormente, é importante estimular a criança em diversas atividades manipulativas de forma a que a criança desenvolva o toque ativo (háptico).

A criança deve ser curiosa do ponto de vista tátil e o adulto deve promover essa curiosidade. Abaixo seguem exemplos de materiais que podem despertar a vontade de tocar e manipular.

Bolas, animais e cubos sensoriais: com formatos distintos, cores e tamanhos, este material é adequado a crianças mais pequenas (bebés). São concebidos em textura macia, leve, fácil de segurar e manipular por mãos pequeninas. Este material pode ser interessante para que o bebé perceba a diversidade de formas, desenvolva a coordenação bimanual e destreza.

Caixas Musicais de empilhar: Uma verdadeira orquestra! Se a criança apreciar o estímulo sonoro, este material vai também incentivá-la a tocar. As caixas de música encaixáveis permitem que a criança toque bateria, xilofone, maracas, reco-reco e pratos! Empilháveis, permitem e manipulações distintas de forma a produzir sons. As caixas de diferentes tamanhos permitem ainda que a criança desenvolva conceitos de grandeza, ordem/sequência e memória auditiva.

Caixa com formas geométricas e magnéticas: Nesta pequena caixa, a criança vai encontrar diferentes formas, com as quais poderá associar formas iguais, reproduzir sequências e padrões, representar esquemas ou mapas, realizar contagens ou até criar novas formas inventadas em exercício criativo. Fáceis de colocar pois são magnéticas, estas peças facilita a organização espacial da criança com cegueira; por se fixarem numa posição, será mais fácil para a criança ter um referencial.

Aqui ficaram 3 exemplos de brinquedos que despertam a curiosidade tátil e o toque ativo, para várias fases do desenvolvimento/faixa etária da criança. Brinquem muito!

Bibliografia:

Tactile Functioning in Children Who Are Blind: A Clinical Perspective, acesso em: https://www.tactielprofiel.nl/VisioTP/media/VisioTP/Documenten/Tactile-functioning-in-children-who-are-blind.pdf

Audio-Livros: autonomia para escutar

Em artigos anteriores já sugerimos os audio-livros como forma da criança com cegueira ou défice visual grave aceder ao livro e à história. Apesar do crescente mercado neste domínio e da disponibilização on-line de algumas histórias em formato audio ou vídeo, nem sempre é fácil encontrar estes suportes com a qualidade ou com conteúdo pretendido.

De facto estes suportes, quando a criança tem interesse por histórias e gosta de ouvir contar, podem ser um estímulo extra à autonomia no processo da escuta da história bem como um contributo para diversificar os meios pelos quais a criança acede à história.

Foi por estes motivos que nos chamou à atenção um novo produto no mercado. Os audio-livros da Salvat. Os mesmos incluem um livro ilustrado (que poderá ser adaptado com o texto em braille por profissionais e famílias), uma coluna com altifalante e o personagem principal de cada história. Depois, só é preciso colocar o protagonista da história no encaixe da parte superior da coluna para ativar o som e ouvir a história.

Ver mais informação no documento de apresentação do produto (abaixo).

Os personagens em miniatura são uma mais valia para a criança com cegueira. Ainda que a criança com cegueira não os consiga perceber tatilmente da mesma forma que uma criança normovisual perceberá o todo, haverá certos detalhes táteis que ajudarão a criança a identificar o personagem (exemplos: a pena no topo do chápeu do Gato das Botas; as orelhas e o rabo retorcido do Porquinho; o nariz comprido do Pinóquio, etc.). Ajude a criança a identificar o personagem e a perceber os detalhes principais e mais característicos da figura. Estes detalhes serão essenciais para a criança fazer a discriminação tátil de cada uma das figuras.

Pode encontrar este recursos em quiosques e papelarias ou no site:

https://pt.salvat.com/cole%C3%A7oes/audiocontos/

Preparar a entrada de uma criança com cegueira no jardim-de-infância

O ano lectivo inicia e nesta fase muitas educadoras e professores especializados começam a preparar o acolhimento das suas crianças. Receber uma criança com cegueira poderá constituir um desafio positivo para muitos contextos educativos, que começam a trabalhar nas adaptações necessárias para que a criança se sinta segura e confortável e realize as aprendizagens propostas.

Da experiência da equipa destacamos alguns aspectos que nos parecem importantes para uma plena inclusão e uma participação ativa em contexto de sala de aula:

  1. Transmitir confiança e segurança na presença da criança na escola;
  2. Escutar o que a criança tem para nos dizer e colocar-se no lugar da própria;
  3. Apresentar à criança os coleguinhas e equipa educativa de proximidade, permitindo à criança o toque e descrevendo algumas características de cada pessoa. Deixar que cada pessoa, fale espontâneamente, pois o tom de voz e o estilo discursivo de cada um, vão ajudar a criança a fazer o reconhecimento de pares e adultos;
  4. Apresentar a escola à criança, permitindo-lhe explorar cada uma das áreas. A constituição de cada área deve ser clara e permitir a mobilidade da criança;
  5. Tentar manter a disposição dos móveis nos espaços que a criança frequenta e caso seja necessário alterar a configuração dos espaços, revisitar os espaços com a criança, enunciado alterações;
  6. Evitar colocar obstáculos no caminho (cadeiras, brinquedos) para que a criança seja autónoma na mobilidade em sala. Os pares podem ser também sensibilizados para essa questão;
  7. Manter portas sempre fechadas ou sempre abertas e dar essa informação à criança;
  8. Em espaços mais amplos, como corredores, entradas de WC, refeitório, etc., colocar símbolos tangíveis que funcionarão como pistas de referência na deslocação e orientação do espaço;
  9. Manter um discurso ativo e descritivo daquilo que se passa na sala para que a criança se mantenha conectada e envolvida com o que se passa em seu redor;
  10. Evitar usar exclusivamente gestos e expressões faciais para transmitir informação importante;
  11. Verbalizar o nome da criança/adulto para quem se está a dirigir o discurso;
  12. Colocar jogos com pequenas adaptações à disposição da criança;
  13. Identificar caixas fechadas com o seu conteúdo; os símbolos tangíveis podem ser uma boa opção (exemplo: na caixa dos carrinhos, colar com velcro um carrinho miniatura);
  14. Passar a principal informação escrita para braille. O papel autocolante de encadernação de livros, permite a colagem do braille por cima do negro, mantendo-se a “integridade” dos dois códigos de escrita;
  15. Introduzir na biblioteca livros em braille e com ilustrações táteis;
  16. Criar caixa com papéis e materiais texturados para que a criança realize produções gráficas e trabalhos manuais;
  17. Providenciar materiais alternativos para desenho (canetas com cheiro ou relevo; borracha de desenho e punção para traçados em relevo positivo; cartolina canelada para por por baixo da folha e conferir textura nos traçados, etc.);
  18. Interagir com naturalidade e usufruir da interacção com a criança.

Estes são alguns pontos que nos parecem importantes para a integração da criança. De certo que haverá muitos mais e no decorrer do contacto com a criança, outras necessidades vão surgindo bem como outras respostas e estratégias criadas “in loco”.

Bom trabalho e bom recomeço!!

Atividades Pré-Braille

Apresentamos uma atividade simples de pré-braille que parte das motivações da criança. Defendemos sempre que, quando investimos na construção de material que parte dos interesses da criança, há um envolvimento maior e, por consequência, um maior prazer e sucesso no processo de desenvolvimento da atividade. Foi com base neste fundamento que tornamos protagonistas de atividades de pré-braille as duas cabrinhas do nosso Santiago (Flor e Estrelinha).

Esta imagem tem um texto alternativo em branco, o nome da imagem é img_3355.jpg

As mesmas foram representadas com cartão, evidenciando-se as suas principais características. Cada cabrinha tinha uma coleira com o símbolo figurativo do seu nome (uma estrela e uma flor construídas em goma eva). A criança tinha ainda os nomes em braille e poderia acrescentar a cada uma das “coleiras” dos animais. Esta atividade tem como objetivo sensibilizar a criança para a representação simbólica, que terá o seu apogeu quando a criança iniciar o processo de leitura e escrita em braille (código convencionado).

Kraemer explica o processo gradativo da representação simbólica:

A criança vivencia, reconhece e posteriormente intelectualiza. As atividades de representação simbólica são necessárias, elas favorecem a integração das sensações, dos conceitos, das aquisições. Os símbolos gestuais e auditivos precedem o símbolo gráfico.
Este último será particular ao grupo e apenas será compreendido pelas crianças que o constituírem. Mais tarde, os exercícios de representação simbólica irão enriquecer através de um código mais global: a leitura do Braille.

(Tradução Livre, Kraemer, 2009)

Ao nível da consciência fonológicacapacidade para refletir sobre as subunidades fonológicas que compõem as palavras e as frases (as sílabas, ataques/rimas e sons), permitindo uma reflexão sobre a estrutura fonológica da linguagem oral, independente do seu significado (Fitzpatrick, 1997; Hester & Hodson, 2009), foram trabalhadas as seguintes dimensões:

  • Consciência das Palavras – identificação, segmentação, contagem e manipulação das palavras nas frases (Rios, 2011) Apresentação do nome dos animais em braille – identificação dos nomes pela extensão da palavra (número de sílabas); Associação da palavra ao símbolo figurativo);
  • Consciência Intrassilábica – identificação de palavras que rimam/não rimam, produção de rimas e divisão das sílabas em ataque e rima (Rios, 2011) Apresentação de várias imagens táteis. A criança tinha de identificar e assinalar com autocolante as palavras que rimassem com “Estrelinha”.

Brincar com as palavras torna-se mais divertido quando temos como companhia algo que nos diz tanto!

Bibliografia:

Fitzpatrick, J. (1997). Phonemic awareness. Playing with sounds to strengthen beginning reading skills. Creative Teaching Press, Inc.: Cypress, CA.

Hester, E. & Hodson, B. (2009). Metaphonological awareness: enhancing literacy skills. em Rhyner, P. (Eds) Emergent literacy and language development. Promoting learning in early childhood. Nova Iorque: The Guilford Press. pp. 78-103.

Rios, A. (2011). Programa de promoção do desenvolvimento da consciência fonológica. Viseu: PsicoSoma.

 Kraemer, C. (2009). Approche de la lecture à fleur de peau ou La pré-lecture Braille. Les Doigts qui Rêvent: Talant.

Adaptação de Livros Sonoros

Nem sempre é fácil encontrar livros acessíveis para crianças com cegueira, o que leva a equipa a pensar em formas de adaptação de materiais já existentes no mercado.

Hoje trazemos a nossa experiência de adaptação com livros sonoros para as primeiras idades. Por norma, as crianças ficam motivadas pela exploração destes livros pela componente auditiva e poderemos torná-los ainda mais apelativos, colocando o texto em braille e associando às ilustrações principais texturas representativas da ilustração.

O exemplo que apresentamos é um livro sobre alguns animais da quinta. As texturas escolhidas foram pensadas por aproximação ao revestimento do animal. Salientamos que são apenas texturas representativas e aproximadas. Se a criança tocasse em cada um dos animais reais, teria uma experiência tátil muito distinta à que tem ao explorar o livro. É difícil conseguir esta proximidade tátil ao item representado, mas já existem tecidos e outros materiais no mercado que imitam de forma satisfatória a textura real. Ao escolher textura, devemos sempre lembrar-nos da importância da experiência que temos ao tocar, essa é mais relevante que a experiência visual.

Este tipo de formato não anula, no entanto, a estética visual do livro e, por isso, é um formato excelente para partilhar com pares, com irmãos, vizinhos, etc. É um formato para todos!

Salientar, também, que se optou por não fazer a representação tátil do animal, dada a complexidade das figuras e dada a dimensão do livro. Não devemos esquecer-nos da importância da simplicidade e da inutilidade de “colorir com texturas”.

A introdução de texturas tem assim por objectivo despertar o interesse da criança pela experiência tátil no livro e associar uma textura ao revestimento de um animal. Todas as texturas escolhidas têm um toque diferenciado.

O texto principal foi colocado em braille através de papel autocolante. Este material facilita imenso a tarefa de colagem para além de permitir a manutenção do texto a negro e da ilustração visual.

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Título: O meu livro sonoro: A quinta

Autor: Charlie Pop

Editora: Jacarandá

Material necessário à adaptação: Máquina braille; papel autocolante transparente (espessura 100 – Sadipal); tecidos com texturas diversificadas; fita cola dupla face; tesoura.

Fotografia do material utilizado na adaptação

Fotografias das páginas adaptadas:

Detalhe da introdução do braille com papel autocolante.

De forma simples, famílias e profissionais poderão aumentar as bibliotecas das suas crianças, desde cedo!

Criança explora capa de livro sonoro.
Criança explora tatilmente uma das páginas do livro.

Agora sim, já podemos imitar os sons dos animais e aprender coisas sobre eles!

Bom trabalho e boas leituras.

Livro para as primeiras idades: “Os meus objetos”

Na fase inicial do processo de literacia de crianças com cegueira ou défice visual grave, objectos reais podem constituir livros táteis ilustrados que remetam para experiências e ações da criança no seu dia-a-dia.

Os objetos poderão ser anexados a cada página (opte por velcro), para que a criança possa explorar cada item e interagir tatilmente com ele. No livro que apresentamos, foram escolhidos em conjunto com a família, objetos que a criança utiliza frequentemente e sobre os quais já faz reconhecimento tátil e uso pela sua função.

A temática destes livros de objetos pode ser diversa. Neste exemplar foram escolhidos objetos familiares de rotinas aleatórias. Mas também podem ser criados livros sobre rotinas específicas (banho, alimentação, ida para a cama, etc. ) ou livros que remetam a experiências específicas que a criança tenha vivenciado (ida ao parque, fazer um bolo, etc.).

Explore o livro página a página, conversando com a criança sobre os objectos presentes no mesmo. Paralelamente, pode desafiar a criança a discriminar tatilmente os seus próprios objetos.

Ver outros exemplos, aqui:

Livro sobre o banho

Livros de Experiência Táteis

Capa: pode ler-se a negro e a braille o título do livro “Os meus objetos”
Lado esquerdo: imagem de chupeta, lê-se a negro e a braille: “Chupeta”. Do lado direito chupeta real.
Lado esquerdo: imagem de babete, lê-se a negro e a braille: “Babete”. Do lado direito babete real.
Lado esquerdo: imagem de pente, lê-se a negro e a braille: “Pente”. Do lado direito pente real.
Lado esquerdo: imagem de laço, lê-se a negro e a braille: “Laço”. Do lado direito laço real.

Livro para as primeiras idades: “Com as mãos, eu toco”

Este é um livro construído artesanalmente que concebemos para as primeiras idades da criança com cegueira ou défice visual grave. Pretende ser um estímulo a que a criança toque e explore superfícies com texturas diferenciadas.

Entre o ano e os dois anos, a criança começa a reconhecer as partes do corpo, e este livro alerta a criança para as mãos! Com as suas mãos, a criança poderá tocar e experienciar a riqueza sensorial de texturas representativas e do mundo. O livro abre, ainda, portas para a adjectivação e as sensações decorrentes do toque. O que me desperta o toque nesta textura?

Um livro para ler ao colo da família, aconchegado na cama ou até em roda no parque! Mas um livro que podemos transportar para o mundo, conhecendo com as mãos o que nos rodeia. Queremos muito estimular mãos curiosas! Com as mãos, eu toco! E tu? Vem conhecer e tocar também!

Capa: Mãos em feltro, título a negro e a braille “Com as mãos, eu toco”.
Mãos em feltro, a negro e a braille lê-se:”Com as mãos, eu toco” (página esquerda); textura relva artificial, a negro e a braille lê-se:”Na relva…Faz cócegas!”
Mãos em feltro, a negro e a braille lê-se:”Com as mãos, eu toco” (página esquerda); textura goma eva rugosa amarela com brilhantes, a negro e a braille lê-se:”Na areia…Faz arranha!”
Mãos em feltro, a negro e a braille lê-se:”Com as mãos, eu toco” (página esquerda); textura papel celofane azul, a negro e a braille lê-se:”Na água…Shap, shap!”
Mãos em feltro, a negro e a braille lê-se:”Com as mãos, eu toco” (página esquerda); espelho, a negro e a braille lê-se:”No espelho… Cucu, sou eu!”
Mãos em feltro, a negro e a braille lê-se:”Com as mãos, eu toco” (página esquerda); cobertor que a criança pode manipular e almofada, a negro e a braille lê-se:”No cobertor da minha caminha… Oh tão bom! Na minha caminha, vou descansar quentinha”

Na exploração do livro, incentive a criança a levantar as mãos no ar e a girá-las cada vez que lê: “Com as mãos”; quando lê “eu toco” poderá incentivar a criança a colocar as mãos no seu peito (ajuda a criança a perceber pronome pessoal “eu”), seguindo-se o toque na textura apresentada no livro. Leia com melodia e diferentes entoações… Deixe a criança participar. A leitura deve ser um momento de partilha e de alegria.

Poderá ser interessante explorar cada cenário apresentado no livro no contexto natural da sua criança. Explorem cada um dos cenários, usando o mesmo vocabulário e ampliando-o com palavras novas decorrentes da exploração.

Criança explora folhas de uma hera.
Criança explora água de um riacho.
Criança explora cobertor da sua caminha.

O Bebé com Cegueira: O Afeto como Colo da Literacia (Parte II)

El niño se halla inmerso en un universo relacíonal, y estas relaciones con los demás están estrechamente ligadas a su actividad motriz y sensoriomotriz. Poco a poco, gracias al movimiento, el niño va adquiriendo una experiencia de cuanto lo rodea, al tiempo que desarrolla comportamientos que suponen una relación inteligente con el entorno. (Leonhardt, 1992)

No último artigo abordámos a importância do contacto físico, do toque, da linguagem e da sonoridade da voz para o bebé com cegueira. Ver artigo anterior, aqui. Hoje partilhamos algumas ideias práticas para colocar estes fundamentos em prol do desenvolvimento do bebé. Como salienta Mercé Leonhardt, referência no estudo do desenvolvimento do bebé com cegueira, trata-se de ligar o espaço físico a um espaço relacional, imprescindível para o bebé sentir segurança e se aventurar na descoberta do mundo.

Pensando na importância do toque e do contacto físico para o bebé com cegueira, teremos que nos reportar ao desenvolvimento do sistema proprioceptivo. O sistema proprioceptivo recebe informação proveniente das terminações nervosas localizadas nos músculos, tendões e articulações, permitindo que o bebé tenha consciência da sua posição no espaço. Torna-se um sistema fundamental para o desenvolvimento da consciência do corpo e controlo dos movimentos.

Os panos de transporte, as tranças de berço e as massagens são boas opções para o corpo do bebé estar em contacto com o outro/meio e para que o bebé se sinta mais contido e envolvido. Enquanto que a trança de berço permite aconchegar o bebé de forma a que este sinta os limites do seu corpo, os panos de transporte permitem o contacto direto com o corpo da mãe/cuidador. Os panos de transporte permitem, ainda, uma interação mais próxima de um para um, onde o bebé sentirá o corpo da mãe/cuidador, terá as mãos livres para a exploração tátil e ficará bem perto do interlocutor para conversas próximas e afetivas (ouvirá a melodia da voz, as vibrações e alcançará a boca do interlocutor, percebendo que daí provem a voz). As massagens ao bebé com cegueira ou défice visual grave constituem também uma excelente oportunidade de desenvolvimento do sistema proprioceptivo. Neste momento, o bebé tomará maior consciência das partes do seu corpo.

O movimento é também importante na vida do bebé. E é aqui que entra o sistema vestibular. O sistema vestibular, cujas estruturas se localizam no ouvido interno, tem como principal função “avisar o corpo” quando este está em desequilíbrio ou em movimento, tendo, portanto, um papel crucial no equilíbrio, postura, planeamento motor, lateralização e coordenação bilateral.

Para sugestões relacionadas com o desenvolvimento deste sistema, em conjugação com o sistema auditivo e o desenvolvimento da linguagem, optámos por sugerir lengalengas com movimento. As lengalengas são uma cantilena, uma rima ou um texto curto, nas quais se repetem determinadas palavras ou expressões que permitem que as mesmas sejam decoradas com facilidade.

Experimente brincar com o seu bebé com estas lengalengas. Não se esqueça de usar um tom de voz melodioso e diferentes tons de voz!! Divirtam-se.

Bichinho Gato

Bichinino gato (festinhas no bebé)
O que é que comeste?
Sopinhas de mel!
Não me guardaste.
Sim te guardei.
Com o que tapaste
Com o rabo do gato.

Shap, shap, shap, shap ( fazer cócegas na barriga do bebé)

Dão balalão

Dão badalão, cabeça de cão,
Orelhas de gato, não tem coração.

(…)

Dlim, dlão, dlim, dlim, dlão!
Vai casar o João Ratão,

Os dois sinos tocarão:
Dlim, dlão, dlim, dlim, dlão.

Toca, toca o sacristão,
Toca, toca o sinão: Dlim, dlão, dlim, dlim, dlão.

Vai casar o João Ratão
No dia de S. João.

Durante a lengalenga poderá embalar o seu bebé nos braços. No caso de bebés com mais idade, poderá também usar um lençol e balançá-lo suavemente para um lado e para outro, para cima e para baixo.

Para o bebé com cegueira, a segurança sentida no espaço físico e no espaço relacional, promovidas pelo afecto, serão sempre o melhor colo da literacia. Tudo começa no berço, no colo!

Bibliografia:

Leonhardt, M. (1992). El bebé ciego. Barcelona: Mason.

Jogo Tátil de Pré-Matemática

Construir jogos em casa pode revelar-se uma necessidade, na ausência de jogos no mercado que respondam aos nossos objectivos específicos e que se encontrem devidamente adaptados.

Hoje apresentamos um jogo simples para desenvolver noções matemáticas. Essencialmente prevê: contagens, reconhecimento tátil do algarismo, associação termo a termo e somas simples com concretização da operação através de símbolos táteis.

Para a construção do jogo, tivemos por base as seguintes premissas:

É através de experiências diversificadas que as crianças vão desenvolvendo o sentido de número, que diz respeito à compreensão global e flexível dos números, das operações e das suas relações.
Este processo de apropriação de sentido de número é progressivo, sendo que contar implica saber a sequência numérica, mas também fazer correspondência termo a termo.

(…)

Gradualmente surgem na criança capacidades operativas, perante problemas do quotidiano, envolvendo adições e subtrações. Também, neste caso, as crianças necessitam inicialmente de concretizar as situações numéricas (…)
A utilização de materiais diversos (cuisenaire, dados, dominós, cartões de pintas, contas de enfiamentos, etc.) favorece a construção de uma linha mental de números.

Silva, I.  (coord.)(2016)

Para a adaptação do jogo é necessário o seguinte material:

  • Goma eva;
  • Cortadores formas (círculo, estrela, coração);
  • Bases de mini velas;
  • Pequeno bloco de argolas;
  • Caneta de feltro;
  • Capa reciclada para a base (tamanho A4);
  • Máquina braille.

 

Procedimento: 

Forrar capa com goma eva vermelha. Posicionar a capa na horizontal. Colar bases de mini velas na base inferior da capa (posicionadas na horizontal em duas filas, 5 bases em cima e 5 bases em baixo no mesmo alinhamento). Colar bloco no canto superior direito da base.

O bloco deve ser preenchido com indicações consoante o nível de desenvolvimento da criança. Neste caso, colocámos os números até 10 alternados com figuras táteis diferenciadas (círculo e estrela, cortadas em goma eva com cortadores de figuras). Neste caso a criança terá de fazer o reconhecimento tátil do número e da figura tátil e colocar nas bases de vela o número correspondente dessa mesma figura. O bloco integra ainda operações simples de soma até 5. As páginas finais do bloco estão em branco para que o familiar ou educador o preencha à medida que joga com a criança e avalia o seu desempenho no jogo. As páginas em branco podem ser também interessantes para a própria criança criar exercícios para que outras pessoas/crianças joguem consigo.

Com este jogo é possível trabalhar com a criança com cegueira/défice visual grave as seguintes competências:

  1. Disciminação tátil (forma e algarismo em braille);
  2. Associação quantidade-número (até 10);
  3. Operações simples de soma (até 5).

Seguem-se algumas imagens do material para que se perceba a sua operacionalização.

1

 

2

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5

6

7

55

 

 

Bibliografia: 

Silva, I. (coord.) (2016). Orientações Curriculares para a Educação Pré-Escolar. Lisboa: Editorial do Ministério da Educação e Ciência. Acesso em: https://www.dge.mec.pt/ocepe/sites/default/files/Orientacoes_Curriculares.pdf

“Queres brincar comigo?”: mediação de leitura e atividades de pré-braille

Hoje apresentamos a forma como dinamizámos a leitura da história “Queres brincar comigo?”, do autor Eric Carle e edição da Kalandraka. A história faz as delícias de pequenos e graúdos e é especialmente envolvente para crianças que gostam da temática dos animais!

 

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Capa do livro: elefante é apresentado na dimensão quase total da página, no canto inferior direito aparece um pequeno ratinho a olhar para o elefante. Pode ler-se o título: “Queres brincar comigo” e a editora “Kalandraka”.

Com uma estrutura simples, esta história permite uma leitura ritmada, sendo este um factor que facilita o envolvimento de todas as crianças na leitura partilhada. 

 Ao longo da história repete-se o esquema narrativo, através da mesma pergunta que o protagonista faz aos animais que encontra, mas que resulta em diferentes respostas, proporcionando assim a aquisição de novos vocábulos.

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– Olá amigo, queres brincar comigo?

– Agora não posso, que estou a pastar a erva do prado – relinchou o cavalo. 

E o ratinho seguiu o seu caminho. 

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Contada em voz alta com recurso a alguns elementos representativos das personagens (animais em miniatura), a criança com deficiência visual grave pôde complementar as informações transmitidas pela narrativa com alguns elementos táteis representativos.

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O enredo da história foi, ainda, mote para estimular competências ao nível do pré-braille (seguimento de caminhos; representação icónica com caracteres braille).

Alguns dos exercícios realizados:

  • Criança terá de identificar prado, representado por rectângulo contornado com lã. Identifica células braille dispostas aleatoriamente dentro do espaço delimitado. Assim que encontra uma célula braille, coloca um pedaço de plasticina por cima da mesma e insere um clip (simboliza erva para o cavalo comer);

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  • Criança terá de descobrir ao longo dos caminhos dois dos personagens da história: o pequeno ratinho (representado por pontos 1,2,4,5) e o crocodilo (representado 8 células braille).

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  • Criança terá de contar quantos ratinhos estão dentro da cerca;

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Esta foi uma história que possibilitou inúmeras brincadeiras… não deixem de a ler e brincar!

“O melhor presente do mundo” no jardim-de-infância

Retomando o artigo relativo à história “O melhor presente do mundo” da editora Minutos da Leitura (ver aqui), hoje ilustra-se a mediação da leitura com algumas fotos demonstrativas da forma como as crianças se apropriaram dos materiais e narrativa.

  • Criança pega no saco do presente e lê a etiqueta que identifica o destinatário do presente (mensagem a negro e a braille);

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  • Crianças avançam no caminho até à casa do Coelhinho, experimentando as ações descritas na história: descidas inclinadas, vales de neve, vento tempestuoso… 

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  • Crianças chegam a casa do Coelhinho e entregam presente. Têm possibilidade de abrir presente e ler o bilhete que estava dentro da caixa (mensagem a braille e a negro);

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  • Crianças fazem o registo gráfico da história com recurso a canetas de feltro e materiais táteis;

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  • Crianças exibem os materiais relacionados com a história ( Coelhinho, Urso, boneca Ema, saco com o presente, placas que indicam o caminho, livro).

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O envolvimento direto das crianças e a experimentação ativa permitiu uma melhor compreensão da narrativa e uma motivação extra no envolvimento da atividade.

Seminário “A didática do Braille”

No passado dia 8 de janeiro aconteceu o Seminário “A Didática do Braille”, na Universidade Lusófona, com organização do Instituto Nacional para a Reabilitação.

Descarregar livro de Resumos e notas biográficas – Seminário Braille 2020.

Este Seminário pretendeu assinalar o Dia Mundial do Braille 2020, permitindo a partilha de experiências e práticas numa reflexão sobre diversos métodos para o ensino/ aprendizagem do braille, propondo metodologias pedagógicas inovadoras, na base de evidências de sucesso.

A equipa do CAIPDV marcou presença no seminário com uma comunicação intitulada de “Eu posso!: Experiências precoces do desenvolvimento do tato e do acesso ao braille”. 

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Pretendendo-se comunicar sobre didática do braille, inicia-se a comunicação com uma história que ilustra uma mensagem que nos parece basilar nesta temática. Para o efeito, selecionou-se um livro sem palavras,  um livro de imagens – “The typewriter” de Bill Thomson.  Este livro transmite uma mensagem forte e central na temática da literacia em idades precoces, pretendendo-se que o auditório reflita sobre alguns pressupostos a considerar na didática do código braille. Apresenta-se um excerto ao auditório.

O livro conta a história de 3 crianças que passeiam de bicicleta. Dirigem-se para um carrossel mas este encontra-se fechado. Ao observarem o espaço, as crianças são surpreendidas por uma mala enigmática decorada com letras. Motivadas pela curiosidade, abrem a caixa, e retiram uma máquina, uma máquina de escrever antiga…Impelida pela experimentação, a rapariga do grupo prime, letra a letra, formando a palavra “beach” “praia”. Ao virar a página, as mesmas crianças aparecem num novo cenário. Estão na praia, com a máquina, viradas para o mar. Entreolham-se, com um misto de espanto e excitação! Então, avançam, inebriadas pelo resultado da primeira investida e agora, um dos rapazes, escreve “ice cream” “gelado”. E ao virar a página, num balde de praia cor de laranja, em formato gigante, maior do que a menina, aparece um gelado dentro do balde, pintalgado com pepitas coloridas de açúcar e uma cereja no topo. A menina, sorridente, estica-se para alcançar um pouco de gelado… Um dos rapazes salta em euforia de braços esticados. O segundo rapaz observa a cena, sentado na areia, com um sorriso na cara, encantado com o poder daquela máquina, daquelas palavras!

De facto, as palavras têm o poder de recriar “realidades” e isso é entusiasmante, alegre e incrível! É o que acontece quando uma criança descobre a escrita… a palavra que traduz a sua oralidade. É o que acontece quando uma criança descobre a máquina braille… esta mágica ferramenta que “semeia” pontos com significado.

Inevitavelmente, em idades precoces, a didática do braille tem que contemplar esta componente motivacional e cativante, esta contínua e persistente descoberta da linguagem escrita e oral. A atitude das crianças face à literacia forma-se desde o nascimento, modelada pelas mensagens dos cuidadores, esta é uma parte importante do tornar-se leitor! Durante os anos que antecedem a escola, a base da literacia é construída à medida que a criança desenvolve atitudes positivas e isso inclui o DESEJO DE LER e a CRENÇA de que “EU POSSO”(Stratton & Wright, 1991). 

Em idades precoces é importante facilitar atitudes positivas face ao braille e, isso só será possível:

– indo ao encontro dos interesses da criança; 

– respeitando a sua forma de ler o mundo (perceção); 

– garantindo ludicidade. 

E que outros aspetos a considerar no ensino-aprendizagem do braille?

  • Que ocorra nos contextos naturais e envolvendo os significativos (família, profissionais e pares)

Famílias e profissionais têm um papel preponderante no desenvolvimento leitura e escrita de crianças com cegueira, dependendo deles a quantidade e qualidade das intervenções (intencionais, planificadas e dirigidas) (Koenig & Holbrook, 2000).

“Toda a comunidade da sala de aula beneficia quando as atividades de alfabetização em braille são parte integrante da aprendizagem em sala” (Swenson & Cozart, 2010). 

  • Desenvolvendo precocemente o tato ativo ou háptico

O tato ativo, ou sistema háptico (Ochaita & Rosa cit. Coll & Palacios, 1995), é o mais importante sistema sensorial que a pessoa com cegueira tem para conseguir conhecer o mundo. Segundo Farrel (2008, p.32): “A palavra tátil (tactile) associa-se muitas vezes a um toque passivo, como o do tecido da roupa a encostar na pele (…). Os termos tátil (tactual) e háptico utilizam-se quando nos referimos a um uso mais ativo do tato, como quando exploramos as qualidades de um objeto ou material e reconhecemos qualidades como temperatura, textura, forma e peso.”

  • Facilitando o acesso a material tátil e em braille

Interpretar imagens táteis não é um processo automático para uma criança com cegueira. Essa interpretação requer prática e o desenvolvimento de competências de exploração tátil, ao longo do tempo. Parece crucial, portanto, que as crianças com cegueira tenham formação/treino ao nível do uso de material tátil e oportunidades regulares para experimentá-los (Theurel, Witt, Claudet, Hatwell & Gentaz, 2013, p. 238).

Acredita-se que as crianças com cegueira, através de materiais acessíveis e experiências de literacia emergente enriquecedoras, poderão tal como as crianças da história, apropriarem-se da palavra e da escrita para se expressarem no mundo. Elas podem!

Bibliografia: 

Farrel M. (2008). Deficiências sensoriais e incapacidades físicas. Artmed, Brasil. 

Koenig, A. J., & Holbrook, M. C. (2000). Ensuring high-quality instruction for students in braille literacy programs. Journal of Visual Impairment & Blindness, 94(11), 677-694.

Ochaita, E. & Rosa, A. (1995). Percepção, ação e conhecimento nas crianças cegas. Em C. Coll, J. Palácios & A. Marchesi (Orgs.), Desenvolvimento Psicológico e Educação. (M. A. G. Domingues, Trad.). (pp. 183-197). Porto Alegre: Artes Médicas.

Stratton, J. M., & Wright, S. (1991). On the way to literacy: Early experiences for visually impaired children. Louisville, KY: American Printing House for the Blind.

Swenson, A. M., & Cozart, N. (2010). Six sensational dots: Braille literacy for sighted classmates. Journal of Visual Impairment & Blindness, 104(2), 119-123. 

TheurelWitt ClaudetHatwell &  Gentaz. Tactile picture recognition by early blind children: The effect of illustration technique. Journal of Experimental Psychology: Applied19 (3):233.

Um seminário de importantes partilhas para quem trabalha e se interessa pela literacia braille.

Dia Mundial do Braille: O poder da palavra… o poder do braille!

No passado dia 04 de janeiro comemorou-se o Dia Mundial do Braille! Para refletir sobre o poder da palavra, deixamos a sugestão de um livro infantil.

Usando apenas nove palavras, o criador premiado do álbum ilustrado Chalk, Bill Thomson  leva os leitores a uma jornada inesquecível no seu livro “The Typewriter”. Quando três crianças descobrem uma máquina de escrever num carrossel, elas são transportadas para uma aventura de criações próprias. E se as palavras ganhassem vida?

De facto, as palavras têm o poder de recriar “realidades”… e isso é entusiasmante, alegre e incrível!

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Descrição ilustração: Criança escreve numa máquina de escrever “Ice Cream” (Bill Thomson).

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Descrição da ilustração: No mesmo cenário da máquina de escrever, surge gelado em balde de praia…3 crianças expressam alegria e entusiasmo.

É o que acontece quando uma criança descobre a escrita… a palavra que traduz a sua oralidade.

É o que acontece quando uma criança descobre a máquina braille… esta mágica ferramenta que “semeia” pontos com significado.

Caixa de Histórias: “O melhor presente do mundo”

Na manhã de Natal, resta um presente por abrir debaixo da árvore de Ema e do Urso. Para seu espanto, não é para nenhum dos dois. Imbuídos de espírito natalício, partem numa aventura para encontrar o seu verdadeiro destinatário.

Estavam longe de imaginar que, dentro do embrulho, se encontrava o melhor presente do mundo!

Sinopse, O melhor presente do mundo, editora Minutos de Leitura

A história “O melhor presente do mundo” de Mark Sperring e Lucy Fleming da editora Minutos de Leitura foi adaptada para o formato caixa de histórias. Para esta adaptação, juntámos os principais elementos da história.

  • Personagens – Ema, Urso e Coelhinho (peluches representativos);
  • Casa do Coelhinho (estrutura em cartão);
  • Presente com bilhete (caixa embrulhada com o respectivo bilhete a negro e braille);
  • Placas que indicavam o caminho (placas de diferentes cores e texturas , com mensagem a negro e a braille).

Ao longo da leitura história, a criança com cegueira teve oportunidade de contactar com estes materiais. A história foi preparada para a experimentação ativa da criança. Por exemplo quando os personagens liam as placas que indicavam o caminho até à casa do Coelhinho, a criança tinha acesso a uma placa com o texto em braille; quando o Coelhinho desembrulha o presente, a criança tem oportunidade de desembrulhar um presente cedido pelos adultos mediadores. Desta forma, a criança não tendo acesso às imagens, tem um conjunto de referenciais  fornecidos pelos objectos/artefactos de referência. Há, assim, oportunidade da criança explorar com os sentidos, através de comportamentos de experimentação ativa (tocar, ler, desembrulhar, carregar, bater à porta, etc.). A leitura da história é feita ao ritmo das ações da criança!

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A adaptação da história contou, ainda, com um percurso onde se pretendeu simular o percurso realizado pela Ema e o Urso para chegar a casa do Coelhinho, simulando-se: o caminho traiçoeiro com descidas inclinadas (simulado com cunha); o vento tempestuoso (adultos mediadores sopram sobre as crianças); grandes bancos de neve (superfície irregular de esponja que afundava).

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Num próximo artigo, serão apresentadas as imagens das mediações de leitura realizadas nos contextos naturais, bem como alguns aspectos trabalhados com a história.

Até breve!

Natal: Literacia Emergente em Família

Hoje partilhamos a primeira sugestão de actividade em família, a realizar nesta época natalícia. Com este artigo pretende-se sugerir o envolvimento de crianças com cegueira em actividades que fazemos na época do natal, promovendo assim competências no domínio da literacia emergente, de forma descontraída.

  • Árvore de natal


Por norma, as crianças aguardam com expectativa o dia em que podem montar a árvore de natal… Já pensou que esta pode ser uma actividade promotora da literacia emergente de crianças com cegueira? Como?

– Ao montar a árvore com a criança, aproveite para conversar sobre os elementos da árvore (textura, peso, tamanho, cor). A criança aumentará vocabulário e estará a desenvolver competências aprimoradas de análise das propriedades/ características de um objecto.

Alguns exemplos:

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Floco de neve com movimento, suspenso na mão;

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Floco de neve sem movimento, apertado entre os dedos;

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Bola macia e bola rugosa;

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Bola grande e bola pequena; 

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Pinheirinhos iguais.

– Convide a criança a fazer seriação de pequenos enfeites. Estará desta forma a aprimorar as competências de acuidade táctil, fundamentais para a leitura braille. Utilize caixas com separadores e peça ao seu filho/a para organizar na caixa um conjunto de enfeites por si seleccionados. Chame-lhe a atenção para os detalhes e características detectadas na exploração tátil e incentive a criança a ser ativa nessa exploração (toque háptico).

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O desenvolvimento tátil envolve a aquisição de informações sobre as qualidades táteis e composição dos objetos (textura, peso, temperatura, forma, materiais dos quais são feitos etc.). Isso requer proximidade imediata com o objeto.  Informações táteis não podem ser recolhidas à distância – se uma criança não puder tocar no objeto, as suas percepções sobre o mesmo podem ser erradas, incompletas ou dependentes de informações de outra pessoa.

O desenvolvimento tátil  exige que as informações sejam recolhidas ao longo do tempo, explorando-se sistematicamente um objeto, faseadamente. A impossibilidade de perceber simultaneamente todas as partes de um objeto, significa que a imagem global do objeto deve ser construída a partir da compreensão de cada um de seus componentes.

Fonte: https://www.tsbvi.edu/fall-2016-issue/5263-the-development-of-tactile-skills

Não se esqueça que a exploração tátil demora mais tempo. Deixe a criança explorar e manipular ao seu ritmo!

Divirtam-se!

Se fez esta actividade, partilhe connosco.

Atividades de Apoio à Literacia Emergente: Outono (Parte 3)

Esta é a terceira e última parte  de um artigo onde partilhámos com os nossos leitores estratégias para promoção de competência de literacia emergente  no âmbito da temática “outono”.

Veja partes anteriores: parte 1, parte 2.

A atividade que vamos descrever aconteceu num jardim-de-infância do distrito de Aveiro. Com a mesma pretendia-se desenvolver o conceito de outono e vocabulário relacionado com esta estação do ano. Pretendia-se, ainda, que as crianças tivessem oportunidades de experimentação ativa (hands on) com itens relacionados com o outono.

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Providenciou-se, desta forma, um “Baú do Outono”.

  • A própria criança com deficiência visual trouxe de sua casa alguns dos elementos desse baú, tendo desta forma oportunidade de contactar com itens desde a sua proveniência.
  • O baú estava identificado com uma etiqueta com a denominação “Báu do Outono” (a negro e a braille) para que as crianças contactassem com os dois códigos de escrita.
  • Cada criança teve oportunidade de se dirigir ao baú e tirar um elemento à escolha.  À medida que cada item ia sendo tirado e explorado pelas crianças, os adultos mediadores iam conversando com as crianças sobre as características desses elementos (função, contexto, características sensoriais).

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Teia de Conceitos/Rede Semântica

Depois desta atividade de experimentação ativa, partiu-se para o registo das novas palavras aprendidas e sugeridas pelo conceito “Outono”. O registo foi feito através do instrumento “teia de conceitos” ou “rede semântica”. As crianças completaram, assim, um esquema onde no centro se colocou a palavra “Outono” e daí derivavam outras que com o conceito estivessem relacionadas. As palavras foram apresentadas a negro e a braille, com a respectiva ilustração com fotografia (cores e apenas contorno, para correspondência) /elemento real anteriormente explorado.

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Através de redes semânticas, o significado das palavras é mais facilmente apreendido (Cunningham & Zibulsky, 2014).

Uma rede ou teia semântica pode, também, ser a estratégia a utilizar para expandir o vocabulário da criança, assim como para a ajudar a estabelecer relações de categorização entre diferentes conceitos e respectivos “rótulos”, neste caso “Outono”.

A promoção da aprendizagem de  vocabulário não envolve apenas o ensino de palavras isoladas, mas também o ensino de palavras em grupos conceptualmente vinculados, com benefícios específicos  evidenciados no ensino de taxonomias. Além disso, o conhecimento de taxonomias das crianças pré-escolares pode ser apoiado pela partilha de informações sobre a função de um objecto, características perceptivas e categorias da palavra (Hadley, Dickinson, Hirsh‐Pasek & Golinkoff, 2018). 

 

Caixa Sensorial de Outono 

Foi, ainda, construída uma caixa sensorial de Outono. A mesma continha folhas de diferentes cores, texturas (mais secas ou mais verdes) e formas. A criança pode explorar todas estas características  e, posteriormente, encontrar pequenos clips, colocando-os na tampa da caixa, promovendo-se assim a acuidade tátil e a motricidade fina.

Esta atividade poderá ser replicada com outros elementos de Outono: bolotas, castanhas, nozes!

Bom trabalho!

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Bibliografia:

Cunningham, A. & Zibulsky, J. (2014). Book smart. How to develop and support successful, motivated readers. Nova Iorque, NY: Oxford University Press.

Hadley, E.B.Dickinson, D.K.Hirsh‐Pasek, K., & Golinkoff, R.M. ( 2019). Building Semantic Networks: The Impact of a Vocabulary Intervention on Preschoolers’ Depth of Word KnowledgeReading Research Quarterly541), 41– 61. doi:10.1002/rrq.225

 

ACTIVIDADES DE APOIO À LITERACIA EMERGENTE: OUTONO (PARTE 2)

Partindo da actividade descrita no anterior artigo, ver link aqui foram construídos três materiais de pré-braille.

  • Banca de bolotas e folhas

Nesta actividade, a criança era convidada a associar simbolicamente diferentes composições braille a elementos reais que a criança já havia explorado na Feira de Outono. Assim uma “folha” foi representada pelos pontos (2,4,5,6)  e uma “bolota” pelos pontos (1,2,4,5).  Feita esta associação, a criança era convidada a discriminar os símbolos e a evocar a palavra correspondente sempre que estava perante uma “bolota” ou uma “folha”. Os símbolos foram apresentados num espaço restrito (rectângulo demarcado com fio de lã).

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  • Árvore com bolotas

Nesta actividade era apresentada uma árvore feita tatilmente (tronco com cortiça, copa redonda rodeada com lã) e no interior a composição referente à bolota (pontos braille 1,2,4,5). A criança era convidada a explorar tatilmente esse espaço, à medida que encontrava o símbolo tátil teria de colar uma bola de plasticina e fazer a contagem das bolotas.

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  • Árvore com bolotas e folhas

Na terceira e última actividade, era apresentada à criança uma árvore com o mesmo formato da anterior. No interior da copa estavam presentes velcros. No campo superior esquerdo da folha é apresentado à criança um referencial (composição braille da bolota ou da folha). A criança teria de colar nos velcros da copa o mesmo símbolo em braille do indicado no referencial colado no canto superior esquerdo da folha. Era ainda dado à criança um saco com atilhos onde se pode brincar com contagens: “Coloca no saco 5 bolotas”.

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As actividades dado o enquadramento anterior da Feira de Outono, foram significativas e prazerosas para a criança. Mais uma vez concluímos que é possível desenvolver competências no domínio do pré-braille de forma motivadora e envolvente para a criança.

Divulgação: Olimpíadas do Braille

Divulgamos iniciativa promotora da Literacia Braille: 

A ACAPO, Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal vai realizar a 5.ª edição das Olimpíadas do Braille.

O concurso terá lugar dia 7 de dezembro, entre as 13h30m e as 16h30m, no Auditório da Estação de Metro do Alto dos Moinhos, em Lisboa.

As inscrições estão abertas entre os dias 18 e 29 de novembro. Para proceder às inscrições clique aqui.

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Os participantes irão concorrer individualmente e serão agrupados por escalões etários, a saber:

1.º escalão: Juvenil, dos oito aos vinte e cinco anos;

2.º escalão: Adulto, dos vinte e seis aos cinquenta anos e,

3.º escalão: Sénior, a partir dos cinquenta e um anos.

Projeto cofinanciado pelo Programa de Financiamento a Projetos pelo INR I.P.

Atividades de Apoio à Literacia Emergente: Outono (Parte 1)

Hoje partilhamos a primeira parte de um artigo que abordará algumas atividades realizadas em contexto de jardim-de-infância sobre a temática do outono. A primeira parte deste artigo relata uma experiência desenvolvida num jardim-de-infância do distrito de Viseu. A atividade foi concebida com o objetivo de promover questões inerentes à literacia emergente, colocando-se enfoque no desenvolvimento do conceito “outono”: Como desenvolver o conceito “outono”? Que dimensões são características desta estação do ano?

Reforça-se a importância do desenvolvimento de conceitos para crianças com cegueira:

Para atribuir significado às palavras, as crianças com deficiência visual devem ter experiências extensas e repetidas com objetos reais e com o seu uso. Os adultos que ensinam ou interagem com crianças pequenas com cegueira devem facilitar experiências concretas com objetos nos seus contextos naturais. 

Os adultos não devem apenas ensinar às crianças os nomes dos objetos, mas permitir que a criança perceba como eles se relacionam com atividades e pessoas. Deverão facilitar ainda a experiência com os objetos e as ações, trazendo os objetos para a criança ou trazendo a criança para a ação ou evento

Fonte: Holly Cooper, em https://www.tsbvi.edu/preschool/1117-early-concept-development

No jardim-de-infância…Experienciar o outono através de uma feira de produtos da época

Inicialmente foi realizada a leitura em voz alta do poema “O outono entra sempre pela janela”, do livro “As quatro estações” (Manuela Leitão e Catarina Correia Marques). O texto foi apresentado em braille para que a criança com cegueira aceda a modelos de escrita em braille. O poema serviu, ainda, de base para refletir sobre a “melodia da poesia”, imitar gestos e sons que a mesma sugere (som do vento, o movimento das folhas a cair, o gesto de de abrir a janela, etc.), bem como compreender o conteúdo narrado (elementos do outono: o tempo característico da estação; a mudança na natureza – cair das folhas das árvores; alguns dos produtos da época).

Posteriormente, em  conversa com as crianças, foram descritas as  características de diversos produtos da época (cogumelos, castanhas, medronhos, bolotas, figos), produtos estes que estiveram presentes na simulação de uma feira de Outono.

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As crianças foram convidadas a explorar os produtos através dos vários sentidos.

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Após esta apropriação inicial de determinadas informações sobre os produtos, as crianças foram divididas em dois grupos, o grupo dos vendedores e o dos fregueses. Os vendedores tiveram que inventar um pregão e definir o preço dos seus produtos, enquanto que aos fregueses foram distribuídas “moedas” para que pudessem fazer as suas compras.

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No fim, as crianças contaram o dinheiro amealhado e a educadora titular registou os resultados obtidos. Foi um momento vivido com grande entusiasmo por miúdos e graúdos, que permitiu realizar algumas aprendizagens de uma forma descontraída e bastante divertida, nomeadamente:

  • realizar reconhecimento tátil de alguns produtos da época;
  • ter contacto com a palavra escrita (a negro e a braille);
  • adquirir conhecimentos matemáticos (contagens);
  • desenvolver competências linguísticas (vocabulário; expressão; consciência fonológica).

A atividade permitiu ainda que as crianças estabelecessem ligação entre as suas experiências reais e o “faz de conta”, uma vez que anteriormente as crianças haviam realizado na sua escola uma Feira de Outono com produtos que trouxeram das suas casas.

O período da tarde foi dedicada ao registo da atividade da manhã!

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A brincar, a brincar experimentámos um verdadeiro dia de Outono!

Pequenos caminhos

Neste livro, como na vida, existem caminhos suaves,  completos, com orifícios, caminhos em ziguezague e outros com  ondas … E, finalmente, todos esses caminhos são um só: o caminho da vida!

Sinopse “Les petits chemins”

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Hoje apresentamos atividades decorrentes da leitura em voz alta do livro “Les petits chemins” -“Pequenos caminhos” (Editora Les Doigts Qui Rêvent). A história foi contada em voz alta com recurso ao álbum tátil ilustrado. Ao mesmo tempo que as crianças escutavam a história, exploraram tatilmente os caminhos que compõem as ilustrações do livro. Com texturas diversificadas que apelam a que a atenção se concentre no tato, as crianças foram desafiadas a seguir e a sentir!

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  • “Caminhos no trajeto para a escola”: estabelecendo ligação com as experiências reais de vida das crianças

Após a leitura, conversámos com as crianças sobre o trajeto que fazem para a escola: uns chegam à escola de carro, outros a pé… mas todos fazem diferentes caminhos, com curvas ou linha recta, com buracos ou por “alcatrão suave”!

  • “Caminhos que são linhas”: breve incursão pela pré-escrita 

O livro permitiu também conversar com as crianças sobre os diferentes tipos de linhas – linhas horizontais (deitadas); linhas verticais (em pé); linhas obliquas (inclinadas); linhas em ziguezague; linhas em onda…

Posicionámos uma régua em diferentes posição: horizontal, vertical e oblíqua.

As crianças realizaram o movimento de cada uma das linhas “desenhando no ar”, experimentando com as mãos e os braços movimentos distintos, que terão de utilizar no desenho e nas tarefas de pré-escrita.

Sabe-se que as capacidades de motricidade fina se desenvolvem durante o brincar com atividades construtivas e que envolvam o sistema tátil (ou sentido do toque) e o sistema propriocetivo (ou sentido da consciência do corpo) (Leão, 2019).

“Quanto mais oportunidades a criança tem de se envolver em atividades em que use as suas mãos para explorar o ambiente e objetos, mais ela estará a desenvolver as suas capacidades manuais e de motricidade fina e consequentemente mais preparada vai estar para as exigências da escrita!” (ibidem.) Com este livro foi realizado o planeamento motor dos movimentos necessários ao desenho de cada uma das linhas.

Como continuidade da actividade é interessante replicar as linhas em caixas de areia, com plasticina, com digitinta…

  • Reconto

Dada a sua estrutura simples e uma ilustração tátil muito representativa, este livro permite que as crianças sejam autónomas no reconto, envolvendo-se num exercício de leitura das ilustrações táteis e visuais.

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  • Outros caminhos

– “Vamos encontrar os caminhos?” um jogo onde as as crianças foram convidadas a encontrar um caminho indicado através de um cartão.  Ao adulto coube a tarefa de ler o cartão que a criança retirava de um baú, modelando o comportamento de leitura: – “Encontra o caminho em ziguezague”; “Encontra o caminho macio”; Encontra o caminho que é uma linha horizontal”; “Encontra o caminho onda”. As crianças seleccionavam o caminho tátil de entre três possibilidades apresentadas. 

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Bibliografia: 

Escrever à mão. Uma atividade multisensorial!

Jogos promotores da literacia emergente

No passado dia 04 de Outubro decorreu o workshop de construção de materiais para crianças com cegueira dos 0 aos 6 anos “O mundo na ponta dos dedos”, promovido pela Associação Bengala Mágica e dinamizado pela equipa do CAIPDV (Centro de Apoio à Intervenção Precoce na Deficiência Visual).

Descrição de imagens: sete fotografias que retratam alguns dos momentos da formação. Vista geral da sala onde os formandos se encontram sentados em mesas dispostas em U; momentos de trabalho onde os formandos exploram materiais já construidos; levados pelas formadoras; momentos de trabalho em que os formandos constroem materiais e os apresentam ao grupo.

 

O workshop abordou a importância do jogo e da brincadeira como componentes essenciais ao desenvolvimento integral da criança com cegueira. Foram descritos e apresentados vários jogos e adapatações para crianças da faixa etária 0-6 anos. Entre outras, a temática  literacia emergente também esteve presente neste workshop… Que jogos existem e podemos criar para promover o processo de literacia emergente de crianças com cegueira?

  • Braille Bricks;
  • Reach and Match;
  • Jogos de cartas
  • Alfabetos braille; 
  • Alfa-braille objetos; 
  • Livros-Jogos; 
  • Cadernos/Livros de Pré-braille; 
  • Caixas de histórias; 
  • Quizzs a partir de histórias; 
  • Jogos da Glória; 
  • Braillin; 
  • Jogos a partir da representação da célula braille; 
  • entre outros.

Em futuros artigos, serão explorados alguns destes materiais.

Até breve!

Literacia…musical com «Filarmónica Enarmonia»

Hoje divulgamos uma iniciativa da associação Bengala Mágica, apoiado pela Fundação Calouste Gulbenkien através da iniciativa PARTIS – Práticas Artísticas para a Inclusão Social.

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Este projeto pretende oferecer aulas gratuitas de instrumentos (de sopro e percussão), Teoria e Formação Musical, Treino Auditivo e Memorização e Musicografia Braille, a alunos cegos, com baixa visão e normovisuais. Pretende ainda possibilitar e fomentar a Prática de Conjunto através da constituição de uma banda filarmónica – Filarmónica Enarmonia.

As aulas experimentais terão inicio em setembro e destinam-se a crianças a partir dos 8 anos, jovens e adultos.
Descarregar folheto de divulgação aqui: CARTAZ aulas abertas pub

 

Para mais informações contacte a Associação Bengala Mágica:

Ligar: 969197614
associacao.bengalamagica@gmail.com

Convite para Iniciativa Associação Bengala Mágica – em Coimbra

A pedido da Associação Bengala Mágica, divulgamos uma iniciativa que se vai realizar no dia 06/07/2019 em Coimbra. Estamos todos convidados!!

“No dia 6 de Julho, venha passar um dia
diferente em Coimbra.
A Bengala Magica tem todo o gosto de vos dar a
conhecer um pouco mais do centro de Portugal através
de uma visita ao Portugal dos Pequenitos (Entre as
10h00 as 12h00) seguida de um almoço partilhado
num dos maravilhoso parques da cidade.
A tarde, será dedicada a participar numa experiência
lúdica e educativa no Exploratório – Centro Ciência Viva
de Coimbra.
Esta atividade destina-se a: crianças, jovens e adultos
com e sem deficiência visual.”

Para mais informações: https://www.facebook.com/associacaobengalamagica/

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Cartaz da Iniciativa da Associação Bengala Mágica, com informação do evento e fotografia da fachada do Portugal dos Pequenitos e do Exploratório – Centro Ciência Viva de Coimbra

“Sonho de neve”

Hoje partilhamos o resultado da mediação da leitura de “Sonho de Neve”, de Eric Carle (Editora Kalandraka). A leitura aconteceu por altura do Natal e retrata um pouco esta estação do ano e a época natalícia.

Numa pequena quinta vivia um agricultor. Ele tinha tão poucos animais que até os conseguia contar
pelos dedos de uma mão. Então, o agricultor chamou
aos seus animais Um, Dois, Três, Quatro e Cinco.
Atrás do celeiro havia uma pequena árvore.
O agricultor chamou-lhe Árvore…

(excerto “Sonho de Neve”, Eric Carle, Editora Kalandraka)

“Sonho de Neve” conta a história de um agricultor que tinha 5 animais, dos quais cuidava muito bem. Este é o mote perfeito para desenvolver as contagens e  a ordenação temporal das unidades da fala que se representa na escrita – da esquerda para a direita, de cima para baixo.

Para a mediação da leitura foram utilizados os seguintes recursos:

  • Livro original e caixa de histórias com os principais elementos (estábulo com os animais em miniatura; manto branco, simulando a neve, e a árvore);

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Recursos utilizados após a leitura: 

O estábulo da história apresenta-se numa linha horizontal que funciona como treino lúdico da pré-leitura: cavalo, vaca, ovelha, porco, galo. Assim, criámos um estábulo em cartão, com as respectivas casas dos animais. Este recurso permite exercícios de discriminação tátil dos animais e  jogos de orientação espacial e ordenação numérica:

  • coloca os animais pela ordem em que aparecem na história;
  • coloca o cavalo na casa 2;
  • coloca a vaca na casa mais à esquerda;
  • coloca o galo na casa mais à direita;
  • coloca a ovelha na casa do meio;
  • etc.

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As atividades incluem também a representação do estábulo bidimensional. Este instrumento permite à criança contar as casas do celeiro e orientar os animais nas devidas posições; para além disso, introduz o número (em braille e a negro).

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  • A história permite ainda trabalhar com os “pontos braille”. Brincámos com a criança com as posições dos animais associados ao número de células braille correspondente:

-cavalo, primeiro animal do estábulo, a criança coloca-o em cima de uma célula braille;

– vaca, segundo animal do estábulo, a criança coloca-a em cima de duas células braille;

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  • A criança pode ainda treinar o seguimento, percorrendo caminhos onde tem de encontar os animais. Na figura abaixo, a criança segue o caminho e tem de parar sempre que encontra uma “vaca” (codificada com uma célula braille completa).

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Aconselhamos vivamente a leitura da história, pela riqueza pedagógica que imprime e pela riqueza sensorial – algumas pistas:

  • a neve – é fria, que barulho faz quando a pisamos?
  • o chá – que cheiro, que sabor, que temperatura?
  • o pão com mel – que cheiro, que sabor, doce, salgado?
  • as barbas do agricultor – picam? não picam? são de que cor?
  • as roupas do inverno – quentes, frias, confortáveis?

Nos contextos onde desenvolvemos a leitura desta história, as atividades acabaram sempre em partilha: com um copo de chá de hortelã-pimenta e um pedaço de pão com mel!

Boas leituras.

Dia Mundial da Leitura em Voz Alta

Hoje celebra-se o Dia Mundial da Leitura em Voz Alta!

Lançámos o desafio para o Dia Mundial da Leitura em Voz Alta (aqui) e já começamos a receber os vídeos/áudios das leituras do poema “Afinal, o Caracol” de Fernando Pessoa.

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Descrição da fotografia: Criança lê “Afinal o Caracol” (edição O Bichinho do Conto), livro sobre o seu rosto (fonte da fotografia).

Veja uma dessas leituras através do facebook ANIP (ver aqui).

Em breve, divulgaremos mais 🙂

 “Para quem não sabe ler, ler em voz alta traz tudo, ou quase” (Comissária do Plano Nacional de Leitura, Teresa Calçada).

Boas Leituras!

“Hinos ao livro braille” no seminário “O Livro Braille – Linhas e Pontos na Era Digital”

No passado dia 11 de Janeiro de 2019, a equipa CAIPDV – OLEC esteve representada no seminário “O Livro Braille – Linhas e Pontos na Era Digital”, no âmbito das comemorações do dia do braille.

Um seminário que muito nos honrou  participar, pela partilha gerada entre instituições e pessoas com reconhecido mérito nas práticas relacionadas com a  promoção do braille.

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Foi com entusiasmo que ouvimos “hinos ao livro braille”, reforçando a premissa da sua soberania, ainda que, numa era onde o “digital” se impõe.

A equipa do CAIPDV – OLEC partilhou a sua experiência com o livro tátil ilustrado com crianças com cegueira dos 0 aos 6 anos. Explanaram-se as potencialidades do livro infantil/álbum ilustrado para as crianças desta faixa etária e confrontou-se o auditório com a problemática na criação de ilustrações táteis.

O modelo háptico foi sumariamente explanado como potencialidade na construção de ilustrações táteis mais significativas para pessoas com deficiência visual, confrontando-o com perspetivas que atendem às representações visuais.

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Descrição da fotografia: Painel 2 “As potencialidades do livro braille”.

Transportou-se o auditório para o contexto natural das crianças que acompanhamos, onde através de 2 livros táteis ilustrados, se exemplificaram práticas e potencialidades dos mesmos no processo de literacia destas crianças e pares.

Defendeu-se a introdução destes recursos precocemente, pelos benefícios lúdicos e pelo reforço das competências de pré-leitura e escrita.

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Descrição da fotografia: Painel 2 “As potencialidades do livro braille”

Estamos certas que os pintores das ilustrações hápticas roubam as sensações do mundo… sensações partilhadas por pessoas cegas e normovisuais…porque todos sentimos…

Parece que esses pintores, as multiplicam nos livros, convidando todos a apreciar a beleza do mundo, pelo toque, que em parelha com a escuta da palavra, nos permite um vai-e-vem afinado entre representação e realidade.

Deixamos o desafio: que se continuem a colocar nos livros as sensações do mundo!

Dia Mundial do Braille

Comemora-se no dia de hoje, 04 de Janeiro, o Dia Mundial do Braille, um dia de assinalável presença para marcar os direitos à literacia de pessoas com deficiência visual.

Na ANIP (Associação Nacional de Intervenção Precoce), a equipa OLEC (oficina de Literacia para a Cegueira) mobilizou colegas e pessoas da comunidade a “virem para a rua” tocar nestes pontos braille, que tanto sentido conferem à leitura do mundo das pessoas com deficiência visual.

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Descrição da fotografia: Conjunto de pessoas seguram nas mãos um livro tátil ilustrado.

 

Boas Festas

Desejamos a todos os nossos leitores e amigos um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo.

ENCONTROS felizes… Que se desfrute do “todo de cada tom” e  do “tom de cada um”.

“Era uma voz”

Hoje partilhamos o poder da voz de quem nos ama e o impacto da leitura em voz alta, pelas palavras do escritor Afonso Cruz:

“Ouvi, há pouco tempo, Juan Villoro dizer que as histórias não deveriam começar por «era uma vez», mas sim por «era uma voz». E acrescentou: «As histórias são muito diferentes se contadas pela voz de quem nos ama». De facto, a oralidade tem esse poder e a importância das histórias que ouvi em criança deve-se sobretudo à «voz de quem nos ama».

(Afonso Cruz, 2017, em “Jalan Jalan. Uma leitura do mundo”, página 135)

 

Algumas sugestões para a leitura em voz alta, em: http://www.nbp.org/ic/nbp/programs/gep/ge_tips.html

Famílias, contem muito, pelo poder da vossa voz!

Muitas Surpresas para Sentir

Por cá temos estado a trabalhar na organização do próximo ateliê para pais. A data está próxima e teremos como tema: “Como construir livros táteis ilustrados de pequeno formato, a partir de pegas de cozinha”.

A ideia parece um “pouco estranha”, mas o objetivo é poupar tempo e dinheiro na estrutura em tecido de um livro de pequeno formato. Com esta estratégia, pais e outros familiares, educadores/as, professores/as podem ver mais facilitada a tarefa de construir pequenos livros para a criança.

Por cá, andamos a testar… Espreitem só…

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Muitas Surpresas para Sentir!

Mais informações e o processo de construção, em detalhe, em breve.

 

 

Divulgação: Curso “A criança com cegueira dos 0 aos 6 anos”

Divulgamos iniciativa da Associação Bengala Mágica, em colaboração com a ANIP (Associação Nacional de Intervenção Precoce).

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CURSO DE FORMAÇÃO: A Criança com Cegueira dos 0 aos 6 anos


CRONOGRAMA: 09 e 10 de março de 2018

HORÁRIO: 9h30m às 13h00m e das 14h00 às 17h30

DURAÇÃO TOTAL: 15 horas

LOCAL: Instituto Piaget, localizadas no Campus Universitário de Almada, na Avenida Jorge Peixinho, n.º30 — Quinta da Arreinela, 2805-059 Almada.(Junto à Estação de Comboios do Pragal)


Inscrição através do LINK: https://goo.gl/forms/98nfFLp20Kyg6ax72 ( As inscrições serão aceites pela ordem de recepção, com um limite de 25 formandos)

Contactos:
formacaobengalamagica@gmail.com
96 919 76 14

Contributos do Seminário “Literacia Braille no Século XXI”

Durante o dia de ontem, dia 04 de Janeiro, tivemos oportunidade de participar no Seminário “Literacia Braille no Século XXI”. A iniciativa promovida pelo Instituto Nacional para a Reabilitação, em parceria com a ESECS-IPLeiria e o CRID, dirigiu-se à comunidade académica e à sociedade civil, bem como à rede de organizações ligadas à deficiência visual e à promoção do ensino do braille em Portugal.

O presente post apresenta, de forma muito sumária, alguns dos contributos que trouxemos.

Ana Sofia Antunes, secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência, presidiu ao Seminário, assinalando assim as comemorações do Dia Mundial do Braille  e reiterou a importância do braille, afirmando que este não se deve excluir face ao avanço da tecnologia. Destacou, ainda, a oficialização do sistema braille (Decreto-Lei nº 126/2017 de 4 de Outubro).

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Descrição da fotografia: Sessão de Abertura. Na mesa, esquerda para a direita: Rita Cadima, Ana Sofia Antunes, Sandrina Milhano.

“Desafios do ensino/aprendizagem do Braille” 

Neste painel foi evidenciado que a literacia braille deve ser promovida desde tenra idade, com as  famílias e profissionais nos contextos naturais das crianças. Apresentou-se o processo de literacia emergente como fundamental para o sucesso da aprendizagem da leitura e escrita braille de crianças com cegueira.

Destacou-se a importância do braille para uma cidadania plena, ativa e participativa. Mais se apresentou a leitura braille como um processo cognitivo complexo, exigindo o tato ativo (háptico), aspecto fundamental a considerar no ensino-aprendizagem.

Enquadrando o braille na especificidade de determinados domínios curriculares e de lazer, foi relatada a experiência de um docente de educação especial e um músico,  destacando-se a musicografia braille, como experiência completa na vivência e aprendizagem da música.

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Descrição da fotografia: Painel 1. “Desafios do ensino/aprendizagem do Braille”, na mesa, da esquerda para a direita: Leonardo Silva, Ana Lúcia Pelarigo, Célia Sousa, Patrícia Valério, Inês Marques, Serafim Queirós. 

Painel 2. “Perspectivas didáticas sobre o ensino/aprendizagem das diferentes grafias braille”

Com quase 200 anos, o braille foi sendo ajustado às necessidades de diferentes áreas do saber, profissões, meios artísticos e culturais. Os oradores deram conta das especificidades da grafia matemática, grafia química, grafia informática e grafia musical.

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Descrição da fotografia: Painel 2. “Perspectivas didáticas sobre o ensino/aprendizagem das diferentes grafias braille”, na mesa, da esquerda para a direita: Luís Filipe Cunha, Carlos Ferreira, Miguel Ferro, Alberto Mendonça, Claudino Pinto, Guilherme Jorge. 

Painel 3: “O impacto da literacia Braille na construção identitária da pessoa”

Este painel destacou a importância da aprendizagem do braille para a cidadania e literacia de pessoas com cegueira. Foram relatadas experiências em que o braille se apresenta como essencial para a organização doméstica e pessoal e para a orientação e mobilidade.

Foi, ainda, destacado o processo de aprendizagem braille e a importância do mesmo para pessoas com baixa visão severa (residual).

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Descrição da fotografia: Painel 3. “O impacto da literacia Braille na construção identitária da pessoa”, na mesa, da esquerda para a direita: José Mário Albino, Renato Viana, Tomé Coelho, Irina Francisco, Diogo Costa.

Foi um dia muito proveitoso onde partilhámos com outros a importância do braille para a cidadania e plena integração da pessoa com cegueira.

Dia Mundial do Braille

Estamos a celebrar o Dia Mundial do Braille no seminário “Literacia Braille no Século XXI”.

Reiterando a ideia que Serafim Queirós deixou neste evento “a Literacia Braille é o melhor caminho para uma cidadania ativa e participativa”. 

Na OLEC avançamos, contribuindo para a construção de caminhos, ao empreendermos o processo da literacia emergente.

Mais informação sobre este seminário em breve.

Um próspero 2018

A equipa do CAIPDV – OLEC deseja a todos/as os/as nossos/as leitores/as e amigos/as um próspero 2018, repleto de momentos importantes.

Esperar por outro momento importante, é uma grande especialidade de todas as árvores.

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Descrição da ilustração: “Cem sementes que voaram” (de Isabel Minhós Martins e Yara Kono, editora Planeta Tangerina). Na ilustração vê-se árvore com um passarinho num dos galhos. À esquerda pode ler-se o texto: ” A árvore estava à espera.| De esperanças.|Naturalmente esperançosa. O que esperava ela? Que tudo corresse bem| (era essa a sua esperança). |O que esperava ela?| O dia mais que perfeito,| o dia certo,| o dia tal!”

Nunca é demais dizer que desejamos, igualmente, um ano cheio de literacia 😉

Oficialização do Sistema Braille em Portugal – Decreto-Lei n.º 126/2017 de 4 de Outubro

Boas notícias para a literacia de pessoas com cegueira!

O Decreto n.º 18.373, de 22 de maio de 1930, que reconhecia a a conveniência de «uniformizar em Portugal o método de leitura e escrita do Sistema Braille para uso dos cegos, em harmonia com a nova ortografia oficial», deixou de satisfazer  as necessidades dos seus utilizadores. Actualmente, o braille implica não só a escrita no seu modo mais direto como a escrita da matemática, química, música, etc.

Além disso, tem vindo a ser discutida a utilização de meios digitais em detrimento do Sistema Braille “menosprezando” o peso que este material signográfico tem enquanto ferramenta de integração do indivíduo a nível familiar, escolar, profissional e social.

Este será um primeiro passo para “vincar” a utilização do Braille nos diversos contextos dando-lhe a importância que há tanto era solicitada pelas pessoas com cegueira.

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Grupo de Trabalho para a Literacia Emergente e Pré-Braille

No passado dia 7 de Outubro foi realizado, na sede do CAIPDV, o primeiro Grupo de Trabalho para a Literacia Emergente e Pré-Braille.

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Descrição da fotografia: Profissionais no Grupo de Trabalho para a Literacia Emergente e Pré-Braille .

Por sugestão dos pais participantes nos ateliers anteriores, que têm encarado o processo de literacia emergente como crucial no desenvolvimento das suas crianças, surgiu a ideia de abrir estes atelier’s a profissionais. Os principais objetivos deste grupo de trabalho foram discutir aspetos inerentes à especificidades do pré-braille e literacia emergente na cegueira (0-6 anos) e partilhar práticas pedagógicas neste âmbito.

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Descrição da fotografia: Profissionais no Grupo de Trabalho para a Literacia Emergente e Pré-Braille e Técnicas do CAIPDV .

 

Foi um dia muito rico e que deixou espaço para novas partilhas.

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Descrição das fotografias: Profissionais no Grupo de Trabalho para a Literacia Emergente e Pré-Braille a explorarem materiais e livros.

 

Obrigada pela presença de todos e continuação de bom trabalho!

Estamos de regresso!

Olá a todos,

Estamos de regresso! Pela OLEC trabalhamos em novidades… Estamos a elaborar atividades para desenvolver competências de pré-braille. Em breve, estarão nos contextos educativos das crianças acompanhadas.

Espreitem 🙂

Até breve!

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Um Verão com uma Brisa de Literacia

Associamos o Verão ao lazer, ao descanso e a actividades informais, e esta informalidade e descanso do período de férias, poderá ser o mote para o desenvolvimento de actividades para promover a literacia de uma forma descontraída, lúdica e num ambiente familiar.

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Ilustração de Jimmy Liao.

 

Estão prontos/as para um Verão com uma brisa de literacia? Deixamos aqui, algumas sugestões:

  1. Escrever uma carta a um familiar;

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2. Fazer uma horta/jardim com etiquetas identificadoras das espécies de plantas/flores;

3.  Cozinhar com os pais ou familiares, seguindo uma receita tátil ilustrada e com braille;

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4.  Escrever e ilustrar um livro sobre experiências vividas (um dia na praia, uma ida ao parque, etc.);

5.  Ir a um parque sensorial – Eco Parque Sensorial da Pia do Urso

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6. Ir à Biblioteca

7. Fazer um caça ao tesouro no parque, seguindo pistas;

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7. Conversar;

8. Imaginar;

9. Cantar, ouvir música, declamar poesia;

10. Ouvir uma história, todos os dias, em vários locais (no jardim; no sofá; na cama; num baloiço).

 

Para outras sugestões consulte o artigo: Top 10 Fun and Motivating Ways to Include Braille in Your Summer!

Gostaram dos nossos desafios? Sentiram a brisa de literacia? Partilhem connosco as vossas experiências, para as publicarmos neste espaço. Vamos a isso? O desafio está lançado! Aguardamos por bravos leitores que ousam sentir, este verão, uma brisa de Literacia. 

Bases para a Literacia: 5) Manusear livros tatilmente interessantes

Uma história que associa texto e imagem desenvolve competências linguísticas e comunicacionais , desperta o prazer da leitura e as trocas entre crianças cegas e normovisuais (Valente, 2015).

Com livros táteis ilustrados, a criança tem maiores oportunidades para alargar o vocabulário, consolidar conceitos, compreender narrativas e recontar histórias de forma independente. Para isso, é importante que as ilustrações táteis sejam interessantes e significativas. Eis algumas das características que contribuem para tal:

  • Elementos destacáveis ou acessórios (reais ou simbólicos), que permitam diversas manipulações;

Descrição da fotografia: Livro “À table!” (Editora Les Doigts Qui Rêvent).

  • Ilustrações que permitam o movimento e que ajudem a criança a perceber a ação narrada, por intermédio da experimentação com o corpo; 

(exemplos: abrir uma porta; subir umas escadas; descer um escorrega; andar para frente ou para trás; correr, espreguiçar-se…)

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Descrição da fotografia: Uma das páginas do livro “O que vês, o que vejo…” (Edição ANIP): crianças espreguiçam-se, ao acordar.

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Descrição da fotografia: Criança movimenta os braços articulados, presentes no livro, representando a ação narrada. Anteriormente, as crianças já tinham esticado os braços com o seu próprio corpo.

  • Diferentes texturas, que ajudem a criança a situar as sensações táteis reais de determinado objeto ou personagem; 

No caso do primeiro exemplo exposto – “Le Repas de Renard” as galinhas são representadas por penas e a raposa por pêlo. Já no segundo exemplo “Un hivier magique“, a editora Les Doigts qui Rêvent conseguiu produzir uma sensação tátil similar à neve pela sua densidade e pelo som provocado quando simulamos caminhar sobre “a neve” no livro.

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Descrição da Fotografia: Livro “Le repas de Renard” (Editora Les Doigts qui Rêvent)

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Descrição da fotografia: Livro “Un hiver magique” (Editora Les Doigts qui Rêvent)

  • Ilustrações que integrem outros sentidos como o audição e olfacto. 

 

Boas leituras!

Dia Internacional do Livro Infantil

Hoje comemoramos o dia internacional do livro infantil, renovando votos: “Vamos crescer com o livro!”.

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Cartaz DGLAB comemorativo do Dia Internacional do Livro (ilustração de João Fazenda).

 

VAMOS CRESCER COM O LIVRO!

Na minha primeira infância, gostava de construir casas com pequenas peças e toda a espécie de brinquedos. Usava muitas vezes um livro ilustrado a fazer de telhado. Nos meus sonhos, entrava na casa, deitava-me na cama feita com uma caixa de fósforos e olhava para cima, para as nuvens ou para as estrelas do céu. A escolha dependia da ilustração que preferia na altura.

Mensagem do IBBY , este ano da responsabilidade da Rússia, texto do escritor Sergey Makhotin. Descarregar texto completo VAMOSCRESCERCOMOLIVRO

 

 

Bem-Vindas: Voluntariado na OLEC

Na OLEC gostamos de contar histórias e contar com pessoas que, com a sua generosidade, querem ajudar-nos  a construir este projeto.

É com muita alegria que partilhamos que teremos a colaborar connosco a Ana Matos e a Lúcia Fialho, em regime de voluntariado. Chegaram cheias de ideias e com muita vontade de contribuir para a construção de mais livros e materiais.

Contamos muito com elas… Obrigada e BEM-Vindas, Ana e Lúcia!

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Descrição da fotografia: Da esquerda para a direita: Rita Ângelo, Ana Matos, Patrícia Valério, Helena Mamede, Inês Marques, Lúcia Fialho.