“O Nabo Gigante”: Atividades de Pré-Braille

“O nabo gigante” é para nós uma história irresistível, já em 2015 nos debruçamos sobre ela:

Atividades de mediação de leitura(ver aqui);

Atividades de exploração tátil em contexto bidimensional (ver aqui).

O Nabo Gigante, um conto original russo recolhido por Alexis Tolstoi no século XIX, tem os ingredientes de um conto popular verdadeiramente hilariante, pensado para crianças com menos de 5 anos e para todos os que se iniciam no mundo da leitura. Acompanha as atribulações de um simpático casal de velhinhos nesta nova versão, enriquecida com as belíssimas ilustrações de uma premiada artista irlandesa.

(Editora Livros Horizonte)

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Hoje partilhamos novamente atividades decorrentes deste livro, porque uma das crianças que acompanhamos partilha dos interesses destes dois velhinhos. Também o nosso Santiago é apaixonado pela vida do campo e pelos animais. Acreditamos, assim, que esta narrativa é uma boa maneira de o envolver em atividades táteis, que estimulem competências de pré-braille.

Depois da leitura ou escuta da história, propomos um passeio pela própria horta da criança ou pela horta de um familiar ou vizinho. É uma boa forma de explorar diferentes legumes e perceber como crescem.

Da horta para a mesa, os legumes, mas hoje, também, atividades táteis!

Através de propostas simples, construímos as seguintes atividades táteis em plano bidimensional:

  • Segue o caminho da casa do velhinho e da velhinha até ao jardim; 

Cola um autocolante vermelho no início e fim do caminho; 

Quantas flores há no jardim? De que cores são?

Incentive a criança a realizar o seguimento desde a casinha até ao jardim. A criança deve explorar toda a superfície da folha de forma a encontrar o início das linhas braille. O adulto deve apoiar a criança para que faça um seguimento das linhas correto. 

Pode ser importante rever alguns das orientações para o seguimento e leitura braille, aqui

Há nestas orientações referência à cor, mas caso a criança não discrimine cores poderá fazer o mesmo exercício substituindo a referência da cor por texturas diversificadas. 

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  • Pinta cada parcela da horta da cor indicada.

As divisórias da horta foram feitas com papel de veludo para que a criança com cegueira ou défice visual grave  discrimine as diferentes parcelas. Na parte superior de cada parcela, a criança poderá “ler” com a ajuda do adulto o nome da cultura em braille – ervilhas, cenouras, batatas, feijões, nabos – e a indicação da cor para pintar o respectiva espaço. A actividade foi realizada com a cor porque a criança apresenta resíduo visual, caso não aconteça com a criança para qual está a planear esta actividade, poderá substituir a cor por tecidos de diferentes texturas. 

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  • O velhinho e a velhinha tinham 6 canários amarelos. 

Conta o número de canários de cada conjunto e identifica qual deles tem mais. 

Os conjuntos foram delimitados por lã em forma de círculo, os canários representados  de forma simples e com espaçamento entre si. Com esta atividade a criança estará a exercitar competências como a orientação espacial, a discriminação tátil e noções matemáticas. 

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  • O Santiago recebeu um saco de feijões dos velhinhos. Quantos feijões contas?  O Santiago deu cinco feijões à irmã. Com quantos ficou? E a irmã?

Esta atividade pressupõe a exploração ativa da criança, com situações de simulação lúdica que promovem exercícios simples de contagem e operações de subtração e soma. A criança pode abrir o saco dos feijões e manipular de forma a facilitar o exercício matemático. 

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  • Quantas cenouras foram colhidas pelo velhinho e pela velhinha? Qual a maior?

Neste exercício simples, a criança vai explorar conceitos de grandeza e contagens. 

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  • Hoje é dia de fazer sopa. 

Numa panela coloca os seguintes ingredientes (5 feijões, 1 batata, 3 cenouras)

O objectivo é que a criança faça a “leitura” tátil desta receita e brinque ao faz de conta com estes ingredientes. Estará a desenvolver competências importantes como a imaginação, as contagens e a motricidade fina.  

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E aqui temos, a base de uma bela sopa e  todos os ingredientes para um dia repleto de brincadeira!

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Fazer Jogos em Casa: Desenvolvimento Tátil

O desenvolvimento tátil acontece desde os primeiros meses da criança e vai-se desenvolvendo de forma espontânea, pela manipulação de objetos e pelas vivências do dia-a-dia, mas também pelo incentivo e orientação de adultos próximos, profissionais e famílias. A literatura descreve que o desenvolvimento tátil deve ocorrer com recurso a tarefas planificadas e organizadas e com treino.

Apesar dos poucos estudos sobre o impacto da estimulação tátil, parece aconselhável iniciar a intervenção o mais precocemente possível, de forma a ensinar competências táteis específicas e competências no domínio da percepção espacial (Withagen, A, et al., 2010).

O desenvolvimento tátil é promovido por inúmeras actividades lúdicas como tocar piano, brincar com dedoches, explorar objetos ou ler imagens táteis.

Mas muitas vezes, famílias e profissionais sentem necessidade de construir materiais que respondam de forma mais eficaz ao nível de desenvolvimento da sua criança e a um objectivo específico que esteja a ser trabalhado.

Hoje, partilhamos dois exemplos simples de materiais que podem ser construídos em casa:

 

  • Jogo de Argolas com Texturas

Materiais necessários: Caixa de cartão reciclada; rolo de papel cozinha; pratos de plástico sobremesa; papel de diferentes texturas; papel à escolha se pretender forrar.

Procedimento: Faça um orifício na superfície da caixa onde possa encaixar o rolo de papel de cozinha. Se pretender forrar o material, faça-o antes do encaixe.

Corte o centro de um prato de plástico de sobremesa em forma de círculo, de modo a obter um disco. Na superfície desse disco, cole uma argola de um material com textura, de forma a forrar o seu topo. Utilizámos as seguintes texturas: cartolina canelada; goma eva; tecido e goma eva rugosa (brilhante).

Como Jogar: Incentive a criança a colocar todos os discos no eixo central da caixa. Incentive a criança a segurar com uma mão a base do jogo e a localizar a haste de empilhamento e com a outra a encaixar a argola. Inicialmente, deixe a criança colocar as argolas aleatoriamente. Depois poderá pedir à criança para ir colocando, a seu pedido, argolas com texturas específicas.

Objetivos de Intervenção: Coordenação bimanual; Contacto/Sensibilização a diferentes materiais táteis.

 

 

  • Livrinho de Associação Texturas Iguais 

Materiais necessários: Papel braille; máquina braille; papel de diferentes texturas.

Procedimento: Escrever texto a braille (uma quadra por folha). Colar um círculo em cada folha e por baixo do mesmo colar um velcro. Fazer um círculo de cada textura em duplicado para a criança colar no velcro.

Como Jogar: Leia o livro com a criança, ajudando-a a responder aos desafios lançados em cada quadra. Para facilitar a procura tátil, coloque os círculos que a criança terá de discriminar num recipiente ao seu lado.

Objetivos de Intervenção: Coordenação bimanual; Destreza manipulativa (colar e descolar círculos; virar as páginas; encontrar velcro); Associação texturas iguais.

Procura as bolinhas

 

Onde está a bolinha

Vamos lá procurar

Esta é macia

Só tens de a encontrar

 

Aparece mais uma

Vamos lá procurar

Esta arranha nos dedos

Só tens de a encontrar!

 

Queres continuar?

Vamos lá procurar

Esta tem ondas

Só tens de a encontrar.

 

Não desistas,

Estamos quase a acabar

Esta é lisa

Só tens de a encontrar!

 

Parabéns!

Conseguiste terminar

Se gostaste volta a procurar

Só tens de as encontrar!

 

Divirtam-se!!

Referências Bibliográficas:

Withagen, Ans & Vervloed, Mathijs & Janssen, & Knoors, Harry & Verhoeven, Ludo. (2010). Tactile Functioning in Children with Blindness: A Clinical Perspective. Journal of visual impairment & blindness. 104. 43-54.

Caixa de Objetos: Desenvolvimento da Consciência Fonológica

“As crianças envolvem-se frequentemente em situações que implicam uma exploração lúdica da linguagem, demonstrando prazer em lidar com as palavras, inventar sons, e descobrir as suas relações” (Silva, 2016). Sabe-se que a aprendizagem da linguagem oral e escrita deve constituir “um processo de apropriação contínuo que se começa a desenvolver muito precocemente e não somente quando existe o ensino formal” (ibidem.). A consciência fonológica é um domínio que não deverá ser esquecido neste “processo de apropriação contínuo”.

A consciência fonológica é a capacidade para, conscientemente, refletir sobre as subunidades fonológicas que compõem as palavras e as frases – as sílabas, ataques/rimas e sons – permitindo uma reflexão sobre a estrutura fonológica da linguagem oral, independente do seu significado (Fitzpatrick, 1997; Hester & Hodson, 2009).

Com uma caixa misteriosa e uma banca de objetos, brincámos com palavras que rimam!

As crianças foram desafiadas a descobrir os sons escondidos na caixa! Como? Seleccionavam através do tacto um dos objectos da caixa, nomeavam o seu nome, e posteriormente seleccionavam outro da banca de objetos cujo nome rimasse com o primeiro.

Argola-Bola; 

Caneca – Boneca; 

Balão – Coração; 

Grão – Feijão;

etc.

Esta é uma atividade simples que poderá complementar outros jogos orais. Esta estratégia com o objeto concreto poderá substituir atividades com imagens que não seriam acessíveis à criança com défice visual grave ou cegueira.

Com estes objetos e esta caixa cheia de sons e sensações, todos puderam jogar sem restrições!

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Bibliografia: 

Silva, I. (coord.) (2016). Orientações Curriculares para a Educação Pré-Escolar. Lisboa: Editorial do Ministério da Educação e Ciência. Acesso em: https://www.dge.mec.pt/ocepe/sites/default/files/Orientacoes_Curriculares.pdf

Fitzpatrick, J. (1997). Phonemic awareness. Playing with sounds to strengthen beginning reading skills. Creative Teaching Press, Inc.: Cypress, CA.

Hester, E. & Hodson, B. (2009). Metaphonological awareness: enhancing literacy skills. em Rhyner, P. (Eds) Emergent literacy and language development. Promoting learning in early childhood. Nova Iorque: The Guilford Press. pp. 78-103.

“A Baleia”

Hoje partilhamos algumas adaptações realizadas na mediação da leitura da história “A Baleia” (Benji Davies, editora Orfeu Negro) e respectivas atividades de exploração do livro com crianças com cegueira.

Ao acordar depois de uma noite de grande tempestade, o Noé avistou qualquer coisa ao longe: uma pequena baleia tinha dado à costa. O Noé sabia que não era bom para uma baleia estar fora de água e decidiu levá-la para casa, fazer-lhe companhia, contar-lhe histórias e até tocar-lhe umas musiquinhas… Será que o pai do Noé vai gostar da nova inquilina?

Uma história ternurenta sobre a amizade improvável entre um menino e uma baleia.

Sinopse “A Baleia”

O objetivo da mediação da leitura desta história é criar na criança com cegueira e restante grupo o gosto pela leitura e pela escuta da narrativa e, simultaneamente, promover a sua compreensão.

Uma vez que o livro é riquíssimo ao nível da ilustração, recorreu-se à descrição verbal da componente visual do livro. Paralelamente foram usados alguns artefactos que facilitam que a criança com cegueira explore tactilmente alguns objectos, personagens e, assim, emerja na história, alicerçada em oportunidades de acesso ao concreto/representativo. 

Listagem de artefactos utilizados na leitura da história: 

  • Baleia;
  • Banheira;
  • Areia da praia;
  • Água do mar;
  • Carrinho;
  • Balde de peixes;
  • Barco de papel.

 

Actividades: 

  1. A história foi lida em voz alta e as crianças iam sendo convidadas a explorar os objectos de referência da narrativa. A leitura foi realizada de forma dialógica, com pequenas pausas, para comentar e descrever as ilustrações e para desafiar as crianças em pontos críticos:

– “O Noé não sabia o que fazerO que é que vocês faziam se estivessem no lugar do Noé?

-“Mas disse-lhe que tinham de levar a baleia de volta para o mar, que era a casa dela“. Como é que o Noé se sentiu ? Acham que o Noé sentia saudades da baleia? Como é que baleia se sentia em sua casa?

2. Num segundo momento, a criança pôde explorar os artefactos de forma mais livre e simbólica, dando asas à sua imaginação e desenvolvendo um conjunto de experiências manipulativas e sensoriais. Este espaço permitiu ainda a consolidação de aspectos referentes à compreensão da narrativa. Em conversa exploraram-se as seguintes dimensões da narrativa:

-Personagens (Noé; Pai; Baleia)

-Cenário (Praia)

-Problemas (Baleia dá à costa)

-Acções (Noé pensa numa solução/ Leva a baleia para a banheira/ Pai descobre o segredo)

-Resolução (Pai diz ao Noé que têm de levar a baleia para a sua casa/ O Noé e o pai devolvem a baleia ao mar)

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3. Crianças da turma ilustram a história “A baleia”

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As crianças com défice visual severo/cegueira ficaram responsáveis pela realização da capa da história e recorreram à técnica do contorno da baleia com lápis, ficando com o seu vulto em cartão (podiam assim perceber a sua forma); utilizaram ainda os lápis de cor e areia para representarem a areia e o mar. Estas crianças têm resíduo visual e, por isso, o uso da cor é extremamente significativo.

Nas atividades de pintura, pode ser usado um papel texturado (por baixo da folha de papel a pintar), que irá conferir à pintura uma leve textura.

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E é tão bom vê-los brincar… e chapinhar… imaginando-se Noé’s e imaginando baleias!

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“Sonho de neve”

Hoje partilhamos o resultado da mediação da leitura de “Sonho de Neve”, de Eric Carle (Editora Kalandraka). A leitura aconteceu por altura do Natal e retrata um pouco esta estação do ano e a época natalícia.

Numa pequena quinta vivia um agricultor. Ele tinha tão poucos animais que até os conseguia contar
pelos dedos de uma mão. Então, o agricultor chamou
aos seus animais Um, Dois, Três, Quatro e Cinco.
Atrás do celeiro havia uma pequena árvore.
O agricultor chamou-lhe Árvore…

(excerto “Sonho de Neve”, Eric Carle, Editora Kalandraka)

“Sonho de Neve” conta a história de um agricultor que tinha 5 animais, dos quais cuidava muito bem. Este é o mote perfeito para desenvolver as contagens e  a ordenação temporal das unidades da fala que se representa na escrita – da esquerda para a direita, de cima para baixo.

Para a mediação da leitura foram utilizados os seguintes recursos:

  • Livro original e caixa de histórias com os principais elementos (estábulo com os animais em miniatura; manto branco, simulando a neve, e a árvore);

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Recursos utilizados após a leitura: 

O estábulo da história apresenta-se numa linha horizontal que funciona como treino lúdico da pré-leitura: cavalo, vaca, ovelha, porco, galo. Assim, criámos um estábulo em cartão, com as respectivas casas dos animais. Este recurso permite exercícios de discriminação tátil dos animais e  jogos de orientação espacial e ordenação numérica:

  • coloca os animais pela ordem em que aparecem na história;
  • coloca o cavalo na casa 2;
  • coloca a vaca na casa mais à esquerda;
  • coloca o galo na casa mais à direita;
  • coloca a ovelha na casa do meio;
  • etc.

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As atividades incluem também a representação do estábulo bidimensional. Este instrumento permite à criança contar as casas do celeiro e orientar os animais nas devidas posições; para além disso, introduz o número (em braille e a negro).

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  • A história permite ainda trabalhar com os “pontos braille”. Brincámos com a criança com as posições dos animais associados ao número de células braille correspondente:

-cavalo, primeiro animal do estábulo, a criança coloca-o em cima de uma célula braille;

– vaca, segundo animal do estábulo, a criança coloca-a em cima de duas células braille;

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  • A criança pode ainda treinar o seguimento, percorrendo caminhos onde tem de encontar os animais. Na figura abaixo, a criança segue o caminho e tem de parar sempre que encontra uma “vaca” (codificada com uma célula braille completa).

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Aconselhamos vivamente a leitura da história, pela riqueza pedagógica que imprime e pela riqueza sensorial – algumas pistas:

  • a neve – é fria, que barulho faz quando a pisamos?
  • o chá – que cheiro, que sabor, que temperatura?
  • o pão com mel – que cheiro, que sabor, doce, salgado?
  • as barbas do agricultor – picam? não picam? são de que cor?
  • as roupas do inverno – quentes, frias, confortáveis?

Nos contextos onde desenvolvemos a leitura desta história, as atividades acabaram sempre em partilha: com um copo de chá de hortelã-pimenta e um pedaço de pão com mel!

Boas leituras.

Retrato do nosso piquenique com o “Repasto da Raposa”

Ver artigo: “A preparar um belo repasto”

O S. e o A. adoram a temática dos animais e da vida no campo. A história “O repasto da raposa” foi por isso muito significativa para eles. Eles sabem tudo sobre animais e ferramentas, tendo vivências no seu contexto familiar que os aproximam deste universo. Por isso, quando alguma história retrata estes temas, há uma identificação imediata e uma assimilação do conteúdo narrado por referência às experiências vividas.  Esta circunstância facilita,  sem dúvida,  o envolvimento nas actividades provenientes da leitura da história.

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Neste artigo faremos um breve resumo dos aspectos trabalhados através deste álbum tátil ilustrado:

  • Compreensão da narrativa e reconto da história através da leitura tátil das ilustrações

Depois de contarmos a história em grupo com a turma do S. e do A., explorando aspectos relacionados com a mesma em grupo, retomámos a sua exploração, mas desta vez em contexto individual. Aqui procurámos mediar o diálogo, de forma a desenvolver aspectos relacionados com a compreensão da narrativa e respectivo reconto. Procurou-se que estas crianças desenvolvessem competências que lhe permitissem organizar o discurso para o reconto da história à medida que exploravam tatilmente as ilustrações táteis (da mesma forma que as crianças normovisuais fazem leitura de imagens). Este livro tem ilustrações táteis muito simples, permitindo o seguimento da história, 5 galinhas (representadas por penas de diferentes cores e formas) e uma raposa (representada por um triângulo de pêlo cor de laranja, que vai aumentado à mediada que a personagem come as galinhas).

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  • Manipulação dos artefactos criados para representar a galinha e a raposa

Com as galinhas andámos pela capoeira a cacarejar, pelo campo a aproveitar o sol, imitando galinhas cheias de personalidade e com vozes muito próprias (o facto do S. e o A. terem percepção de cor facilitou a distinção das galinhas pela cor das penas). A raposa despertou aquele sentimento de medo… O  S. achou que para ela não comer as galinhas podíamos… “Pôr-lhe fita-cola na boca”, mas preferiu imaginar que ela não comia galinhas e ficava satisfeita com os ovos (que ele contava e lhe oferecia).  Com esta brincadeira de faz-de-conta desenvolvemos aspectos relacionados com a linguagem: diferentes géneros de discursoestruturas frásicas, uso de novo vocabulário, tudo através da dramatização da história e utilização do diálogo, reconto, argumentação … O facto de tudo isto ser intermediado pelos artefactos constituiu uma rica oportunidade de interações  em torno desta experiência de literacia, assegurando o contributo ativo das crianças (Hannon & Nutbrown).

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  • Posicionamento das galinhas na capoeira

Partindo da brincadeira gerada através da história, as crianças foram convidadas a posicionar cada uma das galinhas na sua casa (caixa de ovos com 6 divisórias). Através deste jogo é pretendido que a criança adquira familiaridade com a sequência numérica dos 6 pontos do sistema braille.  Estes  seis pontos são designados por Célula Braille e estão numerados de acordo com a posição em que se encontram. Assim, temos: na coluna da esquerda, de cima para baixo, os pontos 1, 2 e 3; na coluna da direita, também de cima para baixo, os pontos 4, 5 e 6. As crianças são convidadas a posicionar as galinhas nos números designados por casa 1, casa 2, casa 3, etc. 

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  • Fichas de pré-braille

Por referência às personagens principais da história, raposa e galinhas, as crianças foram ainda convidadas a realizar exercícios de seguimento e descoberta de intrusos.

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  • Jogo da Glória

Este “retrato do nosso piquenique” com o “Repasto da Raposa” termina com um jogo de tabuleiro, ao jeito do “Jogo da Glória”. Quem chegará primeiro à capoeira? A sorte é lançada através de um dado tátil. Depois é só contar e avançar, pelo percurso construído com diversas texturas e assinalado por números que se sucedem, a negro e a braille. A casa estrela anuncia desafio criado pela Educadora C.

Foi bom estar assim em roda!… a desfrutar da alegria da novidade, a contar pontos, casas e a recordar este conto que alimentou este nosso “piquenique”.

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Bibliografia:

Peter Hannon & Cathy Nutbrown (s/d). The ORIM Framework – Opportunities, Recognition, Interaction, Models. Raising Early Achievement in Literacy Project. School of Education, University of Sheffield. Em: http://www.real-online.group.shef.ac.uk/index.html

A preparar um belo repasto

Estamos a preparar um belo repasto, para levar até ao jardim-de-infância de uma das nossas crianças! Será um repasto mediado pelo  livro tátil ilustrado “O repasto da Raposa” (Original “Le Repas de Renard”, de Claudette Kraemer, com base num texto de Anne-Marie Chapouton e ilustrações de Solène Négrerie – Editora Les Doigts qui Rêvent).  Estamos certas que será mais um momento cativante em que partilhamos à volta de um livro.

“O repasto da raposa” é a história de uma raposa de pelo macio e de cinco galinhas (representadas por penas). A raposa é representada pela forma de um triângulo, que vai engordando à medida que aumenta a sua gulodice, e as galinhas vão desaparecendo, comidas uma após a outra. Mas as galinhas não vão desistir e com brio e astúcia, libertam-se no fim.

Este livro é uma boa introdução a competências numéricas (contagem crescente, contagem decrescente, somas e subtracções simples).

No nosso “cesto de piquenique” para esta história que vamos partilhar com crianças da zona centro do país, vamos levar: 

  • Livro tátil ilustrado (braille, ilustrações hápticas, texto a negro e ilustrações visuais)
  • Representação das galinhas e da raposa, organizadas numa caixa de ovos, pela sequência numérica da célula braille (bolas de ping pong caracterizadas com penas – galinhas-  e rabo de pêlo – raposa).

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  • Jogo da Glória (por referência à narrativa da história)

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  • Um galinheiro com ovos (para tornar mais aliciantes as primeiras contagens e somas e subtracções simples)

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  • Fichas de trabalho pré-braille (para o desenvolvimento de competências de seguimento, discriminação tátil de intrusos, associação de composições braille iguais, descodificação icónica)

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Até breve! Contamos partilhar mais deste nosso belo repasto!

Ateliê de Pais – Construir Livros Pequeno Formato

No post anterior, divulgámos a preparação do primeiro atelier 2018/2019. Hoje, partilhamos com os nossos leitores alguns dos momentos vividos neste espaço de boas partilhas, que teve lugar no passado dia 30 de Setembro.

Neste ateliê, pais de crianças com deficiência visual grave, trabalharam em livros táteis de pequeno formato. Reflectiu-se sobre todo o processo de construção: desde o surgimento da ideia, à construção da narrativa e da ilustração e respectiva operacionalização.

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Descrição da fotografia: Plano da mesa de trabalho: sobre a mesa, apontamentos sobre a construção de livros táteis, máquina braille, livros táteis. 

Sabe-se que livros de pequeno formato facilitam a manipulação de crianças com cegueira, uma vez que estes tamanhos são mais indicados para as mãos ainda pequenas dos nossos pré-leitores. Estes livros foram feitos com pegas de cozinha para facilitar o processo de construção da estrutura em tecido do livro. Livros em tecido são, também, indicados para crianças pequenas, por serem mais resistentes e amigáveis à manipulação (sem bicos, maleáveis, agradáveis ao toque).

Os pais presentes optaram por 2 livros distintos, ambos muito ricos em mecanismos manipulativos, para a exploração da criança:

  • Um livro jogo que incentiva a criança a contar, funcionando como um ábaco, onde a criança, a cada página, tem de conduzir missangas através de um cordel;
  • Um livro experiência, baseado na rotina matinal e na chegada à escola, rico na integração de múltiplos aspectos manipulativo e sensoriais e remetendo para as experiências da própria criança.

Agradecemos a presença dos pais e crianças presentes. Até breve!

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Descrição da fotografia: Foto de grupo dos participantes. 

Pais, sugestões para um próximo encontro?

Vamos à caça ao urso?

É sempre tempo para irmos à caça ao urso e é tão bom recordar as nossas “caçadas”! Hoje, para partilhar com os nossos leitores, o trabalho realizado a partir do clássico de Michael Rosen “Vamos à caça ao urso?”

Está um belo dia, e eles vão dizendo que não têm medo, enquanto atravessam um campo de erva alta e ondulante, cruzam um rio fundo e frio, arrastam-se através da lama pegajosa, procuram o caminho pelo meio de uma floresta, passam através de um nevão que rodopia e entram pé-ante-pé numa caverna soturna. Aqui, na escuridão, tudo parece diferente… E qual é a coisa temível que aparece diante deles?

Leiam e descubram!

Para a mediação da leitura desta história e posterior trabalho pedagógico, preparámos:

  • Um percurso sensorial, onde a criança pode explorar sensações similares às dos cenários apresentados na história. 

Aqui podem ser discutidas as características dos locais descritos e todas as sensações e emoções que nos transmitem: frio, calor, cócegas, arranhar, molhado, seco, ruídos, emoções…

Enquanto se lê a história, a criança pode executar as acções, fingindo atravessar o campo de erva, a floresta, o nevão, cruzar o rio e a lama pegajosa, avançando até à caverna… A dinâmica criada a partir da narrativa e a vivência gerada pelo percurso, estimulam a criança a “entrar na história”, promovendo a imaginação e a apreensão da narrativa. A componente motora é também estimulada, tendo a criança que se orientar através do percurso e caminhar sobre um conjunto de “pisos” muito diversificados.

 

  •   Jogo de conceitos posicionais

Após a leitura e a realização do percurso, personagens e cenários poderão ser o mote para a aventura prosseguir… O adulto poderá dar à criança um urso em miniatura e um tabuleiro e a criança terá de o posicionar consoante as indicações do adulto: à esquerda, à direita, no meio, em baixo, em cima.

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  • Jogo de associação de texturas

Continuando pelos “mundos” da história, apresenta-se à criança um jogo de texturas muito especial, uma vez que evoca os cenários e personagens da história.

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Todas as actividades contribuem para que a criança desenvolva competências linguísticas, relacionadas com o desenvolvimento de conceitos e aprendizagem de novo vocabulário. O facto da história ser ritmada e repetitiva contribui para o envolvimento da criança, para a compreensão da narrativa e respectivo reconto.

Com esta atividade, a componente tátil não fica esquecida. Todas as atividades contribuem para o desenvolvimento dos movimentos corporais, organização espacial e percepção tátil.

Rendidos? Agora é a vossa vez…Toca a caçar!

O “Triângulo” andou por aí a viajar

Num anterior post, partilhámos a adaptação da história “O Triângulo”, por estagiárias de Educação da ESEC. Hoje partilhamos convosco algumas fotografias sobre a exploração deste livro com uma criança.

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Criança explora capa do livro com título “Triângulo” (Editora Orfeu Mini). Ilustração tátil: triângulo feito em feltro. 

Esta história é sobre o Triângulo. Esta história é também sobre o Quadrado, amigo do Triângulo. É também a história da valente partida que o Triângulo pregou ao seu amigo Quadrado.

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Neste livro formas simples ganham vida e vivem uma aventura cheia de partidas. Vejam só o interior deste livro com as respectivas imagens táteis.

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Descrição da fotografia: Criança explora ilustrações táteis, revivendo a viagem do Triângulo que passou por quadrados grandes, quadrados médios e quadrados pequenos. 

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Descrição da fotografia: Criança explora ilustração tátil – porta da casa do quadrado. Criança abriu a porta e explora superfície representativa da casa, também da forma quadrada. 

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Descrição da fotografia: Criança explora ilustração tátil, revivendo a viagem do Quadrado atrás do Triângulo, passando por quadrados pequenos, quadrados médios e quadrados grandes; passou pelas formas sem nome; pelos triângulos grandes, pelos triângulos médios e pelos triângulos pequenos. 

E assim, a andar e, por vezes até a correr, viajamos com este “Triângulo”, por caminhos de quadrados grandes, médios, pequenos; triângulos pequenos, médios e grandes; e até formas sem nome.

Mais um livro a viajar pelos contextos naturais!

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Criança com o livro “Triângulo” à frente do rosto, num barco de papelão. 

Por cá… Nasceu mais uma adaptação de um livro

No âmbito de um estágio de Educação, da  Escola Superior de Educação de Coimbra, desafiamos a Maria e a Mónica a adaptar a história “Triângulo” (Editora Orfeu Negro), com  base nos pressupostos da ilustração tátil (modelo háptico).

Ver sinopse da editora, aqui.

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Descrição da fotografia: Capa do livro “O Triângulo” (Editora Orfeu Negro).

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Em breve, publicaremos o resultado da adaptação deste livro.

Obrigada Maria e Mónica pela vossa colaboração.

“O que vês, o que vejo…”, álbum tátil ilustrado em versão audio

Muitos são aqueles/as que nos têm solicitado o álbum tátil ilustrado “O que vês, o que vejo…”, infelizmente não conseguimos satisfazer todos os interessados/as pelo número limitado de edições deste livro (100 exemplares) que, felizmente, o que é  paradoxal, esgotou rapidamente. Entretanto, trabalhamos para angariar financiamento para a reedição deste livro e, quem sabe, editar outros títulos.

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Descrição da fotografia: Capa do Livro “O que vês, o que vejo…” (edição ANIP, texto Inês Marques, Ilustração Madalena Moniz).

A presente publicação tem como intuito dar a conhecer a versão audio deste livro, um projeto que teve a preciosa colaboração da Câmara Municipal de Coimbra, Serviço de Leitura Especial para Deficientes Visuais, da Biblioteca Municipal de Coimbra. A leitura foi realizada por Maria José Pessoa com o  apoio técnico de Emanuel Laça.

À Câmara Municipal de Coimbra, na entidade do Serviço de Leitura Especial para Deficientes Visuais, da Biblioteca Municipal de Coimbra, muito agradecemos. 

 

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Para aceder às versões audio, clique abaixo:

  1. Ficha Técnica e Sinopse “O que vês, o que Vejo…”
  2. Texto “O que vês, o que vejo…”
  3. Conclusão, agradecimentos, segurança.

Boa escuta! Deixe-se levar pela pluralidade das sensações, pela riqueza do diverso… Temos a certeza que será um óptimo ENCONTRO!

Afetos e Literacia Emergente

Hoje tivemos um dia em cheio num jardim-de-infância. Um dia bem docinho, cheio de abracinhos, e muitos beijinhos… Tudo para celebrar os afetos, o amor, a amizade e tudo aquilo que cada um, e cada criança, entende como o Dia dos Namorados.

Como já é habitual levámos uma história: Caracol e Caracola (OQO Editora), adaptada pela equipa OLEC. A história de um Caracol que se sente escuro e sem brilho até que a Caracola lhe diz que ele é bonito. Com os seus pauzinhos ao sol, anda que anda, fala que fala, descobrem juntos aquilo que significa a amizade. Uma história repleta de ternura, que todos apreciámos!

Num artigo futuro, abordaremos o processo de construção das ilustrações táteis. Para já, algumas fotografias que retratam a exploração da história no jardim-de-infância.

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No final da história, modelamos plasticina e construímos Caracóis e Caracolas e, claro, corações.

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Neste dia, tivemos, ainda, a oportunidade de conhecer uma interessante ferramenta de trabalho para desenvolver a acuidade tátil, seguimento de linhas, posicionamento das mãos, entre outras competências, concebida e realizada pela Professora Alice Liberto (Especializada no domínio da Visão – Agrupamento de Escolas Grão Vasco de Viseu).

Um livrinho cheio de surpresas… só desvendadas por dedos curiosos, dispostos a deslizar e seguir… Mas para entrar nesta fantástica aventura é preciso bater à porta, ou tocar à campainha…”Truz, truz”, “Posso entrar?”… Destrancamos a porta com a chave do coração e… páginas e páginas de surpresas coloridas, com relevos positivos e negativos. Surpresas que aguçam a vontade de seguir e a imaginação.

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Algumas das páginas deste livrinho:

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Caros leitores, afetos e literacia emergente combinam muito bem! Que este namoro seja todos os dias.

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Este livro está a chamar-te (não ouves?)

Na OLEC apaixonamo-nos por livros… e este chamou-nos!

Disse-nos que era ideal para ler com as mãos, com os ouvidos, com o cheiro, com o movimento, enfim com as  sensações… Lembrámo-nos das nossas crianças e quisemos muito que ouvissem, também, esta insistente voz. A mediação da leitura deste livro aconteceu em turmas de jardins-de-infância  onde estão incluídas crianças com cegueira.

Ei…psiu,  “Este livro está a chamar-te (não ouves?)”, de Isabel Minhós Martins e Madalena Matoso (Planeta Tangerina).

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Descrição da fotografia: Capa do livro “Este livro está a chamar-te (não ouves?)

Uma voz chama os leitores com insistência. Parece empenhada em fazer chegar os leitores a qualquer lugar. Mas onde? Para o descobrirmos, teremos de atravessar uma floresta, um rio e uma tempestade e seguir as pistas deixadas pelo caminho.

Com este livro É preciso: digitar, carregar, tamborilar, saltitar, observar, ouvir, cheirar, soprar, caminhar, espreitar, aconchegar.

In: Planeta Tangerina.

Procurámos transpor a riqueza das ilustrações do livro, que são pano de fundo para esta viagem,  para um percurso 3D, que fosse acessível também a crianças que se vêem privadas do sentido da visão.

Eis o percurso…

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A voz… esta insistente e apelativa voz,  chamou as crianças para o livro, despertando um sem número de sensações. 

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Põe aqui uma mão.

E aqui outra. Para contar esta história, vamos precisar dos teus dedos, dos teus olhos, dos teus ouvidos… e quem sabe do teu nariz… 

Preparado? Se sim, tamborila com os teus dedos para imitares o rufar do tambor: a aventura vai começar!

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Afinal, a chuvinha transformou-se numa chuvada!

(com a ponta dos dedos). devagarinho…com mais força…tempestade!

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Um rio…

Molha a ponta dos dedos na água… Está fria, não está?

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Para chegares à margem de lá salta as pedrinhas, uma por uma. 

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A água parece boa, vamos atirar pedras lá para dentro?

Splich…

splach…

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Que sombra repentina é esta?

Um melro…Toca a proteger a minhoca …

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Finalmente!

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Até manhã. 

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Com este livro interactivo, desenvolvemos competências sensoriais através da vivência deste percurso-história, bem como competências motoras globais e finas.

Houve, ainda, oportunidade para  motivar crianças normovisuais e com cegueira para a representação gráfica do conteúdo vivenciado. A partir de livros em branco, cada criança retratou a sua experiência com este livro, através de vários materiais táteis.

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Informações Adicionais: Envio do Livro “O que vês, o que vejo…”

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Descrição da fotografia: Capa do livro “O que vês, o que vejo…”

O livro “O que vês, o que vejo…” será lançado a 28 de Outubro de 2016, pelo que só a partir desta data será enviado para os compradores que reservaram e pedem despacho via ctt. 

As pessoas que participarem nas V Jornadas Deficiência Visual & Intervenção Precoce – Literacia Emergente para a cegueira, poderão levantar o livro nesse dia no secretariado, poupando assim os portes de envio. 

Para aqueles que não poderão participar nas Jornadas e pretendem reservar o livro e proceder ao levantamento na sede da ANIP (Hospital Pediátrico de Coimbra, piso 0), só o poderão fazer a partir de dia 28 de Outubro de 2016. 

PREÇO ESPECIAL & RESERVA – Livro “O que vês, o que vejo…”

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Capa do livro “O que vês, o que vejo…”, rosto de uma menina e de um menino, frente a frente.

Está mais próxima a data de lançamento do livro “O que vês, o que vejo…”. Com texto de Inês Marques, ilustração de Madalena Moniz e edição da ANIP (Associação Nacional de Intervenção Precoce), este será o primeiro livro editado em Portugal que aposta em ilustrações táteis, do tipo háptico, um formato que parece mais adequado ao contexto perceptivo de crianças com cegueira.

Dia 28 de Outubro de 2016 é a data do lançamento deste livro, no âmbito das V Jornadas Deficiência Visual e Intervenção Precoce – Literacia Emergente para a Cegueira.

“O que vês, o que vejo…” abre a cortina para uma conversa entre duas crianças, fluindo numa deambulação poética acerca de aspectos significativos de um dia. A fruição da narrativa acontece pela voz de uma e de outra, sendo o leitor convidado a apreciar a beleza oferecida pelas suas percepções, ora diversas ou unificadas pelo âmago da infância. 

Um livro que convida a um diálogo plural sobre percepções, emoções e sensibilidades. 

Um livro que transporta gente e simboliza encontro… pela mão dos afetos, da proximidade e da história de cada um. 

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Descrição da fotografia: Uma das páginas do livro, com ilustração visual e tátil. Menino e menina de braços esticados, espreguiçam-se (os braços são móveis).

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Descrição da fotografia: Uma das páginas do livro, com ilustração tátil e visual. Dois girassóis, que giram.

Curioso(a)? Faça já a sua RESERVA e tenha acesso ao PREÇO ESPECIAL (só até dia 28 de Outubro de 2016, inclusive) . Este livro tem a tiragem de apenas 100 exemplares, por isso não perca a oportunidade!

Informações úteis:

Preço ESPECIAL DE LANÇAMENTO do livro: 25€ até dia 28 de Outubro de 2016 + portes de envio (4,10€)

Após 28 de Outubro de 2016: 35€ + portes de envio (4,10€)

  • E-mail para reserva: formacao@anip.net
  • No e-mail de reserva deve constar: nome, contacto telefónico, morada completa, nif e comprovativo de pagamento
  • Forma de pagamento: Transferência Bancária

IBAN PT50 0033 0000 00236612392 05

  • Os portes de envio são a cargo do comprador: Preço do livro + 4,10€ para Portugal Continental ou Ilhas. Pode, também, optar por fazer o levantamento do livro na ANIP sede (sem qualquer custo adicional).
  • Informações adicionais: formacao@anip.net ou 239 483 288

Agradecemos a divulgação para eventuais interessados!

Atividades táteis – Um país debaixo do mar (continuação)

No último post partilhámos um pouco da mediação da leitura realizada com a história “Um país debaixo do mar” da editora Les Doigts qui Rêvent. Hoje partilhamos convosco as atividades táteis realizadas a partir desta história.

Acreditamos que realizar atividades de discriminação tátil, em contexto bidimensional, com a envolvência de uma história, dá à criança mais motivação para a sua realização. Neste tipo de atividades, que normalmente são mais exigentes e desafiadoras para a criança, a introdução da componente lúdica é essencial.

Nas atividades ilustradas nas fotos, o objectivo era que a criança discriminasse tatilmente o elemento diferente do conjunto e identificasse a característica diferenciadora.

Exemplos: 

  • Peixe papagaio: com lábios grossos ou bico;
  • Tartaruga: com carapaça rígida ou com carapaça mole;
  • Polvo: com sete tentáculos ou oito.
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Descrição da fotografia: Atividade tátil de descobrir as diferenças peixe papagaio. 

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Descrição da fotografia:  Atividade tátil de descobrir as diferenças peixe papagaio.

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Descrição da fotografia: Atividade tátil de discriminação tátil tartaruga. 

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Descrição da fotografia: Atividade de discriminação tátil tartaruga.  

Caça ao tesouro

Num dia de sol, uma caça ao tesouro poderá ser uma busca pelos elementos da natureza, numa envolvência  que convida a andar de pé descalços e a rebolar na relva.

Uma proposta para conhecer o que de melhor a natureza nos oferece, num balanço entre a palavra, fantasia e conhecimento do mundo.

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Descrição da fotografia: Duas crianças abraçam em conjunto tronco de árvore. 

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Descrição da fotografia: Criança explora a dimensão e textura de tronco de árvore. 

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Descrição da fotografia: Crianças procuram no chão um dos elementos solicitados na caça ao tesouro. 

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Descrição da fotografia: Criança colhe flor grande. 

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Descrição da fotografia: Criança salta em caixa com areia. 

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Descrição da fotografia: Criança acompanha o roteiro da caça ao tesouro, “lendo” pistas em braille. 

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Descrição da fotografia:  Crianças acompanham o roteiro da caça ao tesouro, “lendo” pistas em braille. 

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Descrição da fotografia: Crianças exploram caixa sensorial para encontrarem elementos solicitados nas pistas da caça ao tesouro (caixa com espuma e bolas viscosas).

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Descrição da fotografia: Crianças em frente a caixa sensorial; na mão têm uma pena vermelha e cor de laranja (caixa com areia).

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Descrição da fotografia: Crianças exploram recipiente com água onde estão imersos animais do mar em miniatura. 

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Descrição da fotografia: Criança coloca elementos no baú do tesouro. 

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Descrição da fotografia: Baú do tesouro com elementos recolhidos durante a atividade.

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Descrição da fotografia: Criança deitada na relva. 

Caros leitores, aventurem-se pela natureza!

 

Já chegaram!

Já chegaram!!

Vindos de França, da editora Les Doigts Qui Rêvent, acabaram de chegar 100 exemplares do livro “O que vês, o que vejo…” (texto de Inês Marques, ilustração de Madalena Moniz). São perfeitos, tal e qual como imaginámos!

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Descrição da fotografia: Caixote com os livros. 

A equipa já está a iniciar o trabalho das ilustrações hápticas. Por aqui, muito trabalhinho!

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Descrição da fotografia: Um dos elementos da equipa do CAIPDV a trabalhar nas ilustrações táteis. 

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Descrição da fotografia: Elementos da equipa do CAIPDV a trabalhar nas ilustrações táteis.

E a história continua… Com “Catarina e o urso”

No último post, a história “Catarina e o urso” (editora Kalandraka) foi apresentada como mote para diversos jogos sensório-motores. A história permitiu que as crianças encarnassem o papel de urso e fizessem várias posições e movimentos corporais. Houve, ainda, lugar para o jogo do “Rei Manda”, numa versão do “Urso manda… E as Catarinas vão atrás”.

Perspectivando a aprendizagem da leitura e escrita formal, e o risco da criança confundir alguns dos caracteres Braille, torna-se urgente o domínio das noções espaciais. Neste sentido, os jogos sensório-motores vão proporcionar à criança a organização das  noções espaciais e a integração da sua lateralidade (Kraemer, 2009).

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Descrição da fotografia: Criança segura a Catarina e o urso (miniaturas), depois de as ter explorado tatilmente. 

Numa fase posterior, o trabalho em superfície bidimensional deverá ser iniciado. Através de uma caixa de histórias simples (tabuleiro com relvado, miniatura do urso e da Catarina), as crianças foram desafiadas a jogar simbolicamente em superfície bidimensional.

O desafio era apresentado em cartões, que cada criança escolhia aleatoriamente, e onde se podiam ler as indicações para posicionar os personagens no tabuleiro:

  • Coloca a Catarina à direita do urso/à esquerdo do urso/atrás do urso/à frente/debaixo do urso/em cima, etc. 

Na segunda parte da atividade, as crianças tinham de encontrar padrões táteis (composições com a célula braille e texturas), de acordo com um modelo previamente apresentado, desenvolvendo a  discriminação tátil.

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Descrição da fotografia: Tabuleiro com relvado, urso e Catarina (observa-se mão de uma criança que segura a Catarina). 

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Descrição da fotografia: Catarina à direita do urso. 

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Descrição da fotografia: Criança desenvolve jogo de associação de padrões táteis. 

Os nossos “pequenos” leitores estão rendidos. E vocês, leitores graúdos, o que acham?

Primeiros leitores, vrum vrum, aí vou eu!

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Descrição da fotografia: Livro original “Aí vou eu” de Hervé Tullet, editora GATAfunho.

Uma emocionante história, cheia de suspense e surpresas, onde as onomatopeias dão vida a um percurso empolgante, “Vruum, vruum”… “Pi Piii, Pi Piii”… Pois é, aí vem ele! Primeiros leitores,  prontos para esta viagem?

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Descrição da fotografia: Sob calçada, pista de carros, onde se observa pequeno carro em madeira. Nas laterais da pista pode ler-se”Aí vou eu” e “Vrum Vrum”. Em cima da pista, livro adaptado.

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Descrição da fotografia: Página do livro adaptado. Pode ler-se “Vrum” (braille e negro). A componente tátil consta num arame com conta.

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Descrição da fotografia: Página do livro adaptado. Pode ler-se: Oops! (braille e negro). A componente tátil consta na representação do rio e sistema de movimento do carro (fio transparente).

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Descrição da fotografia:Página do livro adaptado. Pode ler-se: Pi Piii Pi Piii! (braille e negro). A componente tátil consta em novo circuito realizado com arame. Dois guizos no meio do percurso sonorizam o apito do carro.  

 

A adaptação da OLEC consta num circuito realizado com recurso a arame, de forma a concretizar o contínuo de movimento do percurso. A criança pode “experimentar” esta viagem, movimentado uma conta (que simboliza o carro).

O pequeno formato do livro foi pensado para a exploração das pequenas mãos dos nossos primeiros leitores.

Chegamos.

Que bom, Que bom, Que bom, Que bom, Que bom!

Árvore com gosto…

A árvore de gomas (The gumdrop Tree, texto de Elizabeth Spurr; adaptação das ilustrações táteis de  Tom Poppe & Suzette Wright, edição da APH) prometia ser uma história com gostinho muito doce 🙂

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Descrição da fotografia: Livro original “The Gumdrop Tree”, texto de Elizabeth Spurr e ilustração de Julia Gorton. Pode ver-se menina a regar.

 

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Descrição da fotografia: Livro “The gumdrop Tree”,texto de Elizabeth Spurr; adaptação das ilustrações táteis de  Tom Poppe & Suzette Wright, edição da APH.

Ter uma árvore de gomas é o sonho de muitas crianças, um sonho tornado realidade num contexto de pré-escolar da zona centro de Portugal.

A história “A árvore de gomas” foi contada pela educadora das crianças, conquistando todo o envolvimento das mesmas, não fosse a temática significativa para a maioria. Explorámos o cheiro das gomas (esfregando os autocolantes com aroma)… Humm, que bom!! E imaginámos o doce de cada sabor.

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Depois fizemos uma roda. E se plantássemos uma árvore de gomas? Como na história? Observámos, regámos, esperámos, desejámos com muita força que a árvore crescesse…E não é que ela foi crescendo? Observámos o crescimento da árvore, passo a passo (foi criado um mecanismo de árvore evolutivo, que ajudava as crianças a perceber os passos do crescimento).

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Descrição da fotografia: Crianças em roda, observam o rebento da árvore de gomas. Eva explora-o tactilmente. 

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Descrição da fotografia: Criança rega árvore de gomas. Já mais alta… 

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Descrição da fotografia: A árvore de gomas, já com gomas de vários sabores. Pode ver-se criança a colher uma goma de morango. 

No fim, todos podemos colher e saborear uma goma desta árvore mágica e original. Uma experiência completa e multisensorial.

E vocês, gostaram deste sabor?

Árvore com gosto :)

Estamos radiantes… Por cá, já nasceu uma árvore com gosto!!

Curiosos?

Não percam a próxima publicação. Prometemos muito doçura!

Algumas fotografias dos bastidores:

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Descrição das fotografias: Joana e Catarina, estagiárias de Educação da ESEC trabalham na OLEC. Pode ver-se fase dos rebentos da árvore, árvore com folhas e árvore quase final.

Um agradecimento especial  à Catarina, à  Joana e seus familiares 😉

Todos no sofá?

O fim-de-semana está a convidar todos para o sofá

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Descritivo da fotografia: Livro original “Todos no sofá”. Miniatura de sofá com os animais e personagem da história (João Preguição, vaca, elefante, porco, girafa, burro, pato, gato, coelho, rato).

E porque não aconchegados com esta história?  Com texto de Luísa Ducla Soares e ilustrações de João Leitão, este livro é composto por quadras rimadas e envolve uma sequência numérica. Uma hilariante história que convida todos para o sofá.

A adaptação da OLEC constou na mediação da leitura com recurso a miniaturas dos elementos da história (um sofá, os animais e, claro, o João Preguição). Uma abordagem conhecida por caixa de histórias.

Os objetos de referência permitem a construção da informação da história, com base na experiência tátil da criança. Os mesmos permitem inúmeras manipulações, para além de possibilitarem à criança realizar jogo simbólico.

Um sofá inteirinho de vantagens… Por isso, mãos à obra!!

E meninos e meninas não se esqueçam que o melhor sofá é o colinho dos papás.

Bom fim-de-semana!

Adaptação do livro “Ainda nada?”

O nascimento de uma sementinha é a metáfora perfeita para o trabalho que realizamos na OLEC. O livro “Ainda nada?”, de Christian Voltz, surgiu, assim, como ideal para o atelier para pais, divulgado no post passado.

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Descrição da fotografia: Capa do livro “Ainda nada”, da editora Kalandraka (original).

 Eis o resultado desta mais recente adaptação:

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Descrição da fotografia: À esquerda, adaptação da capa do livro “Ainda nada?” (possuí título a negro e a braille e ilustração visual e tátil; a criança pode destacar saco com sementes). À direita capa original do livro.

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Descrição da fotografia: Livro adaptado. Pode ver-se a terra (página esquerda) e o buraco (página direita). No buraco, existe velcro onde a criança pode colocar a semente, simulando o cair da semente. A pá, ao cimo da terra, é também destacável, permitindo à criança manipulações.

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Descrição da fotografia: Na página direita, o regador, ao cimo da terra. Permite que a criança o movimente na direcção da terra, como estando a regar. 

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Descrição da fotografia: Página direita do livro, onde a criança pode abrir uma janela para percepcionar o crescimento da semente (ainda sem rebento).

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Descrição da fotografia: Página direita do livro, onde a criança pode abrir uma janela para percepcionar o crescimento da semente (já com rebento).

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Descrição da fotografia: Representação da noite, construída com tecido preto brilhante. Na página direita está presente a lua, como figura representativa da noite.

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Descrição da fotografia: Na página direita está presente cabeça de um pássaro (este pássaro tem um mecanismo que permite à criança abrir e fechar o bico). A flor, fruto da sementinha, é destacável e a criança pode colocá-la no bico do pássaro, que na história a leva.

 

Procurámos ser fiéis ao original, tendo mantido a organização texto-imagem. As ilustrações foram simplificadas e procuram o essencial da história. A criança poderá explorar os elementos usados para a sementeira (a semente, a pá e o regador). Comum a todas as páginas, a terra, realizada com papel amarrotado de sacos  (para dar a textura seca da terra). A criança acompanha o crescimento da semente, abrindo uma janela, que lhe permite sentir o crescendo da sementinha.

A adaptação deste livro foi, realmente, a concretização da metáfora da descoberta da paciência e da virtude da perseverança. Esperamos que gostem.

Preparativos na OLEC para Atelier

Hoje foi dia de trabalho na OLEC. Estamos a preparar o próximo atelier para pais, desta vez sobre livros táteis.

Hoje dizíamos: “Ainda nada?”, desafiadas por Christian Voltz, que nos convida a espalhar sementinhas.

Todos os dias iremos ver a nossa semente, apreciando o seu processo de crescimento…

“Ainda nada?”… Já não falta tudo! Até lá…”Espalhem sementinhas!” e não percam o crescimento da “nossa semente” na próxima publicação.

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Descrição da ilustração: Pássaro voa com faixa agarrada pelas patas, onde se pode ler (a negro) – “Espalhem sementinhas”. Ilustração de Christian Voltz.

 

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Descrição da fotografia: Membro da equipa do CAIPDV trabalha nos preparativos para o atelier.

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Descrição de fotografia: Plano da mesa de trabalho, onde um dos elementos da equipa CAIPDV constrói algumas das imagens táteis (pássaros).

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Descrição da fotografia: Folha com texto a negro e a braille onde se pode ler: “Nesse buraco enorme, o senhor Luís deixou cair uma sementinha, cheio de esperança” (Christian Voltz)

 

“Ovelhinha dá-me lã”

O friozinho do inverno é um bom pretexto para vestirmos uma bela camisola de lã, aconchegados a ouvir a história “Ovelhinha dá-me lã”, da editora Kalandraka.

Um texto rimado para primeiros leitores, de estrutura encadeada, repetitiva e acumulativa; um recurso utilizado nos contos de tradição oral. Uma história de Inverno, para combater o frio.(Sinopse, “Ovelhinha dá-me lã”).

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Descrição da fotografia:  Capa do livro “Ovelhinha dá-me lã”. 

Para a mediação desta história recorremos aos seguintes recursos:

  • Caixa de histórias (contém o menino, a ovelhinha, um novelo de lã e todas as roupas de lã nomeadas na história);
  • Livro original, adaptado com texto a braille.
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Descrição da fotografia: Caixa de histórias “Ovelhinha dá-me lã”. Contém: livro adaptado com braille, boneco, roupas em lã (cachecol, capa, camisola, barrete, meias). 

No final da história, explorámos as roupas de lã e vestimos o menino, que tapando bem a barriga, não ficará constipado.

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Descrição das fotografias: Na 1ª foto, o Duarte explora o corpo do menino. Na 2ª foto, o Duarte sorri, colocando o barrete do menino. Na 3ª foto, o Duarte explora o casaco. 

O inverno sabe muito melhor aconchegado por esta história!

Desenvolver competências táteis em superfícies bidimensionais

De acordo Meuwes (1999), o uso da imagem táctil em livros adaptados para crianças com cegueira tem uma dupla função: abrir as portas da imaginação e criatividade e preparar ou reforçar a aprendizagem da leitura.

Miller (1985), reconhece que os livros geram motivação, envolvendo as crianças  e ajudando-as a desenvolver a consciência da escrita. Para além disso, o desenvolvimento de competências táteis e motoras é enriquecido pelo uso de livros.

Partiu-se destes pressupostos para desenvolver um conjunto de atividades com base na história “O Nabo Gigante”, de Alexis Tolstoi.

Estas atividades transportam a criança para o contexto narrativo da história, ao mesmo tempo que desenvolvem competências no domínio tátil e manipulativo, em superfícies bidimensionais. Trabalho muito relevante para aquisição de pré-requisitos do braille.

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Descrição da fotografia: Do lado esquerdo, duas atividades táteis, em folhas A4. Na 1ª atividade são apresentados à criança 3 nabos de diferentes tamanhos; a criança deverá posicioná-los por ordem de tamanho (crescente e decrescente) em tira horizontal de velcro. Na 2ª atividade é apresentada à criança representação da horta dos velhinhos; cenouras táteis estão parcialmente escondidas; a criança deverá proceder à colheita das cenouras, contando-as.

 

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Descrição da fotografia: Atividade  tátil; na folha pode ler-se: “1 grande vaca castanha” a negro e a braille. A criança tem de associar o número de autocolantes ao número de animais correspondentes.

 

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Descrição da fotografia: Atividade tátil de seguimento. Criança deverá percorrer caminho até chegar à casa dos velhinhos. O caminho é feito com “composições” em braille. Casa dos velhinhos permite que a criança abra a porta e as janelas.

 

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Descrição da fotografia: Mãos de criança exploram atividade tátil, em  plano bidimensional. Criança percorre um caminho horizontal, até chegar aos feijões.

 

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Descrição da fotografia: Plano aproximado de criança a explorar tatilmente feijão.

“O Nabo Gigante”

Com o frio a chegar, começa a apetecer uma bela sopa quentinha… E se a sopa fosse de nabo? De um nabo gigante?

O Nabo Gigante, um conto original russo, recolhido por Alexis Tolstoi no séc. XIX, tem os ingredientes de um conto popular verdadeiramente hilariante, acompanhando a aventura de um simpático casal de velhinhos, que se desdobram em esforços para colher um nabo… um nabo GIGANTE!

Este conto viajou até  um  jardim-de-infância da zona centro do país e as crianças adoraram.

A adaptação contemplou:

  • Livro com texto em braille (optámos por colocar o braille em folha acetato sobre o texto do livro original);
  • Caixa de histórias (levámos connosco a velhinha, o carro de mão, os legumes da horta, as etiquetas dos legumes);

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  • Dramatização (puxamos e içamos e sacudimos e puxamos com mais força. Mas o nabo continuava a não se mexer.)
  • Visita à horta (onde cruzamos fantasia e realidade).
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Descrição da fotografia: Criança tenta colher nabo da horta – puxou e içou e sacudiu e puxou com mais força. Mas o nabo continuava a não se mexer. 

É tão bom levarmos histórias a todos…Mais uma vez, a caixa de histórias, a possibilidade de experimentar a história com o corpo (através da dramatização) e o contacto com a realidade, facilitaram a compreensão da narrativa e a construção de significados por parte da criança com cegueira.

Sr. Esticadinho – Reedição

A OLEC investiu na reedição do “Seguindo com o Sr. Esticadinho”. Apostámos em diversas componentes:

  • Novas dimensões, num formato mais pequeno, para facilitar a exploração da história a mãos mais pequenas.
  • Ilustração visual, da autoria de Sílvia Pinto, de forma a tornar o livro visualmente mais apelativo!
  • Ilustração háptica, da autoria da equipa, com a introdução de novos mecanismos que facilitam a percepção da ilustração tátil.

  • Encadernação, da responsabilidade da Tipografia Bèlita, para conferir mais resistência ao livro e maior facilidade no manuseamento. Obrigada à Joana e ao Pedro pelo empenho e disponibilidade demonstrado neste trabalho.

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Verão

Uma carta misteriosa chegou ao jardim-de-infância, as crianças nem queriam acreditar: era do Senhor Verão! Com a carta, vinha um baú cheio de recordações. Às palavras das crianças: “senhor Verão, senhor Verão, traz-nos uma recordação”, surgiam elementos representativos desta estação.

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Para valorizar a palavra escrita, cada objeto trazia consigo uma palavra a negro e a Braille.

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No final da atividade as crianças fizeram o seu próprio livro, partilhando as suas recordações do verão.

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Este tipo de atividade assume especial relevância, na medida em que permite que as crianças com cegueira se apropriem de determinado conteúdo, dando significado às experiências vividas.

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Aproveitem o verão, recolham materiais das vossas aventuras e façam os vossos próprios livros!

Ovelhinhas

“Num campo cheio de ervas verdes,
pastam 6 ovelhinhas,
todas muito afastadinhas.

Quando acabam de comer,
põem-se todas juntinhas.
Na mesma, 6 ovelhinhas.”

in “Tantos Animais e outras lengalengas de contar”,
de Manuela Castro Neves, com ilustrações de Yara Kono

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Uma lengalenga adaptada pela OLEC para formato de ilustração tátil e Braille, para desenvolver conceitos de contagem, posição e seguimento. Mais um livro que se juntou ao trabalho desenvolvido neste contexto educativo.

DSC03402DSC03390“Ovelhinhas, ovelhinhas!” A Ema chamava as ovelhas enquanto tocava o guizo do cão pastor. Livro contado, livro aprovado!DSC03417

A primeira criação da OLEC é muito comilona!

“A natureza é um elemento de referência constante na obra de Eric Carle, que também introduz conceitos de utilidade para que as crianças aprendam a mover-se no mundo que as rodeia.“ (Kalandraka Editora, in ficha técnica A lagartinha muito comilona)

Anda por aí uma lagartinha muito comilona…

A OLEC meteu mãos à obra e adaptou este clássico da literatura infantil para mãos afinadas poderem sonhar. A adaptação comtemplou o texto em braille e ilustrações táteis. Paralelamente foi também construída uma caixa de histórias.

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Na passada terça-feira, algures num palco de um contexto natural, experimentámos esta história e as crianças aprovaram! 😉

DSC03319DSC03317 - Cópia

Dança dos 6 pontos – O Convite

As seis bolas em plasticina de várias cores (rosa, amarelo, verde, roxo, vermelho e azul) decidem reunir ideias e esforços para atribuir outro significado e valor a todos os livros em branco: dançam sobre as páginas e depois de se posicionarem em forma de célula braille, conseguem mobilizar uma multidão de seguidores. Várias bolas de plasticina de diversas cores juntam-se sobre as páginas em branco do livro e de seguida escrevem a palavra OLEC em braille e a negro.
Eles já chegaram…a história começa aqui e o blogue da OLEC – Oficina de Literacia Emergente para a Cegueira é apresentado: visite-nos em caipdvolec.wordpress.com
Uma iniciativa do Centro de Apoio à Intervenção Precoce na Deficiência Visual (CAIPDV – ANIP) com o apoio do BPI Capacitar 2014.

(Música de Fanfare Ciocârlia – “Asfalt Tango”)

Dança dos 6 pontos – A revolução

Seis bolas em plasticina de várias cores (rosa, amarelo, verde, roxo, vermelho e azul) assistem a um espetáculo no anfiteatro da literacia, quando se deparam com algo terrível: um livro em branco!!! Indignados, e ao comando da bola amarela que fica furiosa, invadem o palco preenchendo o livro. Estejam atentos… Eles andam por aí para histórias contar… Uma iniciativa do Centro de Apoio à Intervenção Precoce na Deficiência Visual (CAIPDV – ANIP) com o apoio do BPI Capacitar 2014.

(Música de Goran Bregovic – “Black Cat White Cat”)

Dança dos seis pontos – O início

Seis bolas em plasticina de várias cores (rosa, amarelo, verde, roxo,vermelho e azul) ganham vida ao som da música e dançam numa coreografia improvisada sob um palco preto. Viram por aí 6 pontos a dançar? Uma iniciativa do Centro de Apoio à Intervenção Precoce na Deficiência Visual (CAIPDV – ANIP) com o apoio do BPI Capacitar 2014.

(Música de Green Hill Instrumental – “The Charleston”)