“Há um tigre no jardim”: Literacia no Jardim

Neste tempo em que estamos mais em casa, não é raro o sentimento de aborrecimento. Foi o que sentiu Nora, a principal personagem do livro “Há um tigre no jardim” de Lizzy Stewart, editora Fábula.

Ora um dia entediante exige uma solução à altura, não menor do que a dada pela avó da Nora: brincadeiras no jardim em busca de figuras improváveis, como um tigre! Haverá mesmo um tigre no jardim?

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Bem, a resposta estará na imaginação de cada um. Mas este livro, para além de um desafio à imaginação de cada um, é uma proposta à exploração do jardim enquanto local de múltiplas descobertas. E de facto um jardim é, por excelência, um local multisensorial… Vamos à descoberta?

Ver o vídeo da história “Há um Tigre no Jardim”: https://www.youtube.com/watch?v=Y7OIufeP9fk

Para a compreensão da narrativa, poderá descarregar o ficheiro”Atividades de exploração da narrativa”. Contém conjunto de perguntas sobre a história para brincar com a criança de forma divertida. Pode fazer o jogo em molde de “concurso” e jogar com outros elementos da família.

 

As nossas sugestões divertidas para explorar o jardim

Tal como a Nora aproveitem estes tempos para explorar o vosso jardim ou o espaço exterior em redor da vossa casa. Estes passeios podem ser acompanhados por adultos próximos ou outras crianças normovisuais. Não se esqueçam de utilizar uma linguagem descritiva para que a criança com cegueira ou défice visual grave recolha mais informação sobre o espaço onde se encontra. Use informação com detalhes visuais, mas que incluam também outros sentidos: cheiros, sensações, movimentos, paladar… Troquem informações sobre estes elementos e a viagem será muito mais rica!

Para guiar estes nossos passeios, pensámos em alguns instrumentos de aventura. Os mesmos poderão ser utilizados em dias distintos. Esperamos que gostem!

1. Atividade “Cores no jardim”

Construa uma placa com cartão reciclado e pequenos pedaços de tecido com cores à sua escolha. O objetivo é que as crianças procurem no jardim itens (folhas, flores, terra, paus, etc.) das cores exemplificadas na placa “Cores no jardim” . Esta atividade pode ser importante quando a criança tem visão residual e consegue percepcionar a cor. É uma chamada de atenção à beleza colorida do jardim e um incentivo para que a criança use a sua visão.

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Depois de encontrados os itens coloridos, a criança poderá pôr em cima de cada cor os elementos que encontrou na natureza,  colar ou prender com molas, por exemplo.

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2. Atividade “Contar no Jardim”

Contar pode ser divertido e envolver aventura. À semelhança da actividade anterior, podemos criar uma placa de contagens, apresentando à criança o número (a negro e a braille) e o respectivo item (elemento da natureza à escolha). O objetivo será desafiar a criança com deficiência visual grave a passear no jardim e a selecionar e recolher os itens indicados na quantidade indicada.

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No fim, incentive a criança a contar os objetos totais, a identificar o grupo de objetos com mais ou menos elementos.

3. Atividade “Elementos do meu jardim”

Construa uma placa ou saco com uma esquadria onde cola diferentes elementos do seu jardim. O objetivo é fazer uma “visita guiada” à criança pelo seu jardim, dando-lhe pistas dos locais onde pode encontrar os elementos que preparou no saco/placa.

Esta é uma forma da criança conhecer bem o seu jardim e os elementos que o constituem, para além de aumentar o conhecimento sobre elementos existentes na natureza. A criança aumentará, assim, vocabulário e conhecimento sobre o meio ambiente.

Com esta atividade, a criança terá ainda de seleccionar material sensorial semelhante. Ajude a criança a perceber a textura, a forma, a resistência, o cheiro de cada item.

É importante que a criança faça a leitura da esquadria de forma organizada (de cima para baixo, da esquerda para a direita; sequência numérica pela qual aparecem os elementos).

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No canto superior direito de cada divisória, a criança poderá colar um autocolante  cada vez que conseguir encontrar o elemento apresentado no seu jardim. Todas as crianças vão querer completar o seu quadro com todos os autocolantes! Divirtam-se e boa aventura!

4. Atividade “Memórias auditivas do meu jardim”

Já em casa, revivam a experiência, conversem sobre a mesma, revejam os vossos instrumentos de aventura.

Que sons ouviram? E se os tentassem representar, num desenho tátil?

Bom trabalho!

“Sonho de neve”

Hoje partilhamos o resultado da mediação da leitura de “Sonho de Neve”, de Eric Carle (Editora Kalandraka). A leitura aconteceu por altura do Natal e retrata um pouco esta estação do ano e a época natalícia.

Numa pequena quinta vivia um agricultor. Ele tinha tão poucos animais que até os conseguia contar
pelos dedos de uma mão. Então, o agricultor chamou
aos seus animais Um, Dois, Três, Quatro e Cinco.
Atrás do celeiro havia uma pequena árvore.
O agricultor chamou-lhe Árvore…

(excerto “Sonho de Neve”, Eric Carle, Editora Kalandraka)

“Sonho de Neve” conta a história de um agricultor que tinha 5 animais, dos quais cuidava muito bem. Este é o mote perfeito para desenvolver as contagens e  a ordenação temporal das unidades da fala que se representa na escrita – da esquerda para a direita, de cima para baixo.

Para a mediação da leitura foram utilizados os seguintes recursos:

  • Livro original e caixa de histórias com os principais elementos (estábulo com os animais em miniatura; manto branco, simulando a neve, e a árvore);

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Recursos utilizados após a leitura: 

O estábulo da história apresenta-se numa linha horizontal que funciona como treino lúdico da pré-leitura: cavalo, vaca, ovelha, porco, galo. Assim, criámos um estábulo em cartão, com as respectivas casas dos animais. Este recurso permite exercícios de discriminação tátil dos animais e  jogos de orientação espacial e ordenação numérica:

  • coloca os animais pela ordem em que aparecem na história;
  • coloca o cavalo na casa 2;
  • coloca a vaca na casa mais à esquerda;
  • coloca o galo na casa mais à direita;
  • coloca a ovelha na casa do meio;
  • etc.

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As atividades incluem também a representação do estábulo bidimensional. Este instrumento permite à criança contar as casas do celeiro e orientar os animais nas devidas posições; para além disso, introduz o número (em braille e a negro).

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  • A história permite ainda trabalhar com os “pontos braille”. Brincámos com a criança com as posições dos animais associados ao número de células braille correspondente:

-cavalo, primeiro animal do estábulo, a criança coloca-o em cima de uma célula braille;

– vaca, segundo animal do estábulo, a criança coloca-a em cima de duas células braille;

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  • A criança pode ainda treinar o seguimento, percorrendo caminhos onde tem de encontar os animais. Na figura abaixo, a criança segue o caminho e tem de parar sempre que encontra uma “vaca” (codificada com uma célula braille completa).

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Aconselhamos vivamente a leitura da história, pela riqueza pedagógica que imprime e pela riqueza sensorial – algumas pistas:

  • a neve – é fria, que barulho faz quando a pisamos?
  • o chá – que cheiro, que sabor, que temperatura?
  • o pão com mel – que cheiro, que sabor, doce, salgado?
  • as barbas do agricultor – picam? não picam? são de que cor?
  • as roupas do inverno – quentes, frias, confortáveis?

Nos contextos onde desenvolvemos a leitura desta história, as atividades acabaram sempre em partilha: com um copo de chá de hortelã-pimenta e um pedaço de pão com mel!

Boas leituras.

Retrato do nosso piquenique com o “Repasto da Raposa”

Ver artigo: “A preparar um belo repasto”

O S. e o A. adoram a temática dos animais e da vida no campo. A história “O repasto da raposa” foi por isso muito significativa para eles. Eles sabem tudo sobre animais e ferramentas, tendo vivências no seu contexto familiar que os aproximam deste universo. Por isso, quando alguma história retrata estes temas, há uma identificação imediata e uma assimilação do conteúdo narrado por referência às experiências vividas.  Esta circunstância facilita,  sem dúvida,  o envolvimento nas actividades provenientes da leitura da história.

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Neste artigo faremos um breve resumo dos aspectos trabalhados através deste álbum tátil ilustrado:

  • Compreensão da narrativa e reconto da história através da leitura tátil das ilustrações

Depois de contarmos a história em grupo com a turma do S. e do A., explorando aspectos relacionados com a mesma em grupo, retomámos a sua exploração, mas desta vez em contexto individual. Aqui procurámos mediar o diálogo, de forma a desenvolver aspectos relacionados com a compreensão da narrativa e respectivo reconto. Procurou-se que estas crianças desenvolvessem competências que lhe permitissem organizar o discurso para o reconto da história à medida que exploravam tatilmente as ilustrações táteis (da mesma forma que as crianças normovisuais fazem leitura de imagens). Este livro tem ilustrações táteis muito simples, permitindo o seguimento da história, 5 galinhas (representadas por penas de diferentes cores e formas) e uma raposa (representada por um triângulo de pêlo cor de laranja, que vai aumentado à mediada que a personagem come as galinhas).

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  • Manipulação dos artefactos criados para representar a galinha e a raposa

Com as galinhas andámos pela capoeira a cacarejar, pelo campo a aproveitar o sol, imitando galinhas cheias de personalidade e com vozes muito próprias (o facto do S. e o A. terem percepção de cor facilitou a distinção das galinhas pela cor das penas). A raposa despertou aquele sentimento de medo… O  S. achou que para ela não comer as galinhas podíamos… “Pôr-lhe fita-cola na boca”, mas preferiu imaginar que ela não comia galinhas e ficava satisfeita com os ovos (que ele contava e lhe oferecia).  Com esta brincadeira de faz-de-conta desenvolvemos aspectos relacionados com a linguagem: diferentes géneros de discursoestruturas frásicas, uso de novo vocabulário, tudo através da dramatização da história e utilização do diálogo, reconto, argumentação … O facto de tudo isto ser intermediado pelos artefactos constituiu uma rica oportunidade de interações  em torno desta experiência de literacia, assegurando o contributo ativo das crianças (Hannon & Nutbrown).

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  • Posicionamento das galinhas na capoeira

Partindo da brincadeira gerada através da história, as crianças foram convidadas a posicionar cada uma das galinhas na sua casa (caixa de ovos com 6 divisórias). Através deste jogo é pretendido que a criança adquira familiaridade com a sequência numérica dos 6 pontos do sistema braille.  Estes  seis pontos são designados por Célula Braille e estão numerados de acordo com a posição em que se encontram. Assim, temos: na coluna da esquerda, de cima para baixo, os pontos 1, 2 e 3; na coluna da direita, também de cima para baixo, os pontos 4, 5 e 6. As crianças são convidadas a posicionar as galinhas nos números designados por casa 1, casa 2, casa 3, etc. 

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  • Fichas de pré-braille

Por referência às personagens principais da história, raposa e galinhas, as crianças foram ainda convidadas a realizar exercícios de seguimento e descoberta de intrusos.

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  • Jogo da Glória

Este “retrato do nosso piquenique” com o “Repasto da Raposa” termina com um jogo de tabuleiro, ao jeito do “Jogo da Glória”. Quem chegará primeiro à capoeira? A sorte é lançada através de um dado tátil. Depois é só contar e avançar, pelo percurso construído com diversas texturas e assinalado por números que se sucedem, a negro e a braille. A casa estrela anuncia desafio criado pela Educadora C.

Foi bom estar assim em roda!… a desfrutar da alegria da novidade, a contar pontos, casas e a recordar este conto que alimentou este nosso “piquenique”.

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Bibliografia:

Peter Hannon & Cathy Nutbrown (s/d). The ORIM Framework – Opportunities, Recognition, Interaction, Models. Raising Early Achievement in Literacy Project. School of Education, University of Sheffield. Em: http://www.real-online.group.shef.ac.uk/index.html

A preparar um belo repasto

Estamos a preparar um belo repasto, para levar até ao jardim-de-infância de uma das nossas crianças! Será um repasto mediado pelo  livro tátil ilustrado “O repasto da Raposa” (Original “Le Repas de Renard”, de Claudette Kraemer, com base num texto de Anne-Marie Chapouton e ilustrações de Solène Négrerie – Editora Les Doigts qui Rêvent).  Estamos certas que será mais um momento cativante em que partilhamos à volta de um livro.

“O repasto da raposa” é a história de uma raposa de pelo macio e de cinco galinhas (representadas por penas). A raposa é representada pela forma de um triângulo, que vai engordando à medida que aumenta a sua gulodice, e as galinhas vão desaparecendo, comidas uma após a outra. Mas as galinhas não vão desistir e com brio e astúcia, libertam-se no fim.

Este livro é uma boa introdução a competências numéricas (contagem crescente, contagem decrescente, somas e subtracções simples).

No nosso “cesto de piquenique” para esta história que vamos partilhar com crianças da zona centro do país, vamos levar: 

  • Livro tátil ilustrado (braille, ilustrações hápticas, texto a negro e ilustrações visuais)
  • Representação das galinhas e da raposa, organizadas numa caixa de ovos, pela sequência numérica da célula braille (bolas de ping pong caracterizadas com penas – galinhas-  e rabo de pêlo – raposa).

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  • Jogo da Glória (por referência à narrativa da história)

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  • Um galinheiro com ovos (para tornar mais aliciantes as primeiras contagens e somas e subtracções simples)

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  • Fichas de trabalho pré-braille (para o desenvolvimento de competências de seguimento, discriminação tátil de intrusos, associação de composições braille iguais, descodificação icónica)

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Até breve! Contamos partilhar mais deste nosso belo repasto!

Vamos à caça ao urso?

É sempre tempo para irmos à caça ao urso e é tão bom recordar as nossas “caçadas”! Hoje, para partilhar com os nossos leitores, o trabalho realizado a partir do clássico de Michael Rosen “Vamos à caça ao urso?”

Está um belo dia, e eles vão dizendo que não têm medo, enquanto atravessam um campo de erva alta e ondulante, cruzam um rio fundo e frio, arrastam-se através da lama pegajosa, procuram o caminho pelo meio de uma floresta, passam através de um nevão que rodopia e entram pé-ante-pé numa caverna soturna. Aqui, na escuridão, tudo parece diferente… E qual é a coisa temível que aparece diante deles?

Leiam e descubram!

Para a mediação da leitura desta história e posterior trabalho pedagógico, preparámos:

  • Um percurso sensorial, onde a criança pode explorar sensações similares às dos cenários apresentados na história. 

Aqui podem ser discutidas as características dos locais descritos e todas as sensações e emoções que nos transmitem: frio, calor, cócegas, arranhar, molhado, seco, ruídos, emoções…

Enquanto se lê a história, a criança pode executar as acções, fingindo atravessar o campo de erva, a floresta, o nevão, cruzar o rio e a lama pegajosa, avançando até à caverna… A dinâmica criada a partir da narrativa e a vivência gerada pelo percurso, estimulam a criança a “entrar na história”, promovendo a imaginação e a apreensão da narrativa. A componente motora é também estimulada, tendo a criança que se orientar através do percurso e caminhar sobre um conjunto de “pisos” muito diversificados.

 

  •   Jogo de conceitos posicionais

Após a leitura e a realização do percurso, personagens e cenários poderão ser o mote para a aventura prosseguir… O adulto poderá dar à criança um urso em miniatura e um tabuleiro e a criança terá de o posicionar consoante as indicações do adulto: à esquerda, à direita, no meio, em baixo, em cima.

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  • Jogo de associação de texturas

Continuando pelos “mundos” da história, apresenta-se à criança um jogo de texturas muito especial, uma vez que evoca os cenários e personagens da história.

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Todas as actividades contribuem para que a criança desenvolva competências linguísticas, relacionadas com o desenvolvimento de conceitos e aprendizagem de novo vocabulário. O facto da história ser ritmada e repetitiva contribui para o envolvimento da criança, para a compreensão da narrativa e respectivo reconto.

Com esta atividade, a componente tátil não fica esquecida. Todas as atividades contribuem para o desenvolvimento dos movimentos corporais, organização espacial e percepção tátil.

Rendidos? Agora é a vossa vez…Toca a caçar!

O “Triângulo” andou por aí a viajar

Num anterior post, partilhámos a adaptação da história “O Triângulo”, por estagiárias de Educação da ESEC. Hoje partilhamos convosco algumas fotografias sobre a exploração deste livro com uma criança.

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Criança explora capa do livro com título “Triângulo” (Editora Orfeu Mini). Ilustração tátil: triângulo feito em feltro. 

Esta história é sobre o Triângulo. Esta história é também sobre o Quadrado, amigo do Triângulo. É também a história da valente partida que o Triângulo pregou ao seu amigo Quadrado.

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Neste livro formas simples ganham vida e vivem uma aventura cheia de partidas. Vejam só o interior deste livro com as respectivas imagens táteis.

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Descrição da fotografia: Criança explora ilustrações táteis, revivendo a viagem do Triângulo que passou por quadrados grandes, quadrados médios e quadrados pequenos. 

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Descrição da fotografia: Criança explora ilustração tátil – porta da casa do quadrado. Criança abriu a porta e explora superfície representativa da casa, também da forma quadrada. 

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Descrição da fotografia: Criança explora ilustração tátil, revivendo a viagem do Quadrado atrás do Triângulo, passando por quadrados pequenos, quadrados médios e quadrados grandes; passou pelas formas sem nome; pelos triângulos grandes, pelos triângulos médios e pelos triângulos pequenos. 

E assim, a andar e, por vezes até a correr, viajamos com este “Triângulo”, por caminhos de quadrados grandes, médios, pequenos; triângulos pequenos, médios e grandes; e até formas sem nome.

Mais um livro a viajar pelos contextos naturais!

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Criança com o livro “Triângulo” à frente do rosto, num barco de papelão. 

Por cá… Nasceu mais uma adaptação de um livro

No âmbito de um estágio de Educação, da  Escola Superior de Educação de Coimbra, desafiamos a Maria e a Mónica a adaptar a história “Triângulo” (Editora Orfeu Negro), com  base nos pressupostos da ilustração tátil (modelo háptico).

Ver sinopse da editora, aqui.

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Descrição da fotografia: Capa do livro “O Triângulo” (Editora Orfeu Negro).

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Em breve, publicaremos o resultado da adaptação deste livro.

Obrigada Maria e Mónica pela vossa colaboração.

“O que vês, o que vejo…”, álbum tátil ilustrado em versão audio

Muitos são aqueles/as que nos têm solicitado o álbum tátil ilustrado “O que vês, o que vejo…”, infelizmente não conseguimos satisfazer todos os interessados/as pelo número limitado de edições deste livro (100 exemplares) que, felizmente, o que é  paradoxal, esgotou rapidamente. Entretanto, trabalhamos para angariar financiamento para a reedição deste livro e, quem sabe, editar outros títulos.

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Descrição da fotografia: Capa do Livro “O que vês, o que vejo…” (edição ANIP, texto Inês Marques, Ilustração Madalena Moniz).

A presente publicação tem como intuito dar a conhecer a versão audio deste livro, um projeto que teve a preciosa colaboração da Câmara Municipal de Coimbra, Serviço de Leitura Especial para Deficientes Visuais, da Biblioteca Municipal de Coimbra. A leitura foi realizada por Maria José Pessoa com o  apoio técnico de Emanuel Laça.

À Câmara Municipal de Coimbra, na entidade do Serviço de Leitura Especial para Deficientes Visuais, da Biblioteca Municipal de Coimbra, muito agradecemos. 

 

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Para aceder às versões audio, clique abaixo:

  1. Ficha Técnica e Sinopse “O que vês, o que Vejo…”
  2. Texto “O que vês, o que vejo…”
  3. Conclusão, agradecimentos, segurança.

Boa escuta! Deixe-se levar pela pluralidade das sensações, pela riqueza do diverso… Temos a certeza que será um óptimo ENCONTRO!

Muito Obrigada, Hipopómatos!

Hipopómatos na Lua, conhecem? São um Blogue, uma Casa do Chá e da Leitura, uma Livraria…Dizem que viajam através do único meio capaz de nos levar a qualquer lado, o LIVRO. Pretendem dar-nos uma boleia…

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E que boleia nos têm dado…Inspiram-nos com a beleza com que falam de livros e histórias…e agora, associaram-se ao CAIPDV  numa Campanha de Recolha de Livros Infantis para crianças com cegueira. Muito obrigada, Hipopómatos!

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Para que TODAS as Crianças sejam CRIANÇAS DE LIVROS!

Afetos e Literacia Emergente

Hoje tivemos um dia em cheio num jardim-de-infância. Um dia bem docinho, cheio de abracinhos, e muitos beijinhos… Tudo para celebrar os afetos, o amor, a amizade e tudo aquilo que cada um, e cada criança, entende como o Dia dos Namorados.

Como já é habitual levámos uma história: Caracol e Caracola (OQO Editora), adaptada pela equipa OLEC. A história de um Caracol que se sente escuro e sem brilho até que a Caracola lhe diz que ele é bonito. Com os seus pauzinhos ao sol, anda que anda, fala que fala, descobrem juntos aquilo que significa a amizade. Uma história repleta de ternura, que todos apreciámos!

Num artigo futuro, abordaremos o processo de construção das ilustrações táteis. Para já, algumas fotografias que retratam a exploração da história no jardim-de-infância.

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No final da história, modelamos plasticina e construímos Caracóis e Caracolas e, claro, corações.

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Neste dia, tivemos, ainda, a oportunidade de conhecer uma interessante ferramenta de trabalho para desenvolver a acuidade tátil, seguimento de linhas, posicionamento das mãos, entre outras competências, concebida e realizada pela Professora Alice Liberto (Especializada no domínio da Visão – Agrupamento de Escolas Grão Vasco de Viseu).

Um livrinho cheio de surpresas… só desvendadas por dedos curiosos, dispostos a deslizar e seguir… Mas para entrar nesta fantástica aventura é preciso bater à porta, ou tocar à campainha…”Truz, truz”, “Posso entrar?”… Destrancamos a porta com a chave do coração e… páginas e páginas de surpresas coloridas, com relevos positivos e negativos. Surpresas que aguçam a vontade de seguir e a imaginação.

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Algumas das páginas deste livrinho:

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Caros leitores, afetos e literacia emergente combinam muito bem! Que este namoro seja todos os dias.

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Este livro está a chamar-te (não ouves?)

Na OLEC apaixonamo-nos por livros… e este chamou-nos!

Disse-nos que era ideal para ler com as mãos, com os ouvidos, com o cheiro, com o movimento, enfim com as  sensações… Lembrámo-nos das nossas crianças e quisemos muito que ouvissem, também, esta insistente voz. A mediação da leitura deste livro aconteceu em turmas de jardins-de-infância  onde estão incluídas crianças com cegueira.

Ei…psiu,  “Este livro está a chamar-te (não ouves?)”, de Isabel Minhós Martins e Madalena Matoso (Planeta Tangerina).

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Descrição da fotografia: Capa do livro “Este livro está a chamar-te (não ouves?)

Uma voz chama os leitores com insistência. Parece empenhada em fazer chegar os leitores a qualquer lugar. Mas onde? Para o descobrirmos, teremos de atravessar uma floresta, um rio e uma tempestade e seguir as pistas deixadas pelo caminho.

Com este livro É preciso: digitar, carregar, tamborilar, saltitar, observar, ouvir, cheirar, soprar, caminhar, espreitar, aconchegar.

In: Planeta Tangerina.

Procurámos transpor a riqueza das ilustrações do livro, que são pano de fundo para esta viagem,  para um percurso 3D, que fosse acessível também a crianças que se vêem privadas do sentido da visão.

Eis o percurso…

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A voz… esta insistente e apelativa voz,  chamou as crianças para o livro, despertando um sem número de sensações. 

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Põe aqui uma mão.

E aqui outra. Para contar esta história, vamos precisar dos teus dedos, dos teus olhos, dos teus ouvidos… e quem sabe do teu nariz… 

Preparado? Se sim, tamborila com os teus dedos para imitares o rufar do tambor: a aventura vai começar!

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Afinal, a chuvinha transformou-se numa chuvada!

(com a ponta dos dedos). devagarinho…com mais força…tempestade!

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Um rio…

Molha a ponta dos dedos na água… Está fria, não está?

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Para chegares à margem de lá salta as pedrinhas, uma por uma. 

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A água parece boa, vamos atirar pedras lá para dentro?

Splich…

splach…

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Que sombra repentina é esta?

Um melro…Toca a proteger a minhoca …

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Finalmente!

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Até manhã. 

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Com este livro interactivo, desenvolvemos competências sensoriais através da vivência deste percurso-história, bem como competências motoras globais e finas.

Houve, ainda, oportunidade para  motivar crianças normovisuais e com cegueira para a representação gráfica do conteúdo vivenciado. A partir de livros em branco, cada criança retratou a sua experiência com este livro, através de vários materiais táteis.

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Livros no Natal

Um livro é sempre uma excelente oferta de natal!  No entanto, nem sempre é fácil encontrar livros acessíveis a crianças com cegueira. Assim, livros que integrem a componente áudio são excelentes opções, por incluírem sonoridades apelativas, a musicalidade da palavra e permitirem  às crianças autonomia no momento da escuta da história.

Já existem alguns livros deste tipo no mercado. Deixamos algumas sugestões:

Cantar Juntos 1 (APAR)

Cantar Juntos 2 (APAR)

O som das Lengalengas (Livros Horizonte)

O som das Palavras (Oficina Canto das Cores)

Hansel e Gretel (OQO Editora)

Canta o Galo Gordo – Poemas e canções para todo o ano (Porto Editora)

Tenho a Lua no Meu Bolso (Recortar Palavras)

Poemas para Bocas Pequenas (BOCA)

35 contos dos irmãos Grimm (BOCA)

Coleção Histórias de Encantar (32 títulos disponíveis) (Editora Zero a Oito, venda exclusiva Pingo Doce)

Colecção Canta-me um conto (6 títulos disponíveis) (Editora Zero a Oito, venda exclusiva Pingo Doce)

Coleção 4 leituras (6 títulos disponíveis) (Editora Cercica)

E vocês, conhecem alguma versão de livro com componente audio? Partilhem, também, as vossas propostas.

Boas leituras e boa escuta!

“O que vês, o que vejo…”- Alargamento preço especial de lançamento

Caros leitores, anunciamos que o preço especial de lançamento do livro “O que vês, o que vejo…” será alargado até ao próximo dia 11 de Novembro de 2016 (25 euros). A partir desta data o livro será comercializado pelo valor de 35 euros.

Já restam poucos exemplares, não perca a oportunidade e reserve já o seu!

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Descrição da fotografia: Capa do livro “O que vês, o que vejo…”. 

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Descrição da fotografia: Ilustração visual e tátil do vento, do voar: “Correr na rua e o vento atravessar. Saltar no pátio e imaginar que posso voar (…)”

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Descrição da fotografia: Ilustração tátil e visual do pôr do sol: “Daqui vejo um imenso céu azul, que parece ter sido manchado com sumo de laranja lá da quinta do Paúl (…)”

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Descrição da fotografia:  Ilustração tátil e visual dos seis pontos da célula braille: “Seis pontos a dançar ao som de uma música de pontos combinados, deixam um rasto de contos elevados, para dedos afinados poderem sonhar (…)”

Dados para reserva: 

  • E-mail para reserva: formacao@anip.net
  • No e-mail de reserva deve constar: nome, contacto telefónico, morada completa, nif e comprovativo de pagamento
  • Forma de pagamento: Transferência Bancária

IBAN PT50 0033 0000 00236612392 05

  • Os portes de envio são a cargo do comprador: Preço do livro + 4,10€ para Portugal Continental ou Ilhas. Pode, também, optar por fazer o levantamento do livro na ANIP sede (sem qualquer custo adicional).
  • Informações adicionais: formacao@anip.net ou 239 483 288

Agradecimentos

O livro “O que vês, o que vejo…” tem contado com apoios muito especiais.

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Descrição da fotografia: Alguns dos elementos do Gang da Malha de Pombal a tricotarem camisolinhas para o nosso livro. 

Obrigada Gang da Malha de Pombal! de certo que o vosso trabalho e contributo trará ao nosso livro um conforto e um quentinho muito especial. Já temos 100 camisolinhas!! Obrigada!

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Descrição da fotografia: Página do livro com ilustração visual e ilustração tátil. Vê-se o rosto da mãe e uma camisolinha tricotada com lã. 

E vocês, já têm o vosso exemplar? Não deixem de o fazer… Até sexta-feira, dia 28 de Outubro, preço especial!

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Descrição da fotografia: Capa do livro “O que vês, o que vejo…”, edição ANIP. 

Informações Adicionais: Envio do Livro “O que vês, o que vejo…”

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Descrição da fotografia: Capa do livro “O que vês, o que vejo…”

O livro “O que vês, o que vejo…” será lançado a 28 de Outubro de 2016, pelo que só a partir desta data será enviado para os compradores que reservaram e pedem despacho via ctt. 

As pessoas que participarem nas V Jornadas Deficiência Visual & Intervenção Precoce – Literacia Emergente para a cegueira, poderão levantar o livro nesse dia no secretariado, poupando assim os portes de envio. 

Para aqueles que não poderão participar nas Jornadas e pretendem reservar o livro e proceder ao levantamento na sede da ANIP (Hospital Pediátrico de Coimbra, piso 0), só o poderão fazer a partir de dia 28 de Outubro de 2016. 

PREÇO ESPECIAL & RESERVA – Livro “O que vês, o que vejo…”

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Capa do livro “O que vês, o que vejo…”, rosto de uma menina e de um menino, frente a frente.

Está mais próxima a data de lançamento do livro “O que vês, o que vejo…”. Com texto de Inês Marques, ilustração de Madalena Moniz e edição da ANIP (Associação Nacional de Intervenção Precoce), este será o primeiro livro editado em Portugal que aposta em ilustrações táteis, do tipo háptico, um formato que parece mais adequado ao contexto perceptivo de crianças com cegueira.

Dia 28 de Outubro de 2016 é a data do lançamento deste livro, no âmbito das V Jornadas Deficiência Visual e Intervenção Precoce – Literacia Emergente para a Cegueira.

“O que vês, o que vejo…” abre a cortina para uma conversa entre duas crianças, fluindo numa deambulação poética acerca de aspectos significativos de um dia. A fruição da narrativa acontece pela voz de uma e de outra, sendo o leitor convidado a apreciar a beleza oferecida pelas suas percepções, ora diversas ou unificadas pelo âmago da infância. 

Um livro que convida a um diálogo plural sobre percepções, emoções e sensibilidades. 

Um livro que transporta gente e simboliza encontro… pela mão dos afetos, da proximidade e da história de cada um. 

Sinopse livro 

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Descrição da fotografia: Uma das páginas do livro, com ilustração visual e tátil. Menino e menina de braços esticados, espreguiçam-se (os braços são móveis).

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Descrição da fotografia: Uma das páginas do livro, com ilustração tátil e visual. Dois girassóis, que giram.

Curioso(a)? Faça já a sua RESERVA e tenha acesso ao PREÇO ESPECIAL (só até dia 28 de Outubro de 2016, inclusive) . Este livro tem a tiragem de apenas 100 exemplares, por isso não perca a oportunidade!

Informações úteis:

Preço ESPECIAL DE LANÇAMENTO do livro: 25€ até dia 28 de Outubro de 2016 + portes de envio (4,10€)

Após 28 de Outubro de 2016: 35€ + portes de envio (4,10€)

  • E-mail para reserva: formacao@anip.net
  • No e-mail de reserva deve constar: nome, contacto telefónico, morada completa, nif e comprovativo de pagamento
  • Forma de pagamento: Transferência Bancária

IBAN PT50 0033 0000 00236612392 05

  • Os portes de envio são a cargo do comprador: Preço do livro + 4,10€ para Portugal Continental ou Ilhas. Pode, também, optar por fazer o levantamento do livro na ANIP sede (sem qualquer custo adicional).
  • Informações adicionais: formacao@anip.net ou 239 483 288

Agradecemos a divulgação para eventuais interessados!

Atividades táteis – Um país debaixo do mar (continuação)

No último post partilhámos um pouco da mediação da leitura realizada com a história “Um país debaixo do mar” da editora Les Doigts qui Rêvent. Hoje partilhamos convosco as atividades táteis realizadas a partir desta história.

Acreditamos que realizar atividades de discriminação tátil, em contexto bidimensional, com a envolvência de uma história, dá à criança mais motivação para a sua realização. Neste tipo de atividades, que normalmente são mais exigentes e desafiadoras para a criança, a introdução da componente lúdica é essencial.

Nas atividades ilustradas nas fotos, o objectivo era que a criança discriminasse tatilmente o elemento diferente do conjunto e identificasse a característica diferenciadora.

Exemplos: 

  • Peixe papagaio: com lábios grossos ou bico;
  • Tartaruga: com carapaça rígida ou com carapaça mole;
  • Polvo: com sete tentáculos ou oito.
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Descrição da fotografia: Atividade tátil de descobrir as diferenças peixe papagaio. 

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Descrição da fotografia:  Atividade tátil de descobrir as diferenças peixe papagaio.

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Descrição da fotografia: Atividade tátil de discriminação tátil tartaruga. 

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Descrição da fotografia: Atividade de discriminação tátil tartaruga.  

Um país debaixo do mar

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Em pleno Verão, porque não uma viagem ao país debaixo do mar?

Pois bem, foi o que fizemos, transportados por mais um livro da editora Les Doigts qui Rêvent!!

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Descrição da fotografia: Livro “Le pays d’en bas la mer”(editora Les Doigts qui Rêvent).

Um livro que aborda a temática da diferença e da cooperação e nos transporta para o fundo do mar… Deixámo-nos levar e explorámos o que é isto do fundo do mar… O que lá existe?

Com uma piscina a simular o fundo do mar, fizemos as delícias dos mais pequenos e navegámos através desta história.

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Descrição da fotografia: Crianças em roda escutam a história “Um país debaixo do mar”.

As fotografias apresentadas abaixo retratam atividade realizada posteriormente à história, onde as crianças exploravam elementos que pertencem/não pertencem ao mar.

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Não perca no próximo post, sugestões de atividades táteis decorrentes desta história.

Já chegaram!

Já chegaram!!

Vindos de França, da editora Les Doigts Qui Rêvent, acabaram de chegar 100 exemplares do livro “O que vês, o que vejo…” (texto de Inês Marques, ilustração de Madalena Moniz). São perfeitos, tal e qual como imaginámos!

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Descrição da fotografia: Caixote com os livros. 

A equipa já está a iniciar o trabalho das ilustrações hápticas. Por aqui, muito trabalhinho!

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Descrição da fotografia: Um dos elementos da equipa do CAIPDV a trabalhar nas ilustrações táteis. 

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Descrição da fotografia: Elementos da equipa do CAIPDV a trabalhar nas ilustrações táteis.

E a história continua… Com “Catarina e o urso”

No último post, a história “Catarina e o urso” (editora Kalandraka) foi apresentada como mote para diversos jogos sensório-motores. A história permitiu que as crianças encarnassem o papel de urso e fizessem várias posições e movimentos corporais. Houve, ainda, lugar para o jogo do “Rei Manda”, numa versão do “Urso manda… E as Catarinas vão atrás”.

Perspectivando a aprendizagem da leitura e escrita formal, e o risco da criança confundir alguns dos caracteres Braille, torna-se urgente o domínio das noções espaciais. Neste sentido, os jogos sensório-motores vão proporcionar à criança a organização das  noções espaciais e a integração da sua lateralidade (Kraemer, 2009).

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Descrição da fotografia: Criança segura a Catarina e o urso (miniaturas), depois de as ter explorado tatilmente. 

Numa fase posterior, o trabalho em superfície bidimensional deverá ser iniciado. Através de uma caixa de histórias simples (tabuleiro com relvado, miniatura do urso e da Catarina), as crianças foram desafiadas a jogar simbolicamente em superfície bidimensional.

O desafio era apresentado em cartões, que cada criança escolhia aleatoriamente, e onde se podiam ler as indicações para posicionar os personagens no tabuleiro:

  • Coloca a Catarina à direita do urso/à esquerdo do urso/atrás do urso/à frente/debaixo do urso/em cima, etc. 

Na segunda parte da atividade, as crianças tinham de encontrar padrões táteis (composições com a célula braille e texturas), de acordo com um modelo previamente apresentado, desenvolvendo a  discriminação tátil.

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Descrição da fotografia: Tabuleiro com relvado, urso e Catarina (observa-se mão de uma criança que segura a Catarina). 

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Descrição da fotografia: Catarina à direita do urso. 

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Descrição da fotografia: Criança desenvolve jogo de associação de padrões táteis. 

Os nossos “pequenos” leitores estão rendidos. E vocês, leitores graúdos, o que acham?

Motricidade global e promoção do pré-braille: Catarina e o urso

Por vários cantos da região centro, andaram ursos vagarosos à solta … e muitas Catarinas atrás!

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Descrição da fotografia: O urso pequeno e o urso grande, a encenarem na perfeição o seu papel.

O comportamento de leitura do braille destaca o papel das mãos, mas não nos devemos esquecer dos comportamentos a adquirir previamente.  A fluidez funcional das mãos e a coordenação dos seus movimentos estão diretamente condicionados pela flexibilidade dos ombros, dos braços e dos punhos (Kraemer, 2009). As atividades de motricidade global acabam, assim, por funcionar como pré-requisitos essenciais à futura aprendizagem do braille.

A história “A Catarina e o urso” de Christiane Pieper (editora Kalandraka) foi utilizada como recurso lúdico para trabalhar aspetos essenciais neste domínio, incentivando as crianças com quem trabalhamos a experimentarem uma variedade de movimentos e jogos corporais.

Uma verdadeira diversão e descoberta pelo mundo…

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Descrição da fotografia: Criança segue a leitura do adulto, acompanhando o braille no livro. O braille foi integrado no livro original.

 

O urso vagaroso andava pelo mundo sem rumo 

(e Catarina ia atrás)

…às vezes recuando…

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Descrição da fotografia: Crianças dramatizam a história… Recuam.

às vezes avançando… 

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Descrição da fotografia: Crianças dramatizam a história…Avançam.

 outras vezes … rebolando…

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Descrição da fotografia: Crianças dramatizam a história…Rebolam.

Por vários cantos da região centro, andaram ursos vagarosos à solta … e muitas Catarinas atrás! E sabem que mais? Ainda hoje ouvimos o eco do coro das crianças:

“E a Catarina ia atrás!!”

Primeiros leitores, vrum vrum, aí vou eu!

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Descrição da fotografia: Livro original “Aí vou eu” de Hervé Tullet, editora GATAfunho.

Uma emocionante história, cheia de suspense e surpresas, onde as onomatopeias dão vida a um percurso empolgante, “Vruum, vruum”… “Pi Piii, Pi Piii”… Pois é, aí vem ele! Primeiros leitores,  prontos para esta viagem?

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Descrição da fotografia: Sob calçada, pista de carros, onde se observa pequeno carro em madeira. Nas laterais da pista pode ler-se”Aí vou eu” e “Vrum Vrum”. Em cima da pista, livro adaptado.

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Descrição da fotografia: Página do livro adaptado. Pode ler-se “Vrum” (braille e negro). A componente tátil consta num arame com conta.

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Descrição da fotografia: Página do livro adaptado. Pode ler-se: Oops! (braille e negro). A componente tátil consta na representação do rio e sistema de movimento do carro (fio transparente).

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Descrição da fotografia:Página do livro adaptado. Pode ler-se: Pi Piii Pi Piii! (braille e negro). A componente tátil consta em novo circuito realizado com arame. Dois guizos no meio do percurso sonorizam o apito do carro.  

 

A adaptação da OLEC consta num circuito realizado com recurso a arame, de forma a concretizar o contínuo de movimento do percurso. A criança pode “experimentar” esta viagem, movimentado uma conta (que simboliza o carro).

O pequeno formato do livro foi pensado para a exploração das pequenas mãos dos nossos primeiros leitores.

Chegamos.

Que bom, Que bom, Que bom, Que bom, Que bom!

Árvore com gosto…

A árvore de gomas (The gumdrop Tree, texto de Elizabeth Spurr; adaptação das ilustrações táteis de  Tom Poppe & Suzette Wright, edição da APH) prometia ser uma história com gostinho muito doce 🙂

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Descrição da fotografia: Livro original “The Gumdrop Tree”, texto de Elizabeth Spurr e ilustração de Julia Gorton. Pode ver-se menina a regar.

 

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Descrição da fotografia: Livro “The gumdrop Tree”,texto de Elizabeth Spurr; adaptação das ilustrações táteis de  Tom Poppe & Suzette Wright, edição da APH.

Ter uma árvore de gomas é o sonho de muitas crianças, um sonho tornado realidade num contexto de pré-escolar da zona centro de Portugal.

A história “A árvore de gomas” foi contada pela educadora das crianças, conquistando todo o envolvimento das mesmas, não fosse a temática significativa para a maioria. Explorámos o cheiro das gomas (esfregando os autocolantes com aroma)… Humm, que bom!! E imaginámos o doce de cada sabor.

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Depois fizemos uma roda. E se plantássemos uma árvore de gomas? Como na história? Observámos, regámos, esperámos, desejámos com muita força que a árvore crescesse…E não é que ela foi crescendo? Observámos o crescimento da árvore, passo a passo (foi criado um mecanismo de árvore evolutivo, que ajudava as crianças a perceber os passos do crescimento).

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Descrição da fotografia: Crianças em roda, observam o rebento da árvore de gomas. Eva explora-o tactilmente. 

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Descrição da fotografia: Criança rega árvore de gomas. Já mais alta… 

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Descrição da fotografia: A árvore de gomas, já com gomas de vários sabores. Pode ver-se criança a colher uma goma de morango. 

No fim, todos podemos colher e saborear uma goma desta árvore mágica e original. Uma experiência completa e multisensorial.

E vocês, gostaram deste sabor?

Árvore com gosto :)

Estamos radiantes… Por cá, já nasceu uma árvore com gosto!!

Curiosos?

Não percam a próxima publicação. Prometemos muito doçura!

Algumas fotografias dos bastidores:

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Descrição das fotografias: Joana e Catarina, estagiárias de Educação da ESEC trabalham na OLEC. Pode ver-se fase dos rebentos da árvore, árvore com folhas e árvore quase final.

Um agradecimento especial  à Catarina, à  Joana e seus familiares 😉

Todos no sofá?

O fim-de-semana está a convidar todos para o sofá

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Descritivo da fotografia: Livro original “Todos no sofá”. Miniatura de sofá com os animais e personagem da história (João Preguição, vaca, elefante, porco, girafa, burro, pato, gato, coelho, rato).

E porque não aconchegados com esta história?  Com texto de Luísa Ducla Soares e ilustrações de João Leitão, este livro é composto por quadras rimadas e envolve uma sequência numérica. Uma hilariante história que convida todos para o sofá.

A adaptação da OLEC constou na mediação da leitura com recurso a miniaturas dos elementos da história (um sofá, os animais e, claro, o João Preguição). Uma abordagem conhecida por caixa de histórias.

Os objetos de referência permitem a construção da informação da história, com base na experiência tátil da criança. Os mesmos permitem inúmeras manipulações, para além de possibilitarem à criança realizar jogo simbólico.

Um sofá inteirinho de vantagens… Por isso, mãos à obra!!

E meninos e meninas não se esqueçam que o melhor sofá é o colinho dos papás.

Bom fim-de-semana!

Adaptação do livro “Ainda nada?”

O nascimento de uma sementinha é a metáfora perfeita para o trabalho que realizamos na OLEC. O livro “Ainda nada?”, de Christian Voltz, surgiu, assim, como ideal para o atelier para pais, divulgado no post passado.

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Descrição da fotografia: Capa do livro “Ainda nada”, da editora Kalandraka (original).

 Eis o resultado desta mais recente adaptação:

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Descrição da fotografia: À esquerda, adaptação da capa do livro “Ainda nada?” (possuí título a negro e a braille e ilustração visual e tátil; a criança pode destacar saco com sementes). À direita capa original do livro.

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Descrição da fotografia: Livro adaptado. Pode ver-se a terra (página esquerda) e o buraco (página direita). No buraco, existe velcro onde a criança pode colocar a semente, simulando o cair da semente. A pá, ao cimo da terra, é também destacável, permitindo à criança manipulações.

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Descrição da fotografia: Na página direita, o regador, ao cimo da terra. Permite que a criança o movimente na direcção da terra, como estando a regar. 

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Descrição da fotografia: Página direita do livro, onde a criança pode abrir uma janela para percepcionar o crescimento da semente (ainda sem rebento).

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Descrição da fotografia: Página direita do livro, onde a criança pode abrir uma janela para percepcionar o crescimento da semente (já com rebento).

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Descrição da fotografia: Representação da noite, construída com tecido preto brilhante. Na página direita está presente a lua, como figura representativa da noite.

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Descrição da fotografia: Na página direita está presente cabeça de um pássaro (este pássaro tem um mecanismo que permite à criança abrir e fechar o bico). A flor, fruto da sementinha, é destacável e a criança pode colocá-la no bico do pássaro, que na história a leva.

 

Procurámos ser fiéis ao original, tendo mantido a organização texto-imagem. As ilustrações foram simplificadas e procuram o essencial da história. A criança poderá explorar os elementos usados para a sementeira (a semente, a pá e o regador). Comum a todas as páginas, a terra, realizada com papel amarrotado de sacos  (para dar a textura seca da terra). A criança acompanha o crescimento da semente, abrindo uma janela, que lhe permite sentir o crescendo da sementinha.

A adaptação deste livro foi, realmente, a concretização da metáfora da descoberta da paciência e da virtude da perseverança. Esperamos que gostem.

“O Nabo Gigante”

Com o frio a chegar, começa a apetecer uma bela sopa quentinha… E se a sopa fosse de nabo? De um nabo gigante?

O Nabo Gigante, um conto original russo, recolhido por Alexis Tolstoi no séc. XIX, tem os ingredientes de um conto popular verdadeiramente hilariante, acompanhando a aventura de um simpático casal de velhinhos, que se desdobram em esforços para colher um nabo… um nabo GIGANTE!

Este conto viajou até  um  jardim-de-infância da zona centro do país e as crianças adoraram.

A adaptação contemplou:

  • Livro com texto em braille (optámos por colocar o braille em folha acetato sobre o texto do livro original);
  • Caixa de histórias (levámos connosco a velhinha, o carro de mão, os legumes da horta, as etiquetas dos legumes);

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  • Dramatização (puxamos e içamos e sacudimos e puxamos com mais força. Mas o nabo continuava a não se mexer.)
  • Visita à horta (onde cruzamos fantasia e realidade).
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Descrição da fotografia: Criança tenta colher nabo da horta – puxou e içou e sacudiu e puxou com mais força. Mas o nabo continuava a não se mexer. 

É tão bom levarmos histórias a todos…Mais uma vez, a caixa de histórias, a possibilidade de experimentar a história com o corpo (através da dramatização) e o contacto com a realidade, facilitaram a compreensão da narrativa e a construção de significados por parte da criança com cegueira.

Alice no País das Maravilhas

No ano em que se celebram os 150 anos do livro “Alice no País das Maravilhas”,  de Lewis Carroll, deixamos a sugestão do livro adaptado pela editora “Les Doigts Qui Rêvent”.

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Caixa com livro adaptado do livro “Alice no País das Maravilhas” e CD. A caixa e a capa do livro são vermelhos com bolas brancas e o livro apresenta-se em formato desdobrável.

Partilhamos também um exemplo de uma ilustração háptica elaborada pela equipa do CAIPDV. Esta ilustração retrata o momento em que a Alice segue o coelho e cai na toca.

IMG_2005Os elementos simbólicos presentes pretendem ajudar a criança com cegueira a percepcionar a ideia de movimento.

Poesia pelo prazer da escuta e da leitura

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Ilustração de Marta Madureira

A BOCA publica em livro e disco – Poemas para Bocas Pequenas –  de Margarida Mestre e António-Pedro, o 4.º título da secção BOCA Júnior. Um novo contributo para o mercado dos audiolivros e na sua componente audio um excelente recurso para crianças com cegueira.

Neste audiolivro encontra textos de António Torrado, Fernando Miguel Bernardes, Luísa Ducla Soares, Teresa Martinho Marques, Sidónio Muralha, Margarida Mestre, António-Pedro e cancioneiro popular português; música e interpretação de Margarida Mestre e António-Pedro; ilustração: Marta Madureira e produção de Patrícia Almeida.

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Capa do livro com ilustração de Marta Madureira

“Nele se encontra toda a força da poesia: o seu jogo de sons e sentidos desperta o pensamento, a imaginação, a voz, o corpo, o espanto, o riso. «Palavra a palavra, pé ante pé, abrimos caminho para ver como é», tal como escreve e canta Margarida a meio da aventura” (BOCA).
 Vejam mais (e ouçam) em:

Lá Fora

Há livros que nos convidam a experimentar sensações…

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Ilustração de Bernardo Carvalho

E tu? Já trepaste uma árvore hoje? … Vá lá, aceita o convite. Os pais ajudam (mas só um bocadinho).
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Ilustração de Bernardo Carvalho

Um convite do livro “Lá fora” (Editora Planeta Tangerina).

Dia Mundial da Poesia

No Dia Mundial da Poesia, convidamo-vos a  ler em voz alta e a dançarem ao som das palavras.

E porque não começar com um “velho tigre”…

O velho tigre

Sabe da noite,
sabe das fadas…
Acende pirilampos,
conta-me em voz baixa.
Conhece o mistério
do arganaz traquinas,
dos bichos-bola,
do papa-formigas.

Mais uma, só mais uma…

Não adormeças

Às vezes,
o tigre
fica em silêncio.
Fecha os olhos,
ronca para dentro.
Dou-lhe um abanão.
Quero outro conto!
O tigre suspira.
Não tens sono, não?

Beatriz Osés e Miguel Ángel Díez, in O Segredo do Papa-Formigas. Editora Kalandraka, 2008.

o segredo do papa formigas

Para terminar, uma “aula de gramática”…

Aula de gramática

Eu estou, tu estás, 
ela está e ele também,
e todos os que estavam, estiveram
e estão muito bem.

Estamos, estaremos
nós; ela e ele
estarão lado a lado e eu, que estive
estarei.

E se por acaso estivesse
alguém que não tenha estado dessa vez,
Bem vindo! Porque estar é o que importa
e que todos estejam…

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EMarc Johns, Shel Silverstein, Daniil Harms, Jacques Prévert, et al [texto] e Serge Bloch [ilustrações] in O tigre na rua e outros poemas. Editora Bruaá, 2012.

Bem vindo! Porque estar é o que importa
e que todos estejam…
bem, muito bem,
connosco a celebrar
este dia
onde a palavra de ordem é
rimar!