“Bem-me-quer”: Experiências de bem querer à exploração tátil no jardim

E se fossemos espreitar o que se passa lá fora?

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O jardim pode ser um local de infinitas descobertas. Um local perfeito para a descoberta de formas, de texturas, de cheiros, de sensações… enfim uma verdadeira arca de dádivas da natureza. Hoje, sugerimos algumas experiências de bem querer à exploração tátil no jardim. Saiam de casa e boas descobertas!

  • Apanhar flores

Perceber a sua forma, o seu cheiro, conversar sobre as partes que a constituem. Cantar! Contar! Quantas são? Na mão esquerda tenho uma, na mão direita muitas! 

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E para desenvolver a destreza manual, de forma leve e delicada, vou puxando as pétalas de um malmequer, uma de cada vez, de forma sequencial, e vou entoando “bem-me-quer, mal-me-quer” … Um dia, quando me tornar leitor, usarei a mesma leveza! Sabe que para a leitura braille se exerce uma pressão de cerca de 20g?

 

  • Fazer uma sementeira de malmequeres

No jardim ou na varanda, continuamos a bem querer a exploração tátil e a destreza manual. Desta vez através duma pequena sementeira.

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Manusear uma pequena pá para colocar terra num vaso, é um trabalho que exigirá um trabalho coordenado das minhas duas mãos e braços. 

De seguida exploramos as sementes: são minúsculas, parecem areiazinhas nas minhas mãos! Colocadas na terra, colocamos uma fina camada de terra em cima, e porque não com as mãos? No fim é só regar e, para o efeito, podemos usar um pequeno pulverizador, que se adapte ao tamanho das minhas mãos pequeninas. É preciso muita força!

Se a terra estiver molhada está pronta a sementeira.

Dia a dia, incentive a  criança a regar a sementeira!O ciclo será renovado e daqui a uns meses, a criança poderá observar o crescimento dos malmequeres!

Pois é… na natureza também me torno leitor!

 

Twister Braille: Braille com movimento

No pré-escolar as crianças começam a adquirir curiosidade face à escrita. É também nesta fase que a criança contacta com as funções no uso da leitura e da escrita.

Não há hoje em dia crianças que não contactem com o código escrito e que, por isso, ao entrarem para a educação pré-escolar não tenham já algumas ideias sobre a escrita. Assim, há que tirar partido do que a criança já sabe, permitindo-lhe contactar e utilizar a leitura e a escrita com diferentes finalidades.

Silva, 2016.

Escrever o nome próprio é  uma forma da criança se sentir competente e capaz de usar uma das funções da escrita: a criança regista nos seus trabalhos o nome; vê em tabelas, capas, livros, o seu nome… O nome  traduz a identificação da criança e sua identidade!

De forma a introduzir o braille como um código convencionado para a escrita de crianças com cegueira, dinamizou-se uma actividade que procurou desenvolver o reconhecimento da primeira letra do nome de cada criança (a negro e a braille). Esta atividade permitiu desenvolver competências motoras (globais e finas) e de organização espacial.

Segue-se o descritivo da atividade: 

  1. As crianças são convidadas a selecionar a letra do seu nome (a negro) entre um conjunto de letras dispostas sobre uma mesa;

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2. Posteriormente, cada criança procura num painel, com a ajuda do adulto, a letra correspondente em braille (a mesma está identificada a negro também);

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3. A criança copia o padrão de pontos para a célula braille miniatura;

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4. À vez, cada criança será convidada a representar com o corpo a letra do seu nome, colocando mãos, pés, cabeça na célula braille disposta no chão (grandes círculos construídos em goma eva de cor roxo, amarelo, castanho, azul, verde, prateado). De salientar, que o jogo foi realizado com a mesma textura e cores diferenciadas porque as crianças com DV a quem se destinou possuem resíduo visual.

A atividade desafiou as crianças do ponto de vista motor, exigindo um planeamento para a coordenação dos movimentos necessários à reprodução do esquema de pontos de cada letra. Despertou, ainda,  a alegria e a risota por posições tão inusitadas!

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Ah, e claro, quando os adultos fazem também as suas acrobacias ainda se torna mais divertido!!

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As crianças foram ainda desafiadas a reproduzir com plasticina, a letra do seu nome em braille. Para isso, tiveram acesso a uma placa com uma esquadria com os 6 espaços da célula braille. Promoveram-se, assim, competências de motricidade fina, através de modelagem de plasticina.

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Por fim, escreveram a letra do nome na máquina braille.

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Uma actividade cheia de movimento onde se estimulou o prazer pelas convenções da escrita a negro e a braille!

 

Bibliografia: 

Silva, I. (coord.) (2016). Orientações Curriculares para a Educação Pré-Escolar. Lisboa: Editorial do Ministério da Educação e Ciência. Acesso em: https://www.dge.mec.pt/ocepe/sites/default/files/Orientacoes_Curriculares.pdf

Bolachas em casa: Uma receita para o desenvolvimento tátil

Nesta altura em que passamos mais tempo em casa, há inúmeras atividades que se podem desenvolver com as crianças, de forma a promover as suas competências táteis. Sabemos que no caso de crianças com cegueira ou défice visual grave, mãos ágeis contribuem para a formação de bons leitores!

Hoje, destacamos a culinária e nesta área, bolachas combinam na perfeição com crianças. Por isso, “mãos à obra” ou “mãos à massa”! Prometemos uma excelente receita para o desenvolvimento tátil.

  • A confecção da receita deve ser acompanhada de uma boa conversa: ingredientes, ações, sensações são tópicos importantes para a criança desenvolver conceitos e se envolver em todo o processo.
  • A criança deve participar no processo desde o início: ao retirar os ingredientes do armário, por exemplo, a criança já estará a desenvolver  competências motoraspreensão e força (transporte de um pacote de farinha, pesado; transporte do pacote do açúcar mais leve, etc.).
  • Ajude a criança a juntar os ingredientes e perceber as suas diferentes texturas: (o açúcar granulado; a farinha macia; a manteiga mole; os ovos líquidos). Ao colocar os ingredientes na taça, a criança está a desenvolver a coordenação bimanual.
  • Misturem todos os ingredientes: Esta é parte divertida! Crianças com defesa tátil poderão sentir uma certa repulsa, mas a motivação da atividade em família poderá ser um estímulo a ultrapassarem essa barreira. Amassem, trabalhando a força. Brinquem, isolando os dedos, e fazendo buraquinhos na massa.
  • Modelem as bolachas: com cortadores, com as mãos… Façam bolachas grandes, pequenas, de diferentes formas e com decorações diversas. Sintam a textura da massa nas mãos. Apertem-na entre os dedos. Espalmem.
  • Provem muito e deliciem-se com o cheirinho na cozinha!! E não se esqueçam, a diversão é ingrediente obrigatório ao sucesso da receita. 

 

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Descrição da fotografia: Criança faz rolinho com massa, em cima de uma mesa. Tem uma touca de cozinheiro/a e um avental.

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Descrição da fotografia: Adulto posicionado atrás de criança, modela os seus movimentos ao amassar massa.

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Descrição de fotografia: Tabuleiro de bolachas redondas; mãos de criança aparecem ultimando decoração.

Caixa de Objetos: Desenvolvimento da Consciência Fonológica

“As crianças envolvem-se frequentemente em situações que implicam uma exploração lúdica da linguagem, demonstrando prazer em lidar com as palavras, inventar sons, e descobrir as suas relações” (Silva, 2016). Sabe-se que a aprendizagem da linguagem oral e escrita deve constituir “um processo de apropriação contínuo que se começa a desenvolver muito precocemente e não somente quando existe o ensino formal” (ibidem.). A consciência fonológica é um domínio que não deverá ser esquecido neste “processo de apropriação contínuo”.

A consciência fonológica é a capacidade para, conscientemente, refletir sobre as subunidades fonológicas que compõem as palavras e as frases – as sílabas, ataques/rimas e sons – permitindo uma reflexão sobre a estrutura fonológica da linguagem oral, independente do seu significado (Fitzpatrick, 1997; Hester & Hodson, 2009).

Com uma caixa misteriosa e uma banca de objetos, brincámos com palavras que rimam!

As crianças foram desafiadas a descobrir os sons escondidos na caixa! Como? Seleccionavam através do tacto um dos objectos da caixa, nomeavam o seu nome, e posteriormente seleccionavam outro da banca de objetos cujo nome rimasse com o primeiro.

Argola-Bola; 

Caneca – Boneca; 

Balão – Coração; 

Grão – Feijão;

etc.

Esta é uma atividade simples que poderá complementar outros jogos orais. Esta estratégia com o objeto concreto poderá substituir atividades com imagens que não seriam acessíveis à criança com défice visual grave ou cegueira.

Com estes objetos e esta caixa cheia de sons e sensações, todos puderam jogar sem restrições!

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Bibliografia: 

Silva, I. (coord.) (2016). Orientações Curriculares para a Educação Pré-Escolar. Lisboa: Editorial do Ministério da Educação e Ciência. Acesso em: https://www.dge.mec.pt/ocepe/sites/default/files/Orientacoes_Curriculares.pdf

Fitzpatrick, J. (1997). Phonemic awareness. Playing with sounds to strengthen beginning reading skills. Creative Teaching Press, Inc.: Cypress, CA.

Hester, E. & Hodson, B. (2009). Metaphonological awareness: enhancing literacy skills. em Rhyner, P. (Eds) Emergent literacy and language development. Promoting learning in early childhood. Nova Iorque: The Guilford Press. pp. 78-103.

“A Baleia”

Hoje partilhamos algumas adaptações realizadas na mediação da leitura da história “A Baleia” (Benji Davies, editora Orfeu Negro) e respectivas atividades de exploração do livro com crianças com cegueira.

Ao acordar depois de uma noite de grande tempestade, o Noé avistou qualquer coisa ao longe: uma pequena baleia tinha dado à costa. O Noé sabia que não era bom para uma baleia estar fora de água e decidiu levá-la para casa, fazer-lhe companhia, contar-lhe histórias e até tocar-lhe umas musiquinhas… Será que o pai do Noé vai gostar da nova inquilina?

Uma história ternurenta sobre a amizade improvável entre um menino e uma baleia.

Sinopse “A Baleia”

O objetivo da mediação da leitura desta história é criar na criança com cegueira e restante grupo o gosto pela leitura e pela escuta da narrativa e, simultaneamente, promover a sua compreensão.

Uma vez que o livro é riquíssimo ao nível da ilustração, recorreu-se à descrição verbal da componente visual do livro. Paralelamente foram usados alguns artefactos que facilitam que a criança com cegueira explore tactilmente alguns objectos, personagens e, assim, emerja na história, alicerçada em oportunidades de acesso ao concreto/representativo. 

Listagem de artefactos utilizados na leitura da história: 

  • Baleia;
  • Banheira;
  • Areia da praia;
  • Água do mar;
  • Carrinho;
  • Balde de peixes;
  • Barco de papel.

 

Actividades: 

  1. A história foi lida em voz alta e as crianças iam sendo convidadas a explorar os objectos de referência da narrativa. A leitura foi realizada de forma dialógica, com pequenas pausas, para comentar e descrever as ilustrações e para desafiar as crianças em pontos críticos:

– “O Noé não sabia o que fazerO que é que vocês faziam se estivessem no lugar do Noé?

-“Mas disse-lhe que tinham de levar a baleia de volta para o mar, que era a casa dela“. Como é que o Noé se sentiu ? Acham que o Noé sentia saudades da baleia? Como é que baleia se sentia em sua casa?

2. Num segundo momento, a criança pôde explorar os artefactos de forma mais livre e simbólica, dando asas à sua imaginação e desenvolvendo um conjunto de experiências manipulativas e sensoriais. Este espaço permitiu ainda a consolidação de aspectos referentes à compreensão da narrativa. Em conversa exploraram-se as seguintes dimensões da narrativa:

-Personagens (Noé; Pai; Baleia)

-Cenário (Praia)

-Problemas (Baleia dá à costa)

-Acções (Noé pensa numa solução/ Leva a baleia para a banheira/ Pai descobre o segredo)

-Resolução (Pai diz ao Noé que têm de levar a baleia para a sua casa/ O Noé e o pai devolvem a baleia ao mar)

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3. Crianças da turma ilustram a história “A baleia”

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As crianças com défice visual severo/cegueira ficaram responsáveis pela realização da capa da história e recorreram à técnica do contorno da baleia com lápis, ficando com o seu vulto em cartão (podiam assim perceber a sua forma); utilizaram ainda os lápis de cor e areia para representarem a areia e o mar. Estas crianças têm resíduo visual e, por isso, o uso da cor é extremamente significativo.

Nas atividades de pintura, pode ser usado um papel texturado (por baixo da folha de papel a pintar), que irá conferir à pintura uma leve textura.

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E é tão bom vê-los brincar… e chapinhar… imaginando-se Noé’s e imaginando baleias!

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“Sonho de neve”

Hoje partilhamos o resultado da mediação da leitura de “Sonho de Neve”, de Eric Carle (Editora Kalandraka). A leitura aconteceu por altura do Natal e retrata um pouco esta estação do ano e a época natalícia.

Numa pequena quinta vivia um agricultor. Ele tinha tão poucos animais que até os conseguia contar
pelos dedos de uma mão. Então, o agricultor chamou
aos seus animais Um, Dois, Três, Quatro e Cinco.
Atrás do celeiro havia uma pequena árvore.
O agricultor chamou-lhe Árvore…

(excerto “Sonho de Neve”, Eric Carle, Editora Kalandraka)

“Sonho de Neve” conta a história de um agricultor que tinha 5 animais, dos quais cuidava muito bem. Este é o mote perfeito para desenvolver as contagens e  a ordenação temporal das unidades da fala que se representa na escrita – da esquerda para a direita, de cima para baixo.

Para a mediação da leitura foram utilizados os seguintes recursos:

  • Livro original e caixa de histórias com os principais elementos (estábulo com os animais em miniatura; manto branco, simulando a neve, e a árvore);

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Recursos utilizados após a leitura: 

O estábulo da história apresenta-se numa linha horizontal que funciona como treino lúdico da pré-leitura: cavalo, vaca, ovelha, porco, galo. Assim, criámos um estábulo em cartão, com as respectivas casas dos animais. Este recurso permite exercícios de discriminação tátil dos animais e  jogos de orientação espacial e ordenação numérica:

  • coloca os animais pela ordem em que aparecem na história;
  • coloca o cavalo na casa 2;
  • coloca a vaca na casa mais à esquerda;
  • coloca o galo na casa mais à direita;
  • coloca a ovelha na casa do meio;
  • etc.

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As atividades incluem também a representação do estábulo bidimensional. Este instrumento permite à criança contar as casas do celeiro e orientar os animais nas devidas posições; para além disso, introduz o número (em braille e a negro).

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  • A história permite ainda trabalhar com os “pontos braille”. Brincámos com a criança com as posições dos animais associados ao número de células braille correspondente:

-cavalo, primeiro animal do estábulo, a criança coloca-o em cima de uma célula braille;

– vaca, segundo animal do estábulo, a criança coloca-a em cima de duas células braille;

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  • A criança pode ainda treinar o seguimento, percorrendo caminhos onde tem de encontar os animais. Na figura abaixo, a criança segue o caminho e tem de parar sempre que encontra uma “vaca” (codificada com uma célula braille completa).

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Aconselhamos vivamente a leitura da história, pela riqueza pedagógica que imprime e pela riqueza sensorial – algumas pistas:

  • a neve – é fria, que barulho faz quando a pisamos?
  • o chá – que cheiro, que sabor, que temperatura?
  • o pão com mel – que cheiro, que sabor, doce, salgado?
  • as barbas do agricultor – picam? não picam? são de que cor?
  • as roupas do inverno – quentes, frias, confortáveis?

Nos contextos onde desenvolvemos a leitura desta história, as atividades acabaram sempre em partilha: com um copo de chá de hortelã-pimenta e um pedaço de pão com mel!

Boas leituras.

Retrato do nosso piquenique com o “Repasto da Raposa”

Ver artigo: “A preparar um belo repasto”

O S. e o A. adoram a temática dos animais e da vida no campo. A história “O repasto da raposa” foi por isso muito significativa para eles. Eles sabem tudo sobre animais e ferramentas, tendo vivências no seu contexto familiar que os aproximam deste universo. Por isso, quando alguma história retrata estes temas, há uma identificação imediata e uma assimilação do conteúdo narrado por referência às experiências vividas.  Esta circunstância facilita,  sem dúvida,  o envolvimento nas actividades provenientes da leitura da história.

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Neste artigo faremos um breve resumo dos aspectos trabalhados através deste álbum tátil ilustrado:

  • Compreensão da narrativa e reconto da história através da leitura tátil das ilustrações

Depois de contarmos a história em grupo com a turma do S. e do A., explorando aspectos relacionados com a mesma em grupo, retomámos a sua exploração, mas desta vez em contexto individual. Aqui procurámos mediar o diálogo, de forma a desenvolver aspectos relacionados com a compreensão da narrativa e respectivo reconto. Procurou-se que estas crianças desenvolvessem competências que lhe permitissem organizar o discurso para o reconto da história à medida que exploravam tatilmente as ilustrações táteis (da mesma forma que as crianças normovisuais fazem leitura de imagens). Este livro tem ilustrações táteis muito simples, permitindo o seguimento da história, 5 galinhas (representadas por penas de diferentes cores e formas) e uma raposa (representada por um triângulo de pêlo cor de laranja, que vai aumentado à mediada que a personagem come as galinhas).

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  • Manipulação dos artefactos criados para representar a galinha e a raposa

Com as galinhas andámos pela capoeira a cacarejar, pelo campo a aproveitar o sol, imitando galinhas cheias de personalidade e com vozes muito próprias (o facto do S. e o A. terem percepção de cor facilitou a distinção das galinhas pela cor das penas). A raposa despertou aquele sentimento de medo… O  S. achou que para ela não comer as galinhas podíamos… “Pôr-lhe fita-cola na boca”, mas preferiu imaginar que ela não comia galinhas e ficava satisfeita com os ovos (que ele contava e lhe oferecia).  Com esta brincadeira de faz-de-conta desenvolvemos aspectos relacionados com a linguagem: diferentes géneros de discursoestruturas frásicas, uso de novo vocabulário, tudo através da dramatização da história e utilização do diálogo, reconto, argumentação … O facto de tudo isto ser intermediado pelos artefactos constituiu uma rica oportunidade de interações  em torno desta experiência de literacia, assegurando o contributo ativo das crianças (Hannon & Nutbrown).

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  • Posicionamento das galinhas na capoeira

Partindo da brincadeira gerada através da história, as crianças foram convidadas a posicionar cada uma das galinhas na sua casa (caixa de ovos com 6 divisórias). Através deste jogo é pretendido que a criança adquira familiaridade com a sequência numérica dos 6 pontos do sistema braille.  Estes  seis pontos são designados por Célula Braille e estão numerados de acordo com a posição em que se encontram. Assim, temos: na coluna da esquerda, de cima para baixo, os pontos 1, 2 e 3; na coluna da direita, também de cima para baixo, os pontos 4, 5 e 6. As crianças são convidadas a posicionar as galinhas nos números designados por casa 1, casa 2, casa 3, etc. 

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  • Fichas de pré-braille

Por referência às personagens principais da história, raposa e galinhas, as crianças foram ainda convidadas a realizar exercícios de seguimento e descoberta de intrusos.

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  • Jogo da Glória

Este “retrato do nosso piquenique” com o “Repasto da Raposa” termina com um jogo de tabuleiro, ao jeito do “Jogo da Glória”. Quem chegará primeiro à capoeira? A sorte é lançada através de um dado tátil. Depois é só contar e avançar, pelo percurso construído com diversas texturas e assinalado por números que se sucedem, a negro e a braille. A casa estrela anuncia desafio criado pela Educadora C.

Foi bom estar assim em roda!… a desfrutar da alegria da novidade, a contar pontos, casas e a recordar este conto que alimentou este nosso “piquenique”.

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Bibliografia:

Peter Hannon & Cathy Nutbrown (s/d). The ORIM Framework – Opportunities, Recognition, Interaction, Models. Raising Early Achievement in Literacy Project. School of Education, University of Sheffield. Em: http://www.real-online.group.shef.ac.uk/index.html

A preparar um belo repasto

Estamos a preparar um belo repasto, para levar até ao jardim-de-infância de uma das nossas crianças! Será um repasto mediado pelo  livro tátil ilustrado “O repasto da Raposa” (Original “Le Repas de Renard”, de Claudette Kraemer, com base num texto de Anne-Marie Chapouton e ilustrações de Solène Négrerie – Editora Les Doigts qui Rêvent).  Estamos certas que será mais um momento cativante em que partilhamos à volta de um livro.

“O repasto da raposa” é a história de uma raposa de pelo macio e de cinco galinhas (representadas por penas). A raposa é representada pela forma de um triângulo, que vai engordando à medida que aumenta a sua gulodice, e as galinhas vão desaparecendo, comidas uma após a outra. Mas as galinhas não vão desistir e com brio e astúcia, libertam-se no fim.

Este livro é uma boa introdução a competências numéricas (contagem crescente, contagem decrescente, somas e subtracções simples).

No nosso “cesto de piquenique” para esta história que vamos partilhar com crianças da zona centro do país, vamos levar: 

  • Livro tátil ilustrado (braille, ilustrações hápticas, texto a negro e ilustrações visuais)
  • Representação das galinhas e da raposa, organizadas numa caixa de ovos, pela sequência numérica da célula braille (bolas de ping pong caracterizadas com penas – galinhas-  e rabo de pêlo – raposa).

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  • Jogo da Glória (por referência à narrativa da história)

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  • Um galinheiro com ovos (para tornar mais aliciantes as primeiras contagens e somas e subtracções simples)

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  • Fichas de trabalho pré-braille (para o desenvolvimento de competências de seguimento, discriminação tátil de intrusos, associação de composições braille iguais, descodificação icónica)

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Até breve! Contamos partilhar mais deste nosso belo repasto!

Vamos à caça ao urso?

É sempre tempo para irmos à caça ao urso e é tão bom recordar as nossas “caçadas”! Hoje, para partilhar com os nossos leitores, o trabalho realizado a partir do clássico de Michael Rosen “Vamos à caça ao urso?”

Está um belo dia, e eles vão dizendo que não têm medo, enquanto atravessam um campo de erva alta e ondulante, cruzam um rio fundo e frio, arrastam-se através da lama pegajosa, procuram o caminho pelo meio de uma floresta, passam através de um nevão que rodopia e entram pé-ante-pé numa caverna soturna. Aqui, na escuridão, tudo parece diferente… E qual é a coisa temível que aparece diante deles?

Leiam e descubram!

Para a mediação da leitura desta história e posterior trabalho pedagógico, preparámos:

  • Um percurso sensorial, onde a criança pode explorar sensações similares às dos cenários apresentados na história. 

Aqui podem ser discutidas as características dos locais descritos e todas as sensações e emoções que nos transmitem: frio, calor, cócegas, arranhar, molhado, seco, ruídos, emoções…

Enquanto se lê a história, a criança pode executar as acções, fingindo atravessar o campo de erva, a floresta, o nevão, cruzar o rio e a lama pegajosa, avançando até à caverna… A dinâmica criada a partir da narrativa e a vivência gerada pelo percurso, estimulam a criança a “entrar na história”, promovendo a imaginação e a apreensão da narrativa. A componente motora é também estimulada, tendo a criança que se orientar através do percurso e caminhar sobre um conjunto de “pisos” muito diversificados.

 

  •   Jogo de conceitos posicionais

Após a leitura e a realização do percurso, personagens e cenários poderão ser o mote para a aventura prosseguir… O adulto poderá dar à criança um urso em miniatura e um tabuleiro e a criança terá de o posicionar consoante as indicações do adulto: à esquerda, à direita, no meio, em baixo, em cima.

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  • Jogo de associação de texturas

Continuando pelos “mundos” da história, apresenta-se à criança um jogo de texturas muito especial, uma vez que evoca os cenários e personagens da história.

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Todas as actividades contribuem para que a criança desenvolva competências linguísticas, relacionadas com o desenvolvimento de conceitos e aprendizagem de novo vocabulário. O facto da história ser ritmada e repetitiva contribui para o envolvimento da criança, para a compreensão da narrativa e respectivo reconto.

Com esta atividade, a componente tátil não fica esquecida. Todas as atividades contribuem para o desenvolvimento dos movimentos corporais, organização espacial e percepção tátil.

Rendidos? Agora é a vossa vez…Toca a caçar!

O “Triângulo” andou por aí a viajar

Num anterior post, partilhámos a adaptação da história “O Triângulo”, por estagiárias de Educação da ESEC. Hoje partilhamos convosco algumas fotografias sobre a exploração deste livro com uma criança.

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Criança explora capa do livro com título “Triângulo” (Editora Orfeu Mini). Ilustração tátil: triângulo feito em feltro. 

Esta história é sobre o Triângulo. Esta história é também sobre o Quadrado, amigo do Triângulo. É também a história da valente partida que o Triângulo pregou ao seu amigo Quadrado.

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Neste livro formas simples ganham vida e vivem uma aventura cheia de partidas. Vejam só o interior deste livro com as respectivas imagens táteis.

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Descrição da fotografia: Criança explora ilustrações táteis, revivendo a viagem do Triângulo que passou por quadrados grandes, quadrados médios e quadrados pequenos. 

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Descrição da fotografia: Criança explora ilustração tátil – porta da casa do quadrado. Criança abriu a porta e explora superfície representativa da casa, também da forma quadrada. 

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Descrição da fotografia: Criança explora ilustração tátil, revivendo a viagem do Quadrado atrás do Triângulo, passando por quadrados pequenos, quadrados médios e quadrados grandes; passou pelas formas sem nome; pelos triângulos grandes, pelos triângulos médios e pelos triângulos pequenos. 

E assim, a andar e, por vezes até a correr, viajamos com este “Triângulo”, por caminhos de quadrados grandes, médios, pequenos; triângulos pequenos, médios e grandes; e até formas sem nome.

Mais um livro a viajar pelos contextos naturais!

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Criança com o livro “Triângulo” à frente do rosto, num barco de papelão. 

Participação na Semana da Leitura

No passado dia 20 de Março, a equipa do CAIPDV esteve presente nas comemorações da Semana da Leitura do Agrupamento de Escolas de Miranda do Corvo, com o objectivo de sensibilizar as crianças do 1º CEB do Centro Escolar de Miranda do Corvo para a acessibilidade do livro e da leitura para crianças com cegueira.

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Descrição da fotografia: Equipa do CAIPDV, da esquerda para a direita: Diane Gouveia, Cristina Lopes, Inês Marques, Rita Ângelo, Patrícia Valério.

Como lêem crianças com cegueira? Com que recursos? Há muitos livros acessíveis a estas crianças? Poucos? Como se constroem livros verdadeiramente acessíveis? Estas e outras questões foram debatidas com as crianças presentes.

A componente da ilustração tátil (háptica) foi apresentada como componente essencial ao processo de leitura de crianças em idade pré-escolar… uma idade em que se lêem mais as imagens/ilustrações do que as letras.

Através do processo de mediação de leitura do livro tátil ilustrado “O que vês, o que vejo…”, fomos mais longe, procurando que as crianças desfrutassem, também elas, de um contexto perceptivo diferenciado.

De olhos fechados, ouviram o mar…evocaram memórias, para além das visuais… o cheiro da maresia, a memória da água fria… sentiram o movimento das ondas e o picar das agulhas dos pinheiros.

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Descrição da fotografia: Crianças exploram ilustração tátil representativa do mar (podem sentir o movimento da água, das ondas).

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Descrição da fotografia: Crianças exploram ilustração tátil dos pinheiros (podem sentir o picar das agulhas).

Ouviram o som do coração e accionaram-no no livro…

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Descrição da fotografia: Crianças exploram ilustração tátil do coração (podem accionar mecanismo representativo do bater do coração).

Por fim, apresentámos os “6 pontos a dançar”, que deixam sempre “um rasto de contos elevados, para dedos afinados poderem sonhar”… O braille fez a delícia de pequenos e graúdos: explicámos o seu funcionamento e a escrita na  máquina de  braille; reflectindo sobre o papel essencial que este código de escrita tem na educação de crianças com cegueira.

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Descrição da fotografia: Equipa apresenta o código braille.

Foi com alegria que percebemos a curiosidade das crianças e receptividade de professores.

Agradecemos o convite e desafio que nos foi lançado e o precioso acolhimento que tivemos nesta escola.

Muito gratas! Um abraço da equipa!

Ler artigo do Agrupamento de Escolas de Miranda do Corvo ““O QUE VÊS, O QUE VEJO…”, UMA NARRATIVA ILUSTRADA PARA CRIANÇAS QUE NÃO VEEM E NÃO SÓ! 

Bases para a Literacia: 4) Explorar o ambiente através do tato

 

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Legenda da fotografia: Criança em plena natureza, explora rochedo e poça de água.

Para que a criança com cegueira conheça o seu meio envolvente, é essencial que tenha múltiplas experiências táteis no seu dia-a-dia. É importante que os principais prestadores de cuidados a incentivem a explorar diferentes pisos, superfícies e objectos. Ter curiosidade pela exploração tátil é um aspecto fundamental para que a criança construa o conhecimento do mundo e, em última instância, desenvolva competências motoras que lhe permitam a leitura e a escrita.

Através do toque, a criança apreende diversos aspectos que são essenciais ao conhecimento do seu meio envolvente e lhe permitem recolher inúmeras informações:

  • Mecânicos (tato, pressão, vibrações, posições, movimentos);
  • Térmicos (sensações referentes à temperatura);
  • Álgicos (sensações referentes à dor).

O toque deve ser dinâmico: é a combinação destas diferentes sensações elementares, anexadas ao sentido cinestésico, que formam as sensações táteis como a nossa consciência percebe: «o movimento é ao toque, o que a iluminação é à visão» (Merleau-Ponty Claude, in Kraemer, 2009).

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Legenda da fotografia: Criança toca na neve.

 

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Legenda da fotografia: Criança explora gravilha no chão.

 

Boas descobertas e experiências mediadas pelo tato … e claro, partilhem connosco!

Afetos e Literacia Emergente

Hoje tivemos um dia em cheio num jardim-de-infância. Um dia bem docinho, cheio de abracinhos, e muitos beijinhos… Tudo para celebrar os afetos, o amor, a amizade e tudo aquilo que cada um, e cada criança, entende como o Dia dos Namorados.

Como já é habitual levámos uma história: Caracol e Caracola (OQO Editora), adaptada pela equipa OLEC. A história de um Caracol que se sente escuro e sem brilho até que a Caracola lhe diz que ele é bonito. Com os seus pauzinhos ao sol, anda que anda, fala que fala, descobrem juntos aquilo que significa a amizade. Uma história repleta de ternura, que todos apreciámos!

Num artigo futuro, abordaremos o processo de construção das ilustrações táteis. Para já, algumas fotografias que retratam a exploração da história no jardim-de-infância.

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No final da história, modelamos plasticina e construímos Caracóis e Caracolas e, claro, corações.

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Neste dia, tivemos, ainda, a oportunidade de conhecer uma interessante ferramenta de trabalho para desenvolver a acuidade tátil, seguimento de linhas, posicionamento das mãos, entre outras competências, concebida e realizada pela Professora Alice Liberto (Especializada no domínio da Visão – Agrupamento de Escolas Grão Vasco de Viseu).

Um livrinho cheio de surpresas… só desvendadas por dedos curiosos, dispostos a deslizar e seguir… Mas para entrar nesta fantástica aventura é preciso bater à porta, ou tocar à campainha…”Truz, truz”, “Posso entrar?”… Destrancamos a porta com a chave do coração e… páginas e páginas de surpresas coloridas, com relevos positivos e negativos. Surpresas que aguçam a vontade de seguir e a imaginação.

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Algumas das páginas deste livrinho:

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Caros leitores, afetos e literacia emergente combinam muito bem! Que este namoro seja todos os dias.

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Este livro está a chamar-te (não ouves?)

Na OLEC apaixonamo-nos por livros… e este chamou-nos!

Disse-nos que era ideal para ler com as mãos, com os ouvidos, com o cheiro, com o movimento, enfim com as  sensações… Lembrámo-nos das nossas crianças e quisemos muito que ouvissem, também, esta insistente voz. A mediação da leitura deste livro aconteceu em turmas de jardins-de-infância  onde estão incluídas crianças com cegueira.

Ei…psiu,  “Este livro está a chamar-te (não ouves?)”, de Isabel Minhós Martins e Madalena Matoso (Planeta Tangerina).

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Descrição da fotografia: Capa do livro “Este livro está a chamar-te (não ouves?)

Uma voz chama os leitores com insistência. Parece empenhada em fazer chegar os leitores a qualquer lugar. Mas onde? Para o descobrirmos, teremos de atravessar uma floresta, um rio e uma tempestade e seguir as pistas deixadas pelo caminho.

Com este livro É preciso: digitar, carregar, tamborilar, saltitar, observar, ouvir, cheirar, soprar, caminhar, espreitar, aconchegar.

In: Planeta Tangerina.

Procurámos transpor a riqueza das ilustrações do livro, que são pano de fundo para esta viagem,  para um percurso 3D, que fosse acessível também a crianças que se vêem privadas do sentido da visão.

Eis o percurso…

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A voz… esta insistente e apelativa voz,  chamou as crianças para o livro, despertando um sem número de sensações. 

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Põe aqui uma mão.

E aqui outra. Para contar esta história, vamos precisar dos teus dedos, dos teus olhos, dos teus ouvidos… e quem sabe do teu nariz… 

Preparado? Se sim, tamborila com os teus dedos para imitares o rufar do tambor: a aventura vai começar!

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Afinal, a chuvinha transformou-se numa chuvada!

(com a ponta dos dedos). devagarinho…com mais força…tempestade!

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Um rio…

Molha a ponta dos dedos na água… Está fria, não está?

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Para chegares à margem de lá salta as pedrinhas, uma por uma. 

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A água parece boa, vamos atirar pedras lá para dentro?

Splich…

splach…

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Que sombra repentina é esta?

Um melro…Toca a proteger a minhoca …

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Finalmente!

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Até manhã. 

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Com este livro interactivo, desenvolvemos competências sensoriais através da vivência deste percurso-história, bem como competências motoras globais e finas.

Houve, ainda, oportunidade para  motivar crianças normovisuais e com cegueira para a representação gráfica do conteúdo vivenciado. A partir de livros em branco, cada criança retratou a sua experiência com este livro, através de vários materiais táteis.

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Atividades táteis – Um país debaixo do mar (continuação)

No último post partilhámos um pouco da mediação da leitura realizada com a história “Um país debaixo do mar” da editora Les Doigts qui Rêvent. Hoje partilhamos convosco as atividades táteis realizadas a partir desta história.

Acreditamos que realizar atividades de discriminação tátil, em contexto bidimensional, com a envolvência de uma história, dá à criança mais motivação para a sua realização. Neste tipo de atividades, que normalmente são mais exigentes e desafiadoras para a criança, a introdução da componente lúdica é essencial.

Nas atividades ilustradas nas fotos, o objectivo era que a criança discriminasse tatilmente o elemento diferente do conjunto e identificasse a característica diferenciadora.

Exemplos: 

  • Peixe papagaio: com lábios grossos ou bico;
  • Tartaruga: com carapaça rígida ou com carapaça mole;
  • Polvo: com sete tentáculos ou oito.
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Descrição da fotografia: Atividade tátil de descobrir as diferenças peixe papagaio. 

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Descrição da fotografia:  Atividade tátil de descobrir as diferenças peixe papagaio.

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Descrição da fotografia: Atividade tátil de discriminação tátil tartaruga. 

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Descrição da fotografia: Atividade de discriminação tátil tartaruga.  

Um país debaixo do mar

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Em pleno Verão, porque não uma viagem ao país debaixo do mar?

Pois bem, foi o que fizemos, transportados por mais um livro da editora Les Doigts qui Rêvent!!

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Descrição da fotografia: Livro “Le pays d’en bas la mer”(editora Les Doigts qui Rêvent).

Um livro que aborda a temática da diferença e da cooperação e nos transporta para o fundo do mar… Deixámo-nos levar e explorámos o que é isto do fundo do mar… O que lá existe?

Com uma piscina a simular o fundo do mar, fizemos as delícias dos mais pequenos e navegámos através desta história.

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Descrição da fotografia: Crianças em roda escutam a história “Um país debaixo do mar”.

As fotografias apresentadas abaixo retratam atividade realizada posteriormente à história, onde as crianças exploravam elementos que pertencem/não pertencem ao mar.

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Não perca no próximo post, sugestões de atividades táteis decorrentes desta história.

Caça ao tesouro

Num dia de sol, uma caça ao tesouro poderá ser uma busca pelos elementos da natureza, numa envolvência  que convida a andar de pé descalços e a rebolar na relva.

Uma proposta para conhecer o que de melhor a natureza nos oferece, num balanço entre a palavra, fantasia e conhecimento do mundo.

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Descrição da fotografia: Duas crianças abraçam em conjunto tronco de árvore. 

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Descrição da fotografia: Criança explora a dimensão e textura de tronco de árvore. 

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Descrição da fotografia: Crianças procuram no chão um dos elementos solicitados na caça ao tesouro. 

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Descrição da fotografia: Criança colhe flor grande. 

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Descrição da fotografia: Criança salta em caixa com areia. 

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Descrição da fotografia: Criança acompanha o roteiro da caça ao tesouro, “lendo” pistas em braille. 

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Descrição da fotografia:  Crianças acompanham o roteiro da caça ao tesouro, “lendo” pistas em braille. 

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Descrição da fotografia: Crianças exploram caixa sensorial para encontrarem elementos solicitados nas pistas da caça ao tesouro (caixa com espuma e bolas viscosas).

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Descrição da fotografia: Crianças em frente a caixa sensorial; na mão têm uma pena vermelha e cor de laranja (caixa com areia).

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Descrição da fotografia: Crianças exploram recipiente com água onde estão imersos animais do mar em miniatura. 

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Descrição da fotografia: Criança coloca elementos no baú do tesouro. 

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Descrição da fotografia: Baú do tesouro com elementos recolhidos durante a atividade.

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Descrição da fotografia: Criança deitada na relva. 

Caros leitores, aventurem-se pela natureza!

 

E a história continua… Com “Catarina e o urso”

No último post, a história “Catarina e o urso” (editora Kalandraka) foi apresentada como mote para diversos jogos sensório-motores. A história permitiu que as crianças encarnassem o papel de urso e fizessem várias posições e movimentos corporais. Houve, ainda, lugar para o jogo do “Rei Manda”, numa versão do “Urso manda… E as Catarinas vão atrás”.

Perspectivando a aprendizagem da leitura e escrita formal, e o risco da criança confundir alguns dos caracteres Braille, torna-se urgente o domínio das noções espaciais. Neste sentido, os jogos sensório-motores vão proporcionar à criança a organização das  noções espaciais e a integração da sua lateralidade (Kraemer, 2009).

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Descrição da fotografia: Criança segura a Catarina e o urso (miniaturas), depois de as ter explorado tatilmente. 

Numa fase posterior, o trabalho em superfície bidimensional deverá ser iniciado. Através de uma caixa de histórias simples (tabuleiro com relvado, miniatura do urso e da Catarina), as crianças foram desafiadas a jogar simbolicamente em superfície bidimensional.

O desafio era apresentado em cartões, que cada criança escolhia aleatoriamente, e onde se podiam ler as indicações para posicionar os personagens no tabuleiro:

  • Coloca a Catarina à direita do urso/à esquerdo do urso/atrás do urso/à frente/debaixo do urso/em cima, etc. 

Na segunda parte da atividade, as crianças tinham de encontrar padrões táteis (composições com a célula braille e texturas), de acordo com um modelo previamente apresentado, desenvolvendo a  discriminação tátil.

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Descrição da fotografia: Tabuleiro com relvado, urso e Catarina (observa-se mão de uma criança que segura a Catarina). 

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Descrição da fotografia: Catarina à direita do urso. 

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Descrição da fotografia: Criança desenvolve jogo de associação de padrões táteis. 

Os nossos “pequenos” leitores estão rendidos. E vocês, leitores graúdos, o que acham?

Motricidade global e promoção do pré-braille: Catarina e o urso

Por vários cantos da região centro, andaram ursos vagarosos à solta … e muitas Catarinas atrás!

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Descrição da fotografia: O urso pequeno e o urso grande, a encenarem na perfeição o seu papel.

O comportamento de leitura do braille destaca o papel das mãos, mas não nos devemos esquecer dos comportamentos a adquirir previamente.  A fluidez funcional das mãos e a coordenação dos seus movimentos estão diretamente condicionados pela flexibilidade dos ombros, dos braços e dos punhos (Kraemer, 2009). As atividades de motricidade global acabam, assim, por funcionar como pré-requisitos essenciais à futura aprendizagem do braille.

A história “A Catarina e o urso” de Christiane Pieper (editora Kalandraka) foi utilizada como recurso lúdico para trabalhar aspetos essenciais neste domínio, incentivando as crianças com quem trabalhamos a experimentarem uma variedade de movimentos e jogos corporais.

Uma verdadeira diversão e descoberta pelo mundo…

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Descrição da fotografia: Criança segue a leitura do adulto, acompanhando o braille no livro. O braille foi integrado no livro original.

 

O urso vagaroso andava pelo mundo sem rumo 

(e Catarina ia atrás)

…às vezes recuando…

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Descrição da fotografia: Crianças dramatizam a história… Recuam.

às vezes avançando… 

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Descrição da fotografia: Crianças dramatizam a história…Avançam.

 outras vezes … rebolando…

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Descrição da fotografia: Crianças dramatizam a história…Rebolam.

Por vários cantos da região centro, andaram ursos vagarosos à solta … e muitas Catarinas atrás! E sabem que mais? Ainda hoje ouvimos o eco do coro das crianças:

“E a Catarina ia atrás!!”

Um recurso multifacetado – Wikki Stix

Hoje apresentamos um material muito versátil e útil – Wikki Stix. 

Os Wikki Stix são um recurso – fios em material maleável, tipo cera – que aderem em quase todas as superfícies lisas com uma leve pressão da ponta dos dedos. Tornam-se, desta forma, uma alternativa viável  para proporcionar um efeito de linha em relevo, servindo a um conjunto muito alargado de possibilidades pedagógicas. 

Veja os nossos exemplos:

  • Contorno de imagens 
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Descrição da fotografia: Contorno com wikki stix do desenho de uma árvore.

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Descrição da fotografia: Ficha de trabalho com formas contornadas com wikki stix. 

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Descrição da fotografia: Contorno com wikki stix de formas geométricas (quadrado e círculo), com pintura do interior das formas.

  • Representações gráficas/desenhos
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Descrição da fotografia: Representação gráfica de uma criança, das escadas de sua casa (representou os degraus e o corrimão).

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Descrição da fotografia: Criança explora figuras construídas com wikki stix, fazendo a discriminação tátil das mesmas. 

  • Pré-matemática e pré-braille (contagens e seguimento de linhas)
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Descrição da fotografia: Criança segue linha horizontal, da esquerda para a direita, com figuras construídas com wikki stix, contando as figuras que encontra (Caracóis). 

  • Jogos do intruso/ reprodução de padrões 
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Descrição da fotografia: Criança desenvolve jogo com recurso aos Wikki Stix. Numa linha horizontal de figuras tem de encontrar o intruso. A componente lúdica é integrada no jogo imaginando que as figuras similares são os elementos da  família da criança e atribuindo novos nomes aos intrusos “Sr. Esticadinho”, “Sr. Buraco”, etc. 

  • Construções livres 
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Descrição da fotografia: Criança mostra a sua pulseira, construída com wikki stix. Esta poderá ser uma estratégia de reforço/ motivação da criança. 

 

Poderá consultar os artigos da Pahs to Literacy sobre este material em: 

http://www.pathstoliteracy.org/resources/wikki-stix

http://www.pathstoliteracy.org/strategies/10-uses-wikki-stix-support-curriculum-access

Estamos rendidas, experimente também!

Primeiros leitores, vrum vrum, aí vou eu!

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Descrição da fotografia: Livro original “Aí vou eu” de Hervé Tullet, editora GATAfunho.

Uma emocionante história, cheia de suspense e surpresas, onde as onomatopeias dão vida a um percurso empolgante, “Vruum, vruum”… “Pi Piii, Pi Piii”… Pois é, aí vem ele! Primeiros leitores,  prontos para esta viagem?

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Descrição da fotografia: Sob calçada, pista de carros, onde se observa pequeno carro em madeira. Nas laterais da pista pode ler-se”Aí vou eu” e “Vrum Vrum”. Em cima da pista, livro adaptado.

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Descrição da fotografia: Página do livro adaptado. Pode ler-se “Vrum” (braille e negro). A componente tátil consta num arame com conta.

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Descrição da fotografia: Página do livro adaptado. Pode ler-se: Oops! (braille e negro). A componente tátil consta na representação do rio e sistema de movimento do carro (fio transparente).

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Descrição da fotografia:Página do livro adaptado. Pode ler-se: Pi Piii Pi Piii! (braille e negro). A componente tátil consta em novo circuito realizado com arame. Dois guizos no meio do percurso sonorizam o apito do carro.  

 

A adaptação da OLEC consta num circuito realizado com recurso a arame, de forma a concretizar o contínuo de movimento do percurso. A criança pode “experimentar” esta viagem, movimentado uma conta (que simboliza o carro).

O pequeno formato do livro foi pensado para a exploração das pequenas mãos dos nossos primeiros leitores.

Chegamos.

Que bom, Que bom, Que bom, Que bom, Que bom!

Árvore com gosto…

A árvore de gomas (The gumdrop Tree, texto de Elizabeth Spurr; adaptação das ilustrações táteis de  Tom Poppe & Suzette Wright, edição da APH) prometia ser uma história com gostinho muito doce 🙂

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Descrição da fotografia: Livro original “The Gumdrop Tree”, texto de Elizabeth Spurr e ilustração de Julia Gorton. Pode ver-se menina a regar.

 

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Descrição da fotografia: Livro “The gumdrop Tree”,texto de Elizabeth Spurr; adaptação das ilustrações táteis de  Tom Poppe & Suzette Wright, edição da APH.

Ter uma árvore de gomas é o sonho de muitas crianças, um sonho tornado realidade num contexto de pré-escolar da zona centro de Portugal.

A história “A árvore de gomas” foi contada pela educadora das crianças, conquistando todo o envolvimento das mesmas, não fosse a temática significativa para a maioria. Explorámos o cheiro das gomas (esfregando os autocolantes com aroma)… Humm, que bom!! E imaginámos o doce de cada sabor.

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Depois fizemos uma roda. E se plantássemos uma árvore de gomas? Como na história? Observámos, regámos, esperámos, desejámos com muita força que a árvore crescesse…E não é que ela foi crescendo? Observámos o crescimento da árvore, passo a passo (foi criado um mecanismo de árvore evolutivo, que ajudava as crianças a perceber os passos do crescimento).

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Descrição da fotografia: Crianças em roda, observam o rebento da árvore de gomas. Eva explora-o tactilmente. 

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Descrição da fotografia: Criança rega árvore de gomas. Já mais alta… 

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Descrição da fotografia: A árvore de gomas, já com gomas de vários sabores. Pode ver-se criança a colher uma goma de morango. 

No fim, todos podemos colher e saborear uma goma desta árvore mágica e original. Uma experiência completa e multisensorial.

E vocês, gostaram deste sabor?

Todos no sofá?

O fim-de-semana está a convidar todos para o sofá

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Descritivo da fotografia: Livro original “Todos no sofá”. Miniatura de sofá com os animais e personagem da história (João Preguição, vaca, elefante, porco, girafa, burro, pato, gato, coelho, rato).

E porque não aconchegados com esta história?  Com texto de Luísa Ducla Soares e ilustrações de João Leitão, este livro é composto por quadras rimadas e envolve uma sequência numérica. Uma hilariante história que convida todos para o sofá.

A adaptação da OLEC constou na mediação da leitura com recurso a miniaturas dos elementos da história (um sofá, os animais e, claro, o João Preguição). Uma abordagem conhecida por caixa de histórias.

Os objetos de referência permitem a construção da informação da história, com base na experiência tátil da criança. Os mesmos permitem inúmeras manipulações, para além de possibilitarem à criança realizar jogo simbólico.

Um sofá inteirinho de vantagens… Por isso, mãos à obra!!

E meninos e meninas não se esqueçam que o melhor sofá é o colinho dos papás.

Bom fim-de-semana!

“Ovelhinha dá-me lã”

O friozinho do inverno é um bom pretexto para vestirmos uma bela camisola de lã, aconchegados a ouvir a história “Ovelhinha dá-me lã”, da editora Kalandraka.

Um texto rimado para primeiros leitores, de estrutura encadeada, repetitiva e acumulativa; um recurso utilizado nos contos de tradição oral. Uma história de Inverno, para combater o frio.(Sinopse, “Ovelhinha dá-me lã”).

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Descrição da fotografia:  Capa do livro “Ovelhinha dá-me lã”. 

Para a mediação desta história recorremos aos seguintes recursos:

  • Caixa de histórias (contém o menino, a ovelhinha, um novelo de lã e todas as roupas de lã nomeadas na história);
  • Livro original, adaptado com texto a braille.
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Descrição da fotografia: Caixa de histórias “Ovelhinha dá-me lã”. Contém: livro adaptado com braille, boneco, roupas em lã (cachecol, capa, camisola, barrete, meias). 

No final da história, explorámos as roupas de lã e vestimos o menino, que tapando bem a barriga, não ficará constipado.

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Descrição das fotografias: Na 1ª foto, o Duarte explora o corpo do menino. Na 2ª foto, o Duarte sorri, colocando o barrete do menino. Na 3ª foto, o Duarte explora o casaco. 

O inverno sabe muito melhor aconchegado por esta história!

O acesso ao impresso – O braille nos contextos naturais

No seu dia-a-dia, as crianças, frequentemente, se deparam com o impresso. Letreiros, livros, revistas, sinais de trânsito, canetas, papel, entre outros, preenchem o universo da escrita das crianças.

O acesso e variedade de material impresso que está à disposição dos  mais pequenos, depende das oportunidades facilitadoras dos seus contextos naturais, de forma a estimular a curiosidade e a vontade das crianças acederem ao mundo da escrita e desenvolverem processos de descoberta do seu funcionamento, ainda que de forma informal.

Em diversos contextos educativos, temos observado a preocupação de tornar o material impresso acessível a crianças com cegueira ou défice visual grave.

Quer em tabelas de presença, como nos diversos espaços da sala, o  braille “convive” harmoniosamente com a escrita a negro, enriquecendo o universo da literacia de todas as crianças da sala.

Alguns dos muitos exemplos observados em contextos educativos:

Tabela de presenças delimitada com fita de relevo e nome da criança em braille. Em: Santa Casa da Misericórdia de Águeda (distrito de Aveiro).

Tabela  das presenças com  escrita a braille e negro e símbolo identificador da criança a 3 dimensões (concha). Em: Jardim-de-infância de Figueiró (distrito de Viseu).

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Desenho realizado com texturas sobre fim-de-semana. A folha de desenho tem informação escrita a braille e o espaço para o desenho está delimitado com um quadrado com a célula braille Em: Jardim-de-infância de Figueiró (distrito de Viseu).

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Trabalho de expressão plástica onde crianças registam a sua receita de sopa, com base no livro “Sopa de Nada” (OQO editora). Criança faz o seu registo em máquina braille Perkins. Em: Santa Casa da Misericórdia de Águeda (distrito de Aveiro).

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O Duarte detecta a sua cadeira na sala com a ajuda de uma etiqueta com o seu nome em braille. Em: Jardim-de-Infância da Redinha (distrito de Leiria).

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Felicitamos todos os contextos educativos e familiares que levam a leitura “antes da leitura” muito a sério.

Uma carta ao Pai Natal

Os crescidos dizem que o Pai Natal não existe, mas as crianças sabem muito bem que ele anda por aí, algures num lugar longínquo e com muito frio…LapôniaPólo Norte, Nuvem do Pai Natal, Terra do Frio ou Caminho das Estrelas…são muitas as moradas com destino à casa desta lendária figura,  que povoa o imaginário das crianças.

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Ilustração de Anne Yvonne Gilbert. Descrição da ilustração: Pai Natal sentado a ler. As renas espreitam atrás de si. Ao lado, mesa com cachimbo e chávena com bebida quente.

A carta para o Pai Natal, para além de ser um momento marcante na vida de muitas crianças, constituí uma importante experiência de literacia. Muitas vezes, esta é a primeira oportunidade das crianças escreverem uma carta, um meio tradicional de comunicação que nos dias de hoje já não é muito usual.

À semelhança de muitas crianças de todo o país, a Eva escreveu uma carta ao seu amigo barbudo. E mais uma vez contactou com o braille, reforçando o significado da escrita.

Partilhamos este momento mágico (mas só um bocadinho!)

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Descrição da fotografia: Eva sorri a escrever a carta. Como ainda só tem 3 anos precisou de uma ajudinha.

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Descrição da fotografia: A carta está pronta! A Eva tira a folha da máquina braille.

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Descrição da fotografia: Carta da Eva ao Pai Natal (braille e negro). Pode ler-se: “Querido Pai Natal” (restante conteúdo da carta desfocado).

 

Falta muito pouco tempo para o grande dia… Toca a incentivar os mais pequenos a escrever  cartas ou postais e a fazer do natal uma oportunidade para a literacia!

 

Desenvolver competências táteis em superfícies bidimensionais

De acordo Meuwes (1999), o uso da imagem táctil em livros adaptados para crianças com cegueira tem uma dupla função: abrir as portas da imaginação e criatividade e preparar ou reforçar a aprendizagem da leitura.

Miller (1985), reconhece que os livros geram motivação, envolvendo as crianças  e ajudando-as a desenvolver a consciência da escrita. Para além disso, o desenvolvimento de competências táteis e motoras é enriquecido pelo uso de livros.

Partiu-se destes pressupostos para desenvolver um conjunto de atividades com base na história “O Nabo Gigante”, de Alexis Tolstoi.

Estas atividades transportam a criança para o contexto narrativo da história, ao mesmo tempo que desenvolvem competências no domínio tátil e manipulativo, em superfícies bidimensionais. Trabalho muito relevante para aquisição de pré-requisitos do braille.

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Descrição da fotografia: Do lado esquerdo, duas atividades táteis, em folhas A4. Na 1ª atividade são apresentados à criança 3 nabos de diferentes tamanhos; a criança deverá posicioná-los por ordem de tamanho (crescente e decrescente) em tira horizontal de velcro. Na 2ª atividade é apresentada à criança representação da horta dos velhinhos; cenouras táteis estão parcialmente escondidas; a criança deverá proceder à colheita das cenouras, contando-as.

 

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Descrição da fotografia: Atividade  tátil; na folha pode ler-se: “1 grande vaca castanha” a negro e a braille. A criança tem de associar o número de autocolantes ao número de animais correspondentes.

 

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Descrição da fotografia: Atividade tátil de seguimento. Criança deverá percorrer caminho até chegar à casa dos velhinhos. O caminho é feito com “composições” em braille. Casa dos velhinhos permite que a criança abra a porta e as janelas.

 

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Descrição da fotografia: Mãos de criança exploram atividade tátil, em  plano bidimensional. Criança percorre um caminho horizontal, até chegar aos feijões.

 

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Descrição da fotografia: Plano aproximado de criança a explorar tatilmente feijão.

“O Nabo Gigante”

Com o frio a chegar, começa a apetecer uma bela sopa quentinha… E se a sopa fosse de nabo? De um nabo gigante?

O Nabo Gigante, um conto original russo, recolhido por Alexis Tolstoi no séc. XIX, tem os ingredientes de um conto popular verdadeiramente hilariante, acompanhando a aventura de um simpático casal de velhinhos, que se desdobram em esforços para colher um nabo… um nabo GIGANTE!

Este conto viajou até  um  jardim-de-infância da zona centro do país e as crianças adoraram.

A adaptação contemplou:

  • Livro com texto em braille (optámos por colocar o braille em folha acetato sobre o texto do livro original);
  • Caixa de histórias (levámos connosco a velhinha, o carro de mão, os legumes da horta, as etiquetas dos legumes);

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  • Dramatização (puxamos e içamos e sacudimos e puxamos com mais força. Mas o nabo continuava a não se mexer.)
  • Visita à horta (onde cruzamos fantasia e realidade).
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Descrição da fotografia: Criança tenta colher nabo da horta – puxou e içou e sacudiu e puxou com mais força. Mas o nabo continuava a não se mexer. 

É tão bom levarmos histórias a todos…Mais uma vez, a caixa de histórias, a possibilidade de experimentar a história com o corpo (através da dramatização) e o contacto com a realidade, facilitaram a compreensão da narrativa e a construção de significados por parte da criança com cegueira.

Baús de Leitura “6 Pontos a Dançar, Contos vão Contar” – Pontos de Honra

E para terminar…

Ponto de Honra nº6: Livros para Todos

Um livro deve ser apelativo, deve conquistar a atenção da criança e a sua vontade para o abrir e explorar. Procuramos, dentro do possível, que os livros que disponibilizamos sejam esteticamente apelativos para todas as crianças.

A negro e a braille, com ilustrações táteis e visuais, estes são livros para todas as crianças! Livros para ler com as mãos, com os olhos, mas principalmente com os 5 sentidos.

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Descrição da fotografia: Atividade de mediação da leitura numa turma de pré-escolar. Crianças em roda escutam uma história, olhando atentamente para o livro. A  Joana, uma criança com cegueira, explora tatilmente as ilustrações tatéis do mesmo.

Baús de Leitura “6 Pontos a Dançar, Contos vão Contar” – Pontos de Honra (continuação)

Ponto de Honra nº5: Acessibilidade

Acreditamos que é importante criar livros adequados ao contexto percetivo da criança com cegueira. Acreditamos de igual forma, que isso significa procurar modelos de ilustração tátil que se afastem da cultura visual e se aproximem de experiências multissensoriais, propriocetivas e cinestésicas (modelo háptico). Trata-se da apropriação do objeto ilustrado de maneira sensorial, interativa e lúdica.

Valorizamos de igual forma, formatos alternativos para mediar histórias: áudio, caixa de histórias, jogos corporais, dramatização…

Procuramos que o livro e, toda e qualquer forma de mediação de leitura, sejam uma janela para o mundo.

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Fotografia de uma janela, pintada a verde água, com dois vidros: em baixo vidro fosco, em cima vidro transparente. Desenho de menina, a carvão, que olha pelo vidro de cima. Trabalho da ilustradora francesa, Nathalie Choux.

Baús de leitura “6 Pontos a Dançar, Contos vão Contar”

No âmbito do projeto da Oficina de Literacia Emergente para a Cegueira, apresentamos os baús de leitura: um conjunto de livros acessíveis à criança com cegueira ou deficiência visual grave, que irão percorrer, em itinerância, vários territórios de leitura das crianças acompanhadas pelo CAIPDV (Centro de Apoio à Intervenção Precoce na Deficiência Visual).

Um projeto carregadinho de histórias, que desejamos que se multipliquem, pelos caminhos da literacia.

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Que com estes baús, as nossas crianças conquistem, até os ursos, com as suas histórias… “Posso contar-te uma história, Sr. Urso?”

Noemí Villamuza  Que gozem do cheiro de um bom livro…

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Que fiquem de cabelos em pé, pelas vibrações da fantasia…

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Ilustrações de Noemí Villamuza

Ao longo das próximas semanas, iremos publicar no blog, os 6 pontos de honra destes baús de leitura. O que motivou o seu nascimento? O que preconizam?

Não perca ponto, destes baús e até breve.

A primeira criação da OLEC é muito comilona!

“A natureza é um elemento de referência constante na obra de Eric Carle, que também introduz conceitos de utilidade para que as crianças aprendam a mover-se no mundo que as rodeia.“ (Kalandraka Editora, in ficha técnica A lagartinha muito comilona)

Anda por aí uma lagartinha muito comilona…

A OLEC meteu mãos à obra e adaptou este clássico da literatura infantil para mãos afinadas poderem sonhar. A adaptação comtemplou o texto em braille e ilustrações táteis. Paralelamente foi também construída uma caixa de histórias.

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Na passada terça-feira, algures num palco de um contexto natural, experimentámos esta história e as crianças aprovaram! 😉

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