Toque Ativo nas Primeiras Idades

É de conhecimento geral que o toque é essencial para crianças com cegueira, de forma a que reúnam informações sobre o meio e realizem todas as tarefas diárias. O toque fornece informações não só sobre as características dos objetos (forma, tamanho e textura), mas também sobre aspetos funcionais dos mesmos, nomeadamente no que concerne à possibilidade de serem usados ​​como ferramentas. Além disso, no quotidiano as competências táteis são essenciais para que a criança seja autónoma e tenha uma vida o mais independente possível (Withagen et al., 2010).

Tendo em conta as premissas exploradas anteriormente, é importante estimular a criança em diversas atividades manipulativas de forma a que a criança desenvolva o toque ativo (háptico).

A criança deve ser curiosa do ponto de vista tátil e o adulto deve promover essa curiosidade. Abaixo seguem exemplos de materiais que podem despertar a vontade de tocar e manipular.

Bolas, animais e cubos sensoriais: com formatos distintos, cores e tamanhos, este material é adequado a crianças mais pequenas (bebés). São concebidos em textura macia, leve, fácil de segurar e manipular por mãos pequeninas. Este material pode ser interessante para que o bebé perceba a diversidade de formas, desenvolva a coordenação bimanual e destreza.

Caixas Musicais de empilhar: Uma verdadeira orquestra! Se a criança apreciar o estímulo sonoro, este material vai também incentivá-la a tocar. As caixas de música encaixáveis permitem que a criança toque bateria, xilofone, maracas, reco-reco e pratos! Empilháveis, permitem e manipulações distintas de forma a produzir sons. As caixas de diferentes tamanhos permitem ainda que a criança desenvolva conceitos de grandeza, ordem/sequência e memória auditiva.

Caixa com formas geométricas e magnéticas: Nesta pequena caixa, a criança vai encontrar diferentes formas, com as quais poderá associar formas iguais, reproduzir sequências e padrões, representar esquemas ou mapas, realizar contagens ou até criar novas formas inventadas em exercício criativo. Fáceis de colocar pois são magnéticas, estas peças facilita a organização espacial da criança com cegueira; por se fixarem numa posição, será mais fácil para a criança ter um referencial.

Aqui ficaram 3 exemplos de brinquedos que despertam a curiosidade tátil e o toque ativo, para várias fases do desenvolvimento/faixa etária da criança. Brinquem muito!

Bibliografia:

Tactile Functioning in Children Who Are Blind: A Clinical Perspective, acesso em: https://www.tactielprofiel.nl/VisioTP/media/VisioTP/Documenten/Tactile-functioning-in-children-who-are-blind.pdf

Audio-Livros: autonomia para escutar

Em artigos anteriores já sugerimos os audio-livros como forma da criança com cegueira ou défice visual grave aceder ao livro e à história. Apesar do crescente mercado neste domínio e da disponibilização on-line de algumas histórias em formato audio ou vídeo, nem sempre é fácil encontrar estes suportes com a qualidade ou com conteúdo pretendido.

De facto estes suportes, quando a criança tem interesse por histórias e gosta de ouvir contar, podem ser um estímulo extra à autonomia no processo da escuta da história bem como um contributo para diversificar os meios pelos quais a criança acede à história.

Foi por estes motivos que nos chamou à atenção um novo produto no mercado. Os audio-livros da Salvat. Os mesmos incluem um livro ilustrado (que poderá ser adaptado com o texto em braille por profissionais e famílias), uma coluna com altifalante e o personagem principal de cada história. Depois, só é preciso colocar o protagonista da história no encaixe da parte superior da coluna para ativar o som e ouvir a história.

Ver mais informação no documento de apresentação do produto (abaixo).

Os personagens em miniatura são uma mais valia para a criança com cegueira. Ainda que a criança com cegueira não os consiga perceber tatilmente da mesma forma que uma criança normovisual perceberá o todo, haverá certos detalhes táteis que ajudarão a criança a identificar o personagem (exemplos: a pena no topo do chápeu do Gato das Botas; as orelhas e o rabo retorcido do Porquinho; o nariz comprido do Pinóquio, etc.). Ajude a criança a identificar o personagem e a perceber os detalhes principais e mais característicos da figura. Estes detalhes serão essenciais para a criança fazer a discriminação tátil de cada uma das figuras.

Pode encontrar este recursos em quiosques e papelarias ou no site:

https://pt.salvat.com/cole%C3%A7oes/audiocontos/

Preparar a entrada de uma criança com cegueira no jardim-de-infância

O ano lectivo inicia e nesta fase muitas educadoras e professores especializados começam a preparar o acolhimento das suas crianças. Receber uma criança com cegueira poderá constituir um desafio positivo para muitos contextos educativos, que começam a trabalhar nas adaptações necessárias para que a criança se sinta segura e confortável e realize as aprendizagens propostas.

Da experiência da equipa destacamos alguns aspectos que nos parecem importantes para uma plena inclusão e uma participação ativa em contexto de sala de aula:

  1. Transmitir confiança e segurança na presença da criança na escola;
  2. Escutar o que a criança tem para nos dizer e colocar-se no lugar da própria;
  3. Apresentar à criança os coleguinhas e equipa educativa de proximidade, permitindo à criança o toque e descrevendo algumas características de cada pessoa. Deixar que cada pessoa, fale espontâneamente, pois o tom de voz e o estilo discursivo de cada um, vão ajudar a criança a fazer o reconhecimento de pares e adultos;
  4. Apresentar a escola à criança, permitindo-lhe explorar cada uma das áreas. A constituição de cada área deve ser clara e permitir a mobilidade da criança;
  5. Tentar manter a disposição dos móveis nos espaços que a criança frequenta e caso seja necessário alterar a configuração dos espaços, revisitar os espaços com a criança, enunciado alterações;
  6. Evitar colocar obstáculos no caminho (cadeiras, brinquedos) para que a criança seja autónoma na mobilidade em sala. Os pares podem ser também sensibilizados para essa questão;
  7. Manter portas sempre fechadas ou sempre abertas e dar essa informação à criança;
  8. Em espaços mais amplos, como corredores, entradas de WC, refeitório, etc., colocar símbolos tangíveis que funcionarão como pistas de referência na deslocação e orientação do espaço;
  9. Manter um discurso ativo e descritivo daquilo que se passa na sala para que a criança se mantenha conectada e envolvida com o que se passa em seu redor;
  10. Evitar usar exclusivamente gestos e expressões faciais para transmitir informação importante;
  11. Verbalizar o nome da criança/adulto para quem se está a dirigir o discurso;
  12. Colocar jogos com pequenas adaptações à disposição da criança;
  13. Identificar caixas fechadas com o seu conteúdo; os símbolos tangíveis podem ser uma boa opção (exemplo: na caixa dos carrinhos, colar com velcro um carrinho miniatura);
  14. Passar a principal informação escrita para braille. O papel autocolante de encadernação de livros, permite a colagem do braille por cima do negro, mantendo-se a “integridade” dos dois códigos de escrita;
  15. Introduzir na biblioteca livros em braille e com ilustrações táteis;
  16. Criar caixa com papéis e materiais texturados para que a criança realize produções gráficas e trabalhos manuais;
  17. Providenciar materiais alternativos para desenho (canetas com cheiro ou relevo; borracha de desenho e punção para traçados em relevo positivo; cartolina canelada para por por baixo da folha e conferir textura nos traçados, etc.);
  18. Interagir com naturalidade e usufruir da interacção com a criança.

Estes são alguns pontos que nos parecem importantes para a integração da criança. De certo que haverá muitos mais e no decorrer do contacto com a criança, outras necessidades vão surgindo bem como outras respostas e estratégias criadas “in loco”.

Bom trabalho e bom recomeço!!

Atividades Pré-Braille

Apresentamos uma atividade simples de pré-braille que parte das motivações da criança. Defendemos sempre que, quando investimos na construção de material que parte dos interesses da criança, há um envolvimento maior e, por consequência, um maior prazer e sucesso no processo de desenvolvimento da atividade. Foi com base neste fundamento que tornamos protagonistas de atividades de pré-braille as duas cabrinhas do nosso Santiago (Flor e Estrelinha).

Esta imagem tem um texto alternativo em branco, o nome da imagem é img_3355.jpg

As mesmas foram representadas com cartão, evidenciando-se as suas principais características. Cada cabrinha tinha uma coleira com o símbolo figurativo do seu nome (uma estrela e uma flor construídas em goma eva). A criança tinha ainda os nomes em braille e poderia acrescentar a cada uma das “coleiras” dos animais. Esta atividade tem como objetivo sensibilizar a criança para a representação simbólica, que terá o seu apogeu quando a criança iniciar o processo de leitura e escrita em braille (código convencionado).

Kraemer explica o processo gradativo da representação simbólica:

A criança vivencia, reconhece e posteriormente intelectualiza. As atividades de representação simbólica são necessárias, elas favorecem a integração das sensações, dos conceitos, das aquisições. Os símbolos gestuais e auditivos precedem o símbolo gráfico.
Este último será particular ao grupo e apenas será compreendido pelas crianças que o constituírem. Mais tarde, os exercícios de representação simbólica irão enriquecer através de um código mais global: a leitura do Braille.

(Tradução Livre, Kraemer, 2009)

Ao nível da consciência fonológicacapacidade para refletir sobre as subunidades fonológicas que compõem as palavras e as frases (as sílabas, ataques/rimas e sons), permitindo uma reflexão sobre a estrutura fonológica da linguagem oral, independente do seu significado (Fitzpatrick, 1997; Hester & Hodson, 2009), foram trabalhadas as seguintes dimensões:

  • Consciência das Palavras – identificação, segmentação, contagem e manipulação das palavras nas frases (Rios, 2011) Apresentação do nome dos animais em braille – identificação dos nomes pela extensão da palavra (número de sílabas); Associação da palavra ao símbolo figurativo);
  • Consciência Intrassilábica – identificação de palavras que rimam/não rimam, produção de rimas e divisão das sílabas em ataque e rima (Rios, 2011) Apresentação de várias imagens táteis. A criança tinha de identificar e assinalar com autocolante as palavras que rimassem com “Estrelinha”.

Brincar com as palavras torna-se mais divertido quando temos como companhia algo que nos diz tanto!

Bibliografia:

Fitzpatrick, J. (1997). Phonemic awareness. Playing with sounds to strengthen beginning reading skills. Creative Teaching Press, Inc.: Cypress, CA.

Hester, E. & Hodson, B. (2009). Metaphonological awareness: enhancing literacy skills. em Rhyner, P. (Eds) Emergent literacy and language development. Promoting learning in early childhood. Nova Iorque: The Guilford Press. pp. 78-103.

Rios, A. (2011). Programa de promoção do desenvolvimento da consciência fonológica. Viseu: PsicoSoma.

 Kraemer, C. (2009). Approche de la lecture à fleur de peau ou La pré-lecture Braille. Les Doigts qui Rêvent: Talant.

Adaptação de Livros Sonoros

Nem sempre é fácil encontrar livros acessíveis para crianças com cegueira, o que leva a equipa a pensar em formas de adaptação de materiais já existentes no mercado.

Hoje trazemos a nossa experiência de adaptação com livros sonoros para as primeiras idades. Por norma, as crianças ficam motivadas pela exploração destes livros pela componente auditiva e poderemos torná-los ainda mais apelativos, colocando o texto em braille e associando às ilustrações principais texturas representativas da ilustração.

O exemplo que apresentamos é um livro sobre alguns animais da quinta. As texturas escolhidas foram pensadas por aproximação ao revestimento do animal. Salientamos que são apenas texturas representativas e aproximadas. Se a criança tocasse em cada um dos animais reais, teria uma experiência tátil muito distinta à que tem ao explorar o livro. É difícil conseguir esta proximidade tátil ao item representado, mas já existem tecidos e outros materiais no mercado que imitam de forma satisfatória a textura real. Ao escolher textura, devemos sempre lembrar-nos da importância da experiência que temos ao tocar, essa é mais relevante que a experiência visual.

Este tipo de formato não anula, no entanto, a estética visual do livro e, por isso, é um formato excelente para partilhar com pares, com irmãos, vizinhos, etc. É um formato para todos!

Salientar, também, que se optou por não fazer a representação tátil do animal, dada a complexidade das figuras e dada a dimensão do livro. Não devemos esquecer-nos da importância da simplicidade e da inutilidade de “colorir com texturas”.

A introdução de texturas tem assim por objectivo despertar o interesse da criança pela experiência tátil no livro e associar uma textura ao revestimento de um animal. Todas as texturas escolhidas têm um toque diferenciado.

O texto principal foi colocado em braille através de papel autocolante. Este material facilita imenso a tarefa de colagem para além de permitir a manutenção do texto a negro e da ilustração visual.

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Título: O meu livro sonoro: A quinta

Autor: Charlie Pop

Editora: Jacarandá

Material necessário à adaptação: Máquina braille; papel autocolante transparente (espessura 100 – Sadipal); tecidos com texturas diversificadas; fita cola dupla face; tesoura.

Fotografia do material utilizado na adaptação

Fotografias das páginas adaptadas:

Detalhe da introdução do braille com papel autocolante.

De forma simples, famílias e profissionais poderão aumentar as bibliotecas das suas crianças, desde cedo!

Criança explora capa de livro sonoro.
Criança explora tatilmente uma das páginas do livro.

Agora sim, já podemos imitar os sons dos animais e aprender coisas sobre eles!

Bom trabalho e boas leituras.

Livro para as primeiras idades: “Os meus objetos”

Na fase inicial do processo de literacia de crianças com cegueira ou défice visual grave, objectos reais podem constituir livros táteis ilustrados que remetam para experiências e ações da criança no seu dia-a-dia.

Os objetos poderão ser anexados a cada página (opte por velcro), para que a criança possa explorar cada item e interagir tatilmente com ele. No livro que apresentamos, foram escolhidos em conjunto com a família, objetos que a criança utiliza frequentemente e sobre os quais já faz reconhecimento tátil e uso pela sua função.

A temática destes livros de objetos pode ser diversa. Neste exemplar foram escolhidos objetos familiares de rotinas aleatórias. Mas também podem ser criados livros sobre rotinas específicas (banho, alimentação, ida para a cama, etc. ) ou livros que remetam a experiências específicas que a criança tenha vivenciado (ida ao parque, fazer um bolo, etc.).

Explore o livro página a página, conversando com a criança sobre os objectos presentes no mesmo. Paralelamente, pode desafiar a criança a discriminar tatilmente os seus próprios objetos.

Ver outros exemplos, aqui:

Livro sobre o banho

Livros de Experiência Táteis

Capa: pode ler-se a negro e a braille o título do livro “Os meus objetos”
Lado esquerdo: imagem de chupeta, lê-se a negro e a braille: “Chupeta”. Do lado direito chupeta real.
Lado esquerdo: imagem de babete, lê-se a negro e a braille: “Babete”. Do lado direito babete real.
Lado esquerdo: imagem de pente, lê-se a negro e a braille: “Pente”. Do lado direito pente real.
Lado esquerdo: imagem de laço, lê-se a negro e a braille: “Laço”. Do lado direito laço real.

Livro para as primeiras idades: “Com as mãos, eu toco”

Este é um livro construído artesanalmente que concebemos para as primeiras idades da criança com cegueira ou défice visual grave. Pretende ser um estímulo a que a criança toque e explore superfícies com texturas diferenciadas.

Entre o ano e os dois anos, a criança começa a reconhecer as partes do corpo, e este livro alerta a criança para as mãos! Com as suas mãos, a criança poderá tocar e experienciar a riqueza sensorial de texturas representativas e do mundo. O livro abre, ainda, portas para a adjectivação e as sensações decorrentes do toque. O que me desperta o toque nesta textura?

Um livro para ler ao colo da família, aconchegado na cama ou até em roda no parque! Mas um livro que podemos transportar para o mundo, conhecendo com as mãos o que nos rodeia. Queremos muito estimular mãos curiosas! Com as mãos, eu toco! E tu? Vem conhecer e tocar também!

Capa: Mãos em feltro, título a negro e a braille “Com as mãos, eu toco”.
Mãos em feltro, a negro e a braille lê-se:”Com as mãos, eu toco” (página esquerda); textura relva artificial, a negro e a braille lê-se:”Na relva…Faz cócegas!”
Mãos em feltro, a negro e a braille lê-se:”Com as mãos, eu toco” (página esquerda); textura goma eva rugosa amarela com brilhantes, a negro e a braille lê-se:”Na areia…Faz arranha!”
Mãos em feltro, a negro e a braille lê-se:”Com as mãos, eu toco” (página esquerda); textura papel celofane azul, a negro e a braille lê-se:”Na água…Shap, shap!”
Mãos em feltro, a negro e a braille lê-se:”Com as mãos, eu toco” (página esquerda); espelho, a negro e a braille lê-se:”No espelho… Cucu, sou eu!”
Mãos em feltro, a negro e a braille lê-se:”Com as mãos, eu toco” (página esquerda); cobertor que a criança pode manipular e almofada, a negro e a braille lê-se:”No cobertor da minha caminha… Oh tão bom! Na minha caminha, vou descansar quentinha”

Na exploração do livro, incentive a criança a levantar as mãos no ar e a girá-las cada vez que lê: “Com as mãos”; quando lê “eu toco” poderá incentivar a criança a colocar as mãos no seu peito (ajuda a criança a perceber pronome pessoal “eu”), seguindo-se o toque na textura apresentada no livro. Leia com melodia e diferentes entoações… Deixe a criança participar. A leitura deve ser um momento de partilha e de alegria.

Poderá ser interessante explorar cada cenário apresentado no livro no contexto natural da sua criança. Explorem cada um dos cenários, usando o mesmo vocabulário e ampliando-o com palavras novas decorrentes da exploração.

Criança explora folhas de uma hera.
Criança explora água de um riacho.
Criança explora cobertor da sua caminha.

O Bebé com Cegueira: O Afeto como Colo da Literacia (Parte II)

El niño se halla inmerso en un universo relacíonal, y estas relaciones con los demás están estrechamente ligadas a su actividad motriz y sensoriomotriz. Poco a poco, gracias al movimiento, el niño va adquiriendo una experiencia de cuanto lo rodea, al tiempo que desarrolla comportamientos que suponen una relación inteligente con el entorno. (Leonhardt, 1992)

No último artigo abordámos a importância do contacto físico, do toque, da linguagem e da sonoridade da voz para o bebé com cegueira. Ver artigo anterior, aqui. Hoje partilhamos algumas ideias práticas para colocar estes fundamentos em prol do desenvolvimento do bebé. Como salienta Mercé Leonhardt, referência no estudo do desenvolvimento do bebé com cegueira, trata-se de ligar o espaço físico a um espaço relacional, imprescindível para o bebé sentir segurança e se aventurar na descoberta do mundo.

Pensando na importância do toque e do contacto físico para o bebé com cegueira, teremos que nos reportar ao desenvolvimento do sistema proprioceptivo. O sistema proprioceptivo recebe informação proveniente das terminações nervosas localizadas nos músculos, tendões e articulações, permitindo que o bebé tenha consciência da sua posição no espaço. Torna-se um sistema fundamental para o desenvolvimento da consciência do corpo e controlo dos movimentos.

Os panos de transporte, as tranças de berço e as massagens são boas opções para o corpo do bebé estar em contacto com o outro/meio e para que o bebé se sinta mais contido e envolvido. Enquanto que a trança de berço permite aconchegar o bebé de forma a que este sinta os limites do seu corpo, os panos de transporte permitem o contacto direto com o corpo da mãe/cuidador. Os panos de transporte permitem, ainda, uma interação mais próxima de um para um, onde o bebé sentirá o corpo da mãe/cuidador, terá as mãos livres para a exploração tátil e ficará bem perto do interlocutor para conversas próximas e afetivas (ouvirá a melodia da voz, as vibrações e alcançará a boca do interlocutor, percebendo que daí provem a voz). As massagens ao bebé com cegueira ou défice visual grave constituem também uma excelente oportunidade de desenvolvimento do sistema proprioceptivo. Neste momento, o bebé tomará maior consciência das partes do seu corpo.

O movimento é também importante na vida do bebé. E é aqui que entra o sistema vestibular. O sistema vestibular, cujas estruturas se localizam no ouvido interno, tem como principal função “avisar o corpo” quando este está em desequilíbrio ou em movimento, tendo, portanto, um papel crucial no equilíbrio, postura, planeamento motor, lateralização e coordenação bilateral.

Para sugestões relacionadas com o desenvolvimento deste sistema, em conjugação com o sistema auditivo e o desenvolvimento da linguagem, optámos por sugerir lengalengas com movimento. As lengalengas são uma cantilena, uma rima ou um texto curto, nas quais se repetem determinadas palavras ou expressões que permitem que as mesmas sejam decoradas com facilidade.

Experimente brincar com o seu bebé com estas lengalengas. Não se esqueça de usar um tom de voz melodioso e diferentes tons de voz!! Divirtam-se.

Bichinho Gato

Bichinino gato (festinhas no bebé)
O que é que comeste?
Sopinhas de mel!
Não me guardaste.
Sim te guardei.
Com o que tapaste
Com o rabo do gato.

Shap, shap, shap, shap ( fazer cócegas na barriga do bebé)

Dão balalão

Dão badalão, cabeça de cão,
Orelhas de gato, não tem coração.

(…)

Dlim, dlão, dlim, dlim, dlão!
Vai casar o João Ratão,

Os dois sinos tocarão:
Dlim, dlão, dlim, dlim, dlão.

Toca, toca o sacristão,
Toca, toca o sinão: Dlim, dlão, dlim, dlim, dlão.

Vai casar o João Ratão
No dia de S. João.

Durante a lengalenga poderá embalar o seu bebé nos braços. No caso de bebés com mais idade, poderá também usar um lençol e balançá-lo suavemente para um lado e para outro, para cima e para baixo.

Para o bebé com cegueira, a segurança sentida no espaço físico e no espaço relacional, promovidas pelo afecto, serão sempre o melhor colo da literacia. Tudo começa no berço, no colo!

Bibliografia:

Leonhardt, M. (1992). El bebé ciego. Barcelona: Mason.

O Bebé com Cegueira: O Afeto como Colo da Literacia (Parte I)

Sensível à modulação da voz, o recém-nascido se alimenta – desde o terceiro mês de gestação – da linguagem, verdadeiro património cultural da humanidade.

Evélio Cabrejo-Parra (2011)

Sendo a visão um sentido integrador da informação captada no meio, a ausência da mesma constitui um desafio ao desenvolvimento da criança com cegueira. Vários autores têm destacado que a chave para o pleno desenvolvimento e sucesso da criança com cegueira está na qualidade das interações com o meio e cuidadores bem como na apropriação/conhecimento do meio e, em última instância, do mundo mais e, gradualmente, menos próximo.

Ora este trabalho de intrusão da criança no mundo começa desde o berço, desde o colo da mãe/cuidador, que é também o primeiro colo da literacia e elo de ligação com o mundo. O desenvolvimento da criança com deficiência visual começa a estruturar-se desde o nascimento a partir das competências de exploração bem como das influências do seu ambiente (Cunha & Emuno, 2003, cit. França-Freitas & Gil, 2012). Nos primeiros anos de vida a integração sensorial, a sintetização e a interpretação das informações fornecidas por outros canais perceptivos devem ser amplamente exploradas pelos cuidadores da criança com cegueira (Souza et al., 2010, cit. França-Freitas & Gil, 2012).

Com este artigo pretende-se, de forma sumária, explicitar a forma como o bebé com cegueira se liga ao mundo. Perceber esta conexão é essencial para que os cuidadores usem as ferramentas adequadas desde o início de vida do bebé. E de facto percebe-se que o afeto é o colo da literacia, é o primeiro veículo que o bebé tem para conhecer o meio e se expressar, ainda que inicialmente de forma muito primária. Destacam-se os sentidos da audição e do tato como principais catalisadores deste afecto nos primeiros meses de vida do bebé. Mas afinal como se processam estas ligações?

O bebé ouve os sons do seu meio e estes vão-lhe dando uma série de conhecimentos. Ouvir proporciona uma certa orientação sobre a direção e a distância sobre a qual se encontra o objeto sonoro, mas pouca informação sobre as suas qualidades (forma, tamanho, cor, posição no espaço, etc.), especialmente quando não se pode relacionar com experiências e conhecimentos anteriores. Não resta, no entanto, dúvida sobre a importância do sentido auditivo para a organização das primeiras experiências do bebé: o bebé no berço ouve os passos da mãe, ouve a sua voz em diálogo, percebe a sensação do seu corpo quando a mãe o pega ao colo, a pressão, o afeto… e estas sensações configuram-se experiências  em que o bebé recolhe informação e compreende o meio/situação (Leonhardt, 1992).

Nos primeiros meses, a voz da mãe funciona como estímulo emocional daí a importância da conversa, que a mãe/cuidador conte histórias e cante para o bebé.

Desde o nascimento, os bebês são atraídos pela musicalidade da voz. Bebês recém-nascidos se alimentam da fala.

Para aprender uma língua, é necessário ter ouvido alguém falar. O bebê necessita que falem com ele.

Excerto “A pequena história dos bebês e dos livros” (2013)

música

Ao balbuciar, o bebê cria a sua própria música, a sua própria melodia e, apoiando-se nas vozes daqueles que o cercam, vai construindo sua própria voz. Os adultos compreendem essa música e dialogam com o bebê através da sonoridade da língua, pela modulação da voz. 

Excerto “A pequena história dos bebês e dos livros” (2013)

balbuciar

O bebê tem sede de ritmos. Ele gosta do que acontece regularmente: a presença e ausência da mãe, o ritmo das refeições, a alternância do dia e da noite… Ele adora os refrões, as cantigas de ninar, parlendas e brincadeiras de linguagem. 

Excerto “A pequena história dos bebês e dos livros” (2013)

ritmo

Quando a mãe produz  sons suaves com a boca, se a mão do bebé estiver por perto, começará a fazer tentativas para tocá-la e, notando as vibrações e os sons, pode deixar a sua mãozinha quieta sobre a sua boca, iniciando assim o princípio da futura competência de coordenação mão-ouvido (Leonhardt, 1992).

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Na ausência da visão, e do contacto visual bebé-cuidador, o contacto físico ganha especial relevância. O sistema tátil concretiza a presença do outro/do cuidador. O tato é o símbolo do contacto físico e da presença afetuosa do outro, tão importante para as crianças com cegueira. Nas primeiras idades, o tato permite reconhecer o outro através das suas características.

A boca, região especialmente sensível, concentra as sensações mais intensas de prazer e conhecimento nas primeiras idades e nas crianças com cegueira poderá prolongar-se um pouco mais no tempo (Leonhardt, 1992).

O bebé começará a dar significado muito precocemente a certas perceções táteis. As suas mãos começam a especializar-se em contato com as da sua mãe. Estes contatos serão os primeiros passos do bebé na construção do sistema háptico. É importante que a mãe e as figuras mais próximas “joguem” com as mãos da criança neste contacto, conferindo afeto, comunicação, calor, suavidade, sensações prazerosas, informação. Aos poucos, o bebé começará a diferenciar os diferentes toques e a expressar agrado e desagrado com o contacto com o outro (ibidem.)

O afeto é, assim, o colo da literacia do bebé com cegueira: pela voz e pelo toque afectuoso do cuidador, o bebé vai construindo conhecimento e, com segurança, descobrindo o mundo.

Não perca no próximo artigo algumas sugestões práticas para embalar o seu bebé, com afeto, no colo da literacia.

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Referências Bibliográficas: 

A pequena história dos bebês e dos livros (2013). Acesso em: https://revistaemilia.com.br/a-pequena-historia-dos-bebes-e-dos-livros/

Entrevista a Evélio Cabrejo-Parra (2011). Acesso em: https://revistaemilia.com.br/evelio-cabrejo-parra/

França-Freitas, Maria Luiza Pontes de, & Gil, Maria Stella Coutinho de Alcântara. (2012). O desenvolvimento de crianças cegas e de crianças videntes. Revista Brasileira de Educação Especial, 18(3), 507-526. https://doi.org/10.1590/S1413-65382012000300010

Leonhardt, M. (1992). El bebé ciego. Barcelona: Mason.

Percurso Tátil: Uma Caminhada para o Seguimento

Hoje apresenta-se um percurso tátil que a criança pode explorar com o corpo todo e com um objeto mediador. Esta é uma atividade que tem como objetivo o desenvolvimento de competências de exploração tátil e o desenvolvimento de competências de motricidade fina/destreza manual, essenciais ao refinamento dos comportamentos exploratórios do tacto e em, última, instância à aprendizagem do braille.

O percurso foi construído com placas de cartão revestidas de diferentes materiais, que simulam diferentes texturas com que nos cruzamos no nosso dia-a-dia. Goma eva com brilhantes rugosa (areia); pedrinhas pequenas (pedrinhas); relva artificial (relva); farinha maizena dentro de tecido branco (neve). A essas placas foi ainda introduzido um caminho contínuo com veludo preto, de forma a dar a sensação tátil e visual de continuidade e de percurso, que permitirá à criança “andar” na estrada.

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Sugestões para o desenvolvimento da atividade: 

  • Comece por explorar cada placa individualmente, conversando com a criança sobre a sensação tátil que experimenta: “é rugoso, arranha nos nossos dedos, tal como a areia”, por exemplo.
  • Deixe a criança explorar livremente, apercebendo-se das dimensões da placa e de parte do percurso construído com o veludo.
  • Depois montem as placas numa sequência horizontal;
  • Revisitem o trajeto completo, descrevendo as “paisagens” táteis que atravessam ( a areia, as pedras, a relva e a neve);
  • Pode brincar com a criança, entoando a sequência das palavras táteis por memória (ou com voz grossa, ou com voz fininha, muito alto ou baixo); estará desta forma a contribuir para a memória tátil e auditiva da criança. Deixe a criança liderar a brincadeira, tape os seus olhos e é a sua vez! A criança junto das placas avalia a sua prestação. Às vezes também é divertido invertermos papéis.
  • Agora é a hora de brincar com o percurso propriamente dito, exercitando mecanismos preparatórios para a aprendizagem da escrita braille. O Terapeuta Ocupacional Marco Leão explica a importância do envolvimento dos sistemas tátil e propriocetivo para as capacidades de motricidade fina que antecedem a escrita a negro. Reitera-se a sua importância como pré-requisito para a aprendizagem do braille.

As capacidades de motricidade fina desenvolvem-se durante o brincar com atividades construtivas e que envolvam o sistema tátil (ou sentido do toque) e o sistema propriocetivo (ou sentido da consciência do corpo).

Quanto mais oportunidades a criança tem de se envolver em atividades em que use as suas mãos para explorar o ambiente e objetos, mais ela estará a desenvolver as suas capacidades manuais e de motricidade fina e consequentemente mais preparada vai estar para as exigências da escrita!

(Leão, 2019)

  • Ajude a criança a seguir com as duas mãos o percurso de veludo, uma a seguir à outra;
  • Posteriormente, brinque com a criança pedindo-lhe que utilize apenas o dedo indicador da mão esquerda, depois da direita;
  • Podem também brincar com um objeto mediador, neste caso escolhemos um carrinho. Pode ser mais difícil para a criança usar o objeto, porque terá de ter percepção do percurso com uma mão e acompanhar o movimento com o carrinho simultaneamente. Mas incentive a criança e divirtam-se! Se o carro sair do trajeto, não é grave, o processo é o mais importante e não a perfeição na execução da tarefa!
  • Incentive a criança a seguir de cima para baixo e da esquerda para a direita, conforme o caminho tátil. Use os caminhos para praticar conceitos espaciais básicos, como: acima / abaixo, início/ fim, esquerda/direita etc.

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No fim desta atividade, podem criar este mesmo percurso num pequeno livro para treinar o seguimento de novos caminhos criados. Um formato mais pequeno será mais facilitador se o seu objetivo for treinar o mecanismo de seguimento.

Também poderá utilizar fitas texturadas ou fita adesiva normal sobre papel texturado para a criança com cegueira criar os seus próprios caminhos. Veja a sugestão em detalhe da APH (aqui).

Divirtam-se a caminhar!

Bibliografia: 

Leão, M. (2019). Escrever à mão. Uma atividade multisensorial! Acesso em: https://marcoleaoto.pt/escrever-a-mao-uma-atividade-multisensorial/

 

 

“O Nabo Gigante”: Atividades de Pré-Braille

“O nabo gigante” é para nós uma história irresistível, já em 2015 nos debruçamos sobre ela:

Atividades de mediação de leitura(ver aqui);

Atividades de exploração tátil em contexto bidimensional (ver aqui).

O Nabo Gigante, um conto original russo recolhido por Alexis Tolstoi no século XIX, tem os ingredientes de um conto popular verdadeiramente hilariante, pensado para crianças com menos de 5 anos e para todos os que se iniciam no mundo da leitura. Acompanha as atribulações de um simpático casal de velhinhos nesta nova versão, enriquecida com as belíssimas ilustrações de uma premiada artista irlandesa.

(Editora Livros Horizonte)

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Hoje partilhamos novamente atividades decorrentes deste livro, porque uma das crianças que acompanhamos partilha dos interesses destes dois velhinhos. Também o nosso Santiago é apaixonado pela vida do campo e pelos animais. Acreditamos, assim, que esta narrativa é uma boa maneira de o envolver em atividades táteis, que estimulem competências de pré-braille.

Depois da leitura ou escuta da história, propomos um passeio pela própria horta da criança ou pela horta de um familiar ou vizinho. É uma boa forma de explorar diferentes legumes e perceber como crescem.

Da horta para a mesa, os legumes, mas hoje, também, atividades táteis!

Através de propostas simples, construímos as seguintes atividades táteis em plano bidimensional:

  • Segue o caminho da casa do velhinho e da velhinha até ao jardim; 

Cola um autocolante vermelho no início e fim do caminho; 

Quantas flores há no jardim? De que cores são?

Incentive a criança a realizar o seguimento desde a casinha até ao jardim. A criança deve explorar toda a superfície da folha de forma a encontrar o início das linhas braille. O adulto deve apoiar a criança para que faça um seguimento das linhas correto. 

Pode ser importante rever alguns das orientações para o seguimento e leitura braille, aqui

Há nestas orientações referência à cor, mas caso a criança não discrimine cores poderá fazer o mesmo exercício substituindo a referência da cor por texturas diversificadas. 

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  • Pinta cada parcela da horta da cor indicada.

As divisórias da horta foram feitas com papel de veludo para que a criança com cegueira ou défice visual grave  discrimine as diferentes parcelas. Na parte superior de cada parcela, a criança poderá “ler” com a ajuda do adulto o nome da cultura em braille – ervilhas, cenouras, batatas, feijões, nabos – e a indicação da cor para pintar o respectiva espaço. A actividade foi realizada com a cor porque a criança apresenta resíduo visual, caso não aconteça com a criança para qual está a planear esta actividade, poderá substituir a cor por tecidos de diferentes texturas. 

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  • O velhinho e a velhinha tinham 6 canários amarelos. 

Conta o número de canários de cada conjunto e identifica qual deles tem mais. 

Os conjuntos foram delimitados por lã em forma de círculo, os canários representados  de forma simples e com espaçamento entre si. Com esta atividade a criança estará a exercitar competências como a orientação espacial, a discriminação tátil e noções matemáticas. 

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  • O Santiago recebeu um saco de feijões dos velhinhos. Quantos feijões contas?  O Santiago deu cinco feijões à irmã. Com quantos ficou? E a irmã?

Esta atividade pressupõe a exploração ativa da criança, com situações de simulação lúdica que promovem exercícios simples de contagem e operações de subtração e soma. A criança pode abrir o saco dos feijões e manipular de forma a facilitar o exercício matemático. 

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  • Quantas cenouras foram colhidas pelo velhinho e pela velhinha? Qual a maior?

Neste exercício simples, a criança vai explorar conceitos de grandeza e contagens. 

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  • Hoje é dia de fazer sopa. 

Numa panela coloca os seguintes ingredientes (5 feijões, 1 batata, 3 cenouras)

O objectivo é que a criança faça a “leitura” tátil desta receita e brinque ao faz de conta com estes ingredientes. Estará a desenvolver competências importantes como a imaginação, as contagens e a motricidade fina.  

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E aqui temos, a base de uma bela sopa e  todos os ingredientes para um dia repleto de brincadeira!

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Fazer Jogos em Casa: Desenvolvimento Tátil

O desenvolvimento tátil acontece desde os primeiros meses da criança e vai-se desenvolvendo de forma espontânea, pela manipulação de objetos e pelas vivências do dia-a-dia, mas também pelo incentivo e orientação de adultos próximos, profissionais e famílias. A literatura descreve que o desenvolvimento tátil deve ocorrer com recurso a tarefas planificadas e organizadas e com treino.

Apesar dos poucos estudos sobre o impacto da estimulação tátil, parece aconselhável iniciar a intervenção o mais precocemente possível, de forma a ensinar competências táteis específicas e competências no domínio da percepção espacial (Withagen, A, et al., 2010).

O desenvolvimento tátil é promovido por inúmeras actividades lúdicas como tocar piano, brincar com dedoches, explorar objetos ou ler imagens táteis.

Mas muitas vezes, famílias e profissionais sentem necessidade de construir materiais que respondam de forma mais eficaz ao nível de desenvolvimento da sua criança e a um objectivo específico que esteja a ser trabalhado.

Hoje, partilhamos dois exemplos simples de materiais que podem ser construídos em casa:

 

  • Jogo de Argolas com Texturas

Materiais necessários: Caixa de cartão reciclada; rolo de papel cozinha; pratos de plástico sobremesa; papel de diferentes texturas; papel à escolha se pretender forrar.

Procedimento: Faça um orifício na superfície da caixa onde possa encaixar o rolo de papel de cozinha. Se pretender forrar o material, faça-o antes do encaixe.

Corte o centro de um prato de plástico de sobremesa em forma de círculo, de modo a obter um disco. Na superfície desse disco, cole uma argola de um material com textura, de forma a forrar o seu topo. Utilizámos as seguintes texturas: cartolina canelada; goma eva; tecido e goma eva rugosa (brilhante).

Como Jogar: Incentive a criança a colocar todos os discos no eixo central da caixa. Incentive a criança a segurar com uma mão a base do jogo e a localizar a haste de empilhamento e com a outra a encaixar a argola. Inicialmente, deixe a criança colocar as argolas aleatoriamente. Depois poderá pedir à criança para ir colocando, a seu pedido, argolas com texturas específicas.

Objetivos de Intervenção: Coordenação bimanual; Contacto/Sensibilização a diferentes materiais táteis.

 

 

  • Livrinho de Associação Texturas Iguais 

Materiais necessários: Papel braille; máquina braille; papel de diferentes texturas.

Procedimento: Escrever texto a braille (uma quadra por folha). Colar um círculo em cada folha e por baixo do mesmo colar um velcro. Fazer um círculo de cada textura em duplicado para a criança colar no velcro.

Como Jogar: Leia o livro com a criança, ajudando-a a responder aos desafios lançados em cada quadra. Para facilitar a procura tátil, coloque os círculos que a criança terá de discriminar num recipiente ao seu lado.

Objetivos de Intervenção: Coordenação bimanual; Destreza manipulativa (colar e descolar círculos; virar as páginas; encontrar velcro); Associação texturas iguais.

Procura as bolinhas

 

Onde está a bolinha

Vamos lá procurar

Esta é macia

Só tens de a encontrar

 

Aparece mais uma

Vamos lá procurar

Esta arranha nos dedos

Só tens de a encontrar!

 

Queres continuar?

Vamos lá procurar

Esta tem ondas

Só tens de a encontrar.

 

Não desistas,

Estamos quase a acabar

Esta é lisa

Só tens de a encontrar!

 

Parabéns!

Conseguiste terminar

Se gostaste volta a procurar

Só tens de as encontrar!

 

Divirtam-se!!

Referências Bibliográficas:

Withagen, Ans & Vervloed, Mathijs & Janssen, & Knoors, Harry & Verhoeven, Ludo. (2010). Tactile Functioning in Children with Blindness: A Clinical Perspective. Journal of visual impairment & blindness. 104. 43-54.

“Há um tigre no jardim”: Literacia no Jardim

Neste tempo em que estamos mais em casa, não é raro o sentimento de aborrecimento. Foi o que sentiu Nora, a principal personagem do livro “Há um tigre no jardim” de Lizzy Stewart, editora Fábula.

Ora um dia entediante exige uma solução à altura, não menor do que a dada pela avó da Nora: brincadeiras no jardim em busca de figuras improváveis, como um tigre! Haverá mesmo um tigre no jardim?

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Bem, a resposta estará na imaginação de cada um. Mas este livro, para além de um desafio à imaginação de cada um, é uma proposta à exploração do jardim enquanto local de múltiplas descobertas. E de facto um jardim é, por excelência, um local multisensorial… Vamos à descoberta?

Ver o vídeo da história “Há um Tigre no Jardim”: https://www.youtube.com/watch?v=Y7OIufeP9fk

Para a compreensão da narrativa, poderá descarregar o ficheiro”Atividades de exploração da narrativa”. Contém conjunto de perguntas sobre a história para brincar com a criança de forma divertida. Pode fazer o jogo em molde de “concurso” e jogar com outros elementos da família.

 

As nossas sugestões divertidas para explorar o jardim

Tal como a Nora aproveitem estes tempos para explorar o vosso jardim ou o espaço exterior em redor da vossa casa. Estes passeios podem ser acompanhados por adultos próximos ou outras crianças normovisuais. Não se esqueçam de utilizar uma linguagem descritiva para que a criança com cegueira ou défice visual grave recolha mais informação sobre o espaço onde se encontra. Use informação com detalhes visuais, mas que incluam também outros sentidos: cheiros, sensações, movimentos, paladar… Troquem informações sobre estes elementos e a viagem será muito mais rica!

Para guiar estes nossos passeios, pensámos em alguns instrumentos de aventura. Os mesmos poderão ser utilizados em dias distintos. Esperamos que gostem!

1. Atividade “Cores no jardim”

Construa uma placa com cartão reciclado e pequenos pedaços de tecido com cores à sua escolha. O objetivo é que as crianças procurem no jardim itens (folhas, flores, terra, paus, etc.) das cores exemplificadas na placa “Cores no jardim” . Esta atividade pode ser importante quando a criança tem visão residual e consegue percepcionar a cor. É uma chamada de atenção à beleza colorida do jardim e um incentivo para que a criança use a sua visão.

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Depois de encontrados os itens coloridos, a criança poderá pôr em cima de cada cor os elementos que encontrou na natureza,  colar ou prender com molas, por exemplo.

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2. Atividade “Contar no Jardim”

Contar pode ser divertido e envolver aventura. À semelhança da actividade anterior, podemos criar uma placa de contagens, apresentando à criança o número (a negro e a braille) e o respectivo item (elemento da natureza à escolha). O objetivo será desafiar a criança com deficiência visual grave a passear no jardim e a selecionar e recolher os itens indicados na quantidade indicada.

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No fim, incentive a criança a contar os objetos totais, a identificar o grupo de objetos com mais ou menos elementos.

3. Atividade “Elementos do meu jardim”

Construa uma placa ou saco com uma esquadria onde cola diferentes elementos do seu jardim. O objetivo é fazer uma “visita guiada” à criança pelo seu jardim, dando-lhe pistas dos locais onde pode encontrar os elementos que preparou no saco/placa.

Esta é uma forma da criança conhecer bem o seu jardim e os elementos que o constituem, para além de aumentar o conhecimento sobre elementos existentes na natureza. A criança aumentará, assim, vocabulário e conhecimento sobre o meio ambiente.

Com esta atividade, a criança terá ainda de seleccionar material sensorial semelhante. Ajude a criança a perceber a textura, a forma, a resistência, o cheiro de cada item.

É importante que a criança faça a leitura da esquadria de forma organizada (de cima para baixo, da esquerda para a direita; sequência numérica pela qual aparecem os elementos).

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No canto superior direito de cada divisória, a criança poderá colar um autocolante  cada vez que conseguir encontrar o elemento apresentado no seu jardim. Todas as crianças vão querer completar o seu quadro com todos os autocolantes! Divirtam-se e boa aventura!

4. Atividade “Memórias auditivas do meu jardim”

Já em casa, revivam a experiência, conversem sobre a mesma, revejam os vossos instrumentos de aventura.

Que sons ouviram? E se os tentassem representar, num desenho tátil?

Bom trabalho!

Jogo Tátil de Pré-Matemática

Construir jogos em casa pode revelar-se uma necessidade, na ausência de jogos no mercado que respondam aos nossos objectivos específicos e que se encontrem devidamente adaptados.

Hoje apresentamos um jogo simples para desenvolver noções matemáticas. Essencialmente prevê: contagens, reconhecimento tátil do algarismo, associação termo a termo e somas simples com concretização da operação através de símbolos táteis.

Para a construção do jogo, tivemos por base as seguintes premissas:

É através de experiências diversificadas que as crianças vão desenvolvendo o sentido de número, que diz respeito à compreensão global e flexível dos números, das operações e das suas relações.
Este processo de apropriação de sentido de número é progressivo, sendo que contar implica saber a sequência numérica, mas também fazer correspondência termo a termo.

(…)

Gradualmente surgem na criança capacidades operativas, perante problemas do quotidiano, envolvendo adições e subtrações. Também, neste caso, as crianças necessitam inicialmente de concretizar as situações numéricas (…)
A utilização de materiais diversos (cuisenaire, dados, dominós, cartões de pintas, contas de enfiamentos, etc.) favorece a construção de uma linha mental de números.

Silva, I.  (coord.)(2016)

Para a adaptação do jogo é necessário o seguinte material:

  • Goma eva;
  • Cortadores formas (círculo, estrela, coração);
  • Bases de mini velas;
  • Pequeno bloco de argolas;
  • Caneta de feltro;
  • Capa reciclada para a base (tamanho A4);
  • Máquina braille.

 

Procedimento: 

Forrar capa com goma eva vermelha. Posicionar a capa na horizontal. Colar bases de mini velas na base inferior da capa (posicionadas na horizontal em duas filas, 5 bases em cima e 5 bases em baixo no mesmo alinhamento). Colar bloco no canto superior direito da base.

O bloco deve ser preenchido com indicações consoante o nível de desenvolvimento da criança. Neste caso, colocámos os números até 10 alternados com figuras táteis diferenciadas (círculo e estrela, cortadas em goma eva com cortadores de figuras). Neste caso a criança terá de fazer o reconhecimento tátil do número e da figura tátil e colocar nas bases de vela o número correspondente dessa mesma figura. O bloco integra ainda operações simples de soma até 5. As páginas finais do bloco estão em branco para que o familiar ou educador o preencha à medida que joga com a criança e avalia o seu desempenho no jogo. As páginas em branco podem ser também interessantes para a própria criança criar exercícios para que outras pessoas/crianças joguem consigo.

Com este jogo é possível trabalhar com a criança com cegueira/défice visual grave as seguintes competências:

  1. Disciminação tátil (forma e algarismo em braille);
  2. Associação quantidade-número (até 10);
  3. Operações simples de soma (até 5).

Seguem-se algumas imagens do material para que se perceba a sua operacionalização.

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Bibliografia: 

Silva, I. (coord.) (2016). Orientações Curriculares para a Educação Pré-Escolar. Lisboa: Editorial do Ministério da Educação e Ciência. Acesso em: https://www.dge.mec.pt/ocepe/sites/default/files/Orientacoes_Curriculares.pdf

Audiolivros: Promovendo a Literacia

Nesta altura em que temos mais tempo, ouvir uma boa história é sempre uma maneira profícua de estarmos bem acompanhados e desenvolvermos competências linguísticas. Partilhamos assim, os recursos disponibilizados pela Letra Pequena, um blogue do jornal Público sobre literatura infanto-juvenil.

São livros para escutar, mas também livros para conversar, questionar, comentar, rir… Enfim, são recursos que permitem a partilha entre famílias e tesouros preciosos na promoção da literacia.

Converse com a sua criança sobre as histórias, esgotem o assunto do livro, expandam conhecimento… E, essencialmente, passem bons momentos com estas histórias para escutar.

Livros para Escutar-page-001 - Copy

A Incrível História do Sr. Solitário
Texto, ilustração e edição: Elias Gato

As Quatro Estações
Texto: Manuela Leitão; ilustração: Catarina Correia Marques; edição: Máquina de Voar

Boa Noite!
Texto e ilustração: Pierre Pratt; edição: Orfeu Negro

Afinal o Caracol
Texto: Fernando Pessoa; ilustração: Mafalda Milhões; edição: Bichinho de Conto. (Interpretação Cristina Paiva, Andante Associação)

A Grande Viagem do Pequeno Mi
Texto: Sandro William Junqueira; ilustração: Rachel Caiano; edição: Caminho

Aqui Há Gato!
Texto: Rui Lopes; ilustração: Renata Bueno; edição: Orfeu Negro

Histórias às Cores
Texto: António Mota; ilustração: Paulo Galindro; edição: Gailivro

Era Uma Vez Uma Raiva
Texto: Blandina Franco; ilustração: José Carlos Lollo; edição: Nuvem das Letras

Medo do Quê?
Texto e ilustração: Rodrigo Abril de Abreu; edição: Editorial Presença

A Caminho de Casa
Texto: Sílvia Corrêa, ilustração: Cárcamo, edição: Edições de Janeiro

Eu Quero a Minha Cabeça!
Texto e ilustração: António Jorge Gonçalves; edição: Pato Lógico

Ao Som de Lisboa
Texto: Domingos Cruz; ilustração: Francisca Ramalho; música: Armando Teixeira; voz: Liliana Carvalho; edição: Tell a Story

A Cadeira que Queria Ser Sofá
Texto: Clovis Levi; ilustração: Ana Biscaia; edição: Lápis de Memória

O Meu Avô
Texto e ilustração: Catarina Sobral; edição: Orfeu Negro

Eu Acredito
Texto: David Machado; ilustração: Alex Gozblau; edição: Alfaguara

Se Eu Fosse Um Livro
Texto: José Jorge Letria; ilustração: André Letria; edição: Pato Lógico

O Papão no Desvão
Texto: Ana Saldanha; ilustração: Yara Kono (Prémio Nacional de Ilustração 2010); edição: Editorial Caminho

Um Dia na Praia
Ilustração: Bernardo Carvalho; edição: Planeta Tangerina

O Coração e a Garrafa
Texto e ilustração: Oliver Jeffers; tradução: Rui Lopes; edição: Orfeu Negro

A Surpresa de Handa
Texto e ilustração: Eileen Browne; tradução: José Oliveira; Edição: Editorial Caminho

Selma
Texto e ilustração: Jutta Bauer; tradução: Alberto Freire; Edição: GATAfunho – Ana Paula Faria

A Charada da Bicharada
Texto: Alice Vieira; ilustração: Madalena Matoso (Prémio Nacional de Ilustração 2008); edição: Texto Editores

O Incrível Rapaz que Comia Livros
Texto e ilustração: Oliver Jeffers; tradução: Rui Lopes; edição: Orfeu Negro

Sabes, Maria, o Pai Natal Não Existe
Texto: Rita Taborda Duarte; ilustração: Luís Henriques; edição: Editorial Caminho

Trava-Línguas
Recolha e selecção: Dulce de Souza Gonçalves; ilustração: Madalena Matoso; edição: Planeta Tangerina

Eu Espero…
Texto: Davide Cali; ilustração: Serge Bloch; edição: Bruaá

Improvérbios
Texto: João Manuel Ribeiro; ilustração: Flávia Leitão; edição: Trinta por Uma Linha

A Máquina de Fazer Asneiras
Texto: João Paulo Cotrim; ilustração: Pedro Burgos; edição: Calendário de Letras

O Mundo num Segundo
Texto: Isabel Minhós Martins; ilustração: Bernardo Carvalho; edição: Planeta Tangerina

Não Quero Usar Óculos
Texto: Carla Maia de Almeida; ilustração: André Letria; edição: Editorial Caminho

Fonte: http://projectoadamastor.org/audiolivros-para-criancas/?fbclid=IwAR2QWD7wdNJWLxkDnhCTJHs-YcbSZBIN2VM9nAqo19uYao3J3w4cupd88TY

“Bem-me-quer”: Experiências de bem querer à exploração tátil no jardim

E se fossemos espreitar o que se passa lá fora?

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O jardim pode ser um local de infinitas descobertas. Um local perfeito para a descoberta de formas, de texturas, de cheiros, de sensações… enfim uma verdadeira arca de dádivas da natureza. Hoje, sugerimos algumas experiências de bem querer à exploração tátil no jardim. Saiam de casa e boas descobertas!

  • Apanhar flores

Perceber a sua forma, o seu cheiro, conversar sobre as partes que a constituem. Cantar! Contar! Quantas são? Na mão esquerda tenho uma, na mão direita muitas! 

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E para desenvolver a destreza manual, de forma leve e delicada, vou puxando as pétalas de um malmequer, uma de cada vez, de forma sequencial, e vou entoando “bem-me-quer, mal-me-quer” … Um dia, quando me tornar leitor, usarei a mesma leveza! Sabe que para a leitura braille se exerce uma pressão de cerca de 20g?

 

  • Fazer uma sementeira de malmequeres

No jardim ou na varanda, continuamos a bem querer a exploração tátil e a destreza manual. Desta vez através duma pequena sementeira.

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Manusear uma pequena pá para colocar terra num vaso, é um trabalho que exigirá um trabalho coordenado das minhas duas mãos e braços. 

De seguida exploramos as sementes: são minúsculas, parecem areiazinhas nas minhas mãos! Colocadas na terra, colocamos uma fina camada de terra em cima, e porque não com as mãos? No fim é só regar e, para o efeito, podemos usar um pequeno pulverizador, que se adapte ao tamanho das minhas mãos pequeninas. É preciso muita força!

Se a terra estiver molhada está pronta a sementeira.

Dia a dia, incentive a  criança a regar a sementeira!O ciclo será renovado e daqui a uns meses, a criança poderá observar o crescimento dos malmequeres!

Pois é… na natureza também me torno leitor!

 

Twister Braille: Braille com movimento

No pré-escolar as crianças começam a adquirir curiosidade face à escrita. É também nesta fase que a criança contacta com as funções no uso da leitura e da escrita.

Não há hoje em dia crianças que não contactem com o código escrito e que, por isso, ao entrarem para a educação pré-escolar não tenham já algumas ideias sobre a escrita. Assim, há que tirar partido do que a criança já sabe, permitindo-lhe contactar e utilizar a leitura e a escrita com diferentes finalidades.

Silva, 2016.

Escrever o nome próprio é  uma forma da criança se sentir competente e capaz de usar uma das funções da escrita: a criança regista nos seus trabalhos o nome; vê em tabelas, capas, livros, o seu nome… O nome  traduz a identificação da criança e sua identidade!

De forma a introduzir o braille como um código convencionado para a escrita de crianças com cegueira, dinamizou-se uma actividade que procurou desenvolver o reconhecimento da primeira letra do nome de cada criança (a negro e a braille). Esta atividade permitiu desenvolver competências motoras (globais e finas) e de organização espacial.

Segue-se o descritivo da atividade: 

  1. As crianças são convidadas a selecionar a letra do seu nome (a negro) entre um conjunto de letras dispostas sobre uma mesa;

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2. Posteriormente, cada criança procura num painel, com a ajuda do adulto, a letra correspondente em braille (a mesma está identificada a negro também);

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3. A criança copia o padrão de pontos para a célula braille miniatura;

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4. À vez, cada criança será convidada a representar com o corpo a letra do seu nome, colocando mãos, pés, cabeça na célula braille disposta no chão (grandes círculos construídos em goma eva de cor roxo, amarelo, castanho, azul, verde, prateado). De salientar, que o jogo foi realizado com a mesma textura e cores diferenciadas porque as crianças com DV a quem se destinou possuem resíduo visual.

A atividade desafiou as crianças do ponto de vista motor, exigindo um planeamento para a coordenação dos movimentos necessários à reprodução do esquema de pontos de cada letra. Despertou, ainda,  a alegria e a risota por posições tão inusitadas!

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Ah, e claro, quando os adultos fazem também as suas acrobacias ainda se torna mais divertido!!

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As crianças foram ainda desafiadas a reproduzir com plasticina, a letra do seu nome em braille. Para isso, tiveram acesso a uma placa com uma esquadria com os 6 espaços da célula braille. Promoveram-se, assim, competências de motricidade fina, através de modelagem de plasticina.

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Por fim, escreveram a letra do nome na máquina braille.

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Uma actividade cheia de movimento onde se estimulou o prazer pelas convenções da escrita a negro e a braille!

 

Bibliografia: 

Silva, I. (coord.) (2016). Orientações Curriculares para a Educação Pré-Escolar. Lisboa: Editorial do Ministério da Educação e Ciência. Acesso em: https://www.dge.mec.pt/ocepe/sites/default/files/Orientacoes_Curriculares.pdf

Bolachas em casa: Uma receita para o desenvolvimento tátil

Nesta altura em que passamos mais tempo em casa, há inúmeras atividades que se podem desenvolver com as crianças, de forma a promover as suas competências táteis. Sabemos que no caso de crianças com cegueira ou défice visual grave, mãos ágeis contribuem para a formação de bons leitores!

Hoje, destacamos a culinária e nesta área, bolachas combinam na perfeição com crianças. Por isso, “mãos à obra” ou “mãos à massa”! Prometemos uma excelente receita para o desenvolvimento tátil.

  • A confecção da receita deve ser acompanhada de uma boa conversa: ingredientes, ações, sensações são tópicos importantes para a criança desenvolver conceitos e se envolver em todo o processo.
  • A criança deve participar no processo desde o início: ao retirar os ingredientes do armário, por exemplo, a criança já estará a desenvolver  competências motoraspreensão e força (transporte de um pacote de farinha, pesado; transporte do pacote do açúcar mais leve, etc.).
  • Ajude a criança a juntar os ingredientes e perceber as suas diferentes texturas: (o açúcar granulado; a farinha macia; a manteiga mole; os ovos líquidos). Ao colocar os ingredientes na taça, a criança está a desenvolver a coordenação bimanual.
  • Misturem todos os ingredientes: Esta é parte divertida! Crianças com defesa tátil poderão sentir uma certa repulsa, mas a motivação da atividade em família poderá ser um estímulo a ultrapassarem essa barreira. Amassem, trabalhando a força. Brinquem, isolando os dedos, e fazendo buraquinhos na massa.
  • Modelem as bolachas: com cortadores, com as mãos… Façam bolachas grandes, pequenas, de diferentes formas e com decorações diversas. Sintam a textura da massa nas mãos. Apertem-na entre os dedos. Espalmem.
  • Provem muito e deliciem-se com o cheirinho na cozinha!! E não se esqueçam, a diversão é ingrediente obrigatório ao sucesso da receita. 

 

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Descrição da fotografia: Criança faz rolinho com massa, em cima de uma mesa. Tem uma touca de cozinheiro/a e um avental.

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Descrição da fotografia: Adulto posicionado atrás de criança, modela os seus movimentos ao amassar massa.

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Descrição de fotografia: Tabuleiro de bolachas redondas; mãos de criança aparecem ultimando decoração.

Caixa de Objetos: Desenvolvimento da Consciência Fonológica

“As crianças envolvem-se frequentemente em situações que implicam uma exploração lúdica da linguagem, demonstrando prazer em lidar com as palavras, inventar sons, e descobrir as suas relações” (Silva, 2016). Sabe-se que a aprendizagem da linguagem oral e escrita deve constituir “um processo de apropriação contínuo que se começa a desenvolver muito precocemente e não somente quando existe o ensino formal” (ibidem.). A consciência fonológica é um domínio que não deverá ser esquecido neste “processo de apropriação contínuo”.

A consciência fonológica é a capacidade para, conscientemente, refletir sobre as subunidades fonológicas que compõem as palavras e as frases – as sílabas, ataques/rimas e sons – permitindo uma reflexão sobre a estrutura fonológica da linguagem oral, independente do seu significado (Fitzpatrick, 1997; Hester & Hodson, 2009).

Com uma caixa misteriosa e uma banca de objetos, brincámos com palavras que rimam!

As crianças foram desafiadas a descobrir os sons escondidos na caixa! Como? Seleccionavam através do tacto um dos objectos da caixa, nomeavam o seu nome, e posteriormente seleccionavam outro da banca de objetos cujo nome rimasse com o primeiro.

Argola-Bola; 

Caneca – Boneca; 

Balão – Coração; 

Grão – Feijão;

etc.

Esta é uma atividade simples que poderá complementar outros jogos orais. Esta estratégia com o objeto concreto poderá substituir atividades com imagens que não seriam acessíveis à criança com défice visual grave ou cegueira.

Com estes objetos e esta caixa cheia de sons e sensações, todos puderam jogar sem restrições!

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Bibliografia: 

Silva, I. (coord.) (2016). Orientações Curriculares para a Educação Pré-Escolar. Lisboa: Editorial do Ministério da Educação e Ciência. Acesso em: https://www.dge.mec.pt/ocepe/sites/default/files/Orientacoes_Curriculares.pdf

Fitzpatrick, J. (1997). Phonemic awareness. Playing with sounds to strengthen beginning reading skills. Creative Teaching Press, Inc.: Cypress, CA.

Hester, E. & Hodson, B. (2009). Metaphonological awareness: enhancing literacy skills. em Rhyner, P. (Eds) Emergent literacy and language development. Promoting learning in early childhood. Nova Iorque: The Guilford Press. pp. 78-103.

“Queres brincar comigo?”: mediação de leitura e atividades de pré-braille

Hoje apresentamos a forma como dinamizámos a leitura da história “Queres brincar comigo?”, do autor Eric Carle e edição da Kalandraka. A história faz as delícias de pequenos e graúdos e é especialmente envolvente para crianças que gostam da temática dos animais!

 

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Capa do livro: elefante é apresentado na dimensão quase total da página, no canto inferior direito aparece um pequeno ratinho a olhar para o elefante. Pode ler-se o título: “Queres brincar comigo” e a editora “Kalandraka”.

Com uma estrutura simples, esta história permite uma leitura ritmada, sendo este um factor que facilita o envolvimento de todas as crianças na leitura partilhada. 

 Ao longo da história repete-se o esquema narrativo, através da mesma pergunta que o protagonista faz aos animais que encontra, mas que resulta em diferentes respostas, proporcionando assim a aquisição de novos vocábulos.

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– Olá amigo, queres brincar comigo?

– Agora não posso, que estou a pastar a erva do prado – relinchou o cavalo. 

E o ratinho seguiu o seu caminho. 

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Contada em voz alta com recurso a alguns elementos representativos das personagens (animais em miniatura), a criança com deficiência visual grave pôde complementar as informações transmitidas pela narrativa com alguns elementos táteis representativos.

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O enredo da história foi, ainda, mote para estimular competências ao nível do pré-braille (seguimento de caminhos; representação icónica com caracteres braille).

Alguns dos exercícios realizados:

  • Criança terá de identificar prado, representado por rectângulo contornado com lã. Identifica células braille dispostas aleatoriamente dentro do espaço delimitado. Assim que encontra uma célula braille, coloca um pedaço de plasticina por cima da mesma e insere um clip (simboliza erva para o cavalo comer);

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  • Criança terá de descobrir ao longo dos caminhos dois dos personagens da história: o pequeno ratinho (representado por pontos 1,2,4,5) e o crocodilo (representado 8 células braille).

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  • Criança terá de contar quantos ratinhos estão dentro da cerca;

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Esta foi uma história que possibilitou inúmeras brincadeiras… não deixem de a ler e brincar!

“O melhor presente do mundo” no jardim-de-infância

Retomando o artigo relativo à história “O melhor presente do mundo” da editora Minutos da Leitura (ver aqui), hoje ilustra-se a mediação da leitura com algumas fotos demonstrativas da forma como as crianças se apropriaram dos materiais e narrativa.

  • Criança pega no saco do presente e lê a etiqueta que identifica o destinatário do presente (mensagem a negro e a braille);

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  • Crianças avançam no caminho até à casa do Coelhinho, experimentando as ações descritas na história: descidas inclinadas, vales de neve, vento tempestuoso… 

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  • Crianças chegam a casa do Coelhinho e entregam presente. Têm possibilidade de abrir presente e ler o bilhete que estava dentro da caixa (mensagem a braille e a negro);

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  • Crianças fazem o registo gráfico da história com recurso a canetas de feltro e materiais táteis;

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  • Crianças exibem os materiais relacionados com a história ( Coelhinho, Urso, boneca Ema, saco com o presente, placas que indicam o caminho, livro).

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O envolvimento direto das crianças e a experimentação ativa permitiu uma melhor compreensão da narrativa e uma motivação extra no envolvimento da atividade.

Seminário “A didática do Braille”

No passado dia 8 de janeiro aconteceu o Seminário “A Didática do Braille”, na Universidade Lusófona, com organização do Instituto Nacional para a Reabilitação.

Descarregar livro de Resumos e notas biográficas – Seminário Braille 2020.

Este Seminário pretendeu assinalar o Dia Mundial do Braille 2020, permitindo a partilha de experiências e práticas numa reflexão sobre diversos métodos para o ensino/ aprendizagem do braille, propondo metodologias pedagógicas inovadoras, na base de evidências de sucesso.

A equipa do CAIPDV marcou presença no seminário com uma comunicação intitulada de “Eu posso!: Experiências precoces do desenvolvimento do tato e do acesso ao braille”. 

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Pretendendo-se comunicar sobre didática do braille, inicia-se a comunicação com uma história que ilustra uma mensagem que nos parece basilar nesta temática. Para o efeito, selecionou-se um livro sem palavras,  um livro de imagens – “The typewriter” de Bill Thomson.  Este livro transmite uma mensagem forte e central na temática da literacia em idades precoces, pretendendo-se que o auditório reflita sobre alguns pressupostos a considerar na didática do código braille. Apresenta-se um excerto ao auditório.

O livro conta a história de 3 crianças que passeiam de bicicleta. Dirigem-se para um carrossel mas este encontra-se fechado. Ao observarem o espaço, as crianças são surpreendidas por uma mala enigmática decorada com letras. Motivadas pela curiosidade, abrem a caixa, e retiram uma máquina, uma máquina de escrever antiga…Impelida pela experimentação, a rapariga do grupo prime, letra a letra, formando a palavra “beach” “praia”. Ao virar a página, as mesmas crianças aparecem num novo cenário. Estão na praia, com a máquina, viradas para o mar. Entreolham-se, com um misto de espanto e excitação! Então, avançam, inebriadas pelo resultado da primeira investida e agora, um dos rapazes, escreve “ice cream” “gelado”. E ao virar a página, num balde de praia cor de laranja, em formato gigante, maior do que a menina, aparece um gelado dentro do balde, pintalgado com pepitas coloridas de açúcar e uma cereja no topo. A menina, sorridente, estica-se para alcançar um pouco de gelado… Um dos rapazes salta em euforia de braços esticados. O segundo rapaz observa a cena, sentado na areia, com um sorriso na cara, encantado com o poder daquela máquina, daquelas palavras!

De facto, as palavras têm o poder de recriar “realidades” e isso é entusiasmante, alegre e incrível! É o que acontece quando uma criança descobre a escrita… a palavra que traduz a sua oralidade. É o que acontece quando uma criança descobre a máquina braille… esta mágica ferramenta que “semeia” pontos com significado.

Inevitavelmente, em idades precoces, a didática do braille tem que contemplar esta componente motivacional e cativante, esta contínua e persistente descoberta da linguagem escrita e oral. A atitude das crianças face à literacia forma-se desde o nascimento, modelada pelas mensagens dos cuidadores, esta é uma parte importante do tornar-se leitor! Durante os anos que antecedem a escola, a base da literacia é construída à medida que a criança desenvolve atitudes positivas e isso inclui o DESEJO DE LER e a CRENÇA de que “EU POSSO”(Stratton & Wright, 1991). 

Em idades precoces é importante facilitar atitudes positivas face ao braille e, isso só será possível:

– indo ao encontro dos interesses da criança; 

– respeitando a sua forma de ler o mundo (perceção); 

– garantindo ludicidade. 

E que outros aspetos a considerar no ensino-aprendizagem do braille?

  • Que ocorra nos contextos naturais e envolvendo os significativos (família, profissionais e pares)

Famílias e profissionais têm um papel preponderante no desenvolvimento leitura e escrita de crianças com cegueira, dependendo deles a quantidade e qualidade das intervenções (intencionais, planificadas e dirigidas) (Koenig & Holbrook, 2000).

“Toda a comunidade da sala de aula beneficia quando as atividades de alfabetização em braille são parte integrante da aprendizagem em sala” (Swenson & Cozart, 2010). 

  • Desenvolvendo precocemente o tato ativo ou háptico

O tato ativo, ou sistema háptico (Ochaita & Rosa cit. Coll & Palacios, 1995), é o mais importante sistema sensorial que a pessoa com cegueira tem para conseguir conhecer o mundo. Segundo Farrel (2008, p.32): “A palavra tátil (tactile) associa-se muitas vezes a um toque passivo, como o do tecido da roupa a encostar na pele (…). Os termos tátil (tactual) e háptico utilizam-se quando nos referimos a um uso mais ativo do tato, como quando exploramos as qualidades de um objeto ou material e reconhecemos qualidades como temperatura, textura, forma e peso.”

  • Facilitando o acesso a material tátil e em braille

Interpretar imagens táteis não é um processo automático para uma criança com cegueira. Essa interpretação requer prática e o desenvolvimento de competências de exploração tátil, ao longo do tempo. Parece crucial, portanto, que as crianças com cegueira tenham formação/treino ao nível do uso de material tátil e oportunidades regulares para experimentá-los (Theurel, Witt, Claudet, Hatwell & Gentaz, 2013, p. 238).

Acredita-se que as crianças com cegueira, através de materiais acessíveis e experiências de literacia emergente enriquecedoras, poderão tal como as crianças da história, apropriarem-se da palavra e da escrita para se expressarem no mundo. Elas podem!

Bibliografia: 

Farrel M. (2008). Deficiências sensoriais e incapacidades físicas. Artmed, Brasil. 

Koenig, A. J., & Holbrook, M. C. (2000). Ensuring high-quality instruction for students in braille literacy programs. Journal of Visual Impairment & Blindness, 94(11), 677-694.

Ochaita, E. & Rosa, A. (1995). Percepção, ação e conhecimento nas crianças cegas. Em C. Coll, J. Palácios & A. Marchesi (Orgs.), Desenvolvimento Psicológico e Educação. (M. A. G. Domingues, Trad.). (pp. 183-197). Porto Alegre: Artes Médicas.

Stratton, J. M., & Wright, S. (1991). On the way to literacy: Early experiences for visually impaired children. Louisville, KY: American Printing House for the Blind.

Swenson, A. M., & Cozart, N. (2010). Six sensational dots: Braille literacy for sighted classmates. Journal of Visual Impairment & Blindness, 104(2), 119-123. 

TheurelWitt ClaudetHatwell &  Gentaz. Tactile picture recognition by early blind children: The effect of illustration technique. Journal of Experimental Psychology: Applied19 (3):233.

Um seminário de importantes partilhas para quem trabalha e se interessa pela literacia braille.

Dia Mundial do Braille: O poder da palavra… o poder do braille!

No passado dia 04 de janeiro comemorou-se o Dia Mundial do Braille! Para refletir sobre o poder da palavra, deixamos a sugestão de um livro infantil.

Usando apenas nove palavras, o criador premiado do álbum ilustrado Chalk, Bill Thomson  leva os leitores a uma jornada inesquecível no seu livro “The Typewriter”. Quando três crianças descobrem uma máquina de escrever num carrossel, elas são transportadas para uma aventura de criações próprias. E se as palavras ganhassem vida?

De facto, as palavras têm o poder de recriar “realidades”… e isso é entusiasmante, alegre e incrível!

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Descrição ilustração: Criança escreve numa máquina de escrever “Ice Cream” (Bill Thomson).

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Descrição da ilustração: No mesmo cenário da máquina de escrever, surge gelado em balde de praia…3 crianças expressam alegria e entusiasmo.

É o que acontece quando uma criança descobre a escrita… a palavra que traduz a sua oralidade.

É o que acontece quando uma criança descobre a máquina braille… esta mágica ferramenta que “semeia” pontos com significado.

Caixa de Histórias: “O melhor presente do mundo”

Na manhã de Natal, resta um presente por abrir debaixo da árvore de Ema e do Urso. Para seu espanto, não é para nenhum dos dois. Imbuídos de espírito natalício, partem numa aventura para encontrar o seu verdadeiro destinatário.

Estavam longe de imaginar que, dentro do embrulho, se encontrava o melhor presente do mundo!

Sinopse, O melhor presente do mundo, editora Minutos de Leitura

A história “O melhor presente do mundo” de Mark Sperring e Lucy Fleming da editora Minutos de Leitura foi adaptada para o formato caixa de histórias. Para esta adaptação, juntámos os principais elementos da história.

  • Personagens – Ema, Urso e Coelhinho (peluches representativos);
  • Casa do Coelhinho (estrutura em cartão);
  • Presente com bilhete (caixa embrulhada com o respectivo bilhete a negro e braille);
  • Placas que indicavam o caminho (placas de diferentes cores e texturas , com mensagem a negro e a braille).

Ao longo da leitura história, a criança com cegueira teve oportunidade de contactar com estes materiais. A história foi preparada para a experimentação ativa da criança. Por exemplo quando os personagens liam as placas que indicavam o caminho até à casa do Coelhinho, a criança tinha acesso a uma placa com o texto em braille; quando o Coelhinho desembrulha o presente, a criança tem oportunidade de desembrulhar um presente cedido pelos adultos mediadores. Desta forma, a criança não tendo acesso às imagens, tem um conjunto de referenciais  fornecidos pelos objectos/artefactos de referência. Há, assim, oportunidade da criança explorar com os sentidos, através de comportamentos de experimentação ativa (tocar, ler, desembrulhar, carregar, bater à porta, etc.). A leitura da história é feita ao ritmo das ações da criança!

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A adaptação da história contou, ainda, com um percurso onde se pretendeu simular o percurso realizado pela Ema e o Urso para chegar a casa do Coelhinho, simulando-se: o caminho traiçoeiro com descidas inclinadas (simulado com cunha); o vento tempestuoso (adultos mediadores sopram sobre as crianças); grandes bancos de neve (superfície irregular de esponja que afundava).

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Num próximo artigo, serão apresentadas as imagens das mediações de leitura realizadas nos contextos naturais, bem como alguns aspectos trabalhados com a história.

Até breve!

Natal: Literacia Emergente em Família

Hoje partilhamos a primeira sugestão de actividade em família, a realizar nesta época natalícia. Com este artigo pretende-se sugerir o envolvimento de crianças com cegueira em actividades que fazemos na época do natal, promovendo assim competências no domínio da literacia emergente, de forma descontraída.

  • Árvore de natal


Por norma, as crianças aguardam com expectativa o dia em que podem montar a árvore de natal… Já pensou que esta pode ser uma actividade promotora da literacia emergente de crianças com cegueira? Como?

– Ao montar a árvore com a criança, aproveite para conversar sobre os elementos da árvore (textura, peso, tamanho, cor). A criança aumentará vocabulário e estará a desenvolver competências aprimoradas de análise das propriedades/ características de um objecto.

Alguns exemplos:

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Floco de neve com movimento, suspenso na mão;

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Floco de neve sem movimento, apertado entre os dedos;

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Bola macia e bola rugosa;

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Bola grande e bola pequena; 

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Pinheirinhos iguais.

– Convide a criança a fazer seriação de pequenos enfeites. Estará desta forma a aprimorar as competências de acuidade táctil, fundamentais para a leitura braille. Utilize caixas com separadores e peça ao seu filho/a para organizar na caixa um conjunto de enfeites por si seleccionados. Chame-lhe a atenção para os detalhes e características detectadas na exploração tátil e incentive a criança a ser ativa nessa exploração (toque háptico).

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O desenvolvimento tátil envolve a aquisição de informações sobre as qualidades táteis e composição dos objetos (textura, peso, temperatura, forma, materiais dos quais são feitos etc.). Isso requer proximidade imediata com o objeto.  Informações táteis não podem ser recolhidas à distância – se uma criança não puder tocar no objeto, as suas percepções sobre o mesmo podem ser erradas, incompletas ou dependentes de informações de outra pessoa.

O desenvolvimento tátil  exige que as informações sejam recolhidas ao longo do tempo, explorando-se sistematicamente um objeto, faseadamente. A impossibilidade de perceber simultaneamente todas as partes de um objeto, significa que a imagem global do objeto deve ser construída a partir da compreensão de cada um de seus componentes.

Fonte: https://www.tsbvi.edu/fall-2016-issue/5263-the-development-of-tactile-skills

Não se esqueça que a exploração tátil demora mais tempo. Deixe a criança explorar e manipular ao seu ritmo!

Divirtam-se!

Se fez esta actividade, partilhe connosco.

Atividades de Apoio à Literacia Emergente: Outono (Parte 3)

Esta é a terceira e última parte  de um artigo onde partilhámos com os nossos leitores estratégias para promoção de competência de literacia emergente  no âmbito da temática “outono”.

Veja partes anteriores: parte 1, parte 2.

A atividade que vamos descrever aconteceu num jardim-de-infância do distrito de Aveiro. Com a mesma pretendia-se desenvolver o conceito de outono e vocabulário relacionado com esta estação do ano. Pretendia-se, ainda, que as crianças tivessem oportunidades de experimentação ativa (hands on) com itens relacionados com o outono.

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Providenciou-se, desta forma, um “Baú do Outono”.

  • A própria criança com deficiência visual trouxe de sua casa alguns dos elementos desse baú, tendo desta forma oportunidade de contactar com itens desde a sua proveniência.
  • O baú estava identificado com uma etiqueta com a denominação “Báu do Outono” (a negro e a braille) para que as crianças contactassem com os dois códigos de escrita.
  • Cada criança teve oportunidade de se dirigir ao baú e tirar um elemento à escolha.  À medida que cada item ia sendo tirado e explorado pelas crianças, os adultos mediadores iam conversando com as crianças sobre as características desses elementos (função, contexto, características sensoriais).

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Teia de Conceitos/Rede Semântica

Depois desta atividade de experimentação ativa, partiu-se para o registo das novas palavras aprendidas e sugeridas pelo conceito “Outono”. O registo foi feito através do instrumento “teia de conceitos” ou “rede semântica”. As crianças completaram, assim, um esquema onde no centro se colocou a palavra “Outono” e daí derivavam outras que com o conceito estivessem relacionadas. As palavras foram apresentadas a negro e a braille, com a respectiva ilustração com fotografia (cores e apenas contorno, para correspondência) /elemento real anteriormente explorado.

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Através de redes semânticas, o significado das palavras é mais facilmente apreendido (Cunningham & Zibulsky, 2014).

Uma rede ou teia semântica pode, também, ser a estratégia a utilizar para expandir o vocabulário da criança, assim como para a ajudar a estabelecer relações de categorização entre diferentes conceitos e respectivos “rótulos”, neste caso “Outono”.

A promoção da aprendizagem de  vocabulário não envolve apenas o ensino de palavras isoladas, mas também o ensino de palavras em grupos conceptualmente vinculados, com benefícios específicos  evidenciados no ensino de taxonomias. Além disso, o conhecimento de taxonomias das crianças pré-escolares pode ser apoiado pela partilha de informações sobre a função de um objecto, características perceptivas e categorias da palavra (Hadley, Dickinson, Hirsh‐Pasek & Golinkoff, 2018). 

 

Caixa Sensorial de Outono 

Foi, ainda, construída uma caixa sensorial de Outono. A mesma continha folhas de diferentes cores, texturas (mais secas ou mais verdes) e formas. A criança pode explorar todas estas características  e, posteriormente, encontrar pequenos clips, colocando-os na tampa da caixa, promovendo-se assim a acuidade tátil e a motricidade fina.

Esta atividade poderá ser replicada com outros elementos de Outono: bolotas, castanhas, nozes!

Bom trabalho!

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Bibliografia:

Cunningham, A. & Zibulsky, J. (2014). Book smart. How to develop and support successful, motivated readers. Nova Iorque, NY: Oxford University Press.

Hadley, E.B.Dickinson, D.K.Hirsh‐Pasek, K., & Golinkoff, R.M. ( 2019). Building Semantic Networks: The Impact of a Vocabulary Intervention on Preschoolers’ Depth of Word KnowledgeReading Research Quarterly541), 41– 61. doi:10.1002/rrq.225

 

ACTIVIDADES DE APOIO À LITERACIA EMERGENTE: OUTONO (PARTE 2)

Partindo da actividade descrita no anterior artigo, ver link aqui foram construídos três materiais de pré-braille.

  • Banca de bolotas e folhas

Nesta actividade, a criança era convidada a associar simbolicamente diferentes composições braille a elementos reais que a criança já havia explorado na Feira de Outono. Assim uma “folha” foi representada pelos pontos (2,4,5,6)  e uma “bolota” pelos pontos (1,2,4,5).  Feita esta associação, a criança era convidada a discriminar os símbolos e a evocar a palavra correspondente sempre que estava perante uma “bolota” ou uma “folha”. Os símbolos foram apresentados num espaço restrito (rectângulo demarcado com fio de lã).

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  • Árvore com bolotas

Nesta actividade era apresentada uma árvore feita tatilmente (tronco com cortiça, copa redonda rodeada com lã) e no interior a composição referente à bolota (pontos braille 1,2,4,5). A criança era convidada a explorar tatilmente esse espaço, à medida que encontrava o símbolo tátil teria de colar uma bola de plasticina e fazer a contagem das bolotas.

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  • Árvore com bolotas e folhas

Na terceira e última actividade, era apresentada à criança uma árvore com o mesmo formato da anterior. No interior da copa estavam presentes velcros. No campo superior esquerdo da folha é apresentado à criança um referencial (composição braille da bolota ou da folha). A criança teria de colar nos velcros da copa o mesmo símbolo em braille do indicado no referencial colado no canto superior esquerdo da folha. Era ainda dado à criança um saco com atilhos onde se pode brincar com contagens: “Coloca no saco 5 bolotas”.

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As actividades dado o enquadramento anterior da Feira de Outono, foram significativas e prazerosas para a criança. Mais uma vez concluímos que é possível desenvolver competências no domínio do pré-braille de forma motivadora e envolvente para a criança.

Divulgação: Olimpíadas do Braille

Divulgamos iniciativa promotora da Literacia Braille: 

A ACAPO, Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal vai realizar a 5.ª edição das Olimpíadas do Braille.

O concurso terá lugar dia 7 de dezembro, entre as 13h30m e as 16h30m, no Auditório da Estação de Metro do Alto dos Moinhos, em Lisboa.

As inscrições estão abertas entre os dias 18 e 29 de novembro. Para proceder às inscrições clique aqui.

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Os participantes irão concorrer individualmente e serão agrupados por escalões etários, a saber:

1.º escalão: Juvenil, dos oito aos vinte e cinco anos;

2.º escalão: Adulto, dos vinte e seis aos cinquenta anos e,

3.º escalão: Sénior, a partir dos cinquenta e um anos.

Projeto cofinanciado pelo Programa de Financiamento a Projetos pelo INR I.P.

Atividades de Apoio à Literacia Emergente: Outono (Parte 1)

Hoje partilhamos a primeira parte de um artigo que abordará algumas atividades realizadas em contexto de jardim-de-infância sobre a temática do outono. A primeira parte deste artigo relata uma experiência desenvolvida num jardim-de-infância do distrito de Viseu. A atividade foi concebida com o objetivo de promover questões inerentes à literacia emergente, colocando-se enfoque no desenvolvimento do conceito “outono”: Como desenvolver o conceito “outono”? Que dimensões são características desta estação do ano?

Reforça-se a importância do desenvolvimento de conceitos para crianças com cegueira:

Para atribuir significado às palavras, as crianças com deficiência visual devem ter experiências extensas e repetidas com objetos reais e com o seu uso. Os adultos que ensinam ou interagem com crianças pequenas com cegueira devem facilitar experiências concretas com objetos nos seus contextos naturais. 

Os adultos não devem apenas ensinar às crianças os nomes dos objetos, mas permitir que a criança perceba como eles se relacionam com atividades e pessoas. Deverão facilitar ainda a experiência com os objetos e as ações, trazendo os objetos para a criança ou trazendo a criança para a ação ou evento

Fonte: Holly Cooper, em https://www.tsbvi.edu/preschool/1117-early-concept-development

No jardim-de-infância…Experienciar o outono através de uma feira de produtos da época

Inicialmente foi realizada a leitura em voz alta do poema “O outono entra sempre pela janela”, do livro “As quatro estações” (Manuela Leitão e Catarina Correia Marques). O texto foi apresentado em braille para que a criança com cegueira aceda a modelos de escrita em braille. O poema serviu, ainda, de base para refletir sobre a “melodia da poesia”, imitar gestos e sons que a mesma sugere (som do vento, o movimento das folhas a cair, o gesto de de abrir a janela, etc.), bem como compreender o conteúdo narrado (elementos do outono: o tempo característico da estação; a mudança na natureza – cair das folhas das árvores; alguns dos produtos da época).

Posteriormente, em  conversa com as crianças, foram descritas as  características de diversos produtos da época (cogumelos, castanhas, medronhos, bolotas, figos), produtos estes que estiveram presentes na simulação de uma feira de Outono.

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As crianças foram convidadas a explorar os produtos através dos vários sentidos.

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Após esta apropriação inicial de determinadas informações sobre os produtos, as crianças foram divididas em dois grupos, o grupo dos vendedores e o dos fregueses. Os vendedores tiveram que inventar um pregão e definir o preço dos seus produtos, enquanto que aos fregueses foram distribuídas “moedas” para que pudessem fazer as suas compras.

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No fim, as crianças contaram o dinheiro amealhado e a educadora titular registou os resultados obtidos. Foi um momento vivido com grande entusiasmo por miúdos e graúdos, que permitiu realizar algumas aprendizagens de uma forma descontraída e bastante divertida, nomeadamente:

  • realizar reconhecimento tátil de alguns produtos da época;
  • ter contacto com a palavra escrita (a negro e a braille);
  • adquirir conhecimentos matemáticos (contagens);
  • desenvolver competências linguísticas (vocabulário; expressão; consciência fonológica).

A atividade permitiu ainda que as crianças estabelecessem ligação entre as suas experiências reais e o “faz de conta”, uma vez que anteriormente as crianças haviam realizado na sua escola uma Feira de Outono com produtos que trouxeram das suas casas.

O período da tarde foi dedicada ao registo da atividade da manhã!

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A brincar, a brincar experimentámos um verdadeiro dia de Outono!

Pequenos caminhos

Neste livro, como na vida, existem caminhos suaves,  completos, com orifícios, caminhos em ziguezague e outros com  ondas … E, finalmente, todos esses caminhos são um só: o caminho da vida!

Sinopse “Les petits chemins”

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Hoje apresentamos atividades decorrentes da leitura em voz alta do livro “Les petits chemins” -“Pequenos caminhos” (Editora Les Doigts Qui Rêvent). A história foi contada em voz alta com recurso ao álbum tátil ilustrado. Ao mesmo tempo que as crianças escutavam a história, exploraram tatilmente os caminhos que compõem as ilustrações do livro. Com texturas diversificadas que apelam a que a atenção se concentre no tato, as crianças foram desafiadas a seguir e a sentir!

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  • “Caminhos no trajeto para a escola”: estabelecendo ligação com as experiências reais de vida das crianças

Após a leitura, conversámos com as crianças sobre o trajeto que fazem para a escola: uns chegam à escola de carro, outros a pé… mas todos fazem diferentes caminhos, com curvas ou linha recta, com buracos ou por “alcatrão suave”!

  • “Caminhos que são linhas”: breve incursão pela pré-escrita 

O livro permitiu também conversar com as crianças sobre os diferentes tipos de linhas – linhas horizontais (deitadas); linhas verticais (em pé); linhas obliquas (inclinadas); linhas em ziguezague; linhas em onda…

Posicionámos uma régua em diferentes posição: horizontal, vertical e oblíqua.

As crianças realizaram o movimento de cada uma das linhas “desenhando no ar”, experimentando com as mãos e os braços movimentos distintos, que terão de utilizar no desenho e nas tarefas de pré-escrita.

Sabe-se que as capacidades de motricidade fina se desenvolvem durante o brincar com atividades construtivas e que envolvam o sistema tátil (ou sentido do toque) e o sistema propriocetivo (ou sentido da consciência do corpo) (Leão, 2019).

“Quanto mais oportunidades a criança tem de se envolver em atividades em que use as suas mãos para explorar o ambiente e objetos, mais ela estará a desenvolver as suas capacidades manuais e de motricidade fina e consequentemente mais preparada vai estar para as exigências da escrita!” (ibidem.) Com este livro foi realizado o planeamento motor dos movimentos necessários ao desenho de cada uma das linhas.

Como continuidade da actividade é interessante replicar as linhas em caixas de areia, com plasticina, com digitinta…

  • Reconto

Dada a sua estrutura simples e uma ilustração tátil muito representativa, este livro permite que as crianças sejam autónomas no reconto, envolvendo-se num exercício de leitura das ilustrações táteis e visuais.

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  • Outros caminhos

– “Vamos encontrar os caminhos?” um jogo onde as as crianças foram convidadas a encontrar um caminho indicado através de um cartão.  Ao adulto coube a tarefa de ler o cartão que a criança retirava de um baú, modelando o comportamento de leitura: – “Encontra o caminho em ziguezague”; “Encontra o caminho macio”; Encontra o caminho que é uma linha horizontal”; “Encontra o caminho onda”. As crianças seleccionavam o caminho tátil de entre três possibilidades apresentadas. 

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Bibliografia: 

Escrever à mão. Uma atividade multisensorial!

Jogos promotores da literacia emergente

No passado dia 04 de Outubro decorreu o workshop de construção de materiais para crianças com cegueira dos 0 aos 6 anos “O mundo na ponta dos dedos”, promovido pela Associação Bengala Mágica e dinamizado pela equipa do CAIPDV (Centro de Apoio à Intervenção Precoce na Deficiência Visual).

Descrição de imagens: sete fotografias que retratam alguns dos momentos da formação. Vista geral da sala onde os formandos se encontram sentados em mesas dispostas em U; momentos de trabalho onde os formandos exploram materiais já construidos; levados pelas formadoras; momentos de trabalho em que os formandos constroem materiais e os apresentam ao grupo.

 

O workshop abordou a importância do jogo e da brincadeira como componentes essenciais ao desenvolvimento integral da criança com cegueira. Foram descritos e apresentados vários jogos e adapatações para crianças da faixa etária 0-6 anos. Entre outras, a temática  literacia emergente também esteve presente neste workshop… Que jogos existem e podemos criar para promover o processo de literacia emergente de crianças com cegueira?

  • Braille Bricks;
  • Reach and Match;
  • Jogos de cartas
  • Alfabetos braille; 
  • Alfa-braille objetos; 
  • Livros-Jogos; 
  • Cadernos/Livros de Pré-braille; 
  • Caixas de histórias; 
  • Quizzs a partir de histórias; 
  • Jogos da Glória; 
  • Braillin; 
  • Jogos a partir da representação da célula braille; 
  • entre outros.

Em futuros artigos, serão explorados alguns destes materiais.

Até breve!

Literacia…musical com «Filarmónica Enarmonia»

Hoje divulgamos uma iniciativa da associação Bengala Mágica, apoiado pela Fundação Calouste Gulbenkien através da iniciativa PARTIS – Práticas Artísticas para a Inclusão Social.

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Este projeto pretende oferecer aulas gratuitas de instrumentos (de sopro e percussão), Teoria e Formação Musical, Treino Auditivo e Memorização e Musicografia Braille, a alunos cegos, com baixa visão e normovisuais. Pretende ainda possibilitar e fomentar a Prática de Conjunto através da constituição de uma banda filarmónica – Filarmónica Enarmonia.

As aulas experimentais terão inicio em setembro e destinam-se a crianças a partir dos 8 anos, jovens e adultos.
Descarregar folheto de divulgação aqui: CARTAZ aulas abertas pub

 

Para mais informações contacte a Associação Bengala Mágica:

Ligar: 969197614
associacao.bengalamagica@gmail.com

“A Baleia”

Hoje partilhamos algumas adaptações realizadas na mediação da leitura da história “A Baleia” (Benji Davies, editora Orfeu Negro) e respectivas atividades de exploração do livro com crianças com cegueira.

Ao acordar depois de uma noite de grande tempestade, o Noé avistou qualquer coisa ao longe: uma pequena baleia tinha dado à costa. O Noé sabia que não era bom para uma baleia estar fora de água e decidiu levá-la para casa, fazer-lhe companhia, contar-lhe histórias e até tocar-lhe umas musiquinhas… Será que o pai do Noé vai gostar da nova inquilina?

Uma história ternurenta sobre a amizade improvável entre um menino e uma baleia.

Sinopse “A Baleia”

O objetivo da mediação da leitura desta história é criar na criança com cegueira e restante grupo o gosto pela leitura e pela escuta da narrativa e, simultaneamente, promover a sua compreensão.

Uma vez que o livro é riquíssimo ao nível da ilustração, recorreu-se à descrição verbal da componente visual do livro. Paralelamente foram usados alguns artefactos que facilitam que a criança com cegueira explore tactilmente alguns objectos, personagens e, assim, emerja na história, alicerçada em oportunidades de acesso ao concreto/representativo. 

Listagem de artefactos utilizados na leitura da história: 

  • Baleia;
  • Banheira;
  • Areia da praia;
  • Água do mar;
  • Carrinho;
  • Balde de peixes;
  • Barco de papel.

 

Actividades: 

  1. A história foi lida em voz alta e as crianças iam sendo convidadas a explorar os objectos de referência da narrativa. A leitura foi realizada de forma dialógica, com pequenas pausas, para comentar e descrever as ilustrações e para desafiar as crianças em pontos críticos:

– “O Noé não sabia o que fazerO que é que vocês faziam se estivessem no lugar do Noé?

-“Mas disse-lhe que tinham de levar a baleia de volta para o mar, que era a casa dela“. Como é que o Noé se sentiu ? Acham que o Noé sentia saudades da baleia? Como é que baleia se sentia em sua casa?

2. Num segundo momento, a criança pôde explorar os artefactos de forma mais livre e simbólica, dando asas à sua imaginação e desenvolvendo um conjunto de experiências manipulativas e sensoriais. Este espaço permitiu ainda a consolidação de aspectos referentes à compreensão da narrativa. Em conversa exploraram-se as seguintes dimensões da narrativa:

-Personagens (Noé; Pai; Baleia)

-Cenário (Praia)

-Problemas (Baleia dá à costa)

-Acções (Noé pensa numa solução/ Leva a baleia para a banheira/ Pai descobre o segredo)

-Resolução (Pai diz ao Noé que têm de levar a baleia para a sua casa/ O Noé e o pai devolvem a baleia ao mar)

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3. Crianças da turma ilustram a história “A baleia”

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As crianças com défice visual severo/cegueira ficaram responsáveis pela realização da capa da história e recorreram à técnica do contorno da baleia com lápis, ficando com o seu vulto em cartão (podiam assim perceber a sua forma); utilizaram ainda os lápis de cor e areia para representarem a areia e o mar. Estas crianças têm resíduo visual e, por isso, o uso da cor é extremamente significativo.

Nas atividades de pintura, pode ser usado um papel texturado (por baixo da folha de papel a pintar), que irá conferir à pintura uma leve textura.

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E é tão bom vê-los brincar… e chapinhar… imaginando-se Noé’s e imaginando baleias!

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Atelier de Pais

No passado dia 08 de Junho decorreu mais um atelier de pais de crianças com défice visual grave/cegueira. Sendo o último atelier do ano lectivo, decidimos não ter nenhum tema a debater, para nos dedicarmos exclusivamente ao convívio e partilha entre todos.

Para começar uma “orquestra de afinidades”, onde todos tocámos instrumentos musicais, sempre que ouvíamos uma frase com a qual nos identificávamos e que era útil à apresentação de cada família.

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Descrição da fotografia: Participantes em roda com os instrumentos musicais, prontos para a dinâmica “orquestra de afinidades”.

Foi um momento de convívio entre famílias e profissionais, onde reunimos novas famílias, famílias “residentes” e famílias que voaram rumo a novos desafios, além fase da intervenção precoce.

Alguns dos momentos retratados em fotografias:

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Obrigada a todos pela vossa presença!

Até breve.

Convite para Iniciativa Associação Bengala Mágica – em Coimbra

A pedido da Associação Bengala Mágica, divulgamos uma iniciativa que se vai realizar no dia 06/07/2019 em Coimbra. Estamos todos convidados!!

“No dia 6 de Julho, venha passar um dia
diferente em Coimbra.
A Bengala Magica tem todo o gosto de vos dar a
conhecer um pouco mais do centro de Portugal através
de uma visita ao Portugal dos Pequenitos (Entre as
10h00 as 12h00) seguida de um almoço partilhado
num dos maravilhoso parques da cidade.
A tarde, será dedicada a participar numa experiência
lúdica e educativa no Exploratório – Centro Ciência Viva
de Coimbra.
Esta atividade destina-se a: crianças, jovens e adultos
com e sem deficiência visual.”

Para mais informações: https://www.facebook.com/associacaobengalamagica/

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Cartaz da Iniciativa da Associação Bengala Mágica, com informação do evento e fotografia da fachada do Portugal dos Pequenitos e do Exploratório – Centro Ciência Viva de Coimbra

Poemas Sentidos…quase prontos!

Os alunos do curso de Arte e Design da Escola Superior de Educação de Coimbra, estão a ultimar as ilustrações táteis que vão compor os 16 livros com poemas infantis, de textos originais, em braille e a tinta, no âmbito do protejo “Poemas Sentidos” (da responsabilidade da Associação Bengala Mágica).

No passado dia 22 de Maio foi dia de juntar o braille às páginas e de afinar alguns pormenores relativamente às ilustrações.

Algumas fotos do encontro onde os alunos trabalham nos seus projetos:

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Na última foto estão, da esquerda para a direita, Rita Santos da Direção da Bengala Mágica; Profª Beatriz Marques, que lecciona a disciplina de Ilustração; Patrícia Valério da equipa do CAIPDV, que nos apoia neste projeto e Dídia Lourenço, da Direção da Bengala Mágica.

Estamos ansiosas por conhecer o resultado final!

Voluntariado OLEC

Nos últimos meses temos contado com o contributo da Inês na nossa Oficina de Literacia Emergente para a Cegueira. A Inês Ladeiras fez connosco um estágio de Educação há uns anos atrás e, hoje, já formada, dedica algum do seu tempo à construção de materiais de apoio à literacia emergente de crianças com cegueira.

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Obrigada pelo teu contributo e generosidade, Inês! É tão bom quando alguém volta;)

Semana da Leitura

Já vem sendo habitual, a equipa do CAIPDV celebrar a Semana da Leitura, celebrando simultaneamente o braille e o livro tátil ilustrado. Este ano não foi exceção! A convite de Maria José Vale, professora bibliotecária do Agrupamento  de Escolas de Miranda do Corvo, no passado dia 01 de Abril de 2019, a equipa marcou presença numa ação de apresentação do livro “O que vês, o que vejo…”, com o objetivo de sensibilizar os alunos para o acesso e a acessibilidade dos livros e da leitura para crianças e jovens com cegueira.

Retratando a experiência da equipa com a edição do livro tátil ilustrado “O que vês, o que vejo…”, os alunos tomaram contacto com a realidade da insuficiência de livros neste tipo de formato e com o processo de construção artesanal dos mesmos. A par da história, os alunos foram tendo contacto com as ilustrações táteis e com a clarificação dos mecanismos colocados ao serviço dessas ilustrações.

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Não fosse a semana dedicada à leitura, apresentou-se o código braille e explicitou-se o seu funcionamento e algumas informações sobre o processo de leitura.

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A equipa procurou transmitir a importância do direito à educação e do direito à leitura, como condições essenciais à plena realização pessoal, social e académica de todas as crianças e jovens. Através do vídeo “A cor das flores” (edição ONCE), documentou-se um percurso de sucesso de uma criança com cegueira que, apostando no seu contexto percetivo, e tendo os recursos e suporte apropriados consegue superar os mais audazes desafios!

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“Poemas Sentidos”

Hoje, divulgamos uma iniciativa da associação Bengala Mágica: “Poemas Sentidos”. Uma iniciativa que nos diz muito, por contribuir para a disseminação do modelo háptico de ilustração e para o aumento de livros táteis ilustrados em território nacional.

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O CAIPDV deu o seu contributo a este projeto, participando numa apresentação sobre a ilustração tátil para crianças com cegueira e  modelo háptico, numa aula de ilustração do Curso de Arte e Design da ESE de Coimbra. São agora estes alunos que ilustrarão 16 poemas de autoria de Ana Cristina Agostinho, perspectivando a acessibilidade dos livros construídos. Os mesmos ficarão disponíveis na Associação Bengala Mágica para requisição do seu público.

Os livros acessíveis a crianças, de tenra idade, com cegueira e baixa visão são, em Portugal, praticamente inexistentes. Embora existam alguns livros que já têm escrita em braille, destinados a crianças, estes descoram uma parte tão importante num livro: a ilustração. A ilustração de um livro para crianças muito pequenas (pré-escolar/1º ciclo) requer alguns cuidados de forma a que possa ser perceptível, motivadora e apelativa. Consideramos que o livro tátil ilustrado, através do modelo háptico, tão bem trabalhado pelo CAIPDV, é, sem dúvida, aquele que melhor responde às necessidades e interesses das crianças com DV, mas também das crianças normo-visuais. Assim, estamos a desenvolver um Projeto em parceria com a ESE de Coimbra e com o apoio do CAIPDV, no sentido de serem criados, de raiz, 16 livros táteis ilustrados, cada um com um texto original. Os textos (poemas temáticos) foram cedidos à Bengala Mágica pela educadora Ana Cristina Agostinho. Participam neste projeto os 32 alunos do curso de Arte e Design da ESE de Coimbra, no âmbito da disciplina de ilustração. O resultado vai ser … FANTÁSTICO!

Fonte: Bengala Mágica https://www.facebook.com/pg/associacaobengalamagica/posts/?ref=page_internal

Descrição das fotografias: Momentos de apresentação da Associação e do Projeto e explicitação do modelo háptico, dinamizados por Dídia Lourenço, da Direção da Bengala Mágica e Inês Marques do CAIPDV; a vista geral da sala de aula com os alunos nos respetivos lugares com destaque para uma exposição de vários livros ilustrados segundo o modelo apresentado, e a exploração de dois dos livros por dois alunos.

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Curso “A criança com cegueira dos 0-6 anos”

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Divulgamos o curso “A criança com cegueira dos 0-6 anos”:

 

DETALHES DO CURSO:

FORMADORAS:
» Inês Marques (1)
» Patrícia Valério (2)
» Viviana Ferreira (3)

(1) Mestre em Ciências da Educação na área de especialização em Educação Social e Intervenção Comunitária é Educadora Social da equipa técnica do Centro de Apoio à Intervenção Precoce na Deficiência Visual (CAIPDV / ANIP) desde 2009. Integra o Projeto OLEC (Oficina de Literacia Emergente para a Cegueira) desde 2014.

(2) Assistente Social da equipa técnica do Centro de Apoio à Intervenção Precoce na Deficiência Visual (CAIPDV / ANIP) desde 2009. Integra o Projeto OLEC (Oficina de Literacia Emergente para a Cegueira) desde 2014.

(3) Mestre em Psicologia do Desenvolvimento e detentora de formação profissional e académica em áreas diversificadas e experiência profissional na área da Intervenção Precoce e da Deficiência Visual. Diretora Técnica do Centro de Apoio à Intervenção Precoce na Deficiência Visual (ANIP-Associação Nacional de Intervenção Precoce).

DATAS: 17 e 18 – maio – 2019
DURAÇÃO: 15 horas
HORÁRIO:
09h30 – 13h | 14h – 18h00 > 6ª-feira
09h00 – 13h | 14h – 17h30 > sábado

LOCAL: Sala de Formação da ANIP – Praceta Pe. José Anchieta, Lote 5, R/ch, Fração C, 3000-319 COIMBRA
Coordenadas GPS: 40º21’65.546”N | 8º42’37.047”W

DESTINATÁRIOS:
Docentes de educação pré-escolar/educadores de infância, docentes de educação especial e do ensino básico e outros a exercerem funções na área da deficiência visual ou com interesse na temática, pais e familiares de crianças com DV.

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INSCRIÇÕES & INFORMAÇÕES: formacao@anip.net
> Associados da ANIP – 65€
> Não Associados – 80€
Desconto de 5% para Grupos de 2 ou mais profissionais.

INSCRIÇÕES LIMITADAS a 25 formandos.
Data limite de inscrição: 10 – maio – 2019
Critérios de seleção: Número de ordem de receção da inscrição.
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INTRODUÇÃO:
As crianças com diagnóstico de cegueira integram muitas especificidades ao nível do seu desenvolvimento e aprendizagem, motivadas por um contexto percetivo diferenciado e uma maneira díspar de compreender o mundo e integrar novas aprendizagens.

Considerando o sistema educativo vigente, que privilegia o modelo inclusivo, urge ver garantidos os direitos e todas as oportunidades de aprendizagem de crianças com cegueira. No entanto, existe uma grande lacuna ao nível da formação e informação de profissionais e famílias. Acresce, ainda, o facto de estas crianças terem um outro código de leitura e escrita diferenciado – o braille. Estes profissionais contestam, frequentemente, a ausência de informação sobre a didática do braille e de materiais que possam apoiar o ensino deste código.

Face ao exposto, é premente realizar a ação de formação “A Criança com Cegueira dos 0 aos 6 anos”, de modo a colmatar as necessidades de formação sentidas pelos profissionais e famílias que são responsáveis pela educação, participação e plena cidadania destas crianças.

OBJETIVO GERAL:
Dotar os formandos de conhecimentos e competências essenciais para o desenvolvimento da intervenção com crianças com cegueira na faixa etária dos 0 aos 6 anos, para dar resposta às suas especificidades educativas.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS:
– Conhecer as implicações da cegueira no desenvolvimento da criança;
– Conhecer os instrumentos de avaliação disponíveis para a avaliação da criança com cegueira;
– Conhecer estratégias de intervenção a desenvolver com a criança com cegueira;
– Conceber adaptações específicas considerando o contexto percetivo da criança com cegueira.

CONTEÚDOS PROGRAMÁTICOS:
Módulo I: Cegueira: números e causas
Módulo II: A criança para além da cegueira: a individualidade da criança e o seu contexto percetivo
Módulo III: O desenvolvimento da criança com cegueira
Módulo IV: Avaliação e intervenção
Módulo V: Estratégias de intervenção
Módulo VI: Adaptação de materiais de apoio à Literacia Emergente

METODOLOGIAS DE FORMAÇÃO E AVALIAÇÃO:
Privilegiar-se-á o uso de metodologias participativas e dinâmicas que valorizem a aprendizagem e o desenvolvimento pessoal: método interativo e expositivo. Para tal recorrer-se-á, ao visionamento de vídeos, diapositivos e fotos, que servirão para a análise e discussão de casos pelos formandos.
Pretende-se com esta metodologia criar um espaço que privilegie: a partilha de conhecimentos, experiências e ideias, a reflexão e readequação de formas de atuação, a análise e discussão de casos e as dinâmicas de grupos.
A avaliação da formação será contínua, tendo por base os seguintes critérios: participação, motivação, espírito crítico, assiduidade, pontualidade, exercícios práticos realizados em grupo e/ou individualmente, entre outros.

INSCREVA-SE!

“Sonho de neve”

Hoje partilhamos o resultado da mediação da leitura de “Sonho de Neve”, de Eric Carle (Editora Kalandraka). A leitura aconteceu por altura do Natal e retrata um pouco esta estação do ano e a época natalícia.

Numa pequena quinta vivia um agricultor. Ele tinha tão poucos animais que até os conseguia contar
pelos dedos de uma mão. Então, o agricultor chamou
aos seus animais Um, Dois, Três, Quatro e Cinco.
Atrás do celeiro havia uma pequena árvore.
O agricultor chamou-lhe Árvore…

(excerto “Sonho de Neve”, Eric Carle, Editora Kalandraka)

“Sonho de Neve” conta a história de um agricultor que tinha 5 animais, dos quais cuidava muito bem. Este é o mote perfeito para desenvolver as contagens e  a ordenação temporal das unidades da fala que se representa na escrita – da esquerda para a direita, de cima para baixo.

Para a mediação da leitura foram utilizados os seguintes recursos:

  • Livro original e caixa de histórias com os principais elementos (estábulo com os animais em miniatura; manto branco, simulando a neve, e a árvore);

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Recursos utilizados após a leitura: 

O estábulo da história apresenta-se numa linha horizontal que funciona como treino lúdico da pré-leitura: cavalo, vaca, ovelha, porco, galo. Assim, criámos um estábulo em cartão, com as respectivas casas dos animais. Este recurso permite exercícios de discriminação tátil dos animais e  jogos de orientação espacial e ordenação numérica:

  • coloca os animais pela ordem em que aparecem na história;
  • coloca o cavalo na casa 2;
  • coloca a vaca na casa mais à esquerda;
  • coloca o galo na casa mais à direita;
  • coloca a ovelha na casa do meio;
  • etc.

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As atividades incluem também a representação do estábulo bidimensional. Este instrumento permite à criança contar as casas do celeiro e orientar os animais nas devidas posições; para além disso, introduz o número (em braille e a negro).

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  • A história permite ainda trabalhar com os “pontos braille”. Brincámos com a criança com as posições dos animais associados ao número de células braille correspondente:

-cavalo, primeiro animal do estábulo, a criança coloca-o em cima de uma célula braille;

– vaca, segundo animal do estábulo, a criança coloca-a em cima de duas células braille;

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  • A criança pode ainda treinar o seguimento, percorrendo caminhos onde tem de encontar os animais. Na figura abaixo, a criança segue o caminho e tem de parar sempre que encontra uma “vaca” (codificada com uma célula braille completa).

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Aconselhamos vivamente a leitura da história, pela riqueza pedagógica que imprime e pela riqueza sensorial – algumas pistas:

  • a neve – é fria, que barulho faz quando a pisamos?
  • o chá – que cheiro, que sabor, que temperatura?
  • o pão com mel – que cheiro, que sabor, doce, salgado?
  • as barbas do agricultor – picam? não picam? são de que cor?
  • as roupas do inverno – quentes, frias, confortáveis?

Nos contextos onde desenvolvemos a leitura desta história, as atividades acabaram sempre em partilha: com um copo de chá de hortelã-pimenta e um pedaço de pão com mel!

Boas leituras.

Ciclo de Leitura em Voz Alta: Obrigadas!

A leitura em voz alta é uma estratégia de estímulo do prazer de ler, que deve constituir um hábito diário desde as idades precoces.

Na OLEC – Oficina de Literacia Emergente para a Cegueira – temos promovido esta estratégia, estimulando os principais cuidadores de crianças com cegueira a lerem em voz alta desde o berço, introduzindo no dia-a-dia a escrita e leitura em braille.

Obrigada a todas as famílias e profissionais que celebraram connosco o Dia Mundial da Leitura em Voz Alta, respondendo ao desafio do PNL2027. 

A nossa participação e as iniciativas desenvolvidas por todo o país, estão registadas aqui .

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Vídeos: 

 

Continuem a estimular o prazer pela leitura braille!

Retrato do nosso piquenique com o “Repasto da Raposa”

Ver artigo: “A preparar um belo repasto”

O S. e o A. adoram a temática dos animais e da vida no campo. A história “O repasto da raposa” foi por isso muito significativa para eles. Eles sabem tudo sobre animais e ferramentas, tendo vivências no seu contexto familiar que os aproximam deste universo. Por isso, quando alguma história retrata estes temas, há uma identificação imediata e uma assimilação do conteúdo narrado por referência às experiências vividas.  Esta circunstância facilita,  sem dúvida,  o envolvimento nas actividades provenientes da leitura da história.

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Neste artigo faremos um breve resumo dos aspectos trabalhados através deste álbum tátil ilustrado:

  • Compreensão da narrativa e reconto da história através da leitura tátil das ilustrações

Depois de contarmos a história em grupo com a turma do S. e do A., explorando aspectos relacionados com a mesma em grupo, retomámos a sua exploração, mas desta vez em contexto individual. Aqui procurámos mediar o diálogo, de forma a desenvolver aspectos relacionados com a compreensão da narrativa e respectivo reconto. Procurou-se que estas crianças desenvolvessem competências que lhe permitissem organizar o discurso para o reconto da história à medida que exploravam tatilmente as ilustrações táteis (da mesma forma que as crianças normovisuais fazem leitura de imagens). Este livro tem ilustrações táteis muito simples, permitindo o seguimento da história, 5 galinhas (representadas por penas de diferentes cores e formas) e uma raposa (representada por um triângulo de pêlo cor de laranja, que vai aumentado à mediada que a personagem come as galinhas).

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  • Manipulação dos artefactos criados para representar a galinha e a raposa

Com as galinhas andámos pela capoeira a cacarejar, pelo campo a aproveitar o sol, imitando galinhas cheias de personalidade e com vozes muito próprias (o facto do S. e o A. terem percepção de cor facilitou a distinção das galinhas pela cor das penas). A raposa despertou aquele sentimento de medo… O  S. achou que para ela não comer as galinhas podíamos… “Pôr-lhe fita-cola na boca”, mas preferiu imaginar que ela não comia galinhas e ficava satisfeita com os ovos (que ele contava e lhe oferecia).  Com esta brincadeira de faz-de-conta desenvolvemos aspectos relacionados com a linguagem: diferentes géneros de discursoestruturas frásicas, uso de novo vocabulário, tudo através da dramatização da história e utilização do diálogo, reconto, argumentação … O facto de tudo isto ser intermediado pelos artefactos constituiu uma rica oportunidade de interações  em torno desta experiência de literacia, assegurando o contributo ativo das crianças (Hannon & Nutbrown).

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  • Posicionamento das galinhas na capoeira

Partindo da brincadeira gerada através da história, as crianças foram convidadas a posicionar cada uma das galinhas na sua casa (caixa de ovos com 6 divisórias). Através deste jogo é pretendido que a criança adquira familiaridade com a sequência numérica dos 6 pontos do sistema braille.  Estes  seis pontos são designados por Célula Braille e estão numerados de acordo com a posição em que se encontram. Assim, temos: na coluna da esquerda, de cima para baixo, os pontos 1, 2 e 3; na coluna da direita, também de cima para baixo, os pontos 4, 5 e 6. As crianças são convidadas a posicionar as galinhas nos números designados por casa 1, casa 2, casa 3, etc. 

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  • Fichas de pré-braille

Por referência às personagens principais da história, raposa e galinhas, as crianças foram ainda convidadas a realizar exercícios de seguimento e descoberta de intrusos.

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  • Jogo da Glória

Este “retrato do nosso piquenique” com o “Repasto da Raposa” termina com um jogo de tabuleiro, ao jeito do “Jogo da Glória”. Quem chegará primeiro à capoeira? A sorte é lançada através de um dado tátil. Depois é só contar e avançar, pelo percurso construído com diversas texturas e assinalado por números que se sucedem, a negro e a braille. A casa estrela anuncia desafio criado pela Educadora C.

Foi bom estar assim em roda!… a desfrutar da alegria da novidade, a contar pontos, casas e a recordar este conto que alimentou este nosso “piquenique”.

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Bibliografia:

Peter Hannon & Cathy Nutbrown (s/d). The ORIM Framework – Opportunities, Recognition, Interaction, Models. Raising Early Achievement in Literacy Project. School of Education, University of Sheffield. Em: http://www.real-online.group.shef.ac.uk/index.html

Dia Mundial da Leitura em Voz Alta

Hoje celebra-se o Dia Mundial da Leitura em Voz Alta!

Lançámos o desafio para o Dia Mundial da Leitura em Voz Alta (aqui) e já começamos a receber os vídeos/áudios das leituras do poema “Afinal, o Caracol” de Fernando Pessoa.

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Descrição da fotografia: Criança lê “Afinal o Caracol” (edição O Bichinho do Conto), livro sobre o seu rosto (fonte da fotografia).

Veja uma dessas leituras através do facebook ANIP (ver aqui).

Em breve, divulgaremos mais 🙂

 “Para quem não sabe ler, ler em voz alta traz tudo, ou quase” (Comissária do Plano Nacional de Leitura, Teresa Calçada).

Boas Leituras!

Desafio: Leitura em voz alta

Caros pais, amigos e leitores!

Na Oficina de Literacia Emergente para a Cegueira temos proclamado, em voz bem alta, a importância da leitura para o processo de Literacia de crianças com cegueira.
No próximo dia 01 de Fevereiro comemora-se o dia da Leitura em Voz Alta e queríamos muito que as famílias que acompanhamos o marcassem com a sua voz.

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Descrição da fotografia: Cartaz Dia Mundial da Leitura em Voz Alta PNL2027 – figura feminina segura em megafone feito de livros.

DESAFIO:
Ciclo de leitura em voz alta de pais para filhos (crianças com cegueira), a decorrer no dia 1 de fevereiro entre as 17h e as 22h.
– É muito simples: só têm de ler para o/a vosso/a filho/a o poema que seleccionámos para vós. Não vai ocupar-vos mais de 5 minutos. O poema chegar-vos-à via CTT, em breve.
– Registo do momento em vídeo ou áudio, em formato MP3, para divulgação de participação ao PNL2027. Envio do vídeo da leitura para caipdv@gmail.com.
O poema eleito:
Participem!!
Aguardamos com expectativa pelas vossas vozes!

 

“Hinos ao livro braille” no seminário “O Livro Braille – Linhas e Pontos na Era Digital”

No passado dia 11 de Janeiro de 2019, a equipa CAIPDV – OLEC esteve representada no seminário “O Livro Braille – Linhas e Pontos na Era Digital”, no âmbito das comemorações do dia do braille.

Um seminário que muito nos honrou  participar, pela partilha gerada entre instituições e pessoas com reconhecido mérito nas práticas relacionadas com a  promoção do braille.

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Foi com entusiasmo que ouvimos “hinos ao livro braille”, reforçando a premissa da sua soberania, ainda que, numa era onde o “digital” se impõe.

A equipa do CAIPDV – OLEC partilhou a sua experiência com o livro tátil ilustrado com crianças com cegueira dos 0 aos 6 anos. Explanaram-se as potencialidades do livro infantil/álbum ilustrado para as crianças desta faixa etária e confrontou-se o auditório com a problemática na criação de ilustrações táteis.

O modelo háptico foi sumariamente explanado como potencialidade na construção de ilustrações táteis mais significativas para pessoas com deficiência visual, confrontando-o com perspetivas que atendem às representações visuais.

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Descrição da fotografia: Painel 2 “As potencialidades do livro braille”.

Transportou-se o auditório para o contexto natural das crianças que acompanhamos, onde através de 2 livros táteis ilustrados, se exemplificaram práticas e potencialidades dos mesmos no processo de literacia destas crianças e pares.

Defendeu-se a introdução destes recursos precocemente, pelos benefícios lúdicos e pelo reforço das competências de pré-leitura e escrita.

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Descrição da fotografia: Painel 2 “As potencialidades do livro braille”

Estamos certas que os pintores das ilustrações hápticas roubam as sensações do mundo… sensações partilhadas por pessoas cegas e normovisuais…porque todos sentimos…

Parece que esses pintores, as multiplicam nos livros, convidando todos a apreciar a beleza do mundo, pelo toque, que em parelha com a escuta da palavra, nos permite um vai-e-vem afinado entre representação e realidade.

Deixamos o desafio: que se continuem a colocar nos livros as sensações do mundo!