Vamos à caça ao urso?

É sempre tempo para irmos à caça ao urso e é tão bom recordar as nossas “caçadas”! Hoje, para partilhar com os nossos leitores, o trabalho realizado a partir do clássico de Michael Rosen “Vamos à caça ao urso?”

Está um belo dia, e eles vão dizendo que não têm medo, enquanto atravessam um campo de erva alta e ondulante, cruzam um rio fundo e frio, arrastam-se através da lama pegajosa, procuram o caminho pelo meio de uma floresta, passam através de um nevão que rodopia e entram pé-ante-pé numa caverna soturna. Aqui, na escuridão, tudo parece diferente… E qual é a coisa temível que aparece diante deles?

Leiam e descubram!

Para a mediação da leitura desta história e posterior trabalho pedagógico, preparámos:

  • Um percurso sensorial, onde a criança pode explorar sensações similares às dos cenários apresentados na história. 

Aqui podem ser discutidas as características dos locais descritos e todas as sensações e emoções que nos transmitem: frio, calor, cócegas, arranhar, molhado, seco, ruídos, emoções…

Enquanto se lê a história, a criança pode executar as acções, fingindo atravessar o campo de erva, a floresta, o nevão, cruzar o rio e a lama pegajosa, avançando até à caverna… A dinâmica criada a partir da narrativa e a vivência gerada pelo percurso, estimulam a criança a “entrar na história”, promovendo a imaginação e a apreensão da narrativa. A componente motora é também estimulada, tendo a criança que se orientar através do percurso e caminhar sobre um conjunto de “pisos” muito diversificados.

 

  •   Jogo de conceitos posicionais

Após a leitura e a realização do percurso, personagens e cenários poderão ser o mote para a aventura prosseguir… O adulto poderá dar à criança um urso em miniatura e um tabuleiro e a criança terá de o posicionar consoante as indicações do adulto: à esquerda, à direita, no meio, em baixo, em cima.

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  • Jogo de associação de texturas

Continuando pelos “mundos” da história, apresenta-se à criança um jogo de texturas muito especial, uma vez que evoca os cenários e personagens da história.

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Todas as actividades contribuem para que a criança desenvolva competências linguísticas, relacionadas com o desenvolvimento de conceitos e aprendizagem de novo vocabulário. O facto da história ser ritmada e repetitiva contribui para o envolvimento da criança, para a compreensão da narrativa e respectivo reconto.

Com esta atividade, a componente tátil não fica esquecida. Todas as atividades contribuem para o desenvolvimento dos movimentos corporais, organização espacial e percepção tátil.

Rendidos? Agora é a vossa vez…Toca a caçar!

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Sugestão: “Dar a ouvir paisagens sonoras da cidade”

A não perder: “Dar a ouvir paisagens sonoras da cidade”, um conjunto de exposições com lugar no Convento de São Francisco em Coimbra, até ao próximo dia 02 de Setembro.

Este programa, com entrada livre, visa dar a conhecer a Cidade a partir de uma perspectiva audível: das suas paisagens sonoras.

Procura sensibilizar para a escuta e para o som como possibilidade de descoberta e conhecimento, enquanto objecto criativo e de cruzamento disciplinar, numa abordagem em que os sentidos e os saberes se complementam.

Neste programa não ficámos indiferentes à criação artística de Rudolfo Quintas. Em DARKLESS: The Black Hole o público imerge numa instalação audiovisual interativa, cuja composição explora a ideia do buraco negro como um espaço de expressão artística. A composição desta instalação é inspirada no trabalho que o artista desenvolve sobre a expansão criativa do corpo e da realidade em pessoas cegas, mapeando o movimento do corpo através do som.

Para movimentar, dançar e escutar as notas musicais produzidas pelo corpo em movimento.

A não perder!

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Estratégias promotoras do desenvolvimento linguístico

No último post abordámos alguns aspetos relacionados com o desenvolvimento linguístico de crianças com cegueira. Hoje apresentamos de forma muito sumária algumas estratégias a considerar tendo em vista a promoção do desenvolvimento da linguagem.

Algumas estratégias para as primeiras idades

  • O tom de voz e a entoação são extremamente importantes
  • Afeto, toque e interações positivas
  • Repetição das produções orais da criança (sons, sílabas)
  • Dar significado às produções da criança
  • Antecipar/avisar que lhe vai tocar, para não surgir de surpresa
  • Sempre que se dirige à criança, dizer o seu nome
  • Ajudá-la a perceber o ‘eu’ e o ‘tu’
  • Dar tempo de resposta; ‘tomar a vez’
  • A criação de rotinas e a repetição
  • Descrição verbal
  • Experienciação/vivência corporal
  • O conhecimento sensorial é preponderante
  • Promover a curiosidade da criança
  • Ajudar ao reconhecimento da funcionalidade dos objetos da vida diária
  • Desenvolvimento do jogo simbólico
  • Ler histórias
  • Tato ativo/háptico.

Algumas atividades que desenvolvemos pelos contextos naturais promotoras do desenvolvimento da linguagem:

  • Experiências reais
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Descrição da fotografia: Crianças realizam processo de sementeira. Conversa sobre todos os passos deste processo a par da experiência real. 

  • Jogo simbólico 
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Descrição da fotografia: Criança dá banho a uma boneca. 

  • Leitura de histórias 
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Descrição fotografia: Criança reconta a história ” A lagartinha muito comilona” de Eric Carle, assumindo o protagonismo da narrativa. 

  • Diálogo
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Descrição da fotografia: Crianças conversam informalmente. 

Linguagem na Cegueira – Parte II

As primeiras idades

A interação social, o desenvolvimento do ‘eu’ e a comunicação inicial desenvolvem-se nas primeiras idades.

Inicialmente, a comunicação constrói-se na interação com o adulto e baseia-se nas ações do bebé para manter o contacto, tais como o riso, o movimento, o contacto físico e as vocalizações.

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Descrição da fotografia: Momento de interacção entre adulto e bebé (bebé deitado sobre os braços do adulto; adulto canta-lhe, aproximando-se do rosto; bebé sorri mostrando agrado na proximidade, voz e toque)

Nos bebés com cegueira, as primeiras interações comunicativas caracterizam-se pela ausência de contacto visual (que poderia transmitir informação crucial para a relação/interação), pela ausência de referente visual daquilo que os rodeia (objetos, pessoas), por um protagonismo do adulto nas interações e por uma necessidade de contacto físico permanente. Consequentemente, pela ausência da informação visual, o bebé com cegueira foca-se muito mais nas pistas auditivas, táteis, cinestésicas, olfativas, etc. Estes bebés tendem a iniciar menos interações e ficam ‘à escuta’ (às vezes até viram a cara para o lado para ouvir melhor). Este ‘silêncio’, juntamente com a inexistência de contacto ocular, pode ser mal interpretado como desinteresse do bebé, provocando menos interações por parte dos adultos.

É conhecido que as mães/pais de crianças com cegueira tendem a falar mais, a descrever tudo o que está à sua volta, a usar mais instruções compostas por descrições do que as mães de crianças normovisuais. Desta forma, os bebés começam a reconhecer os adultos à sua volta pelo reconhecimento da sua voz, pelo cheiro e pelo toque.

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Descrição da fotografia: Momento de brincadeira entre adulto e bebé (bebé alcança bola sonora à sua frente. Adulto reforça o comportamento do bebé, elogiando-o, sorrindo e batendo palmas).

Fase pré-verbal/balbucio

Segundo a literatura, não parece haver diferenças significativas nesta fase quando comparado com crianças normovisuais. Porém, por ser muito prazeroso, este período pode persistir por mais tempo nos bebés com cegueira. O facto de estes bebés não verem os movimentos labiais da boca dos adultos que lhes falam pode inibir que facilmente eles imitem sons labiais/ bilabiais (como os sons /m, p, b, f, v/).

Vocabulário

Sendo certo que a visão transmite grande parte da informação para aprender nomes e significados, assim como informações físicas do ambiente, tais como a forma, o movimento, a localização/posicionamento, o ritmo, etc., nas crianças com cegueira essa informação tem de ser transmitida necessariamente pelos adultos que as rodeiam.

A linguagem assume, assim, um papel compensatório crucial para o desenvolvimento das crianças com cegueira.

Assim, segundo o que nos indicam vários autores, não parece haver diferenças no aparecimento das primeiras vocalizações e primeiras palavras. Porém, pode haver diferenças quanto à utilização das mesmas: uso de mais nomes específicos; uso de mais palavras de ação; e uso de menos nomes gerais. Pode surgir dificuldade em generalizar uma palavra de determinada categoria (ex: cão-peluche), devido ao facto de terem experiências restritas, e normalmente estas crianças fazem mais perguntas quando falam de objetos familiares (como forma de compensar a falta de informação ‘visual’).

Estruturação de frases, formação de palavras e sons

No que diz respeito à componente morfossintática/estruturação frásica e formação de palavras, os estudos não indicam atrasos no desenvolvimento relativamente aos pares normovisuais, contudo podem surgir diferenças qualitativas na forma como são usadas. Devido às questões com o desenvolvimento do ‘eu’, pode surgir atraso na utilização de pronomes e erros reversos na utilização daa 1ª e 2ª pessoas (eu – tu).

Apesar de não existirem muitos estudos, também não parecem ser identificadas alterações articulatórias relevantes. No entanto, regra geral, os primeiros fonemas a surgirem são de produção cujo ponto de articulação não é observável (palatais, dentais, etc.), contrário às crianças normovisuais, que adquirem primeiro sons bilabiais.

Em conclusão, nas crianças com cegueira podem surgir algumas dificuldades nas primeiras interações, comunicação e na aquisição da linguagem, no entanto elas conseguem desenvolver formas alternativas de interagirem socialmente e de comunicarem. A linguagem reveste-se de grande importância, tendo um grande impacto no desenvolvimento e no conhecimento do mundo por parte das crianças com cegueira, assumindo quase o papel de “substituição” da visão.

Não perca no próximo post algumas estratégias para promover o desenvolvimento linguístico em crianças com cegueira. 

Até breve!

Atelier de Pais

No passado dia 16 de Junho de 2018 aconteceu o  3º e último atelier de pais deste ano lectivo. Para este encontro organizamos algo mais descontraído para fecharmos o ano

cheios de energia e boa disposição.

As atividades tiveram lugar no  Parque Verde do Mondego e divertimo-nos com um caça ao tesouro, um belo almoço partilhado, passeios de bicicleta e patins, boas conversas, gargalhadas e, ainda, voltas e reviravoltas em Kayaks.

Foi um dia muito especial para todos: novas famílias chegaram, despedimo-nos dos “nossos” finalistas e desejamos-lhes felizes voos.

Como já vem sendo habitual um dia muito bem passado e cheio de partilhas.

Até breve!

 

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Grupo que participou no Atelier

Os “nossos” quatro finalistas: a Gabriela, a Vitória, o Duarte e a Eva.

Obrigada!

Enquanto elementos do projeto OLEC temos também como missão divulgar informação útil, que coloque vários públicos em reflexão sobre a importância da acessibilidade de livros e outros materiais gráficos a crianças com cegueira.

Consideramos de todo relevante que livreiros, escritores, ilustradores, designers e outros artistas tenham acesso a informação pertinente para a compreensão do contexto perceptivo na cegueira e a implicação que esta diferente leitura do mundo tem na leitura tátil.

Desafiadas pela Professora Fernanda Antunes, que ministra a disciplina de Ilustração no  Curso de Design da ESEC (Escola Superior de Educação de Coimbra), no passado Dezembro de 2016, realizámos uma apresentação sobre a acessibilidade do álbum tátil ilustrado, motivando futuros designers a pensarem em soluções que incluíssem plenamente crianças com cegueira.

Recentemente, tivemos uma agradável surpresa… Álbuns táteis ilustrados concebidos e construídos por estes alunos e, gentilmente, cedidos à OLEC. MUITO OBRIGADA!

Expressamos a nossa alegria por constatarmos que a articulação entre domínios tão diferenciados – a especificidade da cegueira e a especificidade de conteúdos gráficos/artísticos – podem acrescentar valor à inclusão e direito à plena educação  de crianças com cegueira.

Continuamos a caminhar em direcção à ilustração tátil baseada no modelo háptico. Obrigada pelo vosso contributo!

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O “Triângulo” andou por aí a viajar

Num anterior post, partilhámos a adaptação da história “O Triângulo”, por estagiárias de Educação da ESEC. Hoje partilhamos convosco algumas fotografias sobre a exploração deste livro com uma criança.

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Criança explora capa do livro com título “Triângulo” (Editora Orfeu Mini). Ilustração tátil: triângulo feito em feltro. 

Esta história é sobre o Triângulo. Esta história é também sobre o Quadrado, amigo do Triângulo. É também a história da valente partida que o Triângulo pregou ao seu amigo Quadrado.

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Neste livro formas simples ganham vida e vivem uma aventura cheia de partidas. Vejam só o interior deste livro com as respectivas imagens táteis.

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Descrição da fotografia: Criança explora ilustrações táteis, revivendo a viagem do Triângulo que passou por quadrados grandes, quadrados médios e quadrados pequenos. 

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Descrição da fotografia: Criança explora ilustração tátil – porta da casa do quadrado. Criança abriu a porta e explora superfície representativa da casa, também da forma quadrada. 

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Descrição da fotografia: Criança explora ilustração tátil, revivendo a viagem do Quadrado atrás do Triângulo, passando por quadrados pequenos, quadrados médios e quadrados grandes; passou pelas formas sem nome; pelos triângulos grandes, pelos triângulos médios e pelos triângulos pequenos. 

E assim, a andar e, por vezes até a correr, viajamos com este “Triângulo”, por caminhos de quadrados grandes, médios, pequenos; triângulos pequenos, médios e grandes; e até formas sem nome.

Mais um livro a viajar pelos contextos naturais!

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Criança com o livro “Triângulo” à frente do rosto, num barco de papelão. 

Poemas para escutar

Em jeito de pedido à Primavera para ficar, divulgamos mais um recurso para quem gosta de escutar  poesia.

https://www.publico.pt/2018/03/20/video/poemas-para-as-quatro-estacoes-20180319-162253

As autoras de Poemas para as Quatro Estações, Manuela Leitão e Catarina Correia Marques, (ed. Máquina de Voar) dão a voz a alguns destes poemas…e o resultado é digno da vossa escuta.

Boa viagem!

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Descrição da ilustração (de Catarina Correia Marques): comboio sobre ponte 

 

Por cá… Nasceu mais uma adaptação de um livro

No âmbito de um estágio de Educação, da  Escola Superior de Educação de Coimbra, desafiamos a Maria e a Mónica a adaptar a história “Triângulo” (Editora Orfeu Negro), com  base nos pressupostos da ilustração tátil (modelo háptico).

Ver sinopse da editora, aqui.

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Descrição da fotografia: Capa do livro “O Triângulo” (Editora Orfeu Negro).

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Em breve, publicaremos o resultado da adaptação deste livro.

Obrigada Maria e Mónica pela vossa colaboração.

A linguagem na cegueira ‒ Parte I

Sendo a comunicação algo inerente ao ser humano e às relações entre seres vivos, que visa a partilha de informações entre as pessoas e promove as relações interpessoais, a linguagem assume uma importância evidente para que o processo comunicativo tenha sucesso.

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Assim, a linguagem, como “sistema complexo e dinâmico de símbolos convencionados, usado em modalidades diversas para [o homem] comunicar e pensar” (ASHA, 1983), reveste-se de grande relevância para a comunicação humana, sendo uma importante ferramenta de pensamento. Através dela recebemos, armazenamos e transportamos informação, questionamos, expressamos sentimentos, bem como adquirimos conhecimento sobre o mundo que nos rodeia. A linguagem assume-se de variadas formas, pois pode ser gestual/mímica, verbal/oral, verbal/escrita, expressão (fala) ou compreensão.

E nas crianças com cegueira, a linguagem é uma área forte?

Devemos preocupar-nos com a linguagem?

De facto, o que a literatura nos diz é que em crianças com cegueira o desenvolvimento da linguagem se processa sem diferenças significativas relativamente aos pares normovisuais. Existem até autores que defendem ser uma área muito forte nas crianças com cegueira.

A linguagem, sendo uma forma de adquirir e transmitir conhecimento, assume um papel preponderante, uma vez que é através dela que a criança com cegueira vai apreender e conhecer o mundo visual à sua volta, assim como através dos restantes sentidos.

Participação na Semana da Leitura

No passado dia 20 de Março, a equipa do CAIPDV esteve presente nas comemorações da Semana da Leitura do Agrupamento de Escolas de Miranda do Corvo, com o objectivo de sensibilizar as crianças do 1º CEB do Centro Escolar de Miranda do Corvo para a acessibilidade do livro e da leitura para crianças com cegueira.

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Descrição da fotografia: Equipa do CAIPDV, da esquerda para a direita: Diane Gouveia, Cristina Lopes, Inês Marques, Rita Ângelo, Patrícia Valério.

Como lêem crianças com cegueira? Com que recursos? Há muitos livros acessíveis a estas crianças? Poucos? Como se constroem livros verdadeiramente acessíveis? Estas e outras questões foram debatidas com as crianças presentes.

A componente da ilustração tátil (háptica) foi apresentada como componente essencial ao processo de leitura de crianças em idade pré-escolar… uma idade em que se lêem mais as imagens/ilustrações do que as letras.

Através do processo de mediação de leitura do livro tátil ilustrado “O que vês, o que vejo…”, fomos mais longe, procurando que as crianças desfrutassem, também elas, de um contexto perceptivo diferenciado.

De olhos fechados, ouviram o mar…evocaram memórias, para além das visuais… o cheiro da maresia, a memória da água fria… sentiram o movimento das ondas e o picar das agulhas dos pinheiros.

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Descrição da fotografia: Crianças exploram ilustração tátil representativa do mar (podem sentir o movimento da água, das ondas).

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Descrição da fotografia: Crianças exploram ilustração tátil dos pinheiros (podem sentir o picar das agulhas).

Ouviram o som do coração e accionaram-no no livro…

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Descrição da fotografia: Crianças exploram ilustração tátil do coração (podem accionar mecanismo representativo do bater do coração).

Por fim, apresentámos os “6 pontos a dançar”, que deixam sempre “um rasto de contos elevados, para dedos afinados poderem sonhar”… O braille fez a delícia de pequenos e graúdos: explicámos o seu funcionamento e a escrita na  máquina de  braille; reflectindo sobre o papel essencial que este código de escrita tem na educação de crianças com cegueira.

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Descrição da fotografia: Equipa apresenta o código braille.

Foi com alegria que percebemos a curiosidade das crianças e receptividade de professores.

Agradecemos o convite e desafio que nos foi lançado e o precioso acolhimento que tivemos nesta escola.

Muito gratas! Um abraço da equipa!

Ler artigo do Agrupamento de Escolas de Miranda do Corvo ““O QUE VÊS, O QUE VEJO…”, UMA NARRATIVA ILUSTRADA PARA CRIANÇAS QUE NÃO VEEM E NÃO SÓ! 

Dia Internacional do Livro Infantil

E mais um ano celebramos o Dia Internacional do Livro Infantil, com o desejo que, cada vez mais, aumentem e se diversifiquem os livros táteis ilustrados acessíveis a crianças com cegueira.

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Cartaz que assinala o Dia Internacional do Livro Infantil, da responsabilidade da DGLAB (ilustração de Fátima Afonso).

 

A mensagem do IBBY internacional, este ano da responsabilidade da Letónia, consta de um texto da escritora INESE ZANDERE, e de um cartaz do ilustrador Reinis Petersons. Pode ser encontrada em http://www.ibby.org/awards-activities/activities/international-childrens-book-day/icbd-2018/?L=0

Boas leituras!

Les Doigts Qui Rêvent Premiada

Foi com alegria que recebemos a notícia que a Editora Les Doigts qui Rêvent foi mais uma vez reconhecida com o   Prémio de Promoção da Leitura 2018 IBBY-Asahi. 

O Prémio Promoção da Leitura IBBY-Asahi foi criado em 1986.  A cada dois anos é concedido um prémio a um grupo ou instituição que desenvolva atividades de significativa contribuição para a promoção da leitura entre crianças e jovens. O vencedor é escolhido entre projetos indicados por seções nacionais IBBY de todo o mundo.

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A Les Doigts Qui rêvent (LDQR) foi criada em 1993 como uma resposta à total falta de  livros táteis ilustrados para crianças com deficiência visual em França, Europa e no mundo.

Um dos objetivos da LDQR é sensibilizar pais, professores, educadores, ilustradores e outros profissionais para a importância dos livros táteis ilustrados e incentivar a  sua criação, preservando a estética e a acessibilidade do suporte. Outro importante objetivo é incentivar a inclusão de crianças com cegueira nas escolas regulares através da dinamização de workshops, bem como a investigação como geradora de conhecimento que envolva o crescendo das práticas de construção destes livros. 

Há 24 anos que a LDQR tem sido fundamental para aumentar a qualidade e quantidade de livros táteis ilustrados em todo o mundo e assim melhorar o acesso aos livros e à leitura.

Para quem contactou de perto com esta editora é, mais uma vez, com enorme alegria que vemos reconhecido o trabalho fabuloso desta equipa, que tem permitido tantos dedos sonhar.

Parabéns! Um enorme abraço de Portugal!

Ateliê de Pais – Linguagem

No passado dia 17 de fevereiro aconteceu em Coimbra mais um Ateliê de Pais para a promoção da literacia emergente na cegueira. Tal como no ateliê anterior, o local escolhido foi a Creche e Jardim de Infância da ANIP, junto às instalações da Maternidade Bissaya Barreto.

Neste dia o tema foi a Linguagem na Cegueira. A partilha dos pais foi muito rica e foi possível refletir sobre as especificidades linguísticas das crianças com cegueira.

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Descrição das fotografias: Grupo de pais durante a partilha sobre linguagem

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Descrição da fotografia: As crianças a brincar 

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Descrição da fotografia: O grupo de pais

 

Divulgação: Curso “A criança com cegueira dos 0 aos 6 anos”

Divulgamos iniciativa da Associação Bengala Mágica, em colaboração com a ANIP (Associação Nacional de Intervenção Precoce).

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CURSO DE FORMAÇÃO: A Criança com Cegueira dos 0 aos 6 anos


CRONOGRAMA: 09 e 10 de março de 2018

HORÁRIO: 9h30m às 13h00m e das 14h00 às 17h30

DURAÇÃO TOTAL: 15 horas

LOCAL: Instituto Piaget, localizadas no Campus Universitário de Almada, na Avenida Jorge Peixinho, n.º30 — Quinta da Arreinela, 2805-059 Almada.(Junto à Estação de Comboios do Pragal)


Inscrição através do LINK: https://goo.gl/forms/98nfFLp20Kyg6ax72 ( As inscrições serão aceites pela ordem de recepção, com um limite de 25 formandos)

Contactos:
formacaobengalamagica@gmail.com
96 919 76 14

Contributos do Seminário “Literacia Braille no Século XXI”

Durante o dia de ontem, dia 04 de Janeiro, tivemos oportunidade de participar no Seminário “Literacia Braille no Século XXI”. A iniciativa promovida pelo Instituto Nacional para a Reabilitação, em parceria com a ESECS-IPLeiria e o CRID, dirigiu-se à comunidade académica e à sociedade civil, bem como à rede de organizações ligadas à deficiência visual e à promoção do ensino do braille em Portugal.

O presente post apresenta, de forma muito sumária, alguns dos contributos que trouxemos.

Ana Sofia Antunes, secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência, presidiu ao Seminário, assinalando assim as comemorações do Dia Mundial do Braille  e reiterou a importância do braille, afirmando que este não se deve excluir face ao avanço da tecnologia. Destacou, ainda, a oficialização do sistema braille (Decreto-Lei nº 126/2017 de 4 de Outubro).

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Descrição da fotografia: Sessão de Abertura. Na mesa, esquerda para a direita: Rita Cadima, Ana Sofia Antunes, Sandrina Milhano.

“Desafios do ensino/aprendizagem do Braille” 

Neste painel foi evidenciado que a literacia braille deve ser promovida desde tenra idade, com as  famílias e profissionais nos contextos naturais das crianças. Apresentou-se o processo de literacia emergente como fundamental para o sucesso da aprendizagem da leitura e escrita braille de crianças com cegueira.

Destacou-se a importância do braille para uma cidadania plena, ativa e participativa. Mais se apresentou a leitura braille como um processo cognitivo complexo, exigindo o tato ativo (háptico), aspecto fundamental a considerar no ensino-aprendizagem.

Enquadrando o braille na especificidade de determinados domínios curriculares e de lazer, foi relatada a experiência de um docente de educação especial e um músico,  destacando-se a musicografia braille, como experiência completa na vivência e aprendizagem da música.

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Descrição da fotografia: Painel 1. “Desafios do ensino/aprendizagem do Braille”, na mesa, da esquerda para a direita: Leonardo Silva, Ana Lúcia Pelarigo, Célia Sousa, Patrícia Valério, Inês Marques, Serafim Queirós. 

Painel 2. “Perspectivas didáticas sobre o ensino/aprendizagem das diferentes grafias braille”

Com quase 200 anos, o braille foi sendo ajustado às necessidades de diferentes áreas do saber, profissões, meios artísticos e culturais. Os oradores deram conta das especificidades da grafia matemática, grafia química, grafia informática e grafia musical.

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Descrição da fotografia: Painel 2. “Perspectivas didáticas sobre o ensino/aprendizagem das diferentes grafias braille”, na mesa, da esquerda para a direita: Luís Filipe Cunha, Carlos Ferreira, Miguel Ferro, Alberto Mendonça, Claudino Pinto, Guilherme Jorge. 

Painel 3: “O impacto da literacia Braille na construção identitária da pessoa”

Este painel destacou a importância da aprendizagem do braille para a cidadania e literacia de pessoas com cegueira. Foram relatadas experiências em que o braille se apresenta como essencial para a organização doméstica e pessoal e para a orientação e mobilidade.

Foi, ainda, destacado o processo de aprendizagem braille e a importância do mesmo para pessoas com baixa visão severa (residual).

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Descrição da fotografia: Painel 3. “O impacto da literacia Braille na construção identitária da pessoa”, na mesa, da esquerda para a direita: José Mário Albino, Renato Viana, Tomé Coelho, Irina Francisco, Diogo Costa.

Foi um dia muito proveitoso onde partilhámos com outros a importância do braille para a cidadania e plena integração da pessoa com cegueira.

Dia Mundial do Braille

Estamos a celebrar o Dia Mundial do Braille no seminário “Literacia Braille no Século XXI”.

Reiterando a ideia que Serafim Queirós deixou neste evento “a Literacia Braille é o melhor caminho para uma cidadania ativa e participativa”. 

Na OLEC avançamos, contribuindo para a construção de caminhos, ao empreendermos o processo da literacia emergente.

Mais informação sobre este seminário em breve.

Seminário “Literacia Braille no Século XXI”, a 4 de Janeiro de 2018

Para começar o ano a refletir sobre o papel do braille na atualidade, está a ser organizado um seminário que passamos a divulgar:

“Literacia Braille no Século XXI”, a decorrer na Escola Superior de Educação e Ciências Sociais do Instituto Politécnico de Leiria, no próximo dia 4 de janeiro de 2018. Os objetivos deste seminário são:
– Assinalar o dia mundial do braille 2018;
– Promover a reflexão sobre o ensino/aprendizagem do braille e suas grafias; e
– Refletir sobre a importância do braille na construção da identidade das pessoas cegas e com baixa visão.

Para aceder ao programa e realizar inscrição, consulte a página do INR, aqui.

Descarregar programa em pdf, Programa_Seminario_Braille.

A ANIP – CAIPDV estarão representadas neste seminário com uma comunicação que dará destaque à experiência de trabalho da equipa na promoção da literacia de crianças com cegueira, na faixa etária da intervenção precoce. Destacar-se-á, inevitavelmente, o papel da Oficina de Literacia Emergente para Crianças com Cegueira.

Um próspero 2018

A equipa do CAIPDV – OLEC deseja a todos/as os/as nossos/as leitores/as e amigos/as um próspero 2018, repleto de momentos importantes.

Esperar por outro momento importante, é uma grande especialidade de todas as árvores.

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Descrição da ilustração: “Cem sementes que voaram” (de Isabel Minhós Martins e Yara Kono, editora Planeta Tangerina). Na ilustração vê-se árvore com um passarinho num dos galhos. À esquerda pode ler-se o texto: ” A árvore estava à espera.| De esperanças.|Naturalmente esperançosa. O que esperava ela? Que tudo corresse bem| (era essa a sua esperança). |O que esperava ela?| O dia mais que perfeito,| o dia certo,| o dia tal!”

Nunca é demais dizer que desejamos, igualmente, um ano cheio de literacia 😉

Atelier Pais & Profissionais: Trabalho em equipa pela literacia emergente

No passado dia 11 de novembro decorreu em Coimbra mais um atelier para famílias com crianças com cegueira. A estes juntaram-se os profissionais que as acompanham, numa verdadeira sessão de trabalho em equipa em prol da literacia emergente. Neste espaço conceberam-se e construíram-se livros, jogos sensoriais, placas de identificação, calendários de rotinas e muito mais.

Enquanto membros da equipa do CAIPDV (Centro de Apoio à Intervenção Precoce na Deficiência Visual) foi um enorme gosto promover esta iniciativa e usufruir da partilha gerada…uma partilha profissional mas também uma partilha da dimensão dos afectos e das relações entre pessoas.

A todos,  muito obrigadas e até breve!

 

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Foto de grupo do Atelier

Oficialização do Sistema Braille em Portugal – Decreto-Lei n.º 126/2017 de 4 de Outubro

Boas notícias para a literacia de pessoas com cegueira!

O Decreto n.º 18.373, de 22 de maio de 1930, que reconhecia a a conveniência de «uniformizar em Portugal o método de leitura e escrita do Sistema Braille para uso dos cegos, em harmonia com a nova ortografia oficial», deixou de satisfazer  as necessidades dos seus utilizadores. Actualmente, o braille implica não só a escrita no seu modo mais direto como a escrita da matemática, química, música, etc.

Além disso, tem vindo a ser discutida a utilização de meios digitais em detrimento do Sistema Braille “menosprezando” o peso que este material signográfico tem enquanto ferramenta de integração do indivíduo a nível familiar, escolar, profissional e social.

Este será um primeiro passo para “vincar” a utilização do Braille nos diversos contextos dando-lhe a importância que há tanto era solicitada pelas pessoas com cegueira.

Decreto-Lei n.º 126/2017, de 4 de outubro braille oficialização

Grupo de Trabalho para a Literacia Emergente e Pré-Braille

No passado dia 7 de Outubro foi realizado, na sede do CAIPDV, o primeiro Grupo de Trabalho para a Literacia Emergente e Pré-Braille.

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Descrição da fotografia: Profissionais no Grupo de Trabalho para a Literacia Emergente e Pré-Braille .

Por sugestão dos pais participantes nos ateliers anteriores, que têm encarado o processo de literacia emergente como crucial no desenvolvimento das suas crianças, surgiu a ideia de abrir estes atelier’s a profissionais. Os principais objetivos deste grupo de trabalho foram discutir aspetos inerentes à especificidades do pré-braille e literacia emergente na cegueira (0-6 anos) e partilhar práticas pedagógicas neste âmbito.

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Descrição da fotografia: Profissionais no Grupo de Trabalho para a Literacia Emergente e Pré-Braille e Técnicas do CAIPDV .

 

Foi um dia muito rico e que deixou espaço para novas partilhas.

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Descrição das fotografias: Profissionais no Grupo de Trabalho para a Literacia Emergente e Pré-Braille a explorarem materiais e livros.

 

Obrigada pela presença de todos e continuação de bom trabalho!

Promover a Literacia com as sensações do Outono

Chegou o Outono e com ele novas cores, cheiros, sabores, sons… Esta pode ser uma estação do ano rica em novas descobertas.

Na OLEC não podemos deixar de vos sugerir passeios pelo parque… Saltar em cima de folhas secas e escutar o seu som a estalar.

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Descrição da ilustração: Ilustração de Jimmy Liao. Criança deitada sobre tronco sente as folhas de tons alaranjados caírem sobre o seu corpo.

E porque não, escutar uma história deitados em cima deste “manto natural”?

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Descrição da ilustração: Ilustração de Jimmy Liao. Leão deitado sobre folhas de tons alaranjados, com livro entre braços.

No fim, recolham os vossos tesouros de outono e construam uma história. Para a operacionalização do livro, podem utilizar folhas soltas e colocar, posteriormente, umas argolas ou arquivar num dossier. Criem a vossa história e ilustrem-na com os elementos naturais que encontraram. O texto elaborado pela criança deverá, também, ser transcrito para braille e introduzido no vosso livro.

A criança deve participar activamente e transmitir a sua perspectiva sobre a experiência vivida. McLinden e McCall (2002) defendem que não devemos impor a nossa visão do mundo à criança, mas reconhecer e apreciar a sua perspectiva única sobre as coisas. A perspectiva de crianças com cegueira, muitas vezes avaliada como incoerente, constitui, na sua grande maioria, em adaptações lógicas para um mundo mediado predominantemente através do toque.

Fall leaves with braille Reading braille page about fall leaves.

Fonte das Fotografias: Paths to litercyhttp://www.pathstoliteracy.org/blog/promoting-literacy-through-experiential-learning-about-fall

Aqui encontrará outras sugestões para promover a literacia através de experiências sobre o outono.

Bons passeios!

Estamos de regresso!

Olá a todos,

Estamos de regresso! Pela OLEC trabalhamos em novidades… Estamos a elaborar atividades para desenvolver competências de pré-braille. Em breve, estarão nos contextos educativos das crianças acompanhadas.

Espreitem 🙂

Até breve!

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Um Verão com uma Brisa de Literacia

Associamos o Verão ao lazer, ao descanso e a actividades informais, e esta informalidade e descanso do período de férias, poderá ser o mote para o desenvolvimento de actividades para promover a literacia de uma forma descontraída, lúdica e num ambiente familiar.

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Ilustração de Jimmy Liao.

 

Estão prontos/as para um Verão com uma brisa de literacia? Deixamos aqui, algumas sugestões:

  1. Escrever uma carta a um familiar;

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2. Fazer uma horta/jardim com etiquetas identificadoras das espécies de plantas/flores;

3.  Cozinhar com os pais ou familiares, seguindo uma receita tátil ilustrada e com braille;

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4.  Escrever e ilustrar um livro sobre experiências vividas (um dia na praia, uma ida ao parque, etc.);

5.  Ir a um parque sensorial – Eco Parque Sensorial da Pia do Urso

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6. Ir à Biblioteca

7. Fazer um caça ao tesouro no parque, seguindo pistas;

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7. Conversar;

8. Imaginar;

9. Cantar, ouvir música, declamar poesia;

10. Ouvir uma história, todos os dias, em vários locais (no jardim; no sofá; na cama; num baloiço).

 

Para outras sugestões consulte o artigo: Top 10 Fun and Motivating Ways to Include Braille in Your Summer!

Gostaram dos nossos desafios? Sentiram a brisa de literacia? Partilhem connosco as vossas experiências, para as publicarmos neste espaço. Vamos a isso? O desafio está lançado! Aguardamos por bravos leitores que ousam sentir, este verão, uma brisa de Literacia. 

“O que vês, o que vejo…”, álbum tátil ilustrado em versão audio

Muitos são aqueles/as que nos têm solicitado o álbum tátil ilustrado “O que vês, o que vejo…”, infelizmente não conseguimos satisfazer todos os interessados/as pelo número limitado de edições deste livro (100 exemplares) que, felizmente, o que é  paradoxal, esgotou rapidamente. Entretanto, trabalhamos para angariar financiamento para a reedição deste livro e, quem sabe, editar outros títulos.

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Descrição da fotografia: Capa do Livro “O que vês, o que vejo…” (edição ANIP, texto Inês Marques, Ilustração Madalena Moniz).

A presente publicação tem como intuito dar a conhecer a versão audio deste livro, um projeto que teve a preciosa colaboração da Câmara Municipal de Coimbra, Serviço de Leitura Especial para Deficientes Visuais, da Biblioteca Municipal de Coimbra. A leitura foi realizada por Maria José Pessoa com o  apoio técnico de Emanuel Laça.

À Câmara Municipal de Coimbra, na entidade do Serviço de Leitura Especial para Deficientes Visuais, da Biblioteca Municipal de Coimbra, muito agradecemos. 

 

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Para aceder às versões audio, clique abaixo:

  1. Ficha Técnica e Sinopse “O que vês, o que Vejo…”
  2. Texto “O que vês, o que vejo…”
  3. Conclusão, agradecimentos, segurança.

Boa escuta! Deixe-se levar pela pluralidade das sensações, pela riqueza do diverso… Temos a certeza que será um óptimo ENCONTRO!

Bases para a Literacia: 5) Manusear livros tatilmente interessantes

Uma história que associa texto e imagem desenvolve competências linguísticas e comunicacionais , desperta o prazer da leitura e as trocas entre crianças cegas e normovisuais (Valente, 2015).

Com livros táteis ilustrados, a criança tem maiores oportunidades para alargar o vocabulário, consolidar conceitos, compreender narrativas e recontar histórias de forma independente. Para isso, é importante que as ilustrações táteis sejam interessantes e significativas. Eis algumas das características que contribuem para tal:

  • Elementos destacáveis ou acessórios (reais ou simbólicos), que permitam diversas manipulações;

Descrição da fotografia: Livro “À table!” (Editora Les Doigts Qui Rêvent).

  • Ilustrações que permitam o movimento e que ajudem a criança a perceber a ação narrada, por intermédio da experimentação com o corpo; 

(exemplos: abrir uma porta; subir umas escadas; descer um escorrega; andar para frente ou para trás; correr, espreguiçar-se…)

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Descrição da fotografia: Uma das páginas do livro “O que vês, o que vejo…” (Edição ANIP): crianças espreguiçam-se, ao acordar.

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Descrição da fotografia: Criança movimenta os braços articulados, presentes no livro, representando a ação narrada. Anteriormente, as crianças já tinham esticado os braços com o seu próprio corpo.

  • Diferentes texturas, que ajudem a criança a situar as sensações táteis reais de determinado objeto ou personagem; 

No caso do primeiro exemplo exposto – “Le Repas de Renard” as galinhas são representadas por penas e a raposa por pêlo. Já no segundo exemplo “Un hivier magique“, a editora Les Doigts qui Rêvent conseguiu produzir uma sensação tátil similar à neve pela sua densidade e pelo som provocado quando simulamos caminhar sobre “a neve” no livro.

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Descrição da Fotografia: Livro “Le repas de Renard” (Editora Les Doigts qui Rêvent)

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Descrição da fotografia: Livro “Un hiver magique” (Editora Les Doigts qui Rêvent)

  • Ilustrações que integrem outros sentidos como o audição e olfacto. 

 

Boas leituras!

1º Encontro Nacional de Pais, Familiares e Amigos de Crianças, Jovens e Adultos Cegos e com Baixa Visão

Caros leitores, hoje divulgamos o 1º Encontro Nacional de Pais, Familiares e Amigos de Crianças, Jovens e Adultos Cegos e com Baixa Visão, a decorrer a 17 de Junho, pelas 15.30, em Lisboa (junto ao Largo do Rato).

Pode ler-se, no facebook da Bengala Cor de Rosa:

É com muito gosto que anunciamos o nosso primeiro encontro!

Pretendemos, na 1ª parte deste evento, anunciar um projeto na área da Deficiência Visual e recolher os vossos contributos e sugestões para a prossecução do mesmo.
Na 2ª parte do encontro, teremos um momento de convívio com um lanche partilhado, para o qual pedimos a vossa colaboração com um doce/salgado ou bebida…

Teremos animação para as crianças.

Agradecemos confirmação da vossa presença (até ao dia 15 de junho) para:

bengalacorderosa@gmail.com

com indicações dos nomes dos participantes, idades, e qualidade em que se inscrevem (pai, mãe, amigo, etc).

Pedimos também o favor de partilharem este evento, para que consigamos chegar ao maior número de pessoas.

Podem consultar a localização do colégio alegria, em:

http://www.colegioalegria.pt/contactos/

Contamos com todos, até lá!

Atelier de Pais: Pré-Braille

No passado dia 03 de Junho aconteceu mais um atelier de pais, sob o tema pré-braille. Esta foi a primeira parte da exposição deste tema, um tema que se revela essencial na vida das crianças com cegueira. No próximo atelier, os pais terão oportunidade de experimentar a construção de materiais neste domínio.

Neste atelier, o nosso grupo cresceu e juntaram-se a nós mais duas famílias, a da Carlota e do Pedro. Bem-Vindas!

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Descrição da fotografia: Grupo de pais no atelier pré-braille.

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Descrição da fotografia: Vitória e Vicente a brincarem.

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Descrição da fotografia: Crianças – Gabriela, Vitória, Vicente, Duarte, Pedro, Carlota, Joana – ouvem história em voz alta “Maruxa” (editora OQO).

Para nós, mais um momento de importantes partilhas! Obrigada, famílias! E até breve!

 

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Descrição da fotografia: Foto de grupo do atelier de pais.

Bases para a Literacia: 4) Explorar o ambiente através do tato

 

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Legenda da fotografia: Criança em plena natureza, explora rochedo e poça de água.

Para que a criança com cegueira conheça o seu meio envolvente, é essencial que tenha múltiplas experiências táteis no seu dia-a-dia. É importante que os principais prestadores de cuidados a incentivem a explorar diferentes pisos, superfícies e objectos. Ter curiosidade pela exploração tátil é um aspecto fundamental para que a criança construa o conhecimento do mundo e, em última instância, desenvolva competências motoras que lhe permitam a leitura e a escrita.

Através do toque, a criança apreende diversos aspectos que são essenciais ao conhecimento do seu meio envolvente e lhe permitem recolher inúmeras informações:

  • Mecânicos (tato, pressão, vibrações, posições, movimentos);
  • Térmicos (sensações referentes à temperatura);
  • Álgicos (sensações referentes à dor).

O toque deve ser dinâmico: é a combinação destas diferentes sensações elementares, anexadas ao sentido cinestésico, que formam as sensações táteis como a nossa consciência percebe: «o movimento é ao toque, o que a iluminação é à visão» (Merleau-Ponty Claude, in Kraemer, 2009).

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Legenda da fotografia: Criança toca na neve.

 

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Legenda da fotografia: Criança explora gravilha no chão.

 

Boas descobertas e experiências mediadas pelo tato … e claro, partilhem connosco!

Bases para a Literacia: 3) Ouvir histórias independentes de imagens e experiências visuais

Crianças  com cegueira beneficiam da leitura em voz alta, a mesma  traduz-se em escutar uma narrativa que seja independente de imagens e experiências visuais . O momento em que a criança escuta uma história  é um momento de partilha e de atenção individualizada que a criança, geralmente, aprecia. Em simultâneo, a criança reforça a linguagem e desenvolvimento de conceitos, e trabalha competências de atenção, memória e imaginação.

Para que a experiência seja agradável e significativa, considere os seguintes aspetos:

  •  Ler um livro com uma criança pequena deve ser divertido tanto para o adulto e criança.
  • Escolha um livro que se relaciona com as experiências da própria da criança ou procure elementos que ajudem a criança a situar a narrativa nas suas experiências.
  • É importante que a história seja rica em descrições e, ao mesmo tempo, cativante em termos de sonoridade e ritmo.
  • Utilize diferentes tons de voz e efeitos sonoros. Seja expressivo do ponto de vista corporal e sonoro.
  • Introduza fórmulas que sejam um convite à repetição em voz alta e envolvam a criança.

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Ilustração de Maurice Sendak, em “Urso Pequeno”.

 

Bases para a Literacia: 2) Desenvolver competências linguísticas relevantes

A linguagem constitui um dos principais veículos de aprendizagem da criança com cegueira. Os conhecimentos adquiridos pela criança são, em grande parte, veiculados pela linguagem, já que a ausência de visão restringe a aprendizagem incidental e todas as dinâmicas de interação dependentes da visão.

Apresentamos, aqui, alguns dos aspetos que consideramos essenciais para o desenvolvimento comunicativo e linguístico da criança com cegueira:

  • Relações privilegiadas do recém-nascido com os principais prestadores de cuidados: Uma situação de cegueira poderá condicionar o recém-nascido na interação social com os principais prestadores de cuidados (Hatwell, 2003) e, por isso, os pais deverão investir no toque e no diálogo com o bebé.
  • Descrever todas as situações, gestos, expressões e ambientes  para que a criança apreenda o seu  meio envolvente.
  • Utilizar as experiências de vida da criança: São as experiências vivenciadas pela criança que vão permitir que se aproprie do seu contexto (Castellano, 2000). Nestas vivências, a criança deverá ter um “mediador” que lhe explique tudo o que toca e vivencia. Experiências significativas e de qualidade enriquecem o vocabulário compreendido e utilizado no discurso da criança (Koenig & Holbrook, 2002).
  • Explorar e experimentar objetos e atividades nas suas múltiplas dimensões: Quanto mais um conceito é abordado, nas suas diversas dimensões, maior e melhor se torna a sua compreensão (Rigolet, 1998). No caso de crianças com cegueira é fundamental a área do desenvolvimento de conceitos, sendo essencial que a criança perceba todas as suas dimensões. As experiências prévias e concretas ajudarão a criança a fazer a ligação com o que se verbaliza.

Um exemplo com Compota de Manzana, de Klaas Verplancke:

Explicar à criança como se faz uma compota de maça poderá ser uma experiência riquíssima ao nível da formação de conceitos e do desenvolvimento da linguagem. A experiência poderá começar no jardim com a apanha das maçãs da macieira (a árvore que dá as maças), que é tão alta, tão alta que só às cavalitas do pai as conseguimos alcançar…

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Na cozinha podemos conversar sobre as maçãs: a sua forma, cor, textura, cheiro… A criança poderá perceber que cortando a maça a mesma adquire novas formas …

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Na panela ao lume, a maçã transforma-se na compota juntamente com outros ingredientes. E, claro, podemos provar, diretamente da panela, e a criança apercebe-se de como está quente e como o cozimento alterou a textura da maça crua.

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No fim, poderá ser interessante ouvir uma história em voz alta ou explorar um álbum tátil ilustrado sobre a experiência prévia da criança. Em alternativa, podem, também, construir a vossa própria história recorrendo a objetos reais ou figuras representativas com texturas.

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Boas conversas, boas experiências e boas leituras!

 

Mais informações sobre este tema em: 

http://www.familyconnect.org/info/browse-by-age/infants-and-toddlers/growth-and-development-iandt/helping-your-baby-develop-language/1235

http://www.familyconnect.org/info/browse-by-age/infants-and-toddlers/growth-and-development-iandt/toddlers-language-development/1235

Atelier: Adaptação de Jogos

E é com orgulho que partilhamos convosco pequenos momentos de mais um atelier realizado com pais de crianças com cegueira ou défice visual grave, este sob a temática da adaptação de jogos.

Um dia de trabalho, onde os pais colocaram ideias em prática para tornar jogos mais acessíveis aos seus filhos.

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Um dia de amizade, boa disposição e união! Um dia de (re)ENCONTROS 🙂

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Obrigada Famílias!

Até breve.

Dia Internacional do Livro Infantil

Hoje comemoramos o dia internacional do livro infantil, renovando votos: “Vamos crescer com o livro!”.

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Cartaz DGLAB comemorativo do Dia Internacional do Livro (ilustração de João Fazenda).

 

VAMOS CRESCER COM O LIVRO!

Na minha primeira infância, gostava de construir casas com pequenas peças e toda a espécie de brinquedos. Usava muitas vezes um livro ilustrado a fazer de telhado. Nos meus sonhos, entrava na casa, deitava-me na cama feita com uma caixa de fósforos e olhava para cima, para as nuvens ou para as estrelas do céu. A escolha dependia da ilustração que preferia na altura.

Mensagem do IBBY , este ano da responsabilidade da Rússia, texto do escritor Sergey Makhotin. Descarregar texto completo VAMOSCRESCERCOMOLIVRO

 

 

Comemoração 2 Anos Blog OLEC

Entre crianças e famílias… 

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À roda de uma história… 

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Aconchegados(as) pelo calor da partilha…

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Sempre de braços esticados,

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 prontos(as) para despertar sensações…

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… e ternura.

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Na OLEC percorremos vários caminhos…Encontramo-nos com vários rostos, várias vidas… E isso, tem sido o mais bonito do caminho trilhado.

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Na OLEC somos uma casa cheia de gente, cheia de histórias, sorrisos e união!

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Um brinde aos nossos 2 anos de blog!

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Um agradecimento especial a todos os nossos seguidores e amigos. A todas as pessoas que participam nesta rede, dando-lhe sentido e prosperidade!

Famílias e crianças, um obrigada especial.

Bem-Vindas: Voluntariado na OLEC

Na OLEC gostamos de contar histórias e contar com pessoas que, com a sua generosidade, querem ajudar-nos  a construir este projeto.

É com muita alegria que partilhamos que teremos a colaborar connosco a Ana Matos e a Lúcia Fialho, em regime de voluntariado. Chegaram cheias de ideias e com muita vontade de contribuir para a construção de mais livros e materiais.

Contamos muito com elas… Obrigada e BEM-Vindas, Ana e Lúcia!

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Descrição da fotografia: Da esquerda para a direita: Rita Ângelo, Ana Matos, Patrícia Valério, Helena Mamede, Inês Marques, Lúcia Fialho.

Muito Obrigada, Hipopómatos!

Hipopómatos na Lua, conhecem? São um Blogue, uma Casa do Chá e da Leitura, uma Livraria…Dizem que viajam através do único meio capaz de nos levar a qualquer lado, o LIVRO. Pretendem dar-nos uma boleia…

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E que boleia nos têm dado…Inspiram-nos com a beleza com que falam de livros e histórias…e agora, associaram-se ao CAIPDV  numa Campanha de Recolha de Livros Infantis para crianças com cegueira. Muito obrigada, Hipopómatos!

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Para que TODAS as Crianças sejam CRIANÇAS DE LIVROS!

Afetos e Literacia Emergente

Hoje tivemos um dia em cheio num jardim-de-infância. Um dia bem docinho, cheio de abracinhos, e muitos beijinhos… Tudo para celebrar os afetos, o amor, a amizade e tudo aquilo que cada um, e cada criança, entende como o Dia dos Namorados.

Como já é habitual levámos uma história: Caracol e Caracola (OQO Editora), adaptada pela equipa OLEC. A história de um Caracol que se sente escuro e sem brilho até que a Caracola lhe diz que ele é bonito. Com os seus pauzinhos ao sol, anda que anda, fala que fala, descobrem juntos aquilo que significa a amizade. Uma história repleta de ternura, que todos apreciámos!

Num artigo futuro, abordaremos o processo de construção das ilustrações táteis. Para já, algumas fotografias que retratam a exploração da história no jardim-de-infância.

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No final da história, modelamos plasticina e construímos Caracóis e Caracolas e, claro, corações.

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Neste dia, tivemos, ainda, a oportunidade de conhecer uma interessante ferramenta de trabalho para desenvolver a acuidade tátil, seguimento de linhas, posicionamento das mãos, entre outras competências, concebida e realizada pela Professora Alice Liberto (Especializada no domínio da Visão – Agrupamento de Escolas Grão Vasco de Viseu).

Um livrinho cheio de surpresas… só desvendadas por dedos curiosos, dispostos a deslizar e seguir… Mas para entrar nesta fantástica aventura é preciso bater à porta, ou tocar à campainha…”Truz, truz”, “Posso entrar?”… Destrancamos a porta com a chave do coração e… páginas e páginas de surpresas coloridas, com relevos positivos e negativos. Surpresas que aguçam a vontade de seguir e a imaginação.

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Algumas das páginas deste livrinho:

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Caros leitores, afetos e literacia emergente combinam muito bem! Que este namoro seja todos os dias.

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Bases para a Literacia: 1)Desenvolver competências motoras globais

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O artigo de hoje abordará a necessidade da criança com cegueira desenvolver competências a nível motor do ponto de vista global. À medida que a criança desenvolve estas competências, irá também refinando as competências motoras  mais finas.

Ao pensarmos que a escrita e a leitura braille é realizada por intermédio da função instrumental das mãos, rapidamente, associamos a necessidade da criança desenvolver competências de motricidade fina, fulcrais para que desenvolva a “acuidade tátil” necessária à leitura.

O comportamento de leitura Braille destaca, efectivamente, o papel das mãos, mas a sua fluidez funcional e a coordenação dos seus movimentos estão directamente condicionados pela flexibilidade dos ombros, dos braços e dos punhos (Krammer, 2009).

“A criança usa os seus braços antes das suas mãos e as mãos são usadas de forma global antes que ela possa controlar e coordenar o movimento dos dedos”

Vayer Pierre,  1978

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Trabalhar estas competências no dia-a-dia: 

  • Amplitude de movimentos: vestir uma camisola, uma t-shirt, um casaco, um gorro.
  • Afastamento do braço em relação ao corpo: baloiçar, jogos de trepar, transportar diferentes materiais (madeira, pedras), jogo de bolas.
  • Extensão: Agarrar uma bola suspensa em altura ou deixar-se arrastar deitado em cima de um cobertor/toalha, agarrando-se ao mesmo.
  • Variar posições entre Extensão/Relaxamento: brincar ao faz de conta, imitando corporalmente personagens: o soldadinho de chumbo, uma bailarina, ou uma borboleta, um bichinho de conta (que ora se encolhe, ora estica livremente).
  • Tração: o tradicional jogo da corda Um objeto sonoro  colocado no centro de uma lona/licra. Inicialmente, a tela quase toca o chão, as crianças puxam para trás, o objeto deixa de estar em contacto com a superfície, e saltando faz barulho ao cair novamente no tecido.
  • Suspensão: Pendurar-se numa vara e levantar os pés do chão para que os braços suportem o peso do corpo (equipamento parques infantis), brincar ao jogo do carrinho de mão.
  • Mobilizar cotovelo: regar as plantas, levantar a mesa (transportar pratos), estender massa de tarte ou pão com o rolo.
  • Rotação do punho: abrir e fechar torneiras, lavar e secar as mãos, lavar o rosto, descascar fruta, enrolar um novelo de fio.
  • E MUITO MAIS …

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Bom trabalho e muito, muito, MOVIMENTO!

Fonte das ilustrações: Beatrice Alemagna, em Lotta Combinaguai.

Bibliografia:  Kraemer, C. (2009). Approche de la lecture à fleur de peau ou La pré-lecture Braille. Les Doigts qui Rêvent: Talant.

Construir uma base sólida para a literacia

A literacia emergente é um processo que se inicia desde o nascimento da criança, constituindo-se um direito fundamental (Wright,1991).Crianças com cegueira ou défice visual grave desenvolvem a literacia através de diversas experiências significativas.

A criança deve ter oportunidade de:

  • Desenvolver competências motoras globais;
  • Desenvolver competências linguísticas relevantes;
  • Ouvir histórias independentes de imagens e experiências visuais;
  • Explorar o ambiente através do tato;
  • Manusear livros tatilmente interessantes;
  • Divertir-se e aprender através da interação com os livros.
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Fonte:On the Way to Literacy. Early Experiences for Visually Impaired Children, APH for the Blind.

 

Este artigo tem como fonte um artigo do site Paths to Literacy. Ler mais sobre este assunto aqui.

Não perca os próximos post’s, onde desenvolveremos cada um dos tópicos apresentados.

Bom fim-de-semana!

“O Que Vês, O Que Vejo…” na It’s a Book

É tão bom pensarmos que o livro “O que vês, o que vejo…”  percorre tantas mãos, tantas prateleiras e o imaginário de tantos  miúdos e graúdos…

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Página do livro “O que vês, o que vejo…” (texto Inês Marques, ilustrações Madalena Moniz, edição ANIP).

E é com muito orgulho que partilhamos que um dos exemplares deste livro está disponível, para consulta, na  It’s a Book.

Se não teve oportunidade de conhecer o livro, e se encontra pela zona de Lisboa, não deixe de  o consultar neste espaço fantástico. Vale muito a pena a visita a esta livraria e oficina!14581374_218214661928336_7611368813163838674_n

Sobre a It’s a Book: 

Este projecto ambiciona ser um espaço de reflexão sobre o universo do livro infantil, questionando as suas fronteiras e apresentando-se como um lugar de descoberta e aprendizagem. 

A It’s a Book oferece uma selecção criteriosa de livros infantis provenientes de editores nacionais e internacionais. Os livros pertencentes a esta selecção destacam-se pelas suas qualidades conceptuais, artísticas e didáticas. Dando também lugar a editoras independentes e a edições de autor.

In: It’s a Book

“It’s a Book”, obrigada pelo interesse e divulgação deste projeto  🙂

“O que vês, o que vejo…” no programa “Faz Sentido” da SIC Mulher

Tivemos o prazer de divulgar o álbum tátil ilustrado “O que vês, o que vejo…” no programa “Faz Sentido” da SIC Mulher.

Ver vídeo aqui.

Este livro teve uma enorme equipa de bastidores, à qual dirigimos o nosso profundo agradecimento: Os Malmequeres, Gang da Malha de Pombal, Lusitânia Seguros, Amílcar & Morgado, BOMOR, Les Doigts Qui Rêvent, Prémio BPI Capacitar 2014, Inês Ladeiras, Catarina Francisco, Luísa Carvalho, Joana Carvalho, Sílvia Pinto, Rita Silva, Anabela Antunes, Madalena Moniz, Inês Marques, Helena Mamede, Patrícia Valério, Rita Ângelo, Viviana Ferreira, FAMÍLIAS e CRIANÇAS.

O sucesso deste projeto é de todos nós!!

Agradecemos, também, a todos aqueles que têm demonstrado interesse por este livro.

Dia Mundial do Braille

Assinala-se, hoje, dia 04 de Janeiro de 2017, o Dia Mundial do Braille. Uma data de extrema importância que reitera os valores da igualdade de oportunidades e do direito à educação.

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Hoje eles são os protagonistas…

“Seis pontos a dançar ao som de uma música de pontos combinados,

deixam um rasto de contos elevados,

para dedos afinados poderem sonhar.

Entre cócegas nos dedos,

consigo imaginar que se os deixasse escapar,

esses pontos ardilosos,

da folha para o céu a voar,

formavam constelações

de contos encantados,

ou de contos assombrados! (…)”

In: O que vês, o que vejo…

Que dedos afinados possam sempre sonhar!

Este livro está a chamar-te (não ouves?)

Na OLEC apaixonamo-nos por livros… e este chamou-nos!

Disse-nos que era ideal para ler com as mãos, com os ouvidos, com o cheiro, com o movimento, enfim com as  sensações… Lembrámo-nos das nossas crianças e quisemos muito que ouvissem, também, esta insistente voz. A mediação da leitura deste livro aconteceu em turmas de jardins-de-infância  onde estão incluídas crianças com cegueira.

Ei…psiu,  “Este livro está a chamar-te (não ouves?)”, de Isabel Minhós Martins e Madalena Matoso (Planeta Tangerina).

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Descrição da fotografia: Capa do livro “Este livro está a chamar-te (não ouves?)

Uma voz chama os leitores com insistência. Parece empenhada em fazer chegar os leitores a qualquer lugar. Mas onde? Para o descobrirmos, teremos de atravessar uma floresta, um rio e uma tempestade e seguir as pistas deixadas pelo caminho.

Com este livro É preciso: digitar, carregar, tamborilar, saltitar, observar, ouvir, cheirar, soprar, caminhar, espreitar, aconchegar.

In: Planeta Tangerina.

Procurámos transpor a riqueza das ilustrações do livro, que são pano de fundo para esta viagem,  para um percurso 3D, que fosse acessível também a crianças que se vêem privadas do sentido da visão.

Eis o percurso…

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A voz… esta insistente e apelativa voz,  chamou as crianças para o livro, despertando um sem número de sensações. 

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Põe aqui uma mão.

E aqui outra. Para contar esta história, vamos precisar dos teus dedos, dos teus olhos, dos teus ouvidos… e quem sabe do teu nariz… 

Preparado? Se sim, tamborila com os teus dedos para imitares o rufar do tambor: a aventura vai começar!

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Afinal, a chuvinha transformou-se numa chuvada!

(com a ponta dos dedos). devagarinho…com mais força…tempestade!

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Um rio…

Molha a ponta dos dedos na água… Está fria, não está?

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Para chegares à margem de lá salta as pedrinhas, uma por uma. 

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A água parece boa, vamos atirar pedras lá para dentro?

Splich…

splach…

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Que sombra repentina é esta?

Um melro…Toca a proteger a minhoca …

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Finalmente!

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Até manhã. 

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Com este livro interactivo, desenvolvemos competências sensoriais através da vivência deste percurso-história, bem como competências motoras globais e finas.

Houve, ainda, oportunidade para  motivar crianças normovisuais e com cegueira para a representação gráfica do conteúdo vivenciado. A partir de livros em branco, cada criança retratou a sua experiência com este livro, através de vários materiais táteis.

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Boas Festas

A equipa da OLEC deseja a todos um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo!

Ahh, e não se esqueçam, entre doces e docinhos, mesa cheia, conversas e gargalhadas, o quentinho da lareira, do chá e dos abraços, arranjem um tempinho para ler um livrinho em voz alta.

Algumas sugestões, com todos os sentidos do natal:

Feliz Natal Lobo Mau (de Clara Cunha; Ilustração de Natalina Cóias, Editora Livros Horizonte);

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A lista de Natal da Zoe (de Chloë Inkpen e Mick Inkpen, Editora Livros Horizonte);

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Sonho de neve (de Eric Carle, Editora Kalandraka);

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O Natal maravilhoso do Bolinha (de Eric Hill, Editorial Presença).

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Boas festas e boas leituras!

 

Livros no Natal

Um livro é sempre uma excelente oferta de natal!  No entanto, nem sempre é fácil encontrar livros acessíveis a crianças com cegueira. Assim, livros que integrem a componente áudio são excelentes opções, por incluírem sonoridades apelativas, a musicalidade da palavra e permitirem  às crianças autonomia no momento da escuta da história.

Já existem alguns livros deste tipo no mercado. Deixamos algumas sugestões:

Cantar Juntos 1 (APAR)

Cantar Juntos 2 (APAR)

O som das Lengalengas (Livros Horizonte)

O som das Palavras (Oficina Canto das Cores)

Hansel e Gretel (OQO Editora)

Canta o Galo Gordo – Poemas e canções para todo o ano (Porto Editora)

Tenho a Lua no Meu Bolso (Recortar Palavras)

Poemas para Bocas Pequenas (BOCA)

35 contos dos irmãos Grimm (BOCA)

Coleção Histórias de Encantar (32 títulos disponíveis) (Editora Zero a Oito, venda exclusiva Pingo Doce)

Colecção Canta-me um conto (6 títulos disponíveis) (Editora Zero a Oito, venda exclusiva Pingo Doce)

Coleção 4 leituras (6 títulos disponíveis) (Editora Cercica)

E vocês, conhecem alguma versão de livro com componente audio? Partilhem, também, as vossas propostas.

Boas leituras e boa escuta!

OLEC: novas instalações

A OLEC é a nossa “casa de livros”… um espaço de trabalho, por nós, muito prezado. É aqui que guardamos os nossos tesouros e imprimimos significados, através do braille e da componente tátil e sensorial, incluída em livros e outros materiais promotores da literacia emergente de crianças com cegueira.

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Descrição da ilustração: Abrigo construído por livros onde criança espreita, ilustração de Anna Forlati, em “I libri di Maliq”.

E agora temos casa nova. Podem encontrar-nos em:

Av. Afonso Romão – Hospital Pediátrico de Coimbra (Piso 0) 3000-602 COIMBRA

Se tiverem interesse em visitar-nos enviem e-mail caipdv@anip.net ou 965 224 961.

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Descrição da fotografia: Novas instalações da OLEC (sala vista de fora).

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Descrição da fotografia: Novas instalações da OLEC (interior da sala). Equipa em processo de trabalho.

“O que vês, o que vejo…” é notícia no Público

“O que vês, o que vejo…” é notícia no Jornal Público. Não deixem de ler: “Era uma vez… um livro para as crianças que não vêem”, por Bárbara Duarte Mota.

Ver notícia aqui.

O papel ganha vida e formas. A conversa sai das folhas para as mãos. É assim que o primeiro livro multissensorial consegue dar às crianças com deficiência visual que não saibam ler em braille a oportunidade de conhecer a história que nestas páginas é contada.

Público, 03. Dez. 16

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